22 de nov de 2017

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Precisamos lembrar os brasileiros de que cidades são solução

meio ambiente
Por que os agrupamentos urbanos constituem uma das formas mais eficientes de distribuição de riqueza.


Beco do Batman, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo (Foto: Eugenio Hansen)

“As cidades são a melhor invenção da humanidade”, afirma Edward Glaeser, professor de economia em Harvard. Os agrupamentos urbanos constituem uma das formas mais eficientes de distribuição de riqueza, e não é por acaso que concentram hoje a maior parte da população mundial.

A importância das cidades para o desenvolvimento econômico e social não exclui a existência de problemas. Exatamente por concentrarem grandes populações, as cidades enfrentam dificuldades e são palco de conflitos. No Brasil, elas apresentam ainda questões primárias, herdadas do apressado processo de urbanização do século XX, como a falta de saneamento, que convivem com as conquistas do século XXI, o acesso amplo à tecnologia e às redes de informação.

Ainda que as cidades tenham esses dois lados, o positivo e o negativo, elas nem sempre são percebidas assim. Na imprensa, nas redes sociais, no senso comum, as cidades são associadas a trânsito, violência e poluição, a uma qualidade de vida ruim. De fato, como explica Glaeser, esses três problemas são consequências automáticas da aglomeração humana que caracteriza as cidades e só podem ser superados com bom planejamento, boa gestão e comportamento ético dos indivíduos em relação ao coletivo.

O desafio, então, é melhorar o planejamento e a gestão das cidades. Para isso, não basta uma boa administração pública: o envolvimento das empresas e da sociedade civil é essencial. É necessário um ambiente de colaboração e cidadania para que as cidades sejam espaços que atendam adequadamente às demandas da sociedade brasileira atual – extremamente diversa em suas necessidades e interesses.

A mídia também tem um papel importante: tem o poder de influenciar muito na formação da agenda pública, ou seja, naquilo que é discutido e no que não é, naquilo que é percebido como problema e no que não é. Se um fato é noticiado e outro não, e se o fato é noticiado de forma positiva ou negativa, isso é decisivo no processo de produzir uma percepção da realidade para o cidadão comum. A percepção da realidade substitui a realidade em si. A realidade não é inteligível, ao contrário do mundo interpretado pelos meios de comunicação, que já vem decodificado por ordem de relevância e agrupamento temático – manchete da primeira página, nota do Caderno de Cultura, coluna na seção de Cidades.

Há diversos atores sociais produzindo mudanças positivas – na iniciativa privada, no setor público e na sociedade civil. É preciso valorizar as boas iniciativas, destacá-las. Só se fala dos problemas. Precisamos lembrar os brasileiros de que cidades são solução, uma das formas mais simples de distribuição de riqueza e democratização no acesso a oportunidades. Também é necessário incentivar a participação, o comportamento do cidadão. Com a complexidade que a nossa sociedade alcançou, o modelo de governança para as cidades precisa contar com a participação dos diversos setores sociais.

* Marisa Moreira Salles e Tomas Alvim são fundadores do Arq.Futuro

Fonte: http://epoca.globo.com/ciencia-e-meio-ambiente/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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