22 de out de 2016

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O Fim Da Impunidade?

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Temer voltou um dia antes do Japão, sem declarar o motivo. No Congresso Nacional, os entrevistados tinham expressões tensas. Nas redes sociais, até quem não gosta de política comemorou a prisão do Cunha, com aquele sentimento de que “não é todo dia que a gente ganha uma deles, hoje é pra comemorar”.

A prisão do Cunha tem impacto igual ou maior que o próprio impeachment, pois Cunha era o maior símbolo de impunidade desse país, flagrado há muito tempo com contas não declaradas no exterior, manipulador de votações no Congresso, chantagista notório. #FalaCunha e #DelataCunha são agora a grande expectativa do país, uma expectativa popular e suprapartidária.

A diferença entre a queda da Dilma e a prisão do Cunha está na unanimidade nacional, pois embora impopular o governo ainda tinha defensores, Cunha nem isso, muito pelo contrário. Com todas evidências de seus roubos, associadas ao seu tráfico de influência e ao mau uso do seu poder parlamentar, sua liberdade era uma afronta à consciência nacional.

No caso da queda do PT sua maior derrota nem foi o impeachment, foi o ironicamente chamado “golpe eleitoral” que tomou nas urnas agora em outubro de 2016, com as raras exceções dos municípios onde os prefeitos petistas conseguiram manter a aprovação popular.

O moralismo que dominou o clima político brasileiro no impeachment, que foi confirmado com a rejeição ao PT nas urnas em quase todo o país, estaria incompleto e seria meramente um preconceito partidário se não sobreviesse a prisão do Cunha. Todo moralismo teria sido em vão, se ele servisse para punir um só partido, quando todos nós sabemos que a corrupção tem tentáculos suprapartidários, tal como o próprio Cunha, criado no PMDB mas um notório corruptor de todos os partidos.

Dizem os petistas, desconfiados, que a prisão do Cunha seria mera forma do juiz Sérgio Moro se mostrar imparcial para em seguida decretar a prisão do Lula. Pode até ser, mas para Lula e o PT nenhum golpe, nem mesmo a prisão, seria maior que a derrota eleitoral, que lhe esvazia o argumento de golpe no impeachment, pois até então se diziam detentores dos votos da maioria do povo.

O cenário das prisões, no momento, não autoriza a interpretação da parcialidade, pois até mesmo grandes empresários tem sido presos, homens que até ontem mandavam e desmandavam nesse país. Que tipo de “complô das elites”, que supostamente incluiria o Judiciário, colocaria na cadeia donos e executivos de empresas deste porte? A prisão do Cunha, agora – e as perspectivas de delação que isso abre – mostram que há esperanças, no país, de uma luta séria contra a corrupção.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade.

Fonte: https://www.ecodebate.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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