19 de ago de 2015

Publicado em:

Joaninhas combatem pragas de plantações de orgânicos em São Paulo

meio ambiente


Quando o assunto é alimento orgânico, duas famílias do interior de São Paulo, a do Ricardo e a da Maíra, têm muito o que contar. Não apenas porque eles são produtores, mas porque os orgânicos mudaram muita coisa na vida dessas famílias. “Foi muito difícil, foi difícil tecnicamente e foi difícil economicamente”, diz Ricardo José Schiavinato, engenheiro agrônomo. “A gente perdeu muito, a gente sofreu muito, mas isso nos faz crescer, nos faz ter determinação”, diz Maíra Maronesi Cassetari, engenheira agrônoma. Em Serra Negra, uma cidade paulista, do circuito das águas, essa mudança exigiu sacrifícios da família do Ricardo. Há 20 anos, quando nem sonhava com alimentos orgânicos, ele comprou um sítio e 70 vaquinhas, para produção de leite no sistema convencional. Parecia o começo perfeito para quem tinha acabado de se formar em agronomia. “E aí foi um insucesso enorme. Trabalhava-se muito, mas não tinha mercado, preço não tava bom”, lembra Ricardo. Mas antes de desistir de vez, ele resolveu fazer uma última tentativa e a salvação veio exatamente do que todo mundo dizia que não ia dar certo: a produção de orgânicos. E essa história tem tudo a ver com essas vaquinhas. Para dar leite orgânico, com selo de certificação, as vacas só podem comer ração natural, à base de milho também orgânico. E para tratar qualquer tipo de problema, nada de antibióticos. Só homeopatia, misturada com a ração. “Isso daqui eu acho que é uma questão que todo mundo deveria usar porque você tem economia financeira e além de tudo você faz com que o animal fique muito melhor, mais sadio”, explica Ricardo. Produtora conta com aliados naturais para cultivar produtos orgânicos Para cultivar os produtos no sistema orgânico, Maíra conta com aliados naturais para combater as pragas. Aliados bonitinhos e poderosos, que substituem o uso de inseticidas. As joaninhas, bichinho que as crianças adoram, é um desses aliados. Ela come o pulgão que ataca as plantações, e assim ajuda a manter um equilíbrio. “Não adianta eu não ter nenhum tipo de praga presente aqui, mas eu ter que usar uma carga de defensivo muito grande. Então quando você tem um equilíbrio você vai ver praga, você vai ver abelha, você vai ver inimigo natural. Então, eles coexistem de maneira equilibrada”, conta Maíra. Mas será que dá certo? Vamos para a estufa dos tomates, uma das espécies que mais sofrem com o ataque das pragas e com o uso de agrotóxicos. Para conseguir frutos tão bonitos, Maíra conta com outros insetos aliados, um tipo especial de mini vespa. As pequenas caixas com os ovinhos dos insetos são deixadas sobre as folhas do tomateiro. De cada ovinho da microvespa, que chama tricograma, vai nascer uma microvespa que vai controlar os ovos da lagarta. Então, a lagarta não chega nem a nascer, então, com isso, a gente não precisa nem pulverizar. Famílias contam suas experiências com a produção de orgânicos Em Serra Negra, no sítio do Ricardo é hora do banho. Será que elas gostam? Adoram! O chuveirinho joga água limpa misturada com uma essência bem conhecida extraída do capim. A citronela é muito usada como repelente de mosquitos. Sem moscas, as vacas ficam mais tranquilas. Algumas dão mais de 30 litros por dia. Tudo é usado na produção de laticínios. Pode até parecer estranho, mas o correto é manipular os produtos sem luvas. É que, neste caso, o material das luvas pode reter bactérias. Para aumentar ainda mais os cuidados com a higiene, os funcionários depilam os braços. Tudo que se faz no local, iogurte, ricota, requeijão, manteiga e o queijo padrão, é vendido para mercados da região de São Paulo e Rio de Janeiro, e também diretamente ao consumidor. Pena que, por ser uma produção em pequena escala e que exige cuidados extras, o preço ainda é mais alto do que o dos grandes produtores. “O produto orgânico, no meu caso, ele está entre 20% e 30% mais caro do que o produto convencional, mas como a gente tá fazendo a venda direta, venda em feiras, grupos de consumo os consumidores estão comprando esse produto praticamente pelo mesmo preço”, explica Ricardo. Hoje a família do Ricardo vive confortavelmente. Mas apostar tudo no laticínio orgânico, em uma época em que não havia essa tradição, exigiu muita coragem e união do casal. “Eu nunca deixei de acreditar nesse trabalho, principalmente nele”, diz Fernanda Schiavinato, esposa de Ricardo. Em Cordeirópolis, a família de Maíra também viveu momentos difíceis na hora de mudar dos alimentos convencionais para a produção dos orgânicos. No local, existia uma plantação de laranjas. Há uns 25 anos, eles tiraram um laranjal e começaram a horta orgânica. Essa mudança não aconteceu de uma hora para outra, não. Exigiu um replanejamento total do sitio, um esforço dobrado de quem trabalhava no local. Mas todo mundo queria muito que a plantação de orgânicos desse certo, por causa de uma história que aconteceu com a família. Já se vão quase 30 anos! Dona Rita teve um problema sério de saúde, que exigiu um longo tratamento. Ela foi aconselhada, então, a consumir apenas alimentos orgânicos, sem agrotóxicos. O marido, seu João, comprou a ideia e fez a primeira horta. “A gente fez uma horta pequena, deixou de pôr adubo, herbicida e veneno, depois que ela começou a se alimentar com esses produtos diferenciados, a saúde dela começou a melhorar”, conta Maíra. “Eu falei com o meu marido. Ou a gente faz pra todo mundo ou a gente não cultiva mais”, diz Rita Brambilla Maronesi, produtora rural. Os abacateiros funcionam como uma cerca viva, uma barreira que protege as hortas e os pomares por todos os lados. E do abacate, que cresce na árvore até a cenoura, que dá embaixo da terra, eles colhem 60 itens. Essa variedade faz com que o sitio tenha trabalho o ano inteiro. Enquanto o repolho está crescendo, os brócolis já estão prontos. Isso ajuda a reduzir o custo de produção e viabiliza o negócio dos orgânicos. Tanto na família do Ricardo, como na da Maíra, percebemos uma grande satisfação por terem persistido no caminho que escolheram, apesar das dificuldades do início. “Eu faria tudo de novo”, afirma Ricardo. “Esse problema de saúde nos fez ter fé e ter amor no que a gente faz”, diz Maíra. Aposentada aprende a plantar em horta orgânica em plena capital paulista Vila Mazei, bairro simples da Zona Norte de São Paulo. Em meio ao concreto das casas, um cantinho verde, cuidado com muito carinho. Dona Geralda mora na região há 20 anos. A casa é pequena, mas a falta de espaço para ela não foi desculpa. No pequeno quintal, ela encontrou lugar para fazer uma hortinha. Tudo bem natural, sem usar agrotóxicos. Sabe onde foi que a dona Geralda Soares aprendeu a plantar? Em uma grande horta orgânica em plena capital paulista. O espaço é bem maior que o quintal da casa dela. Mas também foi preciso criatividade para organizar os canteiros: tambores cortados ao meio, caixas de isopor e galões de água. Tudo reaproveitado. E nada de agrotóxicos. O espaço estava disponível. Um vão ocioso entre dois prédios da faculdade de Medicina da USP de São Paulo. Aí uma professora, olhando pela janela da sala, percebeu que naquele lugar tinha um elemento raro na cidade grande: claridade. E que isso poderia ser usado para uma horta comunitária. “Uma das maneiras de você ter saúde e envelhecer bem, isso tá provado, é a convivência social. E para qualquer pessoa, as comunidades onde estão os idosos mais saudáveis são aquelas que as pessoas se alimentam bem e têm uma comunidade muito forte”, afirma a professora Thaís Mauad. A equipe do Globo Repórter chegou no meio da festa. A horta comunitária da USP está comemorando dois anos. A participação é aberta a qualquer interessado. A maioria é de aposentados. Os voluntários aprendem a plantar, a cultivar e acabam levando as lições para os parentes e vizinhos. “É maravilhoso botar a sementinha na terra, daí a dois, três dias a sementinha está brotando, né? É uma coisa mesmo da natureza, é divino, viu?”, diz dona Geralda. Fonte: Globo

Repórter - http://www.espacoecologiconoar.com.br

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

Não perca nossas publicações...

Inscreva-se agora e receba todas as novidades em seu e-mail, é fácil e seguro!

Desenvolvido por YouSee Marketing Digital - Nós amamos o que fazemos
| Hosted in Google Servers with blogger technology |: