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25 de mai de 2017

Mudança do Código Florestal ‘anistiou’ 41 milhões de hectares

Estudo calculou área desmatada que foi isenta de restauração após alteração da lei, que completa cinco anos.


Estudo mostra que o setor produtivo “ganhou” pelo menos 41 milhões de hectares de terras há cinco anos, quando foi modificada a principal lei que rege a proteção da natureza em áreas privadas, o Código Florestal Foto: Bruno Kelly/Reuters


Em meio às discussões no Congresso sobre a redução das unidades de conservação no País liberando mais áreas para exploração, um estudo mostra que o setor produtivo "ganhou" pelo menos 41 milhões de hectares de terras há cinco anos, quando foi modificada a principal lei que rege a proteção da natureza em áreas privadas, o Código Florestal.

Esse é a estimativa mais recente do tamanho da área que foi desmatada ilegalmente no passado, mas foi liberada da necessidade de restauração com a mudança da lei, segundo cálculos de pesquisadores do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). É uma área maior que Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará juntos.

Os dados do trabalho foram passados com exclusividade ao Estado e serão divulgados nesta quinta-feira, 25, data que marca os cinco anos da sanção da lei, em São Paulo. Eles poderão ser acessados no site do Atlas da Agropecuária Brasileira.

Estudo anterior feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas logo após aprovação da nova lei tinha sugerido que essa anistia poderia chegar a 29 milhões de hectares. A vantagem do novo trabalho é que ele conta com dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para compor a malha fundiária do País, melhorando a modelagem usada para medir o tamanho do passivo no Brasil, ou seja, quanto foi desmatado ilegalmente e precisa ser recuperado.



O CAR é um instrumento criado na nova lei, que estabelece que todos os proprietários de terra têm de registrar seus imóveis, revelando quanto da área é ocupado pela produção e quanto é preservado em Reserva Legal (RL) e Área de Preservação Permanente (APP), como nascentes e margens de rio.

"Com as análises percebemos que a anistia, ou seja, a consolidação de áreas que tinham sido desmatadas até 2008, foi muito maior. São 36,5 milhões de hectares (Mha) de reserva legal e 4,5 Mha de APP. Numa tacada só da revisão da lei, a agricultura ganhou 41 milhões de hectares que, de outro modo, deveriam ser florestas", afirma Luis Fernando Guedes Pinto, gerente de certificação agrícola do Imaflora e um dos autores. "É importante ter essa perspectiva no momento em que se discute redução de unidade de conservação", complementa.

Passivo. O estudo aponta que o déficit atual de vegetação nativa é de 19 milhões de ha, sendo 11 Mha de RL e 8 Mha de APP. Essas sim são áreas que agora precisam ser recuperadas.

E inova ao mostrar como se dá a distribuição desse passivo ambiental entre as propriedades. Dos quase 2 milhões de imóveis que estão em desacordo com o que estabelece a nova lei, 82% são pequenas propriedades, com menos de quatro módulos fiscais (MFs), 12% são médias (entre 4 e 15 MFs) e 6% são grandes (mais de 15 MFs).

Mas quando se olha o total da área que está em não-conformidade com a lei (os 19 milhões de hectares), esse quadro se inverte: 59% está nas grandes propriedades, 35% nas médias e 6% nas pequenas. Essa análise é útil, defendem os autores, para direcionar as ações de regularização ambiental daqui para a frente.

"É uma enorme concentração da dívida em poucos imóveis grandes. Então é possível direcionar a estratégia de restauração, com monitoramento, para eles. Isso vai trazer um resultado rápido para a retomada dos serviços ambientais com a floresta recuperada e redução de emissões de gases de efeito estufa", afirma Gerd Sparovek, da Esalq.

Para ele, com as grandes propriedades será possível alcançar a restauração em escala. E com os pequenos é possível ter trabalhos que possam trazer um ganho social, com a implantação de pagamentos por serviços ambientais.

Excedente. Segundo os autores, a boa notícia trazida pelo estudo é que ele revela que a oferta de ativos, áreas em que está sobrando floresta, é cinco vezes maior que o déficit, cerca de cem milhões de hectares. O que abre possibilidades para negócios de compensação entre produtores que estão devendo reserva legal e não tem como replantar em suas propriedades com aqueles que têm excedente.

