26 de jan de 2018

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Cidades brasileiras registram dezenas de mortes criminosas de macacos

destaques


Do sul ao norte do país só se fala em febre amarela. O surto que chegou à área urbana e culminou na morte de 53 pessoas (número confirmado pelo Ministério da Saúde) entre julho de 2017 a 23 de janeiro de 2018. Mas as primeiras vítimas da doença são os macacos, que não só são vítimas dos mosquitos transmissores, como também tem sido atacados pelos seres humanos.

Não é de hoje que o desconhecimento em torno do vírus da febre amarela ocasiona no ataque aos macacos. Mas, infelizmente, o número de casos de animais mortos vítimas de pedradas, pauladas e envenenamentos tem aumentado -, ao passo que novas áreas urbanas registram casos da doença.

O fato é em primeiro lugar uma contradição, afinal os macacos são os primeiros a serem atacados pelos vetores. Além disso, quando há mortes de tais animais em determinada região, ajudam a identificar o local onde há incidência do vírus. Em segundo lugar e mais importante: eles não transmitem a doença para os seres humanos. Nesta matéria falamos de alguns mitos e verdades sobre a febre amarela e macacos.

Repercussão


Ontem à noite (23/01), o jornalista André Trigueiro divulgou algumas imagens de macacos mortos e um texto de alerta sobre o caso, inclusive cobrando autoridades governamentais. Em uma das fotos, é possível ver inclusive um mico-leão-dourado, espécie ameaçada de extinção, com lesão característica de agressão, sendo que até agora não foi confirmado nenhum caso de infecção e morte desta espécie (e ainda que houvesse, não justificaria tamanha crueldade), confira abaixo:


É responsabilidade minha a exposição das imagens abaixo. Já fiz vários alertas (como tantas outras outras pessoas e organizações) sobre o absurdo de se matar macacos em tempos de combate a febre amarela quando o verdadeiro vilão é o mosquito. Mas parece que não estão surtindo efeito.






Hoje fiz uma reportagem no Laboratório de Saúde Pública da Vigilância Sanitária do Município do Rio. Para lá são encaminhados os cadáveres de macacos mortos em todo o Estado. Selecionei as imagens menos chocantes. Os profissionais do Laboratório nunca viram algo parecido. O ano mal começou e nestes primeiros dias de janeiro já foram registradas 104 mortes de macacos. Mais da metade por agressões covardes (pedradas, pauladas e envenenamentos). Na maior parte dos casos são bugios, sagüis e macacos-prego. Mas para lá também foram levados dois cadáveres de micos-leões-dourados (espécies ameaçadas de extinção) recolhidas nas imediações de Silva Jardim (RJ) com lesões características de agressões.

Tudo isso é um absurdo completo! Os macacos são sentinelas, biomarcadores da presença do vírus da febre amarela. Quando macacos morrem pela doença, as autoridades de saúde conseguem acionar protocolos de resposta (isolamento da área, vacinação da população, etc) que evitam a expansão do vírus entre humanos. Os macacos são vítimas como nós. O que devemos fazer é exterminar os focos do mosquito. Simples assim.

O problema é que a ignorância tem prevalecido. A matança dos macacos continua. Se as palavras não tem sido suficientes, seguem as imagens. Repito: não publiquei as mais chocantes.

Cadê o governo que não realiza campanhas de esclarecimento maciças, informando a população sobre a doença, quem transmite, como evitar, orientações sobre a vacina, os alertas sobre os mosquitos e os esclarecimentos a respeito dos macacos?

Sem governo, num país sem educação, façamos nós a nossa parte. A pena prevista para quem mata macacos é de 6 meses a um ano de prisão mais multa. Eles são inocentes. Apesar disso, estão sendo dizimados. Até quando?

André Trigueiro

Fonte: http://ciclovivo.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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