4 de ago de 2016

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Ofensiva da ANP por petróleo e gás de xisto coloca comunidades em alerta no PR e SP

destaques meio ambiente
Com uma nova rodada de licitações para exploração de petróleo e gás de xisto prevista para o final deste e começo do próximo ano, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) está acelerando a realização dos testes sísmicos em dezenas de cidades do Norte e Norte Pioneiro do Paraná e Sudoeste de São Paulo. Três equipes com caminhões vibradores e técnicos, muitos deles estrangeiros, já estão operando. E a previsão é que mais duas estejam circulando nas rodovias nas próximas semanas. Além do Paraná, dezenas de cidades de São Paulo também estão no cronograma de estudos da bacia sedimentar, especialmente as que compõem o Projeto Turístico Angra Doce e que serão diretamente afetadas.

Exploração de petróleo e gás de xisto na região irá inviabilizar o Projeto Turístico Angra Doce que abrange 14 cidades, sendo dez de São Paulo e cinco do Paraná. 
Foto: Divulgação

A presença dos caminhões vibradores nas áreas urbanas e rurais das cidades está assustando os moradores, que não foram informados dos detalhes e finalidade dos testes, assim como as autoridades municipais. Como os tremores induzidos pelos equipamentos são de alta intensidade, já chegam a centenas os relatos que atestam rachaduras nas paredes das casas e edifícios, lâmpadas que estouram e vidros e gesso que se quebram.

Pânico gera paralisações

No distrito de Guaravera, de Londrina, o pânico fez com que moradores barrassem as máquinas e caminhões gigantes que fazem as prospecções. Eles entregaram ao prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff, um abaixo-assinado contra o levantamento que pode implantar o Fracking na região.

“Estamos muito receosos de que estes testes sirvam apenas para ratificar uma decisão já tomada pelo governo brasileiro que é explorar o gás de xisto pelo método não convencional conhecido como fraturamento hidráulico, ou FRACKING, nos dois Estados”, alerta o fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil – e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org, Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo. Juntos, Paraná e São Paulo concentram mais de 50 milhões de habitantes, representando 1/5 da população brasileira que estão sob ameaça direta.


FRACKING é uma tecnologia altamente poluente que causa danos irreversíveis e permanentes para as reservas de água, solo e ar, além de provocar doenças graves como câncer nas pessoas e animais. Para extrair o gás do xisto que está em grandes profundidades, são injetados milhões de litros e água misturados à areia e um coquetel de 600 substâncias químicas tóxicas, cancerígenas e até radioativas. Tudo para explodir (fraturar) a rocha e liberar o metano, com um alto custo ambiental.

“Onde há Fracking não há água potável, não há agricultura nem pecuária, muito menos turismo. O gás da morte contamina o ar e provoca doenças como câncer nas pessoas e animais, além de contribuir para o aquecimento global e intensificar as mudanças climáticas”, explica.

Segundo dados do IBGE, em 2013 os estados com os cinco maiores PIBs concentravam 65,6% da economia nacional: São Paulo (32,1%), Rio de Janeiro (11,8%), Minas Gerais (9,2%), Paraná (6,3%) e Rio Grande do Sul (6,2%). “Não podemos aceitar que se faça Fracking nestes e outros estados brasileiros, inviabilizando a nossa economia, dizimando a biodiversidade, contaminando os principais aquíferos e deixando um legado de destruição a milhões e milhões de brasileiros”, completa Juliano.


Alerta para terremotos

Além dos impactos ambientais, econômicos e sociais, o Fracking também já está comprovadamente associado a ocorrências de terremotos. “Quando acontecem explosões intensas e sucessivas num subsolo que já possui características de instabilidade, já se sabe que os terremotos são inevitáveis”, explica Juliano.

Ele lembra que em novembro do ano passado, os mesmos testes sísmicos foram realizados na região de Londrina, provocando tremores de até 1,9 Graus causando prejuízos e levando pânico à população. Em maio deste ano, os moradores de Bela Vista do Paraíso, cidade próxima à Londrina, também se assustaram com os tremores provocados pelos equipamentos.

Campanha para proibição da tecnologia

De acordo com Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina e parceira da COESUS na campanha para proibir o Fracking no país, o Paraná será completamente devastado caso se insista em investir na exploração do petróleo e gás de xisto, assim como outros 14 estados brasileiros. “A população tem o direito à informação sobre os riscos e perigos desta tecnologia, que traz destruição para muitos e vantagens econômicas apenas para a indústria dos combustíveis fósseis”, afirma.

A campanha Não Fracking Brasil disponibiliza informações sobre FRACKING e um anteprojeto de Lei que proíbe a tecnologia nas cidades. “Estamos realizando audiências públicas, palestras e seminários com o objetivo de informar e mobilizar as pessoas que entendem, como nós, que as energias renováveis são a garantia de um futuro seguro e sustentável para a humanidade e todas as formas de vida no planeta”, completa.


Várias cidades já estão informadas e mobilizadas para impedir que novos leilões aconteçam e lutar contra o Fracking. Muitas aprovando projetos de Lei que proíbem o método não convencional para extração do gás de xisto.

Fonte: naofrackingbrasil.com.br

Fotos: COESUS/350Brasil

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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