26 de out de 2017

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Ativistas protestam no Centro do Rio contra leilão de blocos de exploração do pré-sal

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Causa ambiental foi a motivação do ato, realizado em frente à sede da ANP. ONG que organizou o protesto defende investimento em energias renováveis.


Grupo faz protesto contra leilão de blocos do pré-sal no Centro do Rio  
(Foto: Daniel Silveira / G1)

Às vésperas da realização das 2ª e 3ª Rodadas de Partilha de blocos de exploração do pré-sal brasileiro, ativistas realizaram um protesto, na manhã desta quinta-feira (26), no Centro do Rio, para chamar a atenção para os riscos ambientais da exploração de petróleo em águas profundas.

Um balão, com dez metros de comprimento, reproduzindo o mapa do Brasil tingido de preto, foi inflado em frente à Igreja da Candelária simbolizando um "carbonômetro". À frente, foi estendido um varal com fotos de espécies marinha ameaçadas pela atividade petroleira além de desastres ambientais causados pelo aquecimento global. Além disso, os manifestantes ergueram faixas de protesto, no cruzamento das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, para alertar a população à causa ambiental defendida pela entidade.

De acordo com a 350.org, organização que liderou o ato, o Brasil pode vir a se tornar um dos maiores poluidores do mundo com a exploração do pré-sal.

"Os blocos da 2ª rodada já são explorados. Os da 3ª, ainda não. Estes blocos [da 3ª rodada], sozinhos, se perfurados, são capazes de liberar 5,4 bilhões de toneladas de CO2. Em 2016, o país emitiu 2,3 bilhões de toneladas de CO2, considerando desmatamento, agropecuária, atividade industrial, etc", argumentou Nicole oliveira, de 37 anos, diretora da 350.org.

O dióxido de carbono, conhecido como CO2, é o principal responsável pelo comprometimento da camada de ozônio na atmosfera da terra, contribuindo para o aquecimento global e todos os problemas climáticos dele decorrentes. Segundo a ativista Nicole, a estimativa de liberação de CO2 com as exploração dos blocos licitados nestas duas rodadas de leilão da Agência Nacional de Petróleo, Biocombustíveis e Gás Natural (ANP) é baseado em cálculos feitos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) do governo federal.

"Com apenas uma rodada de pré-sal a gente vai transformar o Brasil em um dos maiores países poluidores do mundo", alertou.

Questionada sobre a razão de realizar o protesto no dia anterior ao leilão e em local distante do hotel onde acontecerá o pregão, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, Nicole justificou a objetivo de não vincular a causa ambiental a outros protestos promovidos por entidades distintas.

"A gente não quer essa mensagem de que o 'o petróleo é nosso' atrelada à nossa causa. Nosso foco é a defesa do meio ambiente. Para a gente fazer uma transição para energia renovável não podemos fazer mais nenhum projeto fóssil novo", afirmou.

Além de ativistas da 350.org, o protesto reuniu também índios e descendentes indígenas que vivem no Rio de Janeiro e, também, no Sul do país. Um grupo de 12 indígenas saiu do Paraná e chegou à capital fluminense para apoiar o ato.

"Quando se fala em leilão [de blocos de exploração do petróleo], você fala de terras indígenas e quilombolas. Quando se entra para fazer perfuração em um território indígena, se desapropria as terras indígenas e apaga a memória territorial destes índios", declarou Cristiane Santos, de 46 anos, que é descendente de povos do Oiapoque e reside no Rio.

Nestas duas rodadas a ANP vai licitar, ao todo, oito blocos de exploração do pré-sal, camada localizado a mais de 5 mil metros de profundidade abaixo do nível do mar. Eles estão distribuídos ao longo das bacias de Campos e de Santos.

Esta será a primeira vez que petroleiras privadas terão a chance de explorar o pré-sal brasileiro. Até o ano passada, o marco regulatório do país determinava a obrigatoriedade da Petrobras ser a única operadora desta camada de petróleo. Endividada, e com um plano de desinvestimentos de US$ 21 bilhões até o fim de 2018, a estatal defendeu junto ao governo federal o fim desta obrigatoriedade. A regra foi, então, alterada pelo Congresso no final de 2016.

Ao todo, 16 empresas, incluindo a Petrobras e gigantes petroleiras estrangeiras, foram habilitadas pela ANP a participarem destas duas rodadas de licitação. O certame está marcado para as 11h desta sexta-feira (27).

Fonte: Daniel Silveira, G1 Rio - https://g1.globo.com

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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