18 de nov de 2017

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Pesquisa mostra que é possível mudar para a agricultura orgânica sem usar muita terra a mais

saúde


Alimentos orgânicos, que não utilizam produtos químicos prejudiciais para a saúde e para o meio ambiente em sua produção, são certamente melhores para o planeta, certo? A resposta, infelizmente, não é tão simples assim. De acordo com um estudo publicado nesta terça-feira (14), se todas as fazendas do mundo resolvessem produzir apenas alimentos orgânicos, isso exigiria mais terras dedicadas à agricultura para alimentar o mundo até 2050.

Mesmo assim, os autores do estudo sugerem que nós façamos isso de qualquer forma. Para eles, cortes maciços no desperdício de alimentos e consumo de carne significariam que podemos fazer essa mudança sem necessidade de enormes quantidades de novas terras.

Além disso, a conversão de terras da agricultura convencional para a produção orgânica pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o excesso de nitrogênio dos fertilizantes e o uso de pesticidas.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, descobriu que, ao combinar a produção orgânica com uma dieta cada vez mais vegetariana, maneiras de cortar o desperdício de alimentos e um retorno aos métodos tradicionais de fixação do nitrogênio no solo em vez de usar fertilizantes, a população projetada em 2050 de mais de 9 bilhões de pessoas poderia ser alimentada sem aumentar consideravelmente a quantidade atual de terras sob produção agrícola.Isso é importante, pois a conversão de outras terras como florestas ou cerrados para uso agrícola aumentaria as emissões de gases de efeito estufa da Terra.

Um guia

Outros cientistas, no entanto, não são tão otimistas em relação às descobertas do relatório. O tamanho dos sistemas agrícolas mundiais e sua variabilidade são citados como fatores que dificultam uma previsão concreta sobre a conversão para a agricultura orgânica, bem como os pressupostos sobre futuras necessidades nutricionais da população.

“Como em todos os modelos, pressupostos devem ser feitos e o peso que você atribui a cada item pode alterar muito os resultados. A suposição de que as áreas de pastagem permanecerá constante é grande. A questão do desperdício é importante, mas as soluções, não abordadas aqui, para as perdas pós-colheita antes do mercado serão difíceis sem fungicidas para os grãos. Algumas populações podem fazer isso com mais proteínas para crescer e desenvolver-se normalmente, apesar dos modelos que requerem menos proteína animal”, diz Colin Berry, professor emérito de patologia da Universidade de Londres.

Já Les Firbank, professor de agricultura sustentável da Universidade de Leeds, na Inglaterra, alerta para o aumento na quantidade de terras, mas diz que, se as medidas corretas forem tomadas, há como equilibrar as coisas. “Um dos pontos de interrogação sobre agricultura orgânica é que ela não pode alimentar o mundo. Este artigo conclui que a agricultura orgânica exige mais terra do que os métodos convencionais, mas se gerenciarmos a demanda por alimentos, reduzindo o desperdício e reduzindo a quantidade de culturas cultivadas como ração animal, a agricultura orgânica pode alimentar o mundo”, afirma.

“Estes modelos só podem ser vistos como um guia: existem muitos pressupostos que podem não se tornar verdadeiros e todos esses exercícios de cenário são restritos por conhecimento limitado e são bastante simplistas em comparação com a vida real, mas suficientemente realistas para ajudar a formular políticas. A mensagem central é valiosa e oportuna: precisamos considerar seriamente como gerenciamos a demanda global de alimentos”, pondera.

Melhores métodos de cultivo

Mesmo sem conversão para a produção orgânica, no entanto, os países com maiores índices de emissão de gases do efeito estufa – como os EUA, Índia, China e Rússia – poderiam se transformar em alguns dos maiores absorvedores de carbono, através de uma melhor gestão de suas terras agrícolas.

Um outro estudo mostra que esses países têm o maior potencial para o sequestro de dióxido de carbono através da mudança da forma como os solos são protegidos, através de melhores métodos de cultivo que também podem ajudar a preservar a fertilidade do solo.

Os cientistas afirmam que usar o solo como um dissipador de carbono é equivalente a tirar entre 215 e 400 metros de carros da rua, e isso poderia ser feito com apenas pequenas mudanças, que podem ser feitas em todas as fazendas. O estudo, publicado no Nature Journal Scientific Reports, e conduzido por especialistas da Academia Chinesa das Ciências, da ONG Nature Conservancy e do Centro Internacional de Agricultura Tropical, descobriu que lidar de forma diferente com as culturas agrícolas poderia contribuir de forma significativa para alcançarmos os objetivos do Acordo de Paris.
Os métodos agrícolas intensivos de hoje, que envolvem frequentes cultivos de solos e o uso excessivo de fertilizantes químicos, podem ser substituídos por métodos mais antigos, como o aumento do uso de estrume e a plantação de árvores próximas a terras cultivadas. O papel da gestão da terra na prevenção de níveis perigosos de carbono muitas vezes foi negligenciado nas negociações dos acordos internacionais – as discussões sobre a queima de combustíveis fósseis dominaram. Isto se deve em parte à urgência de se desligar dos combustíveis fósseis e, em parte, porque o manejo da terra é um problema difuso e diverso espalhado por todo o mundo, desde pequenos agricultores até agroindustriais, enquanto as fontes de combustíveis fósseis tendem a ser maiores, como usinas de energia a carvão.

Os resultados destes estudos estão sendo apresentados aos delegados nas negociações climáticas da COP23 da ONU, em Bonn, na Alemanha. Os países estão discutindo maneiras de aumentar os compromissos sobre reduções de emissões feitas no acordo de Paris – os cientistas dizem que os compromissos atuais não são adequados para manter o mundo a menos de 2ºC de aquecimento, o objetivo do acordo de 2015. [The Guardian].

Fonte: https://hypescience.com/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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