Uma outra estimativa feita por Evaristo de Miranda, da Embrapa, tinha apontado um valor semelhante, cerca de 160 milhões de hectares de ativo, o que já vem sendo usado como argumento por uma ala ruralista de que então não é preciso restaurar mais nada.

Para André Nassar, diretor de Estratégia e Novos Negócios da Agroícone, o momento, porém, é de implementação. "O setor produtivo entende que a implementação do Código Florestal passa por: reduzir incertezas regulatórias, buscar soluções operacionais aos produtores que precisam restaurar e que querem remunerar excedente de reserva legal e viabilizar produtos de financiamento (crédito rural e mercado de capitais). Vamos colocar esse Código Florestal no chão! Questioná-lo não é bom nem para a agenda ambientalista", diz.

Para lembrar. A Lei de Proteção da Vegetação Nativa, que alterou e substituiu o antigo Código Florestal, foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 25 de maio de 2012, depois de pelo menos três anos de discussões no Congresso e muita polêmica, o que selou a divisão entre ambientalistas e ruralistas. Entre os itens mais polêmicos, o texto criou mecanismos que perdoaram alguns desmatamentos ocorridos até julho de 2008. Com isso, essas áreas ficaram dispensadas da necessidade de recuperação. Todos os imóveis menores que 4 módulos fiscais, por exemplo, foram dispensados de recuperar reserva legal. A lei também modificou o tamanho das Áreas de Preservação Permanente hídricas, de acordo com o tamanho das propriedades, reduzindo sua proteção.

Fonte: http://sustentabilidade.estadao.com.br
meio ambiente

MG instala 1ª usina do Brasil capaz de gerar eletricidade a partir do lixo (sem incineração!)



A cidade de Boa Esperança, em Minas Gerais, está prestes a fazer história. O município vai receber a primeira usina do Brasil a gerar eletricidade a partir de resíduos sólidos – sem incineração!

Sim, o grande diferencial do empreendimento é que ele não vai queimar o lixo – processo que gera uma grande quantidade de emissões para atmosfera. Em vez disso, produzirá energia elétrica a partir da gaseificação dos resíduos sólidos, uma tecnologia nacional que, segundo a empresa responsável, tem taxa de emissão de poluentes baixíssima.

Comandada pela Furnas Centrais Elétricas, a obra deve ser entregue ainda em 2017, para que a usina comece a operar já em 2019. Os primeiros testes foram feitos com sucesso em uma planta menor no município de Mauá, no interior de São Paulo.

A ideia é que a nova usina seja interligada à rede da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), a fim de garantir o fornecimento de energia elétrica às instalações públicas da cidade. Segundo a Furnas, o empreendimento tem capacidade para gerar 1 MW de eletricidade/mês, podendo suprir até 25% da demanda energética do município.

Além de reduzir os gastos com energia elétrica, a prefeitura vai dar jeito em um outro grande problema das cidades: a geração de lixo, uma vez que toda a produção de resíduos sólidos será destinada à usina.

Se o projeto tiver tanto êxito quanto esperam os envolvidos, a intenção é expandi-lo para outras cidades do país. Será o fim da necessidade de aterros sanitários?

Foto: Divulgação/Furnas
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Cidade da Chapada dos Veadeiros mantém horta medicinal comunitária que oferece remédios naturais DE GRAÇA à população



Tosse? Dor de garganta? Gases? Cólica? Enjoo? Enxaqueca? Já pensou poder colher, na hora, remédios naturais para os incômodos que está sentindo? No povoado de São Jorge, que fica na cidade de Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, já é assim.

A comunidade mantém, na rua principal da vila, um horto medicinal comunitário, onde são cultivadas ervas com propriedades que ajudam a aliviar e até curar uma porção de problemas de saúde. A produção (orgânica!) fica à disposição dos moradores da região e também do Sistema Único de Saúde local. Qualquer um pode colher remédios naturais na horta, a qualquer hora e de graça. Já pensou?

Batizado de Plantando Saúde, o projeto é comandado por quatro especialistas da região (Anaí Garcia dos Santos, Eleni Ferreira da Silva, Mauro Alves de Araújo e Mariana Jouvin Abraham) e cultiva também hortaliças, plantas ornamentais, árvores frutíferas e temperos. Isso porque, para eles, verde (de qualquer tipo!) é saúde. Alguém ousa discordar?

