16 de out de 2014

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INAGUENTÁVEL

dedo de prosa


Baixada a bola, a turma do Dedo de Prosa finalmente voltou a se reunir. Blasfêmias, xingamentos, ameaças, lágrimas, tudo enfim, resultado do desastre dos bebês do Felipão.

Firmo, desde o 1 x 7 continua num porre só: Jamais imaginei que ia passar por isso. Cambada de irresponsáveis. Corja de malandros. Isso não pode ficar assim, a Presidenta tem que tomar providências. Calma Firmo, realmente foi um desastre, mas nós, o povo, continuaremos assistindo tudo, fazer o que?

Vamos iniciar a arruaça, incendiar os ônibus, dinamitar as pontes, invadir a prefeitura, a câmara. Mr.John interfere e retira o Firmo do local e, apesar do seu estado, tenta remediar, apesar da dificuldade.

Ânimos mais serenados a turma tenta encontrar explicações, que não são encontradas, pois, o tamanho do vexame foi muito grande.

A gloriosa camisa amarela foi manchada para sempre. Nada explica ou convence os torcedores diante do tamanho da tragédia. Nem Seu Mito, outrora homem urbano, se conforma: o povo, o povão mesmo, aquele que a mídia não mostrou e o mundo não viu, aquele que amanhece nas filas de postos de saúde, morre por falta de UTI, se espreme e se arrebenta no transporte público, que quase não dorme, pois, quando chega do trabalho já é quase hora de voltar, o grande contingente de moradores de rua, estrategicamente recolhido nas grandes cidades e muitos outros, sofre muito mais. Além de não ter sonhado comprar um ingresso para adentrar as arenas padrão FIFA, continuará sem conhecê-las.

Mesmo que pelas telas de TV colocadas em todos os cantos, não mereceram assistir e aceitar a irresponsabilidade daqueles que se propuseram a representar a Pátria Brasileira, através de uma equipe de futebol medíocre, insossa com dirigentes suspeitos e comandados pela federação internacional, que aqui instalou por mais de trinta dias um país chamado FIFA, submetendo o próprio governo ao seu famoso caderno de “encargos e responsabilidades”, que entre outras, isenta de impostos, libera bebidas alcoólicas, mas que, mesmo assim, irá pagar cerca de 45 milhões à “seleção”, pela conquista do quarto lugar.

Os patéticos e bizarros dirigentes da CBF deveriam, em sinal de vergonha na cara, doar tudo ao SUS com alguém fiscalizando, para evitar desvios e roubos.

Perder ou ganhar, na vida, no esporte, em todas as circunstâncias, faz parte do cotidiano, desde que haja honradez, seriedade, honestidade.

As crianças e adolescentes que tanto choraram precisam ser orientados a distinguir Pátria da seleção de futebol. Os símbolos nacionais devem ser ostentados nos eventos cívicos e não como toalha ou pano de chão, somente quando a “seleção” se apresenta, e ainda mais, da forma como o fez nesta copa, na disputa pelo troféu mais importante do futebol mundial.

Culpar Felipão, Parreira e outros malacafentos é fácil. Em outubro próximo, porém, é a nossa vez de escalar/eleger o nosso time de governantes. Apesar da escassez na qualidade dos postulantes sejamos sóbrios e probos.

De repente, não mais do que de repente, chega Clarinda trôpega e ofegante: Seu Mito. . .Seu Mito. . . fiquei sabendo que a tal de Nike (juro que não conheço essa moça), pagou 10 mil dólares por cada gol sofrido pela seleção. Tava tudo acertado!

Aí foi quando a turma começou a se dispersar, cada um pro seu trecho, sem mesmo comentar qualquer outro assunto.

Segue a vida!

16-10-14

Alfredo de Pontal

Autor & Editor

O portal Águas de Pontal abre as cortinas para mostrar o grande espetáculo da vida proporcionado pela Mãe Natureza e seus atores: o ser humano íntegro voltado à reconstrução.

 

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