27 de jul de 2017

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Acidez oceânica afeta corais

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Recifes de corais não estão conseguindo se fixar no leste do Pacífico tropical devido à maior acidez das águas – amostra provável de como o oceano se comportará com o aquecimento global.

Novo estudo confirma que os recifes de coral podem tornar-se mais uma vítima das mudanças climáticas se nada for feito para conter o aquecimento global. Motivo: o cimento marinho que mantém os corais agregados não consegue se formar em águas com excesso de dióxido de carbono (CO2) dissolvido.

Corais da costa oeste da América Central, mais particularmente aqueles que circundam as ilhas do arquipélago de Galápagos, estão se dissolvendo devido às águas mais ácidas da região -- e podem servir como indicação do preço que os recifes de coral do resto do mundo terão que pagar com o aumento dos níveis de CO2.

“É principalmente no leste do Pacífico que mais gases são produzidos no oceano. Por isso, essas águas contêm altos níveis de CO2 natural e baixo pH” (índice acidez/alcalinidade; quanto mais baixo o número maior a acidez), avalia Derek Manzello, biólogo da University of Miami e do Laboratório Oceanográfico e Metorológico do Atlântico da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), pesquisador principal do estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences dos Estados Unidos. Isso torna a região “um laboratório natural para se estudar como são estruturados e como funcionam os ecossistemas em recifes sob essas condições de acidez.”
Os poucos recifes da costa da América Central enfrentam inúmeras condições adversas: águas frias, ricas em nutrientes, mas também mais ácidas, resultado dos altos níveis de CO2 produzidos por microrganismos das profundezas do mar. Até Charles Darwin notou a ausência de recifes na área em seu tratado sobre o assunto.

Manzello e seus colegas retiraram amostrar dos recifes da costa de Galápagos e da costa oeste da América Central e os compararam com formações de outras regiões, como as Bahamas, onde as condições da água são mais favoráveis para esses organismos. A análise mostrou que águas ácidas impedem que o cimento marinho -- calcário transportado pela água do mar – de se formar tanto entre os pólipos coralíferos individuais e indispensáveis para fixação de corais. “Esses resultados implicam que os recifes de coral, no futuro, podem ser erodidos mais rapidamente que crescem,” prevê Manzello.

Essas condições mimetizam a acidificação oceânica que já está ocorrendo como resultado dos altos níveis de CO2 na atmosfera, provenientes da queima de combustíveis fósseis. “O pH da água da superfície do mar em todo o planeta já diminuiu de cerca de 0,1 unidade de pH desde a época pré-industrial,” observa Manzello. “Isso pode não parecer muito, mas devemos considerar que se uma variação dessas ocorresse em nossa corrente sanguínea, estaríamos mortos.”
Esses resultados são os primeiros a mostrar como a perda de cimento marinho pode afetar os recifes em oceanos acidificados. “Uma cimentação deixa os corais mais frágeis e, portanto, mais vulneráveis à erosão,” avalia o cientista marinho sênior Richard Aronson do Laboratório Marinho da Dauphin Island, no Alabama, que não integra a pesquisa.

De acordo com Aronson o registro geológico também fornece evidências que potencialmente reforçam esse cenário. Houve épocas no passado geológico em que a alta acidez dos oceanos coincidiu com a baixa reconstrução de recifes, mas em muitos casos não é fácil estabelecer uma relação causal convincente entre essas variáveis”.

Longe de se controlar as mudanças climáticas, os esforços para salvar os corais, criando estruturas coralíferas, também não resolverão o problema. “Corais artificiais não combinam estética, estrutural ou funcionalmente com os sistemas de recifes naturais,” avalia Manzello. Em outros mundos, em planetas mais quentes, com mais oceanos ácidos, não é possível sequer avaliar os benefícios econômicos que um recife individual possa fornecer para uma comunidade próxima, incluindo a proteção da costa contra tempestades e favorecendo uma pesca mais volumosa, segundo Manzello.

Aronson acrescenta: “É preciso intensificar o controle das emissões de um dos principais gases do efeito estufa, o dióxido de carbono, se quisermos preservar a vida nos oceanos.”

Fonte: http://www2.uol.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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