O local ainda:
– conta com espaço educativo, que oferece cursos e vivências sobre o tema para adultos e crianças;
– possui uma área de convivência para moradores e turistas, uma vez que a Chapada dos Veadeiros é um destino bastante procurado por viajantes;
– mantém uma estação ecológica, que tem até borboletário espontâneo;
– e é uma graça!

Está aí mais um dos inúmeros motivos para colocar a Chapada dos Veadeiros no roteiro de viagens. A gente recomenda!

Fonte: http://thegreenestpost.bol.uol.com.br
variedades

Senado aprova MP que altera áreas de preservação ambiental; texto vai a sanção

Entre outros pontos, texto altera limites da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, e do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. MP já foi aprovada pela Câmara.


Parque Nacional de São Joaquim - SC.

Senado aprovou nesta terça-feira (23), por 50 votos a 12, a medida provisória 756, que altera limites de áreas de preservação ambiental em parques nos estados do Pará e de Santa Catarina. Como a MP já foi aprovada pela Câmara, seguirá agora para sanção do presidente Michel Temer.

A votação, no início da noite desta terça, foi a primeira no Senado desde o agravamento da crise política, causado pelas delações de donos e executivos da JBS. As denúncias atingem diretamente o presidente Michel Temer, que virou alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal.

Desde a semana passada, aliados de Temer no Congresso têm tentado imprimir ritmo normal nas votações, mas a oposição promete obstruir as sessões até que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aceite um dos 14 pedidos de impeachment do presidente.

MP aprovada

A medida provisória aprovada pelo Congresso Nacional foi enviada pelo governo e, ao ser analisada por uma comissão mista, formada por deputados e senadores, teve o texto alterado. A nova redação, aprovada agora pelo plenário do Senado, passou a ser criticada pelo Ministério do Meio Ambiente.

A redação original da MP ampliava os limites do Parque Nacional do Rio Novo, no Pará, diminuía uma parte da Floresta Nacional do Jamanxim, também no estado, e, como forma de compensação, criava a Área de Proteção Ambiental (APA) Jamanxim.

A diferença entre as categorias é o nível de conservação e as atividades permitidas na região (entenda as categorias de preservação mais abaixo).

Ao todo, a área preservada, pelo texto original, seria ampliada em 667 mil hectares.

Os parlamentares também incluíram no texto uma alteração do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. O relator do projeto acatou a emenda do senador Dalírio Beber (PSDB-SC) para excluir áreas do Parque Nacional de São Joaquim e mudar seu nome para Parque Nacional da Serra Catarinense.

Após a aprovação do texto na Câmara, especialistas disseram que a alteração poderia possibilitar a legalização de ocupações irregulares feita aos longos dos anos na área original de proteção da Floresta Nacional do Jamanxim.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o Parque Nacional de São Joaquim, disse não concordar com os limites sugeridos – que fazem a área perder 10 mil hectares - e afirmou que a medida pode afetar a conservação da Mata Atlântica.

Áreas de preservação

Entenda abaixo a diferença entre as categorias das áreas de preservação ambiental:
Parque Nacional: é permitido o desenvolvimento de atividades de turismo e educativas, além de realização de pesquisas científicas;

Floresta nacional: são permitidos o uso sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica. É admitida a permanência de populações tradicionais que a habitam desde sua criação;

Área de Preservação Ambiental (APA): são uma categoria mais branda de preservação, pois permite a realização de agropecuária, garimpo, atividade industrial e ocupação populacional urbana e rural.

Parecer do relator

No parecer, o deputado José Priante (PMDB-PA) argumentou que a delimitação da APA Jamanxim proposta pelo governo se estenderia por uma área que não pertence a nenhuma unidade de conservação, atingindo, assim, produtores rurais ali estabelecidos.

Na avaliação de Priante, a criação da área de proteção sobre essa área não se justifica.

Além disso, a ampliação da área do Parque do Rio Novo, segundo o relator, resultaria em prejuízos econômicos ao município onde está localizado.

Procurado na época pelo G1, Priante afirmou ser "falacioso" o discurso de que o relatório amplia a devastação de florestas. Para ele, o texto regula conflitos presentes na região.

Diante disso, o texto aprovado pela Câmara e pelo Senado altera a área da do parque nacional e cria a APA do Jamanxim, mas sem avançar pelas áreas já ocupadas.

