26 de jan de 2016

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A saga do povo do Ariri

destaques histórias
11/08/2014 08:44 |  - http://correiodolitoral.com/

         Vila do Ararapira  pertencente ao município de Guaraqueçaba está ameaçada pela erosão
Foto: Carlos Ohara /

O território do Estado do Paraná foi desmembrado de São Paulo e dessa divisão política surgiu uma pendenga no que toca a linha seca que das cabeceiras do rio Paranapanema encontra o litoral, separando as duas unidades políticas da federação.

Os estados discutiam o marco para puxar a linha divisória, acompanhando relevos físicos da natureza e políticos dos municípios limítrofes, mas não chegavam a um acordo.
Com a intervenção federal na disputa, foi decidido que os limites estaduais teriam o marco inicial no litoral, mais ao norte do que o previsto, de modo que a Vila do Ararapira, então distrito do município de Cananéia, foi transferida para o território paranaense.

Com essa nova plástica política territorial o povo do lugar se revoltou e se movimentou para deixarem o Paraná e retornarem à origem paulista. Desse modo, o então presidente do Estado, (à época da 1ª República, o título era presidente e não governador) sensibilizado, entendeu criar do outro lado do rio, praticamente em frente ao então distrito que passara ao Paraná, uma nova vila.
Washington Luiz Pereira de Barros, que fora prefeito da Capital e posteriormente presidente da República, deposto pelo caudilho Getúlio Vargas, determinou que fosse criado o distrito do Ariri, pertencente ao município de Cananéia, atendendo a reivindicação da população de Ararapira, bastante desgostosa.

Assim, mandou erguer uma cadeia pública, um colégio e o cartório de registro civil com anexo de tabelionato. Ao par, cedeu lotes de terras para os que quisessem se transferir para a vila recém-criada, facilitando o pagamento de suas aquisições.

Com isso, ao par de atender os reclamos da sociedade local, trouxe um destacamento da Força Pública para guarnecer a nova divisa territorial, disfarçada com o fim de cuidar do presídio. Ergueu o colégio, cujo prédio até hoje é usado, de forma a manter funcionários públicos do Estado de São Paulo, justificando assim a posse política sobre aquele território e dando condições para que houvesse a pretendida imigração e povoação da vila. Com o cartório, os atos civis, certificados pelo registro civil e pelas notas do tabelião demonstravam a territorialidade paulista.

Essa história, verídica e real, está praticamente esquecida, pois as autoridades municipais de Cananéia, que deveriam mantê-la viva, desconhecem a sua importância. O prédio da Escola ainda existente, deveria estar tombado e transformado em museu. A cadeia foi demolida há pouco mais de trinta anos, por ordem do prefeito municipal. E o cartório, por ser deficitário, foi extinto por ato do Poder Judiciário Paulista.

Lamentável, pois trata-se de saga merecedora de aplausos que está relegada ao esquecimento.
De outra parte, registre-se que a Vila de Ararapira, hoje é um povoado abandonado por seus habitantes.

Nesse mês de agosto em que o primeiro povoado do país, berço de ilustres personagens e domicílio do Bacharel de Cananéia, comemora 483 anos, essa lembrança deve ser registrada, publicada e divulgada amplamente.

Roberto J. Pugliese foi vereador em Cananéia em 1983
pugliese@pugliesegomes.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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