29 de ago de 2017

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Turismo bom para quem?

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No Ano Internacional do Turismo Sustentável, medidas restritivas ainda geram controvérsia.



Meio ambiente e turismo tem passado por diversos conflitos, entretanto, algumas medidas surgem para apaziguar a situação. Seja por bem ou por mal. Decretado pela ONU, 2017 é considerado o Ano Internacional do Turismo Sustentável. Nesse viés, a UNESCO promete que é possível aliar as duas coisas e chegar a uma situação equilibrada. Esse reconhecimento do turismo como uma indústria de fato, muda os paradigmas de sua estrutura e o modo como se relaciona com a população mundial.

As práticas turísticas são conhecidas por serem grandes impulsionadoras da economia em diversos lugares do mundo. O retorno financeiro de praias paradisíacas e localidades históricas impulsiona o desenvolvimento e a manutenção de inúmeros cenários. Mas se por um lado o movimento intenso de estrangeiros movimenta a economia, por outro, pode gerar atritos sociais e culturais intensos, além de riscos severos aos biomas naturais. Esse tipo de problema acontece não pela presença de estrangeiros, mas pelo excesso de pessoas de maneira descontrolada e insustentável.

O turismo de massa, como é chamado, ameaça de fato, várias localidades do planeta. Especialistas da World Monuments Fund acreditam que o turismo comprometa a qualidade de vida dos habitantes das cidades mais afetadas, que acabam cedendo lugar a especulação imobiliária e a indústria do turismo. O Brasil não escapa desse cenário. No Tocantins, o Rio Azuis, principal atração turística do Estado, sofre com poluição, desmatamento e ocupação irregular.

Assim, além da poluição gerada, excedente populacional e diversas estruturas criadas para atender a nova demanda, essa massa desenfreada causa desequilíbrios na qualidade do ar, desmatamentos e desestruturação de biomas naturais. As medidas encontradas pelas autoridades de diversos países e cidades, como Veneza, que sofrem com o turismo de massa, são restritivas.

Uma delas é a implantação de taxas mais altas para a atividade turística. Em Barcelona, os impostos sobre a quantidade de visitantes foram aprovados pelos moradores. Restrições sobre a construção de hotéis em bairros sem estrutura para acomodar tantos viajantes estão sendo estudadas pela Câmara espanhola.

Exemplo disso é o Butão, onde a restrição sobre a visitação é histórica. Assim, visando o controle do ecossistema e da qualidade de vida local, as regras para turistas são mais rígidas e caras. Recentemente, Itália, Croácia e Japão também colocaram um limite sustentável para a visita diária.

Visando o meio ambiente ou não, colocar um limite no transito turístico tem como objetivo poupar o local e vida da população. Entretanto, o excesso de visitantes gera não só problemas ambientais, mas sociais e culturais também, dando origem à “turismofobia”.

A degeneração de características históricas e o aumento abusivo da especulação imobiliária nos locais mais visitados, acaba expulsando os moradores para dar espaço a indústria hoteleira. Alguns países europeus aderiram a “turismofobia” como forma de se proteger dos turistas e manifestar sua insatisfação.

Em alguns casos, como em Barcelona, foram realizadas manifestações populares com palavras de ordem contra o caos urbano causado pelos viajantes. Muros foram pichados e a cena se repete em outras cidades, como Maiorca, Palma e Madri. Muito se diz a respeito da atitude dos visitantes também.

A busca por um turismo mais sustentável pode recuperar as tradições locais e o ecossistema das atrações, de modo que possam ser visitadas com mais consciência e de maneira mais duradoura. Mas as mudanças já estão acontecendo e ocorrerão seja por bem ou por mal.

Fonte: http://envolverde.cartacapital.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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