11 de jun de 2017

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Medicina robotizada?

destaques saúde


Caros leitores, vi um texto recente que chamou a atenção. Primeiramente, porque ele foi bem discutido; segundo, pelo conteúdo do texto em si, sobre medicina, e uma frase em específico.

O texto fala sobre médicos atendendo em volume, ao invés de conversar com o paciente e perceber o que está errado. A chamada anamnese, conversa com o paciente, é colocada como fundamental. Conversar e ouvir o histórico do paciente. Saber sobre ele, sobre sua história, além da doença. Buscar fatores adicionais para seus problemas. O paciente com dor nas costas trabalha onde? A cadeira do escritório é confortável? Ele vai na academia? E por aí vai.

Existe uma questão muito forte nisso, primeiramente, que é a remuneração. Médico tem que ter remuneração adequada. Se não tiver, não pode atender direito. Não tem quem faça uma consulta por vinte reais, muitas vezes menos que isso. Se o médico não ganha decentemente, não tem como oferecer uma consulta decente.

Mas a questão que mais me chamou atenção foi a frase final: que sem a conversa, o médico logo será substituído por robôs. Uma ideia interessante no seu contexto. Você vai até uma máquina, clica nos seus sintomas, os exames são determinados, o resultado é interpretado pelo computador, você sai com o diagnóstico. Afinal, quando o médico apenas ouve sintomas, pede exames, analisa os resultados e dá um diagnóstico, ele nada mais fez do que funcionou como um banco de dados complexo. Ouve, classifica, pede mais informações, recebe as informações, classifica de novo.

E como banco de dados, sensores e análises, é difícil superar um computador com gigas e gigas de memória. Muitas profissões que se mecanizaram viram o computador tirar seu lugar. Isso parece difícil de acontecer com a medicina, em um primeiro momento. Ou ao menos com a medicina clássica. Mas quando temos a medicina de massa, que o texto fala, pode ser que em alguns anos tenhamos robôs disputando espaço com médicos. Não falo em dois ou três anos, mas quem sabe em dez ou quinze não haverá o primeiro robô que reúne informações e ajuda com diagnóstico de doenças.

Isso pode parecer uma grande bobagem, mas reveladores de fotos viram sua profissão desaparecer com fotos digitais; secretárias tiveram seu uso diminuído com a aparição do computador, agendas eletrônicas e outros serviços; a internet tirou emprego de muitos carteiros, com redução do volume de cartas; para citar apenas algumas mudanças que, anos antes, ninguém imaginaria que seriam substituídas, para depois sofrerem uma redução forte em seus números.

Mas isso vai acontecer com o médico? Não, se o médico lembrar que não é uma máquina. O médico e a profissão de ser médico vão além de ver o paciente, pedir o exame, ver o exame, e receitar o remédio. O médico conversa, analisa fatores do paciente, lê nas entrelinhas, vê que o paciente tem vergonha de algo, percebe que tratamento se encaixa na rotina daquele paciente, percebe se aquele paciente tem algum outro fator que pode estar dispistando o diagnóstico correto. Esse é o verdadeiro trabalho de um médico, e praticá-lo é valorizá-lo e mostrar a importância do médico como figura humana, presente atrás de uma mesa, em uma consulta. A valorização do médico é necessária, para que a profissão funcione como realmente deveria, para o bem do paciente, da saúde pública e do próprio médico, que pode exigir a remuneração justa e devida para a sua profissão quando ela é praticada como deveria.

Fonte: http://blog.kolplast.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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