10 de abr de 2017

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O ‘fator Tite’,

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Um colega médico que trabalha na Seleção Brasileira me dizia que um time não depende dos técnicos, mas dos jogadores. Dizia, até Tite assumir a Seleção e empilhar uma série inédita de vitórias consecutivas. É difícil imaginar como pode haver tanta diferença entre esse profissional e seus antecessores, com os quais o Brasil vinha penando uma baixa de seu prestígio no futebol na última década.

Dois fatores, no mínimo, fazem a diferença: conhecimento técnico e capacidade psicológica de agregação do grupo. É difícil para nós, leigos, avaliarmos conhecimento técnico, mas podemos imaginar que Tite não é o único a deter grande conhecimento estratégico e tático sobre o futebol contemporâneo. Aparentemente o seu sucesso imediato na Seleção se deve mesmo à sua liderança entre os jogadores.

Futebol hoje é uma ciência altamente desenvolvida, cujos conhecimentos especializados podem ser comparados a qualquer Faculdade com múltiplas disciplinas. Todo mundo que gosta acha que entende um pouco de futebol, mas no mundo profissional, competitivo, os conhecimentos especializados tem uma precisão, num grau de alto desempenho profissional, muito além do que as pessoas imaginam.

Apaixonado por futebol, tive oportunidade de me inscrever no curso do Sindicato dos Treinadores e os aprendizados foram inesquecíveis. Há conteúdos que fazem parte da preparação no futebol que poucas pessoas já ouviram falar, como a “tomada de decisão”, o treinamento dos atletas para decidirem rapidamente se vão dominar a bola ou tocar de imediato – e para onde.

Há o exercício para desenvolver a “visão periférica”, que é a capacidade de perceber o ambiente fora do foco imediato, a posição dos companheiros e dos adversários. O jogador tem de saber conduzir a bola sem estar olhando para ela o tempo inteiro, também.

Os esquemas táticos mudam com o tempo, há toda uma história de seu aperfeiçoamento. Disciplina tática é uma das qualidades que os jogadores brasileiros menos tem, ao contrário dos europeus. A preparação física evoluiu muito, os craques da Seleção Brasileira de 1970 que marcou época, com Pelé & Cia, corriam 6 km em uma partida de futebol e os atletas de hoje correm o dobro disso. A Nutrição também se especializou para o alto rendimento, tudo é rigorosamente planejado.

O “fator Tite”, no entanto, parece ir muito além de todos esses conhecimentos técnicos específicos. Tudo indica que o seu maior diferencial é a capacidade de liderar, o que implica em respeitar e valorizar, ser respeitado e valorizado pelo grupo de jogadores, e os fazer funcionar coletivamente. Outros fatores requererem tempo de treinamentos e os resultados imediatos indicam que o “fator Tite” revela imenso poder de mobilizar a psicologia de grupo para a agregação e mobilização para vencer.


Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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