17 de mar de 2016

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Carro conceito

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“O automóvel individual permite ao menos a ilusão do controle do próprio destino”
Ned Ludd.

Em tempos modernos o atraso do pensamento individual é o progresso da artificialidade da modernidade. Numa sociedade globalizada onde o valor-mercadoria é o que define as relações sociais não é difícil se deparar com pensamentos que nem devem ser classificados como uma atividade do pensar. A ignorância toma forma de individuo e este toma forma de coisa, coisa é a mercadoria que ocupa o lugar do indivíduo e ganha vida no seu valor de mercado.

Há pinturas cercadas por molduras que valem mais do que a própria arte. Nós, a arte, ganhamos valor sendo emoldurados por um belo automóvel, tornando o cotidiano cinzento e escuro com suas cores padrões. Mas a juventude continua com sua insistente “rebeldia” passeando com seus motorizados vermelhos. Tão mais insistente é o mercado que derrama seus produtos a serem consumidos por consumidores que por sua vez são consumidos por juros. Possivelmente a função atual do porta-luvas nos automóveis é de carregar as intermináveis folhas destacáveis de um carnê representando o “progresso pessoal” sendo obtido em suaves dezenas de prestações.

Devagar, quase parando, é nesse ritmo que os especialistas no “transito intransitável” de São Paulo agem para que a cidade não se transforme em um “estacionamento compulsório”. A capital que insiste no título de “locomotiva do Brasil” encontra na punição automotiva a solução para tentar voltar “aos trilhos”. Com os impostos mais caros da federação a gana pela arrecadação transforma o caos em lucro, a ausência de politica para o transporte público alimenta a iniciativa individual estimulando a compra de um automóvel a ser utilizado diariamente, o aumento da frota particular é acompanhado pela penalidade, o “rodízio” estipulado em “horários de pico” apenas criou a concepção do segundo carro na garagem. Com os financiamentos automotivos a perder de vista rapidamente essa medida se tornou obsoleta, e o rodízio apenas existe na garagem dos proprietários de dois ou mais automóveis.

Agora os especialistas no trânsito – desde que foram concebidos o trânsito de São Paulo só piorou – já falam em voz alta como se fossem “gênios da lâmpada ou do engarrafamento” que a solução está no pedágio urbano, mais uma medida punitiva que vem graças a ineficácia de órgãos públicos, um custo que será dividido entre os cidadãos urbanos portadores de meios de condução, nada mais democrático, não é? O caos e o lucro se unem na cabine com cancela.

O País que buscou sua industrialização no desenvolvimento da indústria automotiva já pode se orgulhar de ter um “trânsito de primeiro mundo”, para quem enfrenta diariamente os congestionamentos a situação é de atraso na organização urbana, mas pode ser um sinal de “progresso acelerado” para quem tem vantagens econômicas com a situação e assiste tudo de helicóptero. Na década de setenta, Ivan Illich sustentou que “quanto maior a velocidade dos automóveis, menos sairiam do lugar”, se estivesse vivo poderíamos nomeá-lo como o “verdadeiro especialista do trânsito”.

Daniel Clemente
Professor de História
Colégio Adventista de Santos
Pós Graduando História Sociedade e Cultura PUC-SP

Fonte: http://www.ecodebate.com.br/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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