9 de ago de 2016

Publicado em:

Indígenas brasileiros estão engajados na luta contra o FRACKING.

destaques

A 350.org Brasil e a COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil – realizam oficinas frequentes para alertar a sociedade contra os perigos do Fracking. Numa delas, representantes de comunidades indígenas relataram suas angústias e temores diante das ameaças da exploração do gás do xisto.

Os depoimentos registrados pela campanha Não Fracking Brasil mostram que as lideranças estão unidas para lutar contra esse método não convencional de perfuração do solo que provoca severos e irreversíveis danos ambientais. Ao injetar por um tubo milhões de litros de água sob altíssima pressão, a água doce é misturada à areia e um coquetel com mais de 600 substância tóxicas, cancerígenas e algumas radioativas para quebrar a rocha e libera o gás metano. Neste processo, os aquíferos são contaminados pelo metano e fluídos tóxicos, bem como o solo e ar, provocando câncer na população e animais e impedindo a produção de alimentos.

Assim como segmentos não índios da sociedade, lideranças indígenas estão se articulando para resistir à instalação no Brasil da indústria do Fracking e dos combustíveis fósseis. Estamos todos juntos na luta contra o gás da morte.


Mangueirinha é uma das maiores reservas primárias de araucária do mundo e tem uma grande biodiversidade. O agronegócio é muito forte na região, com a monocultura de soja. O mapeamento da área indígena de Mangueirinha mostra uma ilha verde. Se a Amazônia é o pulmão do mundo, Mangueirinha é o pulmão da região Sul e Sudoeste. Hoje se explora a pedra asfáltica. Já chegamos até a embargar isso. Então, imagina o Fracking… É um pesadelo que pode provocar muitas alterações no nosso sistema. Precisamos defender a nossa terra. Já sentimos mudança na produção do pinhão que esse ano diminuiu por conta do veneno aplicado na agricultura da região. Não queremos que isso piore com o Fracking. Como vai ficar a nossa subsistência?

Márcio Kokoj – Mangueirinha


Já fomos impactos pela rede de transmissão elétrica que corta nossa área indígena. Se vier o Fracking vamos ser ainda mais impactados. Precisamos estar alertas. Mesmo que não seja na nossa região, precisamos lutar para que isso não aconteça também fora da nossa área. Os impactos se estendem. Assustam os problemas que o Fracking pode trazer na área de saúde, com doenças, ou na produção de alimentos.

Francisco Runja Manuel Antonio – Município de Cacique Duble – Membro da coordenação de articulação dos povos indígenas da região Sul pelo Rio Grande do Sul.


O Fracking é um risco para a nossa comunidade e para todos que vivem ao redor no município. Existe um grande desconhecimento sobre o que é de fato o Fracking, mas a partir do momento que se tem o conhecimento sobre o potencial destrutivo desse método de produção do gás, eu acredito no enfrentamento conjunto para defender nosso território e a área em torno. Estou levando as informações para a comunidade para que ela se prepare porque eu acredito que, mais cedo ou mais tarde, vamos ser procurados. As empresas vão querer extrair esse gás do subsolo nosso.

Rildo Mendes – Abelardo Luz – SC Aldeia Toldo Embu


Eu era leiga sobre o assunto e me assustei com os danos ambientais. Mas principalmente com o fato de provocar doenças como câncer. O nosso povo já está bem reduzido, em menor número, e sofre graves problemas de saúde. Temos que levar esse conhecimento para as aldeias e impedir que o Fracking aconteça. Melhor prevenir agora que remediar depois.

Rosane Gonçalves – Terra Indígena Chapecó


Nos anos 70 para 80, uma multinacional, em parceria com a Petrobrás, invadiu a nossa terra sem consentimento do povo, com autorização da FUNAI. Abriram várias clareiras, usaram dinamite, instalaram equipamentos… Morreram alguns índios nessa invasão. Mas ainda bem que a ação foi descoberta e os caciques impediram a exploração, por meio de embargo. Hoje o que nós exploramos é o guaraná, nativo da região. Temos até um protocolo para que isso seja feito de forma sustentável. Não queremos o Fracking. Esse método não afeta apenas nós indígenas, mas todos que estão em volta. Não é luta só de uma pessoa, só de um povo. É de todos. A gente sempre diz que o dinheiro não paga tudo. As pessoas visam o lucro. O dinheiro vale mais que uma vida. Um morto para eles vale mais que um vivo.

Wesley Santos Mawe – Aldeia Nova Esperança Baixo Amazonas – município de Maués, Barreirinha, Parintins.


A gente entrou nessa terra em 2005. Está em demarcação. No começo a gente não tinha água encanada nas casas. Como tinha mina, fizemos um dreno para levar até as casas. Só que quando chovia era um problema. Ficava na beira da estrada. E logo mais para cima era uma plantação de soja. A água sujava muito. Quando os agricultores passavam veneno era horrível. Mas não tinha outro jeito. Filtrávamos e tomávamos daquele jeito. Não quero nem pensar com o Fracking. Eu quero passar essas informações sobre essa ameaça nas escolas. A humanidade tem que esquecer as questões financeiras e se preocupar mais com a saúde.

José Claudio Awagwyradju –  Uvoporã  –  Agente de defesa ambiental


Tememos pela liberdade das crianças que vivem na coleta, na mata, vão pescar nos riachos… Se o Fracking acontecer, vai contaminar a água, o lençol freático. Por isso estamos juntos nessas discussões e na luta. Vamos tentar divulgar o máximo possível isso.
Estamos preocupados porque o Fracking pode estar chegando na região de Pitanga, muito próxima da nossa área. Já sofremos tantos impactos com barragem, exploração, plantação de pinus e eucalipto. Temos que levar isso prá juventude, ampliar o debate. A primeira vez que ouvi sobre Fracking foi três anos atrás quando um amigo disse a seguinte frase: ‘vai chegar uma época em que vamos abrir a torneira e vai sair fogo’. Ele falava do gás metano, que vem da exploração do xisto. Temos que impedir isso.

Ivan Rodrigues – Apucaraninha, mora em Marrecas – região central do Paraná integrante do Conselho Indígena do Paraná.


A restrição territorial desenha uma condição de extrema precariedade em termos de moradia, saneamento básico, infraestrutura. A gente já enfrenta uma série de problemas para efetivação do direito à terra e regularização e ainda ter que se preocupar com o Fracking no cenário… Estamos no centro da bacia hidrográfica do Alto Uruguai. Fracking não discrimina, é uma ameaça a toda população. É indiferente se é o pequeno agricultor ou o latifundiário, se é a população indígena ou dos quilombos. O empreendimento traz muitos passivos ambientais e socioeconômicos. Existe muita falta de informação. Esse é o principal perigo. A população não sabe. É preciso estar atento aos leilões das áreas.

Douglas Jacinto da Rosa – Campo do Meio – Próximo a Passo Fundo.

Fonte: naofrackingbrasil.com.br

Fotos: 350Brasil/COESUS

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

Não perca nossas publicações...

Inscreva-se agora e receba todas as novidades em seu e-mail, é fácil e seguro!

Desenvolvido por YouSee Marketing Digital - Nós amamos o que fazemos
| Hosted in Google Servers with blogger technology |: