30 de mai de 2017

Publicado em:

Debate em Assaí amplia adesão de professores e alunos à campanha Não Fracking Brasil

destaques
A cidade, que já tem legislação municipal proibindo o fracking, sediou mesa redonda que reuniu prefeito, vice-prefeita, vereadores e comunidade escolar de várias cidades da região Norte Pioneiro do Paraná




Discussão foi realizada no auditório do Colégio Estadual Barão do Rio Branco em Assaí.

Quando o assunto é o fraturamento hidráulico, ou fracking, nada melhor que um debate franco e aberto sobre os riscos e impactos do método não convencional altamente poluente usado para a exploração do gás de xisto do subsolo. Ao contrário do governo federal que não abre essa importante discussão para a sociedade, a campanha Não Fracking Brasil prossegue para impedir que essa indústria se instale no país.

“É preciso continuar a informar as pessoas que o fracking é uma atividade minerária que contamina a água, a produção de alimentos e o ar, além de impactar gravemente a saúde das pessoas e animais, bem como o clima do planeta”, explicou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina e coordenadora nacional da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida. 

Proibido em diversos países, o fraturamento hidráulico é a tecnologia que usa em cada poço 35 milhões de litros de água potável em altíssima pressão, que misturado à areia fina e um coquetel com mais de 720 substâncias químicas cancerígenas e até radioativas, quebra a rocha e libera o gás de xisto (shale gas). Grande parte desse fluído tóxico permanece no subsolo e contamina os aquíferos e lençóis freáticos. O que retorna à superfície polui o ar, torna o solo infértil para a agricultura e pecuária, deixa as pessoas gravemente doentes e provoca a destruição da biodiversidade. Além desses danos severos e irreversíveis, o fracking também é responsável pela ocorrência de terremotos, devido a explorações no subsolo, e contribui para o caos climáticos.
Estes e outros impactos foram discutidos durante toda a manhã desta segunda-feira, 29, com professores e alunos do Colégio Estadual Barão do Rio Branco de Assaí e cidades da região. Eles participaram de uma mesa redonda sobre a importância de ampliar a campanha Não Fracking Brasil e banir essa e outras tecnologias para a exploração dos hidrocarbonetos. O evento foi transmitido ao vivo pela Rádio Terra Nativa de Assaí.

Também estiveram no auditório do colégio o prefeito Acácio Secci, a vice-prefeita Ines Koguissi e a vereadora Michelle Matie Morikawa, autora do projeto de Lei aprovado por unanimidade recentemente que proíbe operações de fracking na cidade. Aliás, Michelle contou aos alunos que foi estudante do Colégio Barão do Rio Branco e hoje ocupa uma das 9 cadeiras na Câmara Municipal. “Que a minha trajetória sirva de exemplo para todos os jovens, meninas e meninos, que é possível defender o que se acredita ser o bem para a população e para o meio ambiente que é lutar contra o fracking como representante da população”, afirmou.

“O Brasil tem grande potencial para a geração de energias renováveis como solar, eólica e de biomassa que são limpas e seguras, devendo deixar os combustíveis fósseis no subsolo”, argumentou Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e da COESUS. Todos os aspectos sobre o fracking serão apresentados na Feira de Ciências que acontece em 8 de junho no Colégio Barão do Rio Branco.


Defesa da Vida

Estimulada pela professora Izabel Marson, voluntária da COESUS na região Norte Pioneiro, a diretora do Colégio Estadual Barão do Rio Branco, Edná de Souza Gaspar, se propôs a organizar o debate, convocar comunidade e autoridades e assim ampliar o alcance da campanha Não Fracking Brasil na região.

“Mais que educação ambiental, a campanha contra o fracking está levando à comunidade acadêmica informações e mobilizando os jovens para se engajarem nessa luta que é em defesa da água, da agricultura e da vida”, disse Izabel Marson.


Outras cidades da região Norte Pioneiro e Norte do Paraná já estão protegidas contra o fracking, como Londrina, Maringá, Cornélio Procópio, Wenceslau Braz, Bandeirantes, Cambará, São Jerônimo da Serra (foto), Ribeirão Claro, entre outras.

Enquanto a campanha avança no Norte Pioneiro, no Sudoeste está sendo organizado para 8 de junho um seminário regional em Francisco Beltrão. O objetivo é ampliar a proibição na região. Pelo menos 122 cidades tiveram o subsolo leiloado pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) durante a 12ª Rodada de Licitações realizada em 2013. Por força de uma liminar obtida pelo Ministério Público Federal graças aos alertas da campanha sobre os impactos ambientais, econômicos e sociais, a exploração está proibida, cancelando os efeitos do leilão.

No total, mais de 300 cidades já dispõem de legislação idealizada pela COESUS nos estados brasileiros que estão na rota do fracking como Maranhão, Piauí, Ceará, Mato Grosso, Bahia, São Paulo, entre outros.




Por Silvia Calciolari

Fotos: COESUS/350Brasil

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

Não perca nossas publicações...

Inscreva-se agora e receba todas as novidades em seu e-mail, é fácil e seguro!

Desenvolvido por YouSee Marketing Digital - Nós amamos o que fazemos
| Hosted in Google Servers with blogger technology |:

Fechar