4 de mar de 2014

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ZORBA

dedo de prosa


Sob um sol abrasante a turma compareceu em peso no recanto do Dedo de Prosa, bem ali, no remanso da prainha.

Domingo, sem compromisso, o jeito foi arrumar um toco, na posição mais estratégica, e curtir o mar, os barcos, os iates, os pescadores, um ou outro navio na Galheta e a princesa dos sete mares, bem a nossa frente, esbanjando beleza. . . a Ilha do Mel!

Em visita ao grupo, Dr. Zébrio apresentou dois amigos turistas, recém chegados de Seicheles, os senhores Celestino Fleischmann e Aristeu Índigo Strudel. Como não falavam português (aliás, não falavam) limitaram-se a arrumar um toco e tomar assento.

Passou eleição, fim de ano, carnaval, temporada enfim, e a turma não se reuniu. Uns ocupados, outros ocupados demais em não fazer nada.

A prainha lotada. Turistas, veranistas, nativos, som alto, muita “ceva” e lixo pra todo lado sufocando a Mãe Natureza.

De repente uma intensa movimentação, gente gritando: “homem ao mar, sumiu no mar”. Na areia branca, nem tanto, um camiseta do coxa, uma bermuda multicor, um para de havaianas. Foi só o que restou do infeliz que deixou o amigo pescando e inacreditavelmente conseguiu o impossível: afogar-se nas águas mansas da baía.

Bombeiros, força verde, polícia militar, motos aquáticas, helicóptero, lanchas. Todos mobilizados na busca do corpo.

Mr. John tentava organizar a desordem. Todo mundo enxergava alguma coisa ao longe. O amigo que ficara pescando, aos prantos, explicava que o desaparecido era um homem bom, mas, quando bebia. . .Figueirinha, o sábio dos sete mares, interrompe: e hoje ele bebeu? "Tomou todas". Ah! Então tá explicado, daqui a pouco bóia.

Sob um clima de consternação o pessoal foi se retirando cabisbaixo. Afinal, o domingo fora estragado. Tomar banho em água com gente morta dá dez anos de azar, comentou Terézio. Clarinda não deixou por menos: dá vinte, trinta, isto quando acha o cadáver.

Quando tudo parecia perdido, um grupo de senhoras, estranhamente com cabelos e saias longas, passeava por perto das velhas canoas e barcos já em desuso, ali do lado esquerdo. GRITOS: Zorba, só de zorba e com as vergonhas expostas.

A turba, irada, se desloca até o local. . . Cenário de espanto: à sombra, só de cueca (Zorba), o vivente, tido como morto, dormia numa das canoas curando o porre.

Foram horas de trabalho, perda de tempo. Um homem da Lei, que participou das buscas, por pouco não perdeu a postura ameaçando o pinguço. O amigo que ficara pescando não se conteve: deitou-lhe o braço, sendo contido pela turma do Dedo de Prosa. Ainda bem!

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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