13 de ago de 2015

Publicado em:

E assim se conta essa história. . .

dedo de prosa

A série Dedo de Prosa se arrasta ao sabor do humor, da saúde e outros variados fatores do cotidiano.





Hoje, 13 de agosto de 2015, uma nova história. Pode ser que seja a última, pois, embora não usando de maldade e sem qualquer interesse pessoal, a não ser o de oferecer causos, casos e histórias aos frequentadores do meu site, pode haver discordância, gerar insatisfações, mas acreditem, o propósito é absolutamente inofensivo. Mas, que tal se alguém me “apaga”?

Adotei o codinome Alfredo de Pontal, principalmente porque o meu sobrenome verdadeiro é muito complicado. Mas, através do site posso me identificar plenamente como cidadão brasileiro, pontalense há seis anos, com endereço, placa de veículo, título de eleitor de Pontal do Paraná. Meu canto é aqui em Pontal do Sul.

De antemão quero prevenir aos possíveis leitores que o texto é longo, pois faz algumas abordagens da minha vida, em diferentes situações, e sobre a história de Pontal do Paraná desde o tempo do Sr. Moisés Lupion.

Vivi 17 anos em Castro, região dos campos gerais, 21 em Carambeí, 24 em Curitiba e agora, seis em Pontal. Ao todo 68.

Os anos mais marcantes foram em Carambeí, onde tive uma atuação profissional brilhante (desculpe a falta de modéstia). Tinha vida farta, era muito bem pago, meus filhos cresceram lá. Em Curitiba, em boa parte, fiz bom sucesso profissional, porém, nos últimos anos as coisas andaram degringolando.

Mesmo assim morava no Bairro do Batel, na Alameda Dom Pedro II, entre as ruas Ângelo Sampaio e Coronel Dulcídio, num apartamento próprio de uns 200 metros quadrados. Quem conhece sabe que é para poucos.

Resolvi vender e mudar para Pontal do Sul, aqui na beira da baía de Paranaguá, na margem esquerda do canal das marinas, motivado pela belíssima casa da família do meu ex-genro, que ficava aqui perto.

Não preciso dizer que, com a venda do imóvel em Curitiba entrou uma grana substancial. Adquiri a casa onde moro, fiz umas reformas e o restante iria investir em outros imóveis. Alugar para os alunos do CEM. Já havia escolhido outra casa, ali na Avenida Atlântica e já tinha os inquilinos.

Nesse interregno de tempo surge a proposta: o ex-marido de minha filha, empresário de sucesso, patrimônio incalculável, embarcações aquáticas classe A, frequentador de Nova York, Cancum, Fernando de Noronha, casa cinematográfica numa das ilhas aqui da baia, propõe deixar o dinheiro em suas empresas com alta remuneração, visando facilitar a minha vida.

Pensei! Meu advogado desaconselhou. Mas, peraí o cara era meu genro, plenamente confiável e, então, por que não?

A compradora do meu imóvel em Curitiba deu um sinal, mais uma Pajero TR4 e financiou o resto pela Caixa.

Quando comprei o apartamento fí-lo em nome dos herdeiros com usufruto vitalício. Ao liberar o financiamento a Caixa pediu o número da conta corrente para o depósito. O primeiro nome que aparecia na escritura era o do genro.

E o depósito foi feito em nome do cidadão.

No primeiro mês não pintou grana, assim como até hoje. Tempos depois pagou uma parte pequena. Hoje a Senhora Mãe do rapaz, pessoa honrada, bondosa, me paga uns trocados por mês que ajudam muito, pois sou aposentado do INSS. (Nos anos 80/90 cheguei a faturar 30 SM.). Queira Deus que ela não deixe de me pagar, pois, se o fizer complica. É bom esclarecer que logo depois do golpe criei o site www.aguasdepontal.com.br. Através dele também consigo aumentar minha receita.

Todos os familiares não permitiram que eu agisse. Ora, jamais o golpe seria consumado, mas já se passaram quase seis anos.

Quando resolvi por a “boca no trombone” fui achincalhado, ofendido, humilhado. A palavra mais doce que ouvi do rapaz foi velho FDP. As demais não da pra abreviar e nem criar sigla. Ah! tem mais, me mandaram trabalhar, ao invés de ficar cobrando conta.

Os danos morais, emocionais, físicos sofridos até hoje são sentidos. Entrei em depressão e tendo em vista a minha predisposição, até hoje não houve conserto. Contava para os outros, mas, penso eu, achavam que estava blefando.

Infartado desde os 42 anos, uso um monte de medicamentos para dormir, choro muito a distância dos netos. Fui proibido de me aproximar. Não os vi crescer. Agora acho que vou conseguir, pois os pais se separaram, apesar de que algumas coisas precisam ser resolvidas.

Há quem diga que sou manhoso, fatalista, pessimista. Na verdade boa parte de mim morreu! Uma outra parte já havia morrido quando sai de Carambeí. O resto não dura muito, tenho certeza.

Aqui em Pontal, fui me entrosando e metendo o bico onde talvez não devesse. Por exemplo: fui eleito presidente do Rotary Club de Pontal do Paraná. Durou uns quatro meses. Não sirvo pra “pau mandado”. Continuei participando de alguns Conselhos Municipais, mas, aos poucos deixando, já que a saúde, muitas vezes não permite.

