20 de set de 2016

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Encontro de parlamentares latinoamericanos lança Coalizão Latinoamericana contra o Fracking

destaques meio ambiente
Evento reuniu mais de 130 pessoas dentre parlamentares, representantes da igreja e da sociedade civil de países como Brasil, Argentina e Uruguai para combater o Fracking (Foto: 350.org/COESUS).

Primeiro encontro latinoamericano de lideranças legislativas, eclesiais e da sociedade civil, o evento “Os Perigos do Fracking para a América Latina”, uma iniciativa da 350.org em conjunto com o Parlamento Uruguaio, marcou o início da construção de uma agenda comum cujo principal objetivo é proibir no continente a exploração não convencional do gás de xisto por fraturamento hidráulico – o fracking. Realizado no Palácio Legislativo de Montevidéu, Uruguai, nesta segunda-feira (19), o evento contou com a presença de representantes do Parlamento Latinoamericano e fez parte da programação paralela da Assembleia Parlamentar Euro-latino-americana (Eurolat).

Além de viabilizar a troca de experiências no combate ao fracking em todos os países, o encontro resultou na formação de uma frente ampla para construção de estratégias conjuntas para a proteção da água, do solo e da agricultura da região, além do equilíbrio climático em todo o planeta. Lançada na ocasião, a Coalizão Latinoamericana contra o Fracking pela Água, Clima e Agricultura Sustentável é uma iniciativa de expansão regional da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

“A verdadeira riqueza da América Latina não é o petróleo ou o gás, mas a água e o solo, que possibilitam a manutenção da vida e são a principal forma de subsistência de diversas comunidades. Povos prósperos se desenvolvem em sintonia com os ecossistemas onde vivem. Está comprovado que não há prosperidade onde se destrói a natureza”, defendeu a Senadora da República do Uruguai e uma das organizadoras do evento, Carol Aviaga.

Extremamente poluente, a técnica do fracking utiliza milhões de litros cúbicos de água, que são misturados com areia e mais de 600 solventes químicos, muitos deles cancerígenos. Injetado sob forte pressão, esse líquido, chamado fluido hidráulico, promove a fratura da rocha através de pequenas explosões, que liberam o gás. Cerca de 40% desse material retorna à superfície, enquanto o restante permanece no solo, próximo às fontes de água, inviabilizando a atividade agropecuária e prejudicando a saúde das populações que vivem próximas aos poços de exploração.

Além de causar problemas de saúde, poluir o solo, a água e o ar, e impactar diretamente a agricultura, a prática também intensifica as mudanças climáticas, uma vez que libera sistematicamente o metano, um dos gases causadores do efeito estufa, 25 vezes mais poluente do que o dióxido de carbono (CO2).

“A luta contra as mudanças climáticas e o fracking nos conecta a todos. Se a sociedade e os governos não se mobilizarem para conter a entrada dessa atividade em seus respectivos países, não só as comunidades locais sofrerão os impactos, como também o restante do mundo. A prática do fracking vai ao encontro ao movimento global de combate às mudanças climáticas e rumo a uma economia de baixo carbono, com alternativas energéticas sustentáveis, renováveis e socialmente justas. Num momento em que o planeta vivencia impactos severos de eventos decorrentes da alteração da temperatura terrestre, é cada vez mais prioritário construir estratégias conjuntas de combate aos combustíveis fósseis”, reforçou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina.

Batalha de dimensões continentais

Oradores do evento com o certificado de participação (Foto: 350.org/COESUS).

Países onde o método já é utilizado, como Argentina e Estados Unidos, têm experimentado enormes prejuízos ambientais, sociais e econômicos. Outros, como Alemanha, Escócia e França, já baniram definitivamente a técnica. Entretanto, com a baixa do preço do petróleo, o fracking ganhou força na indústria dos hidrocarbonetos, tendo na América Latina uma de suas principais portas de entrada.

Já foram mapeadas áreas para exploração na Bolívia, Chile, Colômbia, Venezuela, Paraguai, Uruguai, Argentina, Brasil e México, sendo estes três últimos os que contam com as maiores reservas de gás de xisto no continente. Muitas das áreas estão próximas ou sobrepostas a territórios indígenas, comunidades ribeirinhas, bairros urbanos, Áreas Protegidas e regiões produtivas.

A proibição ao fracking no continente garantirá a preservação do Aquífero Guarani, principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e um dos maiores sistemas aquíferos do mundo, que abastece cerca de 55 milhões de pessoas nos quatro países onde está localizado – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

“Considerando que esses países têm na agricultura a base de suas economias, é fundamental assegurar que a indústria agrícola latinoamericana esteja livre de contaminação. Sendo assim, o banimento do fracking no continente não só irá proteger a saúde das pessoas, animais e do meio ambiente, como também garantirá competitividade aos produtos no mercado internacional, uma vez que diversos países já estão criando restrições de importação para alimentos provenientes de áreas com exploração do gás de xisto”, defendeu Juliano Bueno de Araújo, coordenador de campanhas climáticas da 350.org e fundador da COESUS.

No Uruguai, cinco províncias já aprovaram projetos de lei para banir a técnica – Paysandú, Tacuarembo, Salto, Rocha e Artigas –, além da província de Maldonado, onde a proposta já está em tramitação. A província de Entre Ríos, na Argentina, também já aprovou a proibição. O Brasil já contabiliza mais de 100 cidades livre do fracking, fruto da articulação e ações da COESUS, através da campanha Não Fracking Brasil.

Fonte: https://350.org

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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