27 de fev de 2017

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Ainda há tempo para nos curarmos de nós? (assista o vídeo)

destaques
“A arrogância talvez seja a pior doença de nossa espécie”, escreve Fernando Meirelles sobre 3 Segundos, filme vencedor do festival de curtas sobre mudança climática Fìlm4Climate 2016.




Prince Ea é o nome artístico de Richard Williams, um antropólogo que virou rapper, sentiu que havia uma pobreza geral de ideias na cena artística e fundou o movimento Make S.M.A.R.T. Cool para promover a inteligência. S.M.A.R.T. é a abreviação de Sophisticating Minds and Revolutionizing Thought (Sofisticando as Mentes e Revolucionando o Pensamento). Mais interessado nas ideias do que na música, ele abandonou o hip-hop e hoje se intitula Spoken Word Artist, faz vídeos nos quais fala sobre temas que considera vitais para uma vida equilibrada. As mudanças do clima entraram no seu radar.

Com a direção do jovem estudante de cinema australiano Spencer Sharp, Prince Ea criou Man vs. Earth (3 Segundos), o vídeo vencedor do festival Film4Climate de 2016, apresentado aqui. Eu era parte do júri do festival, durante a conferência do clima de Marrakesh, e também votei nele. O filme é tocante pela precisão dos argumentos. Te pegam pela cabeça e pelo coração, e aí é xeque-mate.

A ideia é colocar a relação do homem com o planeta em perspectiva. “A Terra tem 4.5 bilhões de anos, o homem está aqui ha 140 mil anos”, lembra-nos Prince Ea. E então propõe: “Se condensarmos a vida da Terra para 24 horas, um dia, o homem está no planeta ha.. rufem os tambores… três segundos. Três segundos. E veja o que fizemos.” Sobre imagens da destruição do planeta, Prince ironiza o fato de nos auto-intitularmos Homo sapiens. “Onde está o sapiens?” – pergunta.

A arrogância talvez seja mesmo a pior doença da nossa espécie.

Na nossa jornada para explorar a galáxia,
rejeitamos e negligenciamos o lar que temos agora.
Então não, isso não pode ser sabedoria.
A sabedoria é diferente.
Enquanto a inteligência fala, a sabedoria escuta.
E nós tapamos os ouvidos para os gritos da Mãe Natureza.

E esta é a questão central que o filme explora: a nossa desconexão com a natureza, esta senhora que vem aperfeiçoando sua sofisticadíssima complexidade há 4,5 bilhões de anos, mas que temos a pretensão de achar que podemos dominar nos nossos três segundos. Ou bem menos, se pensarmos que foi só a partir do renascimento, quando os europeus resolveram que o homem era o centro do Universo, que começamos a detonar o planeta com método.

Ouvir a natureza, para mim, é um tema cada vez mais caro. Tenho me interessado pela agricultura sintrópica, que parte do princípio de que na natureza todas as espécies colaboram e não competem, como aprendemos na escola. Mudando esta perspectiva, ao estudar como se dá esta relação de colaboração, colhe-se resultados impressionantes.

Se ao assistir o filme você se sentir como parte de uma comunidade de um destes vírus tipo Marburg, que invadem um corpo e o destroem em poucos dias, não estará sozinho. A questão hoje é saber se ainda há tempo para nos curarmos de nós mesmos. Chegaremos ao quarto segundo?



CHAMADA:

O Observatório do Clima vai anunciar as inscrições para o Film4Climate de 2017 em breve. Os filmes devem estar prontos em final de agosto, então podem ir pensando num roteiro. O Brasil, como um responsável da pesada pelo aquecimento global e um país que tem potencial para ser parte da solução, não pode ficar de fora.

Fernando Meirelles é cineasta, produtor rural e ambientalista. Dirigiu, entre outros, Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel e Ensaio Sobre a Cegueira.

Fonte: http://www.observatoriodoclima.eco.br/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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