Caberá ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) regularizar as ocupações na APA.

A Medida Provisória, originalmente, aumentava a área do Parque Nacional do Rio Novo em 438 mil hectares, avançando sobre a Floresta Nacional do Jamanxim. Com isso, a área do Parque passaria a 976 mil hectares. Um Parque Nacional tem mais restrições à exploração do que uma Floresta.

Os parlamentares, no entanto, alteraram a Medida Provisória para retirar a ampliação do Parque Nacional do Rio Novo em 438 mil hectares.

“Isso traria prejuízos e danos irreparáveis à economia de Novo Progresso e da região, tendo em vista que se trata de uma unidade de conservação de proteção integral, na qual não será permitida a exploração de nenhuma atividade econômica”, explicou o relator.

Além disso, o texto inicial da MP reduzia área da Floresta Nacional do Jamanxim de 1,3 milhão de hectares para 557 mil hectares. Cerca de 304 mil hectares seriam incorporadas à Área de Proteção Ambiental (APA) do Jamanxim que seria criada com um total de 542 mil hectares.

No Congresso, a Medida provisória foi alterada para retirar 230 mil hectares da futura APA do Jamanxim que, segundo o relator, avançavam sobre uma área que não possuía nenhuma proteção ambiental. “ [Desses 230 mil hectares] 104 mil hectares se encontram com atividades produtivas consolidadas”.

“A inserção na APA de 230 mil ha, que estavam fora de qualquer unidade de conservação, atingiu uma área onde estão instalados há décadas, com apoio e incentivo de programas do Governo Federal, milhares de produtores rurais, exercendo atividades em agropecuária, piscicultura, extrativismo vegetal e exploração mineral. A medida, portanto, criaria restrições desarrazoadas, que prejudicam o setor produtivo e a comercialização de seus produtos”, justificou o relator da proposta, deputado José Priante (PMDB-PA).

Na redação final aprovada, segundo o relator, a APA do Jamanxim ficou com 486 mil hectares.
APA é uma categoria mais branda de preservação, pois permite a realização de agropecuária, garimpo, atividade industrial e ocupação populacional urbana e rural.

Críticas ao texto

Enquanto a MP ainda tramitava no Congresso, em abril, o Ministério do Meio Ambiente divulgou nota para criticar as mudanças no texto aprovadas pelos parlamentares e apresentou posição contrária à aprovação do projeto.

À época, a pasta informou, ainda, que iria recomendar ao presidente Michel Temer o veto ao projeto. Para a pasta, o texto não colabora com a implantação das políticas de governo.

"O texto representa também um retrocesso nos esforços do governo brasileiro para cumprir com os compromissos que assumiu sob o Acordo de Paris para combater o aquecimento global, por meio de metas de redução de emissões nas quais o combate ao desmatamento e a valorização da floresta em pé têm importância central", dizia o texto do ministério.

Outra nota, também divulgada à época pelo ICMBio, dizia que o novo texto "descaracteriza por completo" limites das áreas estabelecidas inicialmente pelo governo.

Estrada de ferro

Na sequência da sessão desta terça, os senadores aprovaram, sem contagem de votos, outra medida provisória, que diminuiu os limites do Parque Nacional do Jamanxim para permitir a passagem da estrada de ferro EF-170, também chamada de Ferrogrão, paralela à BR-163, ligando o Centro-Oeste ao norte do Pará.

Fonte: http://g1.globo.com
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24 de mai de 2017

As 10 espécies recém-descobertas mais fascinantes do mundo

Uma aranha que parece um chapéu mágico, uma esperança cor de rosa e uma orquídea de "feição diabólica"...A natureza é uma caixinha de surpresas!


Esperança cor de rosa: espécie Eulophophyllum kirki. (PETER KIRK/Divulgação)

O Instituto Internacional para a Exploração de Espécies, da Universidade do Arizona, lançou o seu “Top 10” das novas espécies de animais, plantas e fungos que mais causaram frenesi no ano passado. Tão vasta quanto surpreendente, a lista é mais uma prova da necessidade urgente de se preservar a rica biodiversidade do Planeta.

Embora cerca de 18.000 espécies sejam descobertas e nomeadas a cada ano, outras milhares estão desaparecendo com a mesma rapidez, segundo o Instituto, e tudo o que aprendemos ou deixamos de aprender com eles desaparece junto.

