3 de out de 2017

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As florestas do Vietnam, a Amazônia e o agente laranja

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Décadas atrás, nos idos de 1960-70, os aviões de guerra norte-americanos despejaram 80 milhões de litros de agente laranja (2,4 D + 2,4,5 T + pentaclorofenol) sobre as florestas tropicais do Vietnam. Mataram toda a vegetação, os animais, as pessoas, contaminaram as águas, o solo. Até hoje se sentem os efeitos mutagênicos e cancerogênicos deste veneno tanto sobre o ser humano quanto sobre a fauna e flora locais. A quantidade de dioxinas contaminantes na área é de mais de 400 vezes a toxicidade considerada suportável segundo os resultados de monitoramento ambiental do Hatfield Consultants. Isso foi um crime de guerra contra a humanidade - seus efeitos, nefastos, são persistentes e transitam geneticamente em todos os organismos vivos. A recuperação da área só começou 50 anos após o fim da guerra (que terminou em 1975) - os EUA se recusavam a arcar com a responsabilidade evidente.

Em 2011 o Ibama descobriu que fazendeiros fizeram o mesmo em partes da floresta amazônica - despejaram com aviões a mistura fatal, o agente laranja, para lograrem a morte da vegetação e sua derrubada sem o alarde das motosserras que os denunciam. Outro crime contra a humanidade nesta guerra oculta que é livrada pelo capitalismo em sua ânsia de maiores lucros a qualquer custo.



Venho lembrar desses casos para falar, também, de como se recupera (ou se tenta recuperar) uma área contaminada por agente laranja. Claro, porque é necessário recuperar a área creio que não há necessidade de explicar, não? A vida, sempre a vida!

Encontrei este artigo basco sobre as técnicas que estão sendo tentadas, no Vietnam, para recuperar o solo contaminado com dioxina - imagine você: se pode injetar água oxigenada de montão, ou incinerar grandes porções de solo a altíssima temperatura e, com essas duas ações, modificar o conteúdo de dioxinas mas, e o custo?????

Os EUA estão envolvidos agora (mais vale tarde do que nunca, claro) na limpeza da área do seu antigo aeroporto (Dan Nang), onde foram misturados os componentes químicos do agente laranja. Pretendem descontaminar o solo por exposição ao calor.

Enquanto isso, nas regiões florestais devastadas pelo desfoliante de guerra...

Uma técnica vietnamita vem sendo aplicada, conta o artigo que citei acima, com bons resultados - primeiro a superfície contaminada foi recoberta por gramíneas do tipo Vetiver (Chrysopogon zizanioides). O capim ajuda na contenção das encostas e impede que as terras contaminadas sejam lavadas para o sistema hídrico. Mas não só, pelo uso do vetiver, com suas extensas raízes enoveladas, se consegue reduzir também a contaminação com metais pesados, dioxinas e químicos organo-persistentes.

Sobre essa cobertura de vetiver foram plantadas espécies arbóreas - as nativas não conseguiram sobreviver e, introduziu-se então uma cobertura de espécies exóticas na área então foi tentada a introdução de algumas espécies exóticas como Indigofera tenesmani, Acacia auriculiformis e Cassia Siamea que deram bons resultados.

A recuperação das áreas contaminadas com o agente laranja vem sendo feita desta maneira e, pouco a pouco, são introduzidas espécies nativas das matas tropicais vietnamitas.

A técnica de uso do vetiver tem amplos estudos científicos. Visite http://www.vetiver.org/

A dificuldade do Vietnam na recuperação de suas áreas florestais e na mitigação dos danos ambientais pelo uso do agente laranja nos dá um bom parâmetro para o que deverá ser feito na Amazônia e no resto das áreas agrícolas caso esses herbicidas sejam usados (e o são, legal ou ilegalmente).

Tenha claro que o 2,4 D é usado nas áreas de soja.

Fonte: Blog de Alice Branco Weffort

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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