16 de out de 2017

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Quinta morte de boto pescador no ano em Santa Catarina acende alerta entre pesquisadores

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Mais um golfinho da espécie Tursiops truncatus, conhecida por boto da tainha ou boto pescador, foi encontrado morto em Laguna, no Sul do Estado.

Foto: Ronaldo Amboni / Divulgação / Divulgação

Mais um golfinho da espécie Tursiops truncatus, conhecida por boto da tainha ou boto pescador, foi encontrado morto em Laguna, no Sul do Estado. A fêmea com idade entre 2 e 3 anos é o quinto indivíduo da espécie recolhido sem vida este ano pelos pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Ela ficou emalhada em uma rede na foz do Rio Tubarão, e a necropsia apontou afogamento e edemas subcutâneos causados pelo equipamento de pesca.

O animal foi avistado por moradores e além dele, outro boto também estava preso à rede. Os pescadores conseguiram soltar o segundo boto, mas a fêmea não resistiu. Ela tinha 1,97m de cumprimento, 87 quilos, e ainda não se encontrava em período de reprodução, o que ocorre por volta dos seis anos. Nascido no complexo lagunar, o boto era um dos cooperados reconhecidos pelos locais, que junto com a mãe, ajudava os pescadores na localização dos cardumes.

Para o professor de Engenharia de Pesca e Biologia Marinha Pedro Volkmer de Castilho, pesquisador do comportamento dos botos, é preciso agir rápido. A média de botos monitorados é entre 48 e 52 na região, porém além das cinco mortes já confirmadas este ano, mais dois animais estão desaparecidos há pelo menos dois meses. Isso significa que o número de mortes já ultrapassou os 10% ao ano, índice que pode levar à extinção da espécie dentro de uma década, se nada for feito.

“A gente passa a entrar em uma fase de inviabilidade populacional, entrando em vias de extinção. Se não fizer nada, em dez anos a população a população estará extinta. Esse cenário de ontem nos preocupa mais, pois nos outros casos eram machos, adultos, velhos, dessa vez é uma fêmea jovem, nem em idade reprodutiva estava ainda, não teve nem chance de procriar, isso preocupa”, explica o pesquisador.

Segundo ele, a luz amarela de alerta já foi acessa no início do ano, quando houve a confirmação de três mortes. Chegando a cinco, o alerta já é vermelho, explica. Para ele, a suspensão das atividades com rede de pesca na área de vida do boto seria uma das ações imediatas a serem tomadas, até que se encontre outro modelo. Ele lembra que Laguna foi denominada a Capital Nacional dos Botos Pescadores no ano passado, e que a espécie precisa ser preservada.


Fonte: Diário Catarinense (http://espacoecologiconoar.com.br)

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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