De uma aranha com aparência de chapéu mágico, passando por uma linda esperança cor de rosa, a uma orquídea com “cara diabólica”, conheça a seguir as espécies recém-descobertas mais incríveis.

Uma aranha ou o mágico “Chapéu seletor”?

Nome científico: Eriovixia gryffindori
Localização: Índia

No ano passado, cientistas indianos descobriram uma nova espécie de aranha, curiosamente parecida com um dos objetos fantásticos mais emblemáticos da famosa série de ficção infanto juvenil Harry Potter, o Chapéu Seletor. O objeto enfeitiçado é encarregado de distribuir os novos alunos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts pelas diferentes Casas que a compõem. No universo da série de bruxaria, Godric Gryffindor era um dos quatro feiticeiros fundadores da escola de magia e dono do Chapéu Seletor, daí o nome da nova espécie de aranha: Eriovixia gryffindori.

A publicação científica que descreve a descoberta indica que o nome é “uma ode à mágica perdida e encontrada, em um esforço para chamar a atenção ao mundo fascinante, mas normalmente negligenciado dos invertebrados, e suas vidas secretas.” A espécie se camufla bem para assemelhar-se com as folhas mortas, secas e marrons, entre as quais se esconde durante o dia. Acredita-se que ela tenha hábitos noturnos.


Eriovixia gryffindori (SUMUKHA J. N./Divulgação)

A esperança rosa

Nome científico: Eulophophyllum kirki
Localização: Malásia

Esta nova espécie de esperança foi descoberta enquanto os pesquisadores procuravam tarântulas e cobras em Bornéu. Seus espécimes medem cerca de 40 mm de comprimento. Os machos são de cor verde e as fêmeas são rosa. Sua aparência é extremamente semelhante a de uma folha, sendo facilmente confundida. Como a nova espécie foi descoberta em um área altamente protegida, os pesquisadores não conseguiram licenças para coletar exemplares, o que segundo eles cria potencial de confusão no futuro com outras espécies semelhantes, além de “ilustrar as tensões entre o avanço da ciência e regulamentos bem-intencionados sobre a coleta”.


Eulophophyllum (PETER KIRK/Divulgação)

Um ratinho com apetite diferenciado

Nome científico: Gracilimus radix
Localização: Indonésia

Os cientistas consideram esse ratinho uma “reversão evolutiva”. Recém-descoberto, este pequeno roedor cinzento aprecia comer tanto alimentos de origem vegetal quanto animal, o que o torna único entre seus parentes roedores estritamente carnívoros. Um roedor de apetite diferenciado!


Gracilimus Radix (KEVIN ROWE/Divulgação)

Patas para andar e se multiplicar

Nome científico: Illacme tobini
Localização: Estados Unidos

Parente da centopeia, o Illacme tobini é uma espécie de diplópode encontrado no Parque Nacional da Sequoia, na Califórnia, EUA. Ele tem nada menos do que 414 patas, 200 glândulas de veneno, quatro pênis (que na verdade são pernas modificadas para transferir esperma para a fêmea), e não possui olhos. Ele curte locais escuros e úmidos, como troncos apodrecidos e embaixo de pedras. Segundo os cientistas, o I. tobini possui uma antiga linhagem que data de antes da dissolução do supercontinente Pangea, mais de 200 milhões de anos atrás.


llacme tobini (ESF/Divulgação)

Uma formiga dragão

Nome científico: Pheidole drogon
Localização: Papua Nova Guiné

Por suas costas espinhosas, que segundo os cientistas se assemelham a um dragão, esta nova espécie de formiga feroz recebeu o nome de Drogon, em referência ao dragão negro comandado por Daenerys Targaryen da série Game of Thrones. Anteriormente, os cientistas achavam que as espinhas eram um mecanismo de defesa. No entanto, a microtomografia (semelhante à tomografia computadorizada médica) sugere que pelo menos algumas das espinhas servem de suporte muscular. Os principais trabalhadores, ou soldados, têm cabeças e mandíbulas excepcionalmente grandes usadas para esmagar sementes que de outra forma não seriam comestíveis. Grandes cabeças exigem grandes músculos que devem ser ancorados em algum lugar, como as espinhas.


