5 de mai de 2014

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PREOCUPAÇÕES

dedo de prosa


A turma do Dedo de Prosa resolveu se reunir extraordinariamente, em sua sede, localizada na enseada da Praia Mansa. Todo mundo muito preocupado com as notícias recentes envolvendo nossa Terrinha.

Seu Mito, com auxílio daqueles que mais convivem com as informações oficiais (ou não), tentou explicar inicialmente sobre a parada da fábrica de navios ou plataformas, como queiram, que mandou todo mundo descansar sem remuneração, dizem, até março de 2014, porque a grana do agente mantenedor da obra acabou. Assim, grande parte da plataforma já construída poderá se perder.

Mas não pode seu Mito. Tinha lá uns 3 mil trabalhando e agora dizem que só tem 150, argumentou Seu Ervino.

Infelizmente é real Seu Ervino. Quando acaba o serviço, ou quando acaba o dinheiro, o primeiro sacrificado é o empregado. Os projetos sociais, no entanto, iniciados pela fábrica não serão paralisados, o que é muito bom para a população.

Também tem o seguinte, emenda Cesário, tinha muita confusão no trânsito e em tudo quanto é lugar. Quando a fábrica voltar a funcionar, pelo menos, tem que ter estrada nova, ou estrada com acostamento. Do jeito que tá não dá!

Tenho certeza, Cesário, que a empresa e o poder público irão cuidar disso direitinho e muitas outras melhorias virão.

Seu Mito, interfere Clarinda: ouvi um deputado dizer que a Terrinha precisa decidir se quer porto, indústrias, ou quer continuar vivendo do turismo e da pesca. Disse que, com o porto que agora diz que sai, serão 60 mil trabalhadores. Pra começar, Seu Mito, não tenho nem ideia do tamanho de tanta gente. Acho que nem cabe aqui. Onde vão morar, comer, perambular?

Olha Clarinda, com todo o respeito, acho que ninguém sabe quanta gente virá, pois, além do porto e da fábrica que parou outras empresas e projetos virão para a Terrinha. Portanto, é muita gente mesmo.

Já vi tudo. Vai virar uma esbornia. Vão derrubar o que resta do mato, vão acabar com os peixes da baia. Fora o problema do trânsito, do tráfego, o tráfico vai aumentar umas dez vezes e vão ter que construir umas dez creches, porque vai nascer balaiada de criança. E os postos de saúde? Hoje já é ruim, imagine como vai ficar. Vou Simbora Seu Mito. Pode tirar meu nome aí da turma. Não vou ficar assistindo a destruição do chão que pisei desde que caminhei pela primeira vez.

Calma Clarinda, não nos deixe. Aliás, todos pediram a mesma coisa. Seu Ervino, Vininho, Mr. John, Dr. Zébrio, Benê, Figueirinha, Cesário, Terézio, Salvador, e o zangado Firmo.

Na tentativa de contribuir para o esclarecimento das coisas, Dr. Zébrio, navegante de outros mares e que já rodou o mundo, interfere.

Clarinda e demais amigos. O progresso, a estagnação, os conflitos, a corrupção, tudo tem seu preço.

O local em que vivemos é banhado por águas quase únicas em todo o planeta. Refiro-me a profundidade, localização e inúmeros outros fatores, que jamais passariam despercebidos por grandes investidores, ainda mais, com as facilidades agora oferecidas pelo governo do país.

Assim sendo, a instalação ou construção de portos, indústrias e outras atividades num lugar privilegiado como este são inevitáveis.
Sempre haverá necessidade do consenso, que nasce do diálogo. O povo, a população, não suportam mais, em qualquer lugar do mundo, as práticas ladinas, a “promiscuidade” dos mandatários e o jogo espúrio dos poderosos.

Nossa querida Terrinha não há de ser esbulhada e vítima de ações levianas e irresponsáveis.

Há necessidade de que os empreendedores, através de audiências públicas, contatos pessoais falem ao povo usando a linguagem do povo. Isso é também é dever dos governantes.

Continuará existindo o conflito de ideias e interesses, mas, havendo diálogo tudo poderá ser conciliado. A Mãe Natureza quer o afago e não a foice do homem. Ela compreende a necessidade do progresso, porém, com responsabilidade, respeito e dignidade. Progresso e meio ambiente são conciliáveis, mas, sem a prevalência de interesses unilaterais e sem o radicalismo de alguns que teimam em não tirar a viseira.

Obrigado Dr. Zébrio, sua experiência ajuda-nos a compreender as coisas mais facilmente.

Seu Mito, sei que às vezes sou mal humorado, mas, deixe-me perguntar: que negócio é esse de novo zoneamento do porto que já existe e alteração da poligonal que demarca a área de abrangência dele. Me mostraram um mapa onde a tal linha poligonal passa raspando aqui na sede do Dedo. Se mudarem o risco, acho que vamos perder nosso pedaço. E aí?

Firmo, entendo sua preocupação, mas tudo isso faz parte daquilo que o Dr. Zébrio explicou. Hoje não dá mais tempo, porém, noutro dia a gente proseia a respeito.

P.S. ( não confundir com play station). Dedo de Prosa é obra do imaginário. Qualquer semelhança com a realidade é pura imaginação!

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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