Sempre me interessei pela história do município. Fala-se de invasão, de matança, de áreas sobrepostas, de “encomendas”, de intimidações, diárias frias.

Sinceramente ando com medo de perder meu pedaço de chão, pois há uma CPI na assembleia legislativa e dizem até que a doação que Moisés Lupion fez à Empresa Balneária terá que ser revertida.

1Em 20/01/1951 o Governo do Estado doou ao município de Paranaguá uma área de 43.382.000 m2, que foi repassada à Empresa Balneária Pontal do Sul em 01/02/1951 (mantendo-a até o presente). Na época foi efetuado um planejamento geral da área, delimitando-se as quadras e o arruamento.

À medida que o tempo passou tal plano não foi cumprido, tendo o crescimento urbano seguido de forma desordenada. Ruas do projeto original foram transformadas em cursos d’água para saneamento e navegação, assim como vários trechos do único braço de mar que havia no começo da ocupação no Balneário Pontal do Sul (Rio Perequê) foi modificado.

Realizou-se a abertura do primeiro loteamento em Pontal do Sul em 07/04/1951, envolvendo uma área de 55.895.100 m2, indenizando-se a população local com a delimitação de seus lotes. Problemas com posses ilegais e com os moradores locais foram comuns desde a implantação do balneário, perdurando até os dias atuais. A especulação imobiliária também fez com que pequenos núcleos de moradores migrassem para áreas mais distantes da praia, na medida em que o núcleo urbano foi se formando e as propriedades valorizando.

A partir de 1980 implantou-se um canteiro industrial na porção norte do Balneário Pontal do Sul, na área conhecida como Ponta do Poço, formado por três empresas construtoras de plataformas continentais para a exploração do petróleo (FEM, TECHINT e TENENGE). Durante alguns anos o canteiro industrial atraiu trabalhadores de muitos estados, tendo atingido 3.000 operários no início daquela década. A partir do início da década de 90, estas empresas deixaram de construir plataformas na região da Ponta do Poço, cujos funcionários foram transferidos para outros canteiros ou acabaram permanecendo em Pontal do Sul, sem novas opções de emprego.

Em 1980 também foi implementado no Balneário Pontal do Sul o Centro de Biologia Marinha (CBM), atual Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná, com o objetivo de desenvolver pesquisas na área de oceanografia.

A partir de 1987 a população local começou a reivindicar a emancipação política das praias do município de Paranaguá para formar um novo município, chamado Pontal do Paraná. A criação do município ocorreu em 20 de dezembro de 1995 após a aprovação na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná e consequente eleição de prefeito e vereadores, tendo-se implantando a sede administrativa em Praia de Leste (Rocha 1997).

1Fonte : Plano Diretor Municipal . Primeiro Caderno. Aspectos Históricos e Culturais.

Freitas , Waldomiro Ferreira . História de Paranaguá : das origens à atualidade . Paranaguá, IHGP, 1999.

A pergunta que me faço diariamente é por que as coisas aqui não são tratadas de forma mais transparente. Por que os nativos dizem que foram sendo “afastados”. Por que há os que lutam (?) pelo progresso do município e outros andam na contramão. Por que não exploram o potencial turístico da região. Até uma via fluvial de Pontal do Sul à Praia de Leste dá para pensar. Não utilizariam a pedra bruta que machuca, agride, o lençol freático. Já pensaram num passeio até Ipanema, de gôndola, num canal despoluido, verdejante. Ora, pois, seria a Nova Veneza do Atlântico Sul.

Por que postergar os novos portos e indústrias, quando se sabe que serão inevitáveis. Se não deixarem o Grupo JCR avançar com seus projetos, daqui a pouco um chinês poderoso vem aqui e faz tudo de uma vez. A Estrada do Pacífico não é um exemplo? E o New York Times eles não compraram?

Pois bem, se há resistências, descontentamentos, por que as partes não se unem? Por que não reparar danos? Por que tanta ganância? E o amor ao próximo? Por que tanta placa “Propriedade Particular-Entrada Proíbida?

E a nova poligonal? Por que gastar tempo e dinheiro, quando de antemão se sabe que o novo traçado irá e deve prevalecer?

O meio ambiente e o progresso consciencioso, sem radicalismo, podem caminhar juntos?

A malha viária do país está sucateada e não há recursos para reparos e ampliações. As ferrovias, imprudentemente abandonadas não serão construídas rapidamente. E a cabotagem? Os portos são cada vez mais necessários.

Fica o apelo para os grandes e pequenos grupos empresarias de Pontal e região, os nativos, forasteiros, “propineiros”, ambientalistas de fato e os “chatos”: vamos progredir, avançar e dar as mãos?



 Alfredo de Pontal.

 P.S.: se eu desaparecer e porque sumiram comigo.

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

Não perca nossas publicações...

Inscreva-se agora e receba todas as novidades em seu e-mail, é fácil e seguro!

Desenvolvido por YouSee Marketing Digital - Nós amamos o que fazemos
| Hosted in Google Servers with blogger technology |: