27 de out de 2017

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Em defesa das savanas do Amapá

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Novo zoneamento coloca em risco o Cerrado Amapaense. Foto: William DuMatu.

Ambientalistas e pesquisadores do Amapá se mobilizam para garantir a proteção de pelo 30% das savanas amazônicas que cobrem o estado. A paisagem é ameaçada por um zoneamento capenga do governo estadual, que destina praticamente toda a região à produção agrícola.

Apesar de ser o estado mais protegido da Amazônia, com 73% de seu território coberto por unidades de conservação e Terras Indígenas, o cerrado do Amapá foi esquecido. Com quase 207 mil quilômetros de extensão, abriga espécies ameaçadas e endêmicas, além de populações tradicionais, como quilombolas.

Em vez de seguir a lei e fazer um Zoneamento Ecológico-Econômico, seguindo as determinações do Ministério do Meio Ambiente, o governo do Amapá usou critérios bastante questionáveis para apresentar um Zoneamento Socioambiental do Cerrado (ZSC), que deixou de considerar o direito de comunidades tradicionais e a fragilidade de boa parte das terras da região.

“Queremos um zoneamento equilibrado“, defende o ecólogo Renato Richard Hilário, professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap). “Quando você tem menos de 30% de ambiente remanescente, as espécies além de perder ambiente disponível passam a sofrer o isolamento das áreas fragmentadas. A partir daí você tem um aumento mais acentuado na extinção“, completa.

Além de reservar 40% das savanas para a produção de soja, o documento do governo do estado prevê o uso agrícola de terras reconhecidamente vulneráveis, que em estudos anteriores se espalhavam por metade de toda a extensão da savana amapaense. O documento, segundo explica Renato Hilário, recomenda o “uso controlado” em áreas de “complexidade ecológica ou elevada fragilidade ambiental”.


Savana do Amapá. Foto: William DuMatu.

A tentativa de substituir o ZEE por esse documento foi barrada pelo Ministério Público Estadual, segundo Renato Hilário. Agora, o Amapá tem até o fim do ano para completar o zoneamento. Os estudos estão em andamento, enquanto pesquisadores buscam conhecer mais sobre esse ambiente.

Dois artigos foram publicados recentemente em revistas científicas, que descrevem a região e chamam a atenção para as ameaças sobre essas savanas.

Já foram descritas na região pelo menos duas espécies endêmicas de plantas e duas de peixe, o ornamental peixe-tetra Hyphessobrycon amapaensis e o Melanorivulus schuncki. Uma nova espécie de marsupial do gênero Cryptonanus, encontrada também na Guiana Francesa, aguarda a descrição oficial.

A região abriga também espécies ameaçadas como Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), Tatu-canastra (Priodontes maximus), anta (Tapirus terrestris), queixada (Tayassu pecari), guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) e ariranha (Pteronura brasiliensis). Por lá, podem ser vistas também duas aves próximas a estarem ameaçadas, a cigarra do campo (Neothraupis fasciata) e maria-corruíra (Euscarthmus rufomarginatus).


Plantio de soja em área de savana. Foto: William DuMatu.

Por Vandré Fonseca - http://www.oeco.org.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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