5 de fev de 2017

Publicado em:

Arquipélagos brasileiros

variedades
Com dimensões continentais e belas paisagens, Brasil tem arquipélagos oceânicos e fluviais que são verdadeiros santuários de vida e biodiversidade.

Com mais de 40% de seu território coberto pela maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, o Brasil também é superlativo quando se trata do seu litoral e de seus rios. E nesses dois cenários – de águas salgada e doce – ricos tanto em beleza paisagística quanto em biodiversidade, os arquipélagos são um verdadeiro convite à viagem e às novas descobertas.

Em um tratado da ONU, em 1995, foi reconhecido que o território brasileiro aumentou em 3.646.514 km2, passando a ter 12.161.390 km2. Essa área extra é oceânica e diz respeito à Zona Econômica Exclusiva, que se estende da plataforma continental ao talude continental. Dentro desse polígono há muitas riquezas minerais, biológicas e paisagísticas, incluindo muitos arquipélagos.

As ilhas costeiras e oceânicas, em grande parte, compõem a costa rochosa, que ainda é pouco conhecida cientificamente. Segundo especialistas, apenas no estado do Rio de Janeiro 49% de todo o litoral é rochoso e a maior parte é formada por ilhas. Os estados de São Paulo e de Santa Cantarina também têm grandes extensões de litoral rochoso com arquipélagos.

Subida do mar

As ilhas costeiras se desenvolvem sobre a plataforma continental que vai até a profundidade de 200 metros e tem rochas idênticas às do continente. Mesmo porque, há 20 mil anos, no período glacial, toda essa região marinha estava emersa, ou seja, o nível do mar estava a 130 metros abaixo do atual. Essas ilhas eram, naquela época, apenas morros e montanhas no continente.

Com a subida do nível do mar, a partir de 18 mil anos atrás, essas elevações ficaram ilhadas. Por outro lado, entre três e seis mil anos atrás o nível do mar oscilou bastante e chegou a 4,5 metros acima do atual, transformando montanhas, como o Pão de Açúcar, em ilhas.

Algumas ilhas costeiras mais conhecidas abrigam capitais de estado, como São Luís (MA), Vitória (ES) e Florianópolis (SC). No entanto, há centenas de ilhas médias e pequenas, principalmente entre Santa Catarina e Rio de Janeiro, por terem costa montanhosa.

Muitas ilhas são famosas pelo turismo, como Itaparica (BA), Ilha Grande (RJ) e Ilhabela (SP). Há ainda muitas ilhas costeiras reconhecidas por sua importância ecológica. Nelas existem diferentes formações, tais como: costa rochosa (falésias, costões e lajes), estuários, baías, planícies e praias. Sobre elas se desenvolvem ecossistemas de costão, mangues, restingas e recifes de corais.

Abra os Olhos

Vista aérea de Abrolhos - Imagem: Ernie Dingo/Wikimedia

As ilhas oceânicas geralmente emergem de grandes profundidades e são compostas de rochas vulcânicas, ou seja, já foram vulcões no passado. O arquipélago de Trindade (ES), por exemplo, tem sua base a cinco mil metros de profundidade e fica a 1.100 quilômetros da costa. Fernando de Noronha (PE) também nasce de grande profundidade.

O arquipélago oceânico mais próximo é o dos Abrolhos, distante cerca de 70 km da costa brasileira, no extremo sul da Bahia, composto também por rochas vulcânicas, sobre as quais se desenvolveram recifes de corais.

Em virtude da grande visitação turística e depredação, inclusive pela pesca, foi criado em abril de 1983 o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o primeiro dessa categoria no país. De acordo com a tradição nos meios náuticos, o nome Abrolhos tem origem na advertência: “Abra os olhos!”, encontrada em antigas cartas náuticas dos portugueses aos navegantes, alertando para o perigo representado pela grande quantidade de recifes submersos existentes na região.

O Arquipélago de Noronha, formado por 21 ilhas de origem vulcânica, também precisou ser transformado em área de preservação em razão do turismo predatório. Seu território foi anexado ao estado de Pernambuco em 1988 e apenas a maior das ilhas, Fernando de Noronha (16,2 km2), é habitada. A entrada de visitantes é limitada e se cobra uma taxa de preservação ambiental.

As ilhas de Trindade e Martim Vaz (ES) têm 10,7 km2 de área. São usadas como base da Marinha e também para atividades de observações meteorológicas, não ocorrendo ocupação humana. São as ilhas brasileiras mais distantes, mas com muitas histórias impressionantes, que merecem ser conhecidas.

Vale destacar, ainda, algumas ilhas oceânicas bem pequenas e distantes, como os minúsculos penedos de São Pedro e São Paulo (PE), que afloram 900 km a nordeste do litoral. O Atol das Rocas (RN), por sua vez, é um pouco maior, e fica a 250 km do continente. O acesso é difícil, devido à presença de recifes de corais, e ele foi transformado em reserva biológica em 1979.

lhas fluviais

No quesito água doce, o Brasil também é privilegiado. O Arquipélago de Marajó, com 40,1 mil km², é o maior conjunto de ilhas fluviomarinhas do mundo, banhadas pelos rios Amazonas e Tocantins e também pelo Oceano Atlântico. Esse arquipélago cresce constantemente em função do gigantesco aporte de sedimentos trazidos diariamente pelo Rio Amazonas.

A cidade de Belém (PA) fica a sudeste do canal que separa Marajó do continente. Com 16 municípios, sua capital é Soure, berço da tradicional cerâmica marajoara. O arquipélago é famoso, ainda, por ter o maior rebanho de búfalos do Brasil, com cerca de 600 mil cabeças, curiosamente o dobro do número de habitantes da região.

A Ilha de Bananal é genuinamente fluvial e a maior do mundo nesse critério. Com 25 mil km², está localizada no Tocantins, entre dois grandes rios: o Javaés e o Araguaia, nas divisas com Goiás e Mato Grosso. Reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera, abriga aldeias indígenas das etnias Javaés e Karajá.

Outro destaque brasileiro é o Arquipélago de Anavilhanas, situado no Rio Negro (AM), numa área de mais de 350 mil hectares. O parque nacional, criado em 2008, se estende pelos municípios de Manaus (30%) e Novo Airão (70%). A parte fluvial do parque, com mais de 400 ilhas, representa 60% da unidade de conservação. O principal atrativo turístico é a interação com os botos-vermelhos, além dos passeios de barco e das trilhas terrestres.

Fonte: http://www.revistaecologico.com.br/ - Luciana Morais - redacao@revistaecologico.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

Não perca nossas publicações...

Inscreva-se agora e receba todas as novidades em seu e-mail, é fácil e seguro!

Desenvolvido por YouSee Marketing Digital - Nós amamos o que fazemos
| Hosted in Google Servers with blogger technology |:

Fechar