22 de abr de 2017

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Voluntária russa do WWF fala sobre sua experiência no Movimento Borandá

destaques
Depoimento completo da voluntária russa da WWF Brasil.

Imagine ser um golfinho e nadar com os amigos golfinhos de sua tribo, no mar caribenho. Imagine ser um piloto em um show aéreo e voar junto a outros pilotos fazendo acrobacias incríveis no céu. Imagine ser um jogador de futebol de uma seleção nacional nos momentos que antecedem o início de uma partida importante. E agora, imagine-se fazendo algo maior do que você mesmo e extremamente importante para os valores que você carrega. Ao imaginar tudo isso, você vai entender melhor os meus sentimentos neste momento, ao participar da criação do Caminho da Mata Atlântica, que percorrerá 4 estados brasileiros: Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

Eu sou Irina Letyagina, voluntária russa da WWF Brasil. Sou apaixonada pela natureza desde a infância. Eu nasci na extremamente bela cidade russa de Khvalinsk, localizada entre o famoso Rio Voga, de um lado, e colinas cobertas por florestas, do outro. No inverno, minha família costumava ir para àquelas colinas para esquiar e andar de trenó. Nas férias de verão, eu gastava meu tempo às voltas do Rio Volga, nos lagos próximos e na floresta, colhendo cogumelos, morangos e brincando com outras crianças. Tive uma infância muito feliz, cheia de aventuras, atividades ao ar livre, jogos e caminhadas com meus pais. Desde então, eu amo atividades ao ar livre, especialmente longas caminhadas.

De janeiro a fevereiro deste ano, eu percorri o famoso Caminho de Santiago, por toda a Espanha, de Sevilha a Santiago de Compostela. Foram 40 dias de uma solitária caminhada através de campos, montanhas, florestas, cidades e vilarejos. Foi uma experiência fantástica de hospitalidade, trabalho físico intenso, de conexão com a natureza e com outras pessoas. Estou completamente encantada com esse tipo de viagem, natural e sem pressa.

Quando fiquei sabendo, por meio de amigos brasileiros que fiz na Espanha, do Caminho da Mata Atlântica (realizado pela WWF Brasil em colaboração com o governo, instituições e ONGs voluntárias), eu percebi que este poderia ser o projeto dos meus sonhos. Fiquei extremamente empolgada em ajudar a WWF a fazer com que as pessoas descubram a Mata Atlântica e natureza selvagem que o Brasil possui.

A trilha passa por cenários espetaculares. Você pode andar o dia todo pela floresta. Às vezes o calor é muito forte, mas você fica protegida pelas sombras de árvores gigantescas e pode ver partes do céu através das folhas. Você sente o cheiro de diferentes tipos de árvores e flores. Se você tiver sorte o suficiente, pode avistar macacos. E no meio do dia, cansada, você encontra uma cachoeira com água fria e refrescante. Aí você deita o seu corpo fatigado na correnteza e sai renovada, pronta para continuar. O dia seguinte pode ser totalmente diferente. Você anda por praias desertas, nenhuma alma à vista, somente palmeiras, o oceano, areia e a sua mochila. E então, você vê uma vila de pescadores. Barcos, redes, homem velho com os olhos no horizonte, procurando por uma corrente de peixes que flui para a lagoa. Crianças brincando com varas de pesca, mulheres lavando roupas. Você testemunha a simplicidade da vida de pessoas que vivem em harmonia com a natureza. Você pede peixe fresco para o almoço em um pequeno restaurante local, come, e está pronta para seguir viagem. No dia seguinte, você está andando na floresta novamente, mas desta vez o caminho percorre as margens de um rio. Algumas vezes você cruza o rio em uma ponte de madeira, como em um filme do Indiana Jones. É possível escutar a voz do rio. Essa voz é a música da natureza, e é melhor do que qualquer melodia escrita pelo ser humano. Seus pensamentos, brigas, memórias desaparecem. Você existe no agora e é feliz desse jeito. Você nunca se sentiu tão em paz. Você passa a noite dormindo em uma maca, do jeito que você sonhou na infância. De manhã, você bebe um pouco da água de uma nascente, escuta o cantar dos pássaros e segue com suas aventuras…

Todo dia traz alguma coisa nova, nunca é igual. A rotina não pertence à natureza, que sempre te surpreende. Tudo o que a natureza tem a oferecer, dá de graça, você precisa apenas aprender a aceitar seus presentes.

Estou extremamente feliz em participar da criação dessa trilha. Hoje em dia, o mundo se move cada vez mais rápido. Para compensar, precisamos de mais lugares onde possamos observar um tipo diferente de vida, sem todas as máquinas e resultados do progresso tecnológico. O Caminho da Mata Atlântica vai ser um lugar único no Brasil. Não será como a banda Steppenwolf e a escritora Cheryl Strayed, que querem ser selvagens apenas de vez em quando…

Fonte: http://movimentoboranda.org

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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