6 de fev de 2017

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Mudança e esperança

destaques
Sem mudanças da matriz econômica, notadamente da indústria, energia e agricultura, não será possível implantar os novos paradigmas da prosperidade.


“Não se trai uma promessa de esperança”. Com essa frase, o presidente da França, François Hollande, resumiu as expectativas da comunidade internacional sobre as incertezas geradas pela eleição de Trump, em relação ao cumprimento climático global. Se o novo presidente americano confirmar suas intenções, como vem fazendo, corremos o risco de um efeito em cascata: elas servirão de pretexto para que países como China e Índia, grandes emissores de Gases de Efeito Estufa (GEEs), além de outros, possam alterar suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas, em português) ou mesmo postergar seus compromissos.

A China e a Índia sempre foram resistentes a um acordo mandatório e reagiram a compromissos com metas. Por sua vez, os EUA, embora recaia agora sobre Trump a responsabilidade por um eventual fracasso do Acordo de Paris, nunca subscreveram a Convenção de Proteção da Biodiversidade e o Protocolo de Kyoto, mesmo durante os governos Clinton (com Al Gore, de vice) e nos dois mandatos de Obama.

Isso reflete uma posição historicamente reacionária dos americanos, agora reforçada com a vitória dos republicanos para as duas casas do Congresso. Daí a necessidade de uma nova economia, destacando que os fundamentos da economia clássica e neoclássica, ao não valorar os ativos ambientais e não considerar os custos da degradação do meio ambiente, inviabiliza que a sustentabilidade se estabeleça como paradigma de um novo modelo de desenvolvimento. Sem mudanças da matriz econômica, notadamente da indústria, energia e agricultura, não será possível implantar os novos paradigmas da prosperidade. Nesse contexto, a única mudança certa continuará sendo a mudança do clima.

Tempos difíceis

Parece, enfim, que a civilização ensoberbou-se, atirada à fúria hedonista, à compleição consumista, cada vez mais longe de qualquer resquício de humanidade, sem ternura, nem afeto. Mas, temos de ser otimistas, não estamos próximos do fim. O planeta tem bilhões de anos e a civilização humana é um átimo desse tempo. Mesmo que o nosso arraigado antropocentrismo ainda turve o nosso olhar e nos faça esquecer que somos parte da natureza, que a Terra é o lar da humanidade, chegou a hora de escolhermos um novo caminho não perecível. Afinal, Trump não decidirá sozinho. Embora sua arrogância o faça crer que pode tudo, ele terá que decidir com o resto do mundo. Aí, quem sabe, vislumbraremos a rota da sobrevivência comum, da sustentabilidade e da harmonia com a natureza. Da austeridade, da fraternidade entre os povos, da paz e da solidariedade planetária, capazes de nos trazer um novo renascimento.

Por José Carlos Carvalho - Ex-ministro do Meio Ambiente.

Fonye: http://www.revistaecologico.com.br/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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