27 de dez de 2015

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Mais da metade das árvores da Amazônia estão ameaçadas

meio ambiente
Pesquisa usou os critérios da lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção da União Internacional de Conservação da Natureza.

Espécies características da maior floresta tropical do mundo, como a castanheira e o cacaueiro, estão entre as árvores ameaçadas de extinção.

Sempre que o Brasil é convidado para participar de encontros sobre mudanças climáticas e poluição ambiental, como a COP21, realizada em Paris, uma discussão vem à tona: o desmatamento da floresta amazônica. O motivo é bem simples: mesmo com a redução no ritmo de destruição, o desmatamento ainda é uma realidade tão preocupante quando o aquecimento global, por exemplo. Além disso, o mundo todo olha com apreensão para a lenta e agonizante devastação da maior floresta tropical de todo o planeta.

Outro fato que não pode ser deixado de lado, segundo estudo publicado na revista Science Advances, é que a floresta amazônica tem entre 36% e 57% de espécies de árvores ameaçadas. A pesquisa que contou com o trabalho de 158 pesquisadores de 21 países concluiu que 30% das árvores estão vulneráveis e 50% de fato já estão ameaçadas. O mais alarmante é que 80% se encontram em perigo real de extinção. Os critérios utilizados compreendem as classificações da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN) sobre extinção das espécies e a pesquisa foi realizada entre 2009 e 2013.

Espécies representativas da maior floresta tropical do mundo, como a palmeiras do açaí, a castanheira e o cacaueiro, estão entre as árvores ameaçadas. Porém, a situação é ainda mais grave em relação a espécies mais raras e não tão numerosas. Também há preocupação sobre o ecossistema de uma maneira geral, assim como em relação ao clima do local. “Há muitos dados que não sabemos, por exemplo, quantas espécies de anfíbios, insetos, fungos, bactérias, etc.”, comentou o líder da pesquisa, Hans ter Steege, do Centro holandês de Biodiversidade Natural.

Há chances de salvação para as árvores da Amazônia?
A palmeira do açaí é uma das espécies de árvores ameaçadas.
Segundo Steege, sim. “Ainda temos oportunidade de preservar. Não é para pensar que não podemos fazer nada, mas sim pressionar para isso ir para a direção certa”. Entre as alternativas possíveis, a utilização de territórios indígenas e a criação/manutenção de florestas nacionais (protegidas) é uma boa perspectiva, isto se não houver mais degradações até 2050.

“O pior desmatamento ocorre nas partes leste e sul da Amazônia, que devem perder 80% da cobertura vegetal e muitas espécies. Muitas pessoas na Europa acreditam que o desmatamento deve ser totalmente parado, mas a situação é mais complexa, pois há pessoas que retiram seu sustento e nós devastamos a Europa também. Por isso, acredito que a solução é proteger muito bem as áreas de preservação, como unidades de conservação, florestas nacionais”, alerta Steege.

Outro pesquisador do estudo, William Laurance, da James Cook University (Austrália), também é enfático sobre o desmatamento na Amazônia. “Ou nos mexemos e protegemos esses parques e reservas indígenas ou o desmatamento vai acabar com eles até vermos extinção em grande escala”.

Falta de planejamento e extração de madeira

Hans ter Steege aproveitou a divulgação da pesquisa para apontar quais devem ser os primeiros passos na luta contra o desmatamento na região. Segundo o pesquisador, é emergencial que todas as atividades ilegais na floresta sejam interrompidas, como extração de madeira e até mesmo mineração. Para Steege, o planejamento é essencial em todo este processo. “Se é inevitável o desmatamento por razões econômicas e para produzir alimentos, que seja o mais planejado possível”.

Fonte: http://www.pensamentoverde.com.br/

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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