Pheidole Drogon (PHEIDOLE DROGON/Divulgação)

O rei do Rio Tocantins

Nome científico: Potamotrygon rex
Localização: Brasil

E tem espécie brasileira nova na área também. É uma arraia de água doce, grande e marcante, endêmica do Rio Tocantins. O espécime encontrado tinha 1,1 m de comprimento. Sua cor varia de preta a castanho-acinzentada, com manchas intensas de amarelo a laranja que, combinadas com o seu tamanho, lhe renderam o título de “rei”.


Potamotrygon rex (MARCELO R. DE CARVALHO/Divulgação)

Uma exímia centopeia nadadora

Nome científico: Scolopendra cataracta
Localização: Laos, Tailândia e Vietnã

Preta, com 20 pares de pernas e até 20 cm de comprimento, esta centopeia tem habilidades surpreendentes. É a primeira espécie de centopeia já observada capaz de mergulhar na água e correr pelo fundo da mesma maneira como faz em terra seca. Seu nome, “cataracta”, vem do latim para cachoeira. O estado de sua população é motivo de preocupação devido à destruição de habitats, incluindo atividades turísticas, ao longo de córregos e aterros de rios onde habita no Laos, Tailândia e Vietnã.


Scolopendra cataracta (SIRIWUT, EDGECOMBE AND PANHA/Divulgação)

Tomate “sangrento e ossudo”

Nome científico: Solanum ossicruentum
Localização: Austrália

O nome desta nova espécie — que combina o latim “ossi” para ossos e “cruentum” para sangrentos — foi escolhido com a ajuda de 150 alunos de sétima série de ciências nos EUA. As frutas jovens expelem um liquido vermelho quando cortada ainda verde. Por sua vez, a planta madura, ao ser aberta, tem sementes que parecem ossos.


Solanum ossicruentum (CHRISTOPHER T. MARTINE/Divulgação)

Uma orquídea diabólica

Nome científico: Telipogon diabolicus
Localização: Colômbia

Dizem que o diabo está nos detalhes. Neste caso, está na orquídea. A nova espécie Telipogon diabolicus tem uma estrutura reprodutiva que lembra a representação da cabeça do diabo. Considerada criticamente ameaçada, a espécie é conhecida apenas no sul da Colômbia, em um local atualmente ameaçado pela construção de uma estrada que irá impactar negativamente seu habitat.


Telipogon diabolicus (M. KOLANOWSKA/Divulgação)

Um verme com cara de churro

Nome científico: Xenoturbella churro
Localização: México

Descoberto no fundo do Golfo da Califórnia, a 1,722 metros abaixo da superfície, a espécie Xenoturbella churro é um verme marinho de 10 cm de comprimento. A nova espécie é “cor-de-rosa-alaranjada”, segundo os cientistas, com quatro sulcos longitudinais profundos que lembram um churro. Essas criaturas primitivas têm uma boca, mas nenhum ânus, e são um lembrete da incrível biodiversidade encontrada nos oceanos do mundo.


Xenoturbella churro (GREG ROUSE/Divulgação)

Fonte: http://exame.abril.com.br/ciencia
curiosidades

Brasil pode perder este ano o equivalente ao território de Portugal em áreas protegidas, alerta WWF-Brasil

Um desmonte de quase 80 mil quilômetros quadrados – equivalente ao território de Portugal – em áreas protegidas federais no Pará, Amazonas e Santa Catarina é o que está prestes a acontecer no Brasil. São parques nacionais, reservas biológicas e florestas nacionais que deveriam estar sob o mais rigoroso cuidado devido à sua importância mundial, mas que sofrem neste momento um ataque sem precedentes promovido com o apoio de setores do governo e do Congresso Nacional e de interesses contrários ao meio ambiente.



O conflito não é novo. A novidade é a abrangência e a estratégia de desmanche da investida.

De um lado estão produtores rurais que ocupam irregularmente ou gostariam de ocupar essas áreas protegidas, empresas de mineração ou grileiros de terras públicas.

De outro, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que colocou o Brasil ao final da década passada na posição de líder mundial em extensão de áreas protegidas.

Na medida em que um dos lados ganha mais força, o impacto nas áreas protegidas pode resultar em mais desmatamento da Amazônia, com prejuízo às metas brasileiras para a redução das emissões de gases de efeito estufa na Convenção do Clima das Nações Unidas, além de implicar o desmonte do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) e ameaçar os compromissos assumidos pelo país na Convenção da Diversidade Biológica (CDB).

