16 de ago de 2016

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É verdade que já existiram zoológicos humanos?

histórias
Sim, eles consistiam em pessoas de etnias diversas enjauladas e exibidas ao público em países imperialistas da Europa e nos EUA. Os humanos vinham de ex-colônias e pertenciam a grupos tidos como "exóticos" e "selvagens", como esquimós, indígenas e africanos. Eram expostos com vestimentas típicas ou nus, em jaulas e ambientes que imitavam seu habitat. Chamados de "exposições coloniais", os zoos humanos (que não tinham nada a ver com os freak shows, nos quais os participantes tinham defeitos físicos) viraram moda no final do século 19 e perduraram até meados da década de 1930 - entretanto, a última exposição aconteceu em 1958. De lá para cá, essa atitude cultural e ocidental dos países imperialistas passou a ser considerada motivo de vergonha à humanidade. Em 2014, o governo norueguês financiou um projeto para recriar uma exposição de 1914, mas a obra teve que ser cancelada devido a protestos populares.


1. De bicho pra gente

Em 1874, o mundo vivia o Neocolonialismo, em que países ricos dominavam economicamente e politicamente suas ex-colônias. Foi nesse ano que o vendedor de animais selvagens Carl Hagenbeck, que fornecia bichos para zoológicos, criou a primeira exposição colonial na Europa com nativos da Samoa e Lapônia. A ideia fez sucesso

2. Mercadoria viva

Povos perseguidos em todo o mundo, principalmente em países colonizados, eram levados para as metrópoles. Persuadidos com a promessa de aventura e lucro, eles acabavam assinando contratos injustos e ganhando salários miseráveis por jornadas de trabalho excessivas. Muitas das pessoas expostas viviam em jaulas, com péssimas condições de vida. Esses maus-tratos levavam vários à morte.


3. Para rico ver

Havia exposições com índios norte-americanos, esquimós, núbios do Sudão, pigmeus e negros de diversos países da África, entre outras etnias. Os nativos realizavam atividades do dia a dia, como culinária, artesanato, dança e esportes - quanto mais exótico, melhor. Uma tribo indígena canadense chegou a ser contratada para realizar um ritual canibalístico (que, na época, já estava proibido no próprio Canadá)

4. Todo mundo quer

Além das Feiras Mundiais, que eram realizadas nas capitais dos países e financiadas pelo governo, muitos grupos de nativos também eram negociados como atrações itinerantes, ou seja, que não permaneciam fixas. Isso incluía "apresentações" em circos, feiras e até casas de shows musicais. A popularização também fez com que muitas cidades menores tivessem suas próprias exposições coloniais

5. Zooglobalização

O modelo de negócio se expandiu por diversos países europeus, como França, Inglaterra, Noruega, Bélgica, Alemanha, Itália e Espanha. Do outro lado do Oceano Atlântico, os zoológicos conquistaram também os EUA. Com a popularidade em alta, uma exposição comum recebia em média 300 mil visitantes. Em Paris, o zoo Jardin d'acclimatation foi visitado por 1 milhão de pessoas em 1877. Também nessa cidade, a Exposição Colonial de 1931 teve mais de 1,5 mil africanos em reproduções de vilas de seus países natais.


6. Humilhação elitista

Para a população ocidental, as pessoas expostas eram selvagens e inferiores. Visitantes jogavam alimentos ou quinquilharias aos grupos, comentavam sua fisionomia e comparavam os negros a primatas. Como a ideia era mostrar também o habitat, algumas expos recriavam vilas com até 400 pessoas - as quais eram separadas do público por meio de grades

7. Acabou a palhaçada

Ao longo dos anos, os shows étnicos perderam força por mudanças de comportamento e pensamento. Os países ocidentais decidiram excluir a imagem do "selvagem" em sua propaganda de colonização, pois vinha sendo considerada ofensiva. A última apresentação desse tipo foi realizada em 1958, na Bélgica, e fechou as portas após sofrer críticas da imprensa e pressão dos países vizinhos

Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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