16 de fev de 2018

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Novo porto paranaense começa a operar em pouco mais de dois anos

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Por Reinaldo Bessa em 11/02/2018.


Foto: Daniel Caron / Gazeta do Povo.

Em maio de 2020, começa a operar o Porto Pontal, em Pontal do Paraná, mais novo terminal portuário privado do Brasil. Com área total de 627 mil metros quadrados, mil metros de cais e três berços de atracação simultânea de navios, o porto realizará atividades de transbordo e carregamento de cargas em contêineres e deverá ter a maior área para armazenamento desses equipamentos do Brasil. A pretensão do Grupo JCR, que o está construindo, é ampliar em 55% a capacidade portuária do Paraná. Localizado na entrada do Canal da Galheta, em frente à Ilha do Mel, o empreendimento já obteve a Licença de Instalação, com previsão de início das obras para o segundo semestre deste ano. O site conversou com o CEO do Porto Pontal, o carioca Antônio José de Mattos Patrício Júnior, com 34 anos de carreira no setor portuário.

Quando o senhor assumiu o cargo e que serviços a empresa que dirige presta atualmente?

Assumi em outubro do ano passado a presidência da Porto Pontal Paraná, da qual sou CEO. Fundada pelo empresário João Carlos Ribeiro, a empresa foi constituída para executar o projeto e realizar a operação do melhor terminal de contêineres das Américas. O Porto Pontal será estratégico para toda a logística brasileira, especialmente das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil. É um projeto green field na área portuária de Pontal do Paraná, muito estratégico para impulsionar as exportações e importações brasileiras, pois o comércio marítimo já representa, hoje, 95% do transporte de todas as importações e exportações brasileiras.

Qual sua formação?

Sou Oficial de Marinha Mercante da turma de 1983, com pós-graduações em Gestão Portuária pela USP, em Gestão Estratégica pelo IMD, na Suíça, em Gestão Financeira pela Univille (SC) e em Portos e Estratégia pela Lloyds Academy de Londres.

O que fazia antes de entrar na empresa?

Eu era presidente do Porto Itapoá, em Santa Catarina, o porto número um do Brasil. Desde 1995, trabalho como gerente de operações e diretor de operações. Depois, fui promovido a general manager para gerenciar o APM Terminals Pecem no Porto do Pecém, no Ceará. Na sequência, fui convidado para gerenciar o APM Terminal, na Jordânia. Logo depois me tornei CCO e assumi a área comercial para o Caribe e América do Sul. Após, fui transferido para o Vietnã, mas não aceitei e fui ser o CEO do Porto Itapoá. Até hoje sou o único brasileiro a ser presidente de um porto no exterior. Isso é muito engrandecedor.

O que o fez entrar nesse ramo?

Estou há 35 anos no ramo da navegação e da logística. Quem é do setor diz que a navegação é um vício bom. Depois que você experimenta, não sai mais. É uma das áreas de negócios onde o indivíduo pode sempre se desenvolver, pois tudo lhe é muito exigido. Você aprende algo novo todos os dias. É um mundo fascinante, que coloca você em contato com gente do mundo inteiro.

Quantos funcionários tem a Porto Pontal hoje?

Hoje, temos um time de elite com 20 profissionais de diferentes áreas. Essa equipe foi estruturada para iniciar a execução do projeto. Assim como os “seals” americanos, esses são os nossos “focas do Pontal”. É o nosso Esquadrão de Elite, cuja tarefa é concretizar um grande projeto. É um time focado em projetos para fazer com que o greenfield saia do papel e se torne realidade. Temos profissionais das áreas de manutenção, operação, comercial, recursos humanos, meio ambiente, licenciamento, marketing, comunicação, responsabilidade social, advogados, especialistas em estradas, entre outros. Teremos diversos profissionais no início da operação, prevista para 2020. Deveremos ter cerca de 500 funcionários. Deste, pelos menos a metade serão profissionais que serão treinados por um período de seis meses para as devidas qualificações. A ideia, por conta desse treinamento, é aproveitar moradores de Pontal do Paraná. Somos uma empesa moderna, sem preconceitos, que aceita a diversidade e a inclusão. Buscaremos os melhores profissionais no mercado.

Quanto ela vale hoje?

O Porto Pontal ainda é um projeto e um sonho não tem valor. Mas, assim que tentarem comprá-lo, saberemos o seu valor real (risos). O investimento inicial do projeto é de R$ 1,5 bilhão, em torno de U$$ 430 milhões, o que não é considerado um valor alto no mercado internacional. Por conta disso, o projeto tem atraído grandes investidores internacionais. Em relação ao valor da empresa, ainda não o abrimos porque estamos em um momento estratégico para busca de parcerias.

Qual foi seu maior desafio ao assumir o cargo?

O meu maior desafio é transformar o sonho do porto em realidade e não vou sossegar enquanto não vencê-lo.

Quais os planos para que o Paraná recupere a capacidade portuária, que ultimamente tem perdido espaço para Santa Catarina?

Primeiro ponto é que a população do Paraná seja esclarecida e convencida da necessidade do estado ser mais competitivo na área logística. Para isso, um terminal portuário privado é fundamental para melhorar a opção do Paraná em relação à Santa Catarina, estado que apostou e investiu maciçamente nos últimos anos na logística portuária, rodoviária e ferroviária. Infraestrutura é a chave do desenvolvimento.

Qual o diferencial do projeto do Porto Pontal em relação aos outros em que já trabalhou?

Seu principal diferencial será a capacidade de receber os maiores navios do mundo já na sua abertura, fato que nenhum outro terminal do sul do Brasil tem capacidade para fazê-lo. Será um marco na história do Paraná e do país. A localização do Porto Pontal tem profundidade de saída de 16 metros, o que não é comum em outros portos aqui do Sul do Brasil. Portanto, permitirá a capacidade de calado de navio de 14 metros que atenderá os maiores do mundo – com 400 metros de comprimento. O Porto Pontal, com isso, já em sua abertura, se tornará o único do Sul do país a poder receber os maiores navios que navegam pelos oceanos.

Qual seu maior sonho e o que faz para buscá-lo?

Profissionalmente, é ver mais este projeto se tornar realidade e poder dizer que fiz parte de algo tão importante, justo e perfeito para nosso país. Pessoalmente, é ver o Botafogo campeão todos os anos, tanto carioca, como brasileiro, da Libertadores e, por que não, mundial (risos).

Como planeja seu dia a dia?

Karatê-trabalho-esporte-família. Tudo tem seu tempo e eu os obedeço, com uma alimentação balanceada e sono tranquilo. A idade começa a pesar e antes que eu me arrependa do que não fiz, faço agora para não ter arrependimento futuro.

Tem algum hobby?

Minha família é o meu maior hobby e isso inclui uma Yorkshire linda, Pink Regina Ferreira de Mattos Patrício Junior (risos). Mas pratico karatê, que é a melhor maneira de manter a disciplina e o caráter, com sinceridade e respeito, através da persistência e do autocontrole.

Como encara a segunda-feira?

Algumas segundas-feiras são boas e outras ruins, tudo depende de quanto foi o jogo do Botafogo no final de semana (risos). Brincadeiras à parte, é um dia normal, sem stress e com energia revigorada.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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