O alerta está em um dossiê lançado hoje pelo WWF-Brasil.

Acesse o documento.

Segundo o documento, o potencial do estrago é enorme. Basta dizer que um dos projetos em tramitação no Congresso Nacional, o PL 3751, torna caducos todos os atos de criação de unidades de conservação cujos proprietários privados não foram indenizados no período de cinco anos.

Para se ter uma ideia do impacto dessa proposta, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) calculou em 56 mil quilômetros quadrados a extensão de terras privadas ainda não indenizadas no interior de UCs federais, mas o número poderia chegar a 100 mil quilômetros quadrados, segundo o próprio instituto.

Caso aprovada, a proposta representaria o desaparecimento de aproximadamente dez por cento das áreas protegidas em UCs federais no país, que somavam, em agosto passado, 788 mil quilômetros quadrados. Isto é dez por cento do total do território protegido das UCs federais.

A proposta apresentada pelo deputado Toninho Pinheiro (PP-MG) em 2015 também impede a criação de novas UCs sem “prévia e justa” indenização em dinheiro e é apenas um dos projetos que tramitam no Congresso, exemplares do fenômeno que a literatura acadêmica trata como PADDD, do inglês Protected Area Downgrading, Downsizing and Degazettement (redução, recategorização e desafetação de áreas protegidas).

Alto impacto

A ofensiva contra as UCs vem ganhando fôlego desde dezembro do ano passado, a partir da publicação de medidas provisórias pelo presidente Temer, destaca o dossiê do WWF-Brasil. O alvo principal era a Floresta Nacional do Jamanxin, criada para conter o desmatamento na região da BR-163, no Pará.

A exposição de motivos assinada pelo ministro do Meio Ambiente, José Sarney, chamava a atenção para a alta taxa de desmatamento ilegal na Flona Jamanxim, problema atribuído aos conflitos fundiários remanescentes e à atividade garimpeira ilegal na região de grande potencial aurífero na Bacia do Tapajós.

Outra medida provisória editada no mesmo dia tinha como justificativa a passagem de uma ferrovia para transporte de grãos. A Flona Jamanxim perdia ali 57% de seu território, que deixavam de ser protegidos ou passavam a ser menos protegidos, com a liberação de atividade econômica. Mas o estrago ficaria bem maior no Congresso.

O texto do dossiê lembra que, antes, no início de fevereiro, um grupo de parlamentares da bancada do Amazonas recebeu aceno favorável do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) de que o Planalto encamparia proposta de mudança em UCs no Estado, que compromete mais um milhão de hectares atualmente protegidos.

O lobby tem como alvo a extinção ou redução de cinco unidades de conservação criadas em 2016, em áreas previamente regularizadas do ponto de vista fundiário: a Reserva Biológica Manicoré, o Parque Nacional de Acari, a Floresta Nacional de Aripuanã, a Floresta Nacional de Urupadi e a Área de Proteção Ambiental Campos de Manicoré.

Em abril, comissões especiais do Congresso Nacional alteraram as medidas provisórias editadas por Temer em dezembro, ampliando o tamanho do dano ambiental, para mais de um milhão de hectares que deixam de ser protegidos. O avanço contra as UCs no Pará foi comemorado no plenário pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), uma espécie de ícone da luta contra as UCs no Congresso. Segundo o senador, o resultado das votações, a ser confirmado pelo plenário antes de ir à sanção presidencial, “oferece oportunidade aos produtores rurais de regularizarem suas áreas e atividades produtivas”.

Documentos a que o WWF-Brasil teve acesso mostram que o ataque às áreas protegidas já havia ganho aliados dentro do próprio governo. Em nota técnica, o Ministério de Minas e Energia endossa interesses dos mineradores de ouro que atuam na região do Tapajós e sobretudo da empresa Brazauro Recursos Minerais, subsidiária da Eldorado Gold, com sede no Canadá.

A nota alega que a empresa havia investido US$ 76 milhões no projeto “Tocantizinho”, no qual planeja investir mais de meio bilhão de dólares. O MME contabilizou ainda dezenas de autorizações de pesquisa e permissões de lavra garimpeira, que teriam de ser ressarcidos por conta da alteração de limites das UCs proposta pelo governo, além de mais de 250 requerimentos de lavra garimpeira na região.

Santa Catarina

Além de a ampliação do Parque Nacional do Rio Novo (uma medida compensatória as reduções propostas) ter sido barrada pelo Congresso, o ICMBio calcula que a Floresta Nacional do Jamanxim perca quase 815 mil hectares de seu território com base nas propostas aprovadas nas comissões. A perda para a biodiversidade também é grande na alteração dos limites da Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, que protegem nascentes de rios que formam as bacias do Xingu e do Tapajós.

“Temos de lembrar dos compromissos assumidos no Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), que apoia a gestão de UCs na Amazônia, com aportes de recursos externos. Os financiadores deverão cobrar explicações sobre o que está ocorrendo no Brasil”, adverte Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil.

O avanço contra as UCs nas votações de abril extrapolou os limites da Amazônia e alcançou até o Parque Nacional de São Joaquim em Santa Catarina, que teve seus limites alterados, por pressão de produtores rurais instalados na região. Trata-se de uma área de remanescentes de mata de araucária, importante na recarga de aquíferos, segundo o ICMBio. Na votação da Medida Provisória 756, o Parque perdeu 20% de seu território.

Mato Grosso

Também em abril, em outro expediente apressado, a Assembleia Legislativa do Mato Grosso aprovou em primeira votação projeto que extingue o Parque Estadual Serra Ricardo Franco, uma área de proteção integral de mais de 158 mil hectares, criado há 20 anos.

O pretexto apresentado pelos deputados foi o fato de a região estar bastante desmatada, não justificando a manutenção do status de área protegida. O Parque abriga fazendas do chefe da Casa Civil de Temer, Eliseu Padilha, que teve os bens bloqueados no final do ano passado pela Justiça do Mato Grosso por degradação ambiental. Sinal que de que a ofensiva às UCs não se limita às áreas federais.

Fonte: www.wwf.org.b
notícias

23 de mai de 2017

Reino Unido testa asfalto 60% mais resistente que é feito com plástico retirado dos oceanos



A Holanda já havia anunciado querer testar um asfalto feito a partir de plástico retirado dos oceanos. O uso do material, atualmente, está “na moda”, já que se trata de um recurso demorado para se decompor na natureza e que, infelizmente, é cada vez mais descartado de forma incorreta pelo homem. Além disso, uma série de toxinas que prejudicam nossos solos têm ligação com os vestígios deixados pelo plástico. Não por acaso, o que não falta por aí são iniciativas para reutilizar e reciclar todos esses resíduos espalhados por aí!

Uma das mais recentes vem do engenheiro Toby McCartney, que desenvolveu uma técnica para revestir as ruas com material parecido com o concreto convencional, mas composto por plástico descartado. A empresa, chamada MacRebur, garante que o substituto é 60% mais resistente que o asfalto comum e tende a durar 10 vezes mais.

Substituto do famoso betume, comercializado por empresas que extraem petróleo, os plásticos descartados aos montes por domicílios e espaços comerciais são a matéria-prima do produto de Toby. Mas tudo só foi possível graças à sua filha: ao ser questionada por sua professora sobre o que vive nos oceanos, a pequena respondeu: “Plástico”. Seu pai não queria que ela vivesse em um mundo onde isso fosse verdade e tratou de fazer sua parte!

O primeiro teste do composto foi realizado na calçada do engenheiro. Ao perceber que funcionava, a empresa aplicou a técnica em novas ruas do estado de Cumbria, localizado no norte da Inglaterra. Dedos cruzados para que os próximos testes também funcionem!

Fonte: http://thegreenestpost.bol.uol.com.br
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Em MG, governo troca recicláveis por vales-compra que podem ser usados em restaurantes populares e mercadinhos credenciados



Na cidade de Nova Resende, em Minas Gerais, é possível “encher a sacola” de frutas e verduras com apenas R$ 2 no mercadinho local. Tudo graças ao programa Cidadão Consciente, mantido pela prefeitura desde 2008.

A iniciativa troca resíduos recicláveis por vales que podem ser usados em estabelecimentos credenciados pelo programa – entre eles, restaurantes populares e mercadinhos locais.

Qualquer morador pode levar recicláveis ao galpão do Cidadão Consciente. O material recebido é