9 de jan de 2014

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SISTEMA

dedo de prosa


A turma da prainha anda meio encorujada com a friagem, mas, ontem finalmente, debaixo de um sol maravilhoso, ao final da tarde, o pessoal foi se achegando e logo já dava p’ra contar uns cinco ou seis. A prosa rolava gostosa, quando, todo estabanado chega o Firmo. Irritado por natureza mostrava-se descontrolado e foi logo perguntando quem é o tal de Sistema, segundo ele, um sujeito que trabalha no banco.

Sem que alguém pudesse explicar, Firmo relata que foi à agência para pagar o IPVA do Fusca e que o funcionário do caixa não quis receber porque o sistema estava fora do ar. Ficou enfurecido, pois, não admite que, logo na segunda feira, o cara esteja fora do ar e não coloquem outro no lugar. Sem ouvir explicações, nem do gerente, montou no fusca e seguiu à Paranaguá.

Ao chegar, por não conhecer a agência, se desentendeu de pronto com o funcionário que emitia as senhas. Como beira os setenta e a maquininha das senhas se negava a fornecer as senhas dos idosos:

De que adianta o Estatuto do Idoso? Ninguém respeita os velhos; vou registrar um B.O.

Indignado foi contido pelos seguranças e levado até o segundo andar onde estão os caixas de atendimento. P’ra acabar logo com o problema, os seguranças pediram a um dos caixas que o atendesse.

Aí é que “o bicho pegou”. Quando o caixa informou que o sistema do Detran é que estava fora do ar em todas as agências, Firmo teve um forte estremilique e desabou escada abaixo.

Na rua, acompanhado da esposa, entrou no primeiro bar e bebeu uns três “martelos”: Não aguento desaforo. “Vamo simbora”.

Ao retornar, ainda segundo seu relato, foi barrado pelos policiais rodoviários, numa abordagem de rotina.

Seus documentos por favor. Olha Seu Guarda, com a chuvarada que deu entrou água no porta luvas do carro, molhou tudo, inclusive os documentos. Deixei lá em casa secando no varal.

Olha moço, a continuar assim, acabo tirando sua carteira. Ô Seu Guarda, por favor, faça isso. Faz um ano e seis meses que estou tentando e não consigo.

Ainda sem perder a paciência o policial pergunta à esposa: Ele é sempre brincalhão assim? Não Seu Guarda, é só quando ele bebe. O policial não resistiu: “Suma da minha frente”. Ta bem Seu Guarda, não precisa ficar nervoso. Só um favorzinho: dê uma empurradinha porque só tá pegando no tranco.

O policial respira fundo e cauteloso apreende o fusca e coloca o Firmo e a esposa no primeiro ônibus de volta.

Acabou Firmo? Pergunta Seu Ervino. Veja quanta asneira e desrespeito: não vou nem explicar nada. Só uma coisa: não venha mais contar estória de bebedeira, ainda mais, ao volante.

Tubo bem Seu Ervino, mas, o Sistema que se cuide!


Té mais.

Alfredo de Pontal.

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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