26 de jan de 2017

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Estratégia militar para reflorestamento aéreo

destaques
Os ­ambientalistas costumam ser pessoas bastante pacíficas, por isso ouvi-los discutir o uso de GPS e tecnologia de rastreamento de mísseis para avaliar um alvo é um tanto desconcertante. Os amigos das árvores usando tecnologia de rastreamento de mísseis e lançando bombas de aviões C-130? O que está acontecendo com o mundo?

Entretanto, essas táticas aparentemente sorrateiras não são o que parecem. A floresta não está sendo convertida em zona de guerra. Esses inovadores estão simplesmente adaptando tecnologias militares avançadas para uso em reflorestamento aéreo, principalmente nos Estados Unidos. Às vezes definido como plantação aérea e semelhante ao método de plantio de jardins conhecido como broadcasting, o reflorestamento aéreo envolve o uso de aeronaves para distribuir sementes e replantar florestas.

Usar aeronaves para lançar sementes em terrenos
inacessíveis pode ajudar os esforços de reflorestamento

Na verdade, o reflorestamento aéreo nada tem de novo. As pessoas o empregam, no mínimo, desde os anos 30, quando aviões foram usados para distribuir sementes sobre as inacessíveis montanhas de Honolulu, no Havaí, depois de um incêndio na floresta. A técnica também ganhou popularidade nos Estados Unidos por algum tempo depois da Segunda Guerra Mundial, apesar de nem sempre ter sido bem-sucedida. As técnicas utilizadas atualmente são bem mais avançadas.

Casos brasileiros
No Brasil, já há alguns casos reflorestamento aéreo, a partir de semeadura, principalmente nas áreas de encosta da Mata Atlântica como, por exemplo, em Cubatão (SP) ou Joinvile (SC). Já a agricultura trabalha com a semeadura aérea desde os anos 40, tanto no combate de pragas quanto na semeadura. Segundo o engenheiro agrônomo Manoel Ibrain Lobo Júnior, que tem um blog sobre o assunto, existem no país 300 operadores de aviação agrícola com cerca de 1,5 mil aeronaves. As aeronaves, com mais de 1,5 mil litros de capacidade (tamanho para trabalhos de reflorestamento), são apenas 100.

Algumas pessoas acreditam que podem usar bombas e aviões militares para acelerar o processo de reflorestamento. Mas embora o uso de C-130s para lançar bombas de semeadura ainda não tenha se tornado corriqueiro, o reflorestamento aéreo civil já é de alguma utilidade.

O reflorestamento aéreo pode ter várias aplicações. Ele é usado com freqüência pelo Serviço de Fauna e Pesca dos Estados Unidos para aumentar a cobertura vegetal e impedir erosão em locais queimados, logo depois de um incêndio. O método também pode ser útil em qualquer lugar onde o reflorestamento tradicional encontre dificuldades: encostas de montanhas inacessíveis, áreas devastadas pela guerra e terras úmidas nas quais as pessoas talvez não encontrem áreas sólidas o suficiente para plantar sementes.

Embora nem sempre atinja índice de sucesso tão elevado quanto os métodos manuais, a efetividade do reflorestamento aéreo depende de diversos fatores, como o tipo de semente usado, a distribuição dessas sementes na estação apropriada e sua difusão no momento e nos locais exatos. Outra questão é a ação dos predadores: os esforços posteriores à Segunda Guerra Mundial foram abandonados porque as sementes lançadas terminavam alimentando camundongos e outros roedores, em vez de se tornarem árvores. Mas caso o método seja aplicado corretamente, o reflorestamento por via aérea pode atingir índice de sucesso de até 70% [fonte: Joffe-Block].

O reflorestamento aéreo pode ajudar em regiões de terras úmidas onde há dificuldade acesso

Os métodos tradicionais de reflorestamento, no entanto, exigem muita mão-de-obra, são demorados e dispendiosos. Plantar um hectare manualmente pode custar até US$ 8.750 [fonte: Utomo].

Desconsideradas as questões monetárias, o volume de sementes que pode ser plantado por meio do reflorestamento aéreo é espantoso. Um avião de grande porte pode lançar até 100 mil sementes em um vôo, o que pode representar até um milhão de árvores em apenas um dia [fonte: MIT (em inglês)].

Mesmo que apenas 70% delas sobrevivam - isso seria um dia de sucesso. Plantar todas essas árvores em um só dia por meios manuais exigiria muita gente, mesmo que consideremos o índice de sucesso de 95% geralmente associado aos métodos manuais de plantio [fonte: Joffe-Block (em inglês)].

É claro que todos esses cálculos hipotéticos dependem muito dos métodos utilizados. Da mesma maneira que a estratégia pode trazer vitória ou derrota em uma batalha militar, pode ser a chave para vencer essa batalha específica.

Não pense que o reflorestamento aéreo requer apenas levar uma sacola de sementes para um avião e despejá-las pela janela da cabine. Na verdade, o processo é bem mais complexo. Caso as sementes sejam simplesmente lançadas de uma altitude elevada, sem planejamento, apenas a sorte poderia garantir que caíssem em terras férteis.

Um fator importante para o relativo sucesso do reflorestamento aéreo é o projeto de cartuchos de sementes ou mudas. Nos estágios iniciais do reflorestamento aéreo, era difícil lançar sementes de altitudes elevadas sem prejudicar suas extremidades sensíveis. Mas agora existem diversos modelos que envolvem as sementes em recipientes cônicos resistentes e biodegradáveis. Os recipientes são fortes o bastante para proteger as sementes quando elas atingem o chão, mas se desintegram e assim, as raízes das árvores podem emergir. Esses cartuchos também contém tudo que a muda precisa para sobreviver. Dependendo do modelo específico, podem conter terra, nutrientes, fertilizantes e até mesmo um material que suga a umidade da área circundante, algo de que a árvore precisa para seu crescimento.

Os cartuchos de sementes impedem que elas sejam danificadas e se decompõem logo que caem, assim as raízes da árvore podem emergir 

Nem mesmo cartuchos bem projetados garantirão sucesso sem colocação precisa, mas é para isso que equipamentos como o avião de transporte militar C-130 servem. No fim dos anos 90, algumas pessoas perceberam que, embora as forças armadas não tivessem a plantação de árvores entre suas missões, elas tinham grande capacidade de lançar bombas em locais precisos, e de rastrear mísseis.

Segundo essas pessoas, caso essa tecnologia fosse aplicada ao reflorestamento aéreo, as coisas poderiam de fato decolar. Então, surgiram algumas idéias.

Uma das propostas envolvia o uso de câmeras de alta resolução acopladas a um dirigível de pilotagem remota, a fim de fornecer dados em tempo real sobre as condições de clima e a umidade do solo, de modo que fosse possível planejar o melhor momento para uma missão. O dirigível poderia percorrer os céus por até dois anos, mapeando os melhores locais para o cultivo e transmitindo informações ao solo.

Outro método, cujo objetivo era colocar os cartuchos com mais precisão, envolvia equipar cada um deles com controles de tempo e ejeção semelhantes aos atualmente utilizados em bombas usadas na destruição de pistas de pouso. Além disso, GPS e equipamento de rastreamento de mísseis poderiam apontar a posição exata de um avião em relação à área-alvo. Se acoplada a dados sobre a velocidade do vento, essa informação poderia determinar o momento exato de lançamento dos cartuchos.

Já que todas essas tecnologias existem (e há mais de 2,5 mil C-130 operando em 70 países), basta obter verbas para literalmente conseguir que algumas dessas propostas decolem [fonte: Brown (em inglês)]. No entanto, já há métodos menos técnicos em operação.

Por exemplo, embora não empreguem aviões militares, funcionários do Parque Nacional de Izta-Popo, perto da Cidade do México, fizeram diversos lançamentos de esferóides de sementes (o nome do modelo específico de cartucho que empregam) para reflorestar a área. A Comissão Florestal Nacional do México também vem testando o reflorestamento aéreo com sua versão própria de cartuchos de sementes, para determinar se eles teriam uso em futuros projetos. No começo de 2008, cerca de 400 voluntários na Louisiana construíram cartuchos de sementes usando sementes, areia e terra envoltos em gaze impermeabilizada por cera de velas. Depois, os recipientes foram lançados estrategicamente por um helicóptero ao longo da costa sul do Estado.

Assim, embora C-130 equipados com rastreadores de mísseis no momento não estejam sendo usados em reflorestamento aéreo, alguns aviões mais simples que você ouve passar talvez estejam carregados de cartuchos de sementes.

Fonte: http://ambiente.hsw.uol.com.br/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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