10 de set de 2016

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Frente contra o FRACKING avança no Paraná

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Municípios da região de Paranavaí estão mobilizados contra a exploração do gás de xisto por fraturamento hidráulico, método não convencional altamente poluente e perigoso.

A noite desta quinta-feira, 08, não foi de boas notícias para os moradores dos municípios em torno de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, quase divisa com o estado de São Paulo. O subsolo de novas cidades está prestes a ser leiloado pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) para a exploração do gás de xisto pelo fraturamento hidráulico na Bacia Sedimentar do Paraná. Em 2013, a ANP já leiloou blocos que impactam 122 cidades do Paraná e 40 de São Paulo. A previsão é mais 174 cidades dos dois estados tenham o subsolo vendido para a indústria do Fracking na próxima rodada de licitações.

Caminhões vibradores contratados pela ANP estão na região fazendo testes para aquisição sísmica com a finalidade de adquirir informações geológicas e verificar a existência de gás, petróleo, carvão, betume, metano, xisto e outros hidrocarbonetos. Essas informações irão fundamentar a exploração e explotação de hidrocarbonetos na bacia sedimentar do Paraná por Fracking, método altamente danosos à agricultura, pecuária, ecossistemas e impedir o seguro abastecimento público.

Dom Geremias Steimntz, Bispo de Paranavaí é contra o Fracking.

Em reunião no auditório da Unespar/FAFIFA em Paranavaí, lideranças políticas, religiosas e gestores públicos, agricultores, empresários, professores, estudantes e moradores puderam conhecer os riscos e perigos do FRACKING. A maioria não sabia dos impactos ambientais, econômicos e sociais desta tecnologia, muito menos que esta ameaça ronda o Paraná e outros 14 estados brasileiros.


“A participação das entidades e movimentos sociais é fundamental para banirmos o Fracking e preservarmos nossas reservas de água, o solo fértil e a saúde das famílias”, enfatizou Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

Segundo Juliano, o apoio da Diocese de Paranavaí, através do Bispo Geremias Steimntz e do Padre Romildo Neves Pereira, coordenador Diocesano de Pastoral, “irá intensificar a campanha Não Fracking Brasil na região e mobilizar o povo cristão na defesa da água, da produção de alimentos saudáveis e dos seres vivos”.

O Brasil tem um grande potencial para a geração de energias mais seguras e sustentáveis como a solar, eólica, pequenas centrais hidrelétricas e de biomassa. “Não há justificativa para se insistir numa matriz suja e perigosa, que troca água por energia”, completou Juliano.

Perigos do Fracking

Durante a reunião, Dom Geremias Steimntz garantiu que irá mobilizar todas as paróquias para disseminar informações sobre essa danosa tecnologia. “Já está comprovada pela ciência que a exploração do xisto das camadas profundas do subsolo se trata de algo muito perigoso para todos nós”, reforçou.

Padre Romildo Neves Pereira ( à esquerda), Juliano Bueno de Araujo, Dom Geremias Steimntz e Reginaldo Urbano Argentino.

Parceira e membro da COESUS, a Cáritas Paraná está engajada na campanha contra o Fracking, mobilizando padres, agentes das pastorais e fiéis da Igreja Católica para promover o debate, mobilizar as cidades e pressionar os gestores para provar uma legislação que proíba o fraturamento hidráulico nas cidades.

De acordo com o Presidente da Cáritas Paraná e campaigner da COESUS, Reginaldo Urbano Argentino, “estamos articulando diversas ações práticas nos municípios para alertar e conscientizar a população sobre os riscos que estamos correndo com o Fracking”.

Dezenas de cidades do Paraná já aprovaram projeto de Lei que proíbem a emissão de alvarás para as empresas que forem fazer Fracking; outorga de água para a exploração do gás de xisto, ou gás da morte; trânsito de caminhões com produtos químicos; e testes para aquisição sísmica de hidrocarbonetos.

O que é Fracking

FRACKING é o método não convencional utilizado para a extração do petróleo e gás de xisto. Milhões de litros de água são injetados no subsolo a altíssima pressão misturados com areia e um coquetel de mais de 720 substâncias químicas, muitas delas cancerígenas e radioativas. Além dos impactos ambientais, contaminação das reservas de água, poluição do ar e provocar câncer nas pessoas e animais, a tecnologia também está associada a terremotos.

Para extrair o metano são feitas fortíssimas explosões na rocha do folhelho pirobetuminoso de xisto, provocando a instabilidade do solo. Em regiões onde há uma propensão natural a atividades sísmicas, os abalos são potencializados.


Por Silvia Calciolari

Fotos: COESUS/350Brasil

Fonte:

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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