23 de ago de 2015

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História verdadeira?

dedo de prosa


Num lugar paradisíaco a beira mar havia um povoado que vivia tranquilo, ao som do vento, a dança das águas batendo na areia que a restinga segurava.


Eram uns 23 quilômetros de praias, uma enorme baia, tudo no seu devido lugar, assim como a Mãe Natureza projetou.

As pessoas e os animais se confundiam com a exuberância da mata intocada, altiva, robusta. O cenário era senhor de imensas áreas, muitas sequer conhecidas pelos habitantes nativos. Caminhavam pouco, o peixe a mão, uns pés de mandioca e estava feita a refeição.

De repente, não mais que de repente, apareceram outras pessoas. chapeludas, bota no pé, cinturão e até “treisoitão”.
Caminharam por tudo, pouca prosa, sem dar muita atenção. Na partida avisaram que iriam voltar e muita coisa iria mudar. Aguardem!

O povoado se reuniu, um olhando pra cara do outro sem nada entender, mas, otimista. Será que o progresso iria chegar?

Tempos depois chegou outro bando de gente com muitas ferramentas, arames e mais “treisoitão”.

Iniciaram a derrubada das árvores, outrora intocadas, falquejaram palanques e fizeram cerca pra tudo quanto é lado. Onde havia um ranchinho deixavam um cercadinho em volta.

Um bom tempo mais tarde, depois de cercarem enorme área, vieram falar com os moradores informando que dali em diante cada um teria seu pedaço de terra com certidão de posse, tudo desenhado no papel. O resto das matas, dos mangues dos brejos, das águas passavam a ser de interesse público, a fim de promover o desenvolvimento da região.
Abriram picada, alguns veículos iam chegando, casas sendo erguidas, de preferência na beira da praia e o tão sonhado progresso chegou.

Sai ano, entra ano e tudo era novidade. As picadas deram lugar às estradas, o comércio foi se instalando, igreja, escola, cadeia e junto aparece um tal de “corretor de imóveis”.

Comprava, vendia, trocava e tudo meio de qualquer jeito.

O nativo largou a pesca e foi trabalhar na construção das obras. Outros trocaram o terreninho por um “pé de bode” e alguns continuaram mantendo seus costumes, tradições e até hoje resistem.

Estradas asfaltadas, a população forasteira aumentando e o nativo virou minoria.

Marinas cinematográficas para abrigar barcos nunca dantes imaginados transformaram o lugarejo, espantaram os golfinhos e as canoas de um pau só foram sumindo.

Agora, a lei proíbe o nativo de cortar uma árvore para construir uma canoa.

Logo descobriram possibilidades de implantação de portos, indústrias, pois, as águas da baia oferecem as melhores condições do mundo.

O lugarejo foi elevado a categoria de município. Eleições, prefeitos, vereadores, assessores e a quase a metade da população foi trabalhar na prefeitura, a bem do povo e do bolso.

Começa, então, a fase dos grandes investimentos rápidos como lavar a jatos. Paralelamente começam as “encrencas” pela posse das terras, quase tudo, ainda, em regime de posse.

Um construía casa no terreno do outro. O outro vendia o terreno do vizinho como se fosse seu e outras encrencas. IPTU a custo zero, diárias frias na câmara municipal. Falta espaço pra tanto “rolo”.

Aforante tudo isso progresso e a preservação entraram em conflito e confusão.

Há os que defendem o porto, indústrias e os que são radicalmente contrários.

É muito interessante destacar que a população permanente e atuante não tem, ou poucos têm identidade com o município, ou seja, falta cumplicidade de propósitos, salvo aqueles de cunho puramente comercial.

Então, a defesa do meio ambiente adquire, em muitos casosa conotação de trampolim eleitoreiro, interesses políticos e modismo.

Por último a questão da poligonal. A linha imaginária que hoje contempla as águas da Baia tem proporcionado acaloradas discussões. Por que tanto interesse de sindicalistas na questão? Ambientalismo ou a continuidade das práticas atuais. Falou-me, certa vez, um superintentente que o porto vizinho é uma das grandes indústrias de ações trabalhistas. Haveria alguma relação?

O novo município defende a sua exclusão da atual poligonal. Teria que haver conflitos em torno desta questão?

Mais dia, menos dia o porto, as indústrias virão. As águas profundas da baia são a “menina dos olhos” dos investidores.

“Em 1896 foram exportados 100 mil peças de dormentes para a capital do País. Toda a madeira foi cortada de uma das ilhas, devastada de forma selvagem.
Magnificas matas desapareceram, não só nela, mas em todo o entorno.”

A briga do homem com a natureza é antiga.

P.S. palestra proferida na última reunião da turma do Dedo de Prosa pelo Sr. Albert Pacheco Rivamal. Qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência.

23/08/2015

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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