19 de out de 2017

Publicado em: ,

Incêndios florestais – Portugal, Galícia (Espanha), Califórnia (EUA)

artigos destaques



Semana passada foram fotos na Califórnia – terríveis!

Desde o final desta semana o fogo queima terras portuguesas e galegas.

Em qualquer desses lugares se culpam o tempo seco demais, os ventos infernais que vêm do Sahara, as florestas de monocultura – pinheiros e eucaliptos, a falta de cuidados governamentais, as políticas públicas deficientes, e por aí vai.

Mas, se você quiser mesmo entender o que acontece terá de assumir que os incêndios monstruosos que estão acontecendo têm tudo a ver com a maneira como o ser humano age em relação à natureza e aos povos que a ela pertencem, em cada um desses lugares.

Ou melhor dizendo, aos interesses escusos de governos, companhias de seguros, uso das terras e águas e a falta de prevenção.



Em todos esses lugares queimam regiões agrícolas: na California torraram os vinhedos, em Portugal, as florestas para produção celulósica (e as pequenas aldeias que se espalham pelos montes, os animais de criação, as gentes pobres que lá vivem), o mesmo ocorreu na Galícia.




As terras, calcinadas – nas fotos, o pinhal de Leiria, em Portugal – jazem mortas, seu verde e seus bichos.

Em todas as partes dizem que os fogos são criminosos – incêndios que matam gente, esturricam a vida, serão sempre criminosos, com certeza mas, o que se diz é que são “fogos postos”.

“Fogo posto” não é resultado do El Niño ou de um vento quente sahariano, também não é resultado de tufões secos (como na Califórnia). “Fogo posto” tem uma razão de ser – queimar para dar outro uso à terra.

Certo! Pode até ser que algum dos focos de incêndio começou com um agricultor desavisado (porém, as gentes do campo não são desavisadas, pessoal! Elas conhecem bem sua labuta, os ventos e as matas secas que têm em volta).

Bom, também pode até ser que algum pirômano tenha feito das suas loucuras, claro. Mas, pense bem, que sociedades são essas que ficam tão “à mão” de pirômanos?

Penso eu que, na verdade, a razão maior dos fogos (com todas suas terríveis consequências) estão inseridas, profundamente, no sistema econômico que ainda impera de forma maioritária pelas terras do nosso planeta, o capitalismo.

Pois, terras queimadas, outrora agrícolas, são compradas a preço de banana para implantação de outros projetos. O que importa é o tal “preço de banana” e os lucros futuros que daí virão.

Não importam, com certeza, os percalços e sofrimentos dos velhotes nos casais perdidos pela Serra do Gerês, ou nos caminhos de Viseu, da Guarda, de Coimbra.

Também não importam as casas, antigas, rurais, com suas cabras, queimadas vivas. Menos ainda importam os camponeses que, em seu desespero de salvar o pouco que possuem, morrem sufocados.

E o Pinhal do Rei com seus 700 anos de formado (madeira para caravelas, dizem), queimou quase todo.

Será que o ser humano não vai se dar conta de que está destruindo sua própria vida?

Por Alice Branco Weffort

Fonte: https://alicebranco.wordpress.com

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

Não perca nossas publicações...

Inscreva-se agora e receba todas as novidades em seu e-mail, é fácil e seguro!

Desenvolvido por YouSee Marketing Digital - Nós amamos o que fazemos
| Hosted in Google Servers with blogger technology |: