1 de dez de 2017

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ESCARPA DEVONIANA (vídeo).

destaques


Um grupo de artistas produziu um videoclipe para protestar contra a tentativa de reduzir a Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana, uma unidade de conservação no Paraná que pode perder quase 70% de sua área por causa de um Projeto de Lei. O trabalho conta com a participação de paranaenses ilustres, como Luís Melo, ator que no momento trabalha na novela O outro lado do paraíso, na TV Globo, a cantora Rogéria Holtz e mais de 40 artistas, entre atores, músicos e humoristas. (Confira o clipe no final da reportagem ou neste link.)
A música foi escrita pela cantora e compositora Raissa Fayet, de Curitiba, que tem família na região da escarpa. Vegana e interessada no ativismo ambiental, Raissa conta que, quando foi convidada a participar de uma ação contra a redução da APA, viu uma oportunidade para juntar a classe artística na defesa da natureza da região. “Queremos que as pessoas se importem com o que é essencial, como nossa água, nosso ar e nosso alimento. A arte tem esse poder de levar essa mensagem para as pessoas”, diz.
A Escarpa Devoniana nada mais é que um grande degrau geológico, de 200 metros de altura, que separa dois planaltos no Paraná. Ela tem esse nome porque suas rochas foram formadas no período devoniano, há 300 milhões de anos – antes mesmo do surgimento dos dinossauros. Hoje, é uma das áreas naturais mais importantes do Paraná, funcionando como reservatório natural de água, contendo inúmeras cachoeiras e espécies de fauna e flora. Ela abrange, além disso, dois ecossistemas ameaçados da Mata Atlâtica, os Campos Gerais e a Floresta de Araucária.
Esse patrimônio natural é protegido pela APA, criada em 1992. Uma APA é uma unidade de conservação pouco restritiva. Ela permite que, num mesmo ecossistema, haja florestas protegidas ao lado de propriedades privadas com produção agrícola, pecuária e até atividades industriais e minerais. Todas essas atividades são organizadas por um plano de manejo, que define onde se pode produzir e onde se deve preservar. “A APA é um grande laboratório de convivências entre a natureza e as atividades humanas”, diz Aristides Athayde, advogado e vice-presidente do Observatório Justiça & Conservação, organização conservacionista do Paraná. “Mas, recentemente, alguns proprietários pararam de respeitar o plano de manejo e houve inúmeros ilícitos.” Entre esses ilícitos estão o desmatamento ilegal e o avanço de atividades agrícolas, especialmente monoculturas de pinus, eucalipto e soja em áreas destinadas à conservação.
Essa situação se intensificou a partir de dezembro do ano passado. Os deputados estaduais Plauto Miró (DEM), Ademar Traiano (PSDB) e Luiz Cláudio Romanelli (PSB) apresentaram na Assembleia Legislativa um Projeto de Lei que reduzia em 68% a área da APA, tirando todas as áreas particulares da unidade de conservação. Na prática, o projeto permite que essas propriedades que hoje estão na escarpa ou nos Campos Gerais possam ignorar qualquer restrição do plano de manejo, além de anistiar aqueles produtores que cometeram irregularidades.
Athayde ressalta que a APA, na forma como está criada hoje, não representa impedimento para a atividade econômica e é possível produzir na região dos Campos Gerais de forma sustentável e integrada com a natureza. “Foi aqui que começou o plantio direto, que não agride muito o solo. Há aqui uma cultura muito forte de agricultura orgânica. Nós queremos preservar essas boas práticas”, diz.
A campanha contra a redução da APA mobilizou o setor ambiental do Paraná e já conseguiu algumas vitórias. Em setembro, por exempo, o deputado Romanelli, líder do governo Beto Richa, retirou sua assinatura do projeto. No entanto, ele ainda tramita na Assembleia Legislativa e, com a aproximação das eleições, pode virar moeda de troca entre deputados e o governo. Além disso, o contexto político nacional mostra que estamos em um período de ataque às áreas protegidas. Há tentativas de reduzir unidades de conservação federais em vários estados brasileiros, como na Floresta do Jamanxim, no Pará, no Parque Estadual Serra Ricardo Franco, em Mato Grosso, e no Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina, entre outros. Por isso, a música gravada pelos artistas, chamada de “Pare. Preste atenção!”, procura deixar o público atento para as tentativas de fragilizar as áreas protegidas não só no Paraná, mas no país todo. “A letra fala do meio ambiente e do homem ambicioso”, diz Raissa. “São vários os lugares que precisam de atenção, e a escarpa é um deles.”
Fonte: http://espacoecologiconoar.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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