6 de fev de 2016

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O que aconteceu com o famoso buraco na camada de ozônio? Por que ninguém fala mais dele?

meio ambiente

Quando foi descoberto, virou preocupação mundial, no entanto, depois da assinatura do Protocolo de Montreal em 1989, o que será que aconteceu com o buraco?

Foi um caso que mudou a percepção pública sobre o meio ambiente para sempre – um buraco gigante que crescia cada vez mais, mobilizou gerações de cientistas e uniu todo mundo contra uma batalha que ameaçava destruir a atmosfera. No entanto, 30 anos depois da sua descoberta, a história do buraco na camada de ozônio não teve o final assustador que lhe era previsto. Sendo assim, o que aconteceu para que essa conversa mudasse e qual a situação dele hoje?

Para entender melhor isso, temos que voltar cerca de 250 anos no tempo. Os cientistas vêm tentando estudar o invisível desde o início da Ciência. No entanto, a primeira e verdadeira compreensão sobre a atmosfera da Terra aconteceu durante os anos 1700.

Em 1776, Antoine Lavoisier comprovou que o oxigênio era um elemento químico e merecia um lugar na tabela periódica. A descoberta de Lavoisier estimulou experiências com eletricidade, que por sua vez, mostraram que a reação da eletricidade com o oxigênio produzia um cheiro estrando e ligeiramente picante.

Na década de 1830, Christian Friedrich Schönbein cunhou o termo “ozônio” para esse odor, derivado da palavra grega “ozein”, que significa “para cheirar”. Eventualmente, o ozônio foi descoberto como sendo um gás de três átomos de oxigênio e os cientistas começaram a especular que era ele era um componente crítico da atmosfera e que até era capaz de absorver raios solares.

Indo para 1913, os cientistas franceses Charles Fabry e Henri Buisson, utilizando um interferômetro, conseguiram realizar medições mais precisas da existência de ozônio na atmosfera. Eles descobriram que o ozônio era capaz de se acumular em uma camada na estratosfera, a cerca de 25 a 35km de altitude, além de ser capaz de absorver luz ultravioleta.

Sendo assim, e porque bloqueia parte da radiação que deveria alcançar a superfície da Terra, o ozônio proporciona proteção essencial contra os raios solares. Se não houvesse ozônio na atmosfera, segundo a NASA, “os intensos raios UV iriam esterilizar a superfície da Terra”.

Com o passar do tempo, os cientistas descobriram que essa camada é extremamente fina e que varia ao longo do dia e estações do ano, além disso, possui concentrações diferentes de acordo com a área e, o pior de tudo, poderia acabar.

Durante a década de 70, essa preocupação estava relacionada a emissões provenientes de aeronaves supersônicas, ônibus espaciais que emitiam escape direto na atmosfera e que poderiam afetar os gases naquela atitude. No entanto, e graças à descoberta que rendeu um Nobel a Paul Crutzen, Mario Molina e F. Sherwood Rowland, ficou constatado que os maiores inimigos da camada de ozônio eram os clorofluorcarbonos (ou CFC), presentes em garrafas de spray e que destruíam o gás na atmosfera. Essa descoberta fez com que a atenção de todo o mundo se virasse para a fina camada que rodeia a Terra. Fato que desencadeou um acordo mundial, talvez o mais bem-sucedido acordo internacional de todos os tempos, que visava diminuir a emissão de CFC na atmosfera.

No entanto, hoje em dia, os cientistas entendem muito mais sobre a camada de ozônio do que naquela época. Eles descobriram que é um efeito sazonal, que se forma durante a primavera na Antártida – quando o tempo começa a esquentar e o ozônio entra em reação com os CFCs na atmosfera. Quando o tempo esfria, durante o inverno da Antártida, o buraco se recupera gradualmente até o próximo ano. Além disso, o buraco da Antártida não está sozinho. Em 2003 foram descobertos miniburacos no Tibete e, em 2005 um no Ártico.

Todos os anos, durante a primavera, cientistas de todo o mundo acompanham esse esgotamento do gás na camada de ozônio com balões de medição sobre toda a Antártida e descobriram que ele está ficando cada vez menor. Segundo eles, se o Protocolo de Montreal nunca tivesse sido implementado, o buraco teria crescido cerca de 40% 2013. No entanto, uma “cicatrização” completa é esperada até 2050.

Para o pesquisador químico da National Oceanic and Atmospheric Administration, que ajuda a monitorar esse buraco na camada de ozônio, a consciência pública a respeito meio ambiente mudou desde a descoberta do buraco. Segundo ele, as pessoas passaram a se preocupar mais com os problemas ambientais e que essa solução do problema na camada de ozônio pode ser um “farol de esperança” para ajudar a resolver as terríveis mudanças climáticas.

Fonte: Jornal Ciência - Merelyn Cerqueira - http://www.espacoecologiconoar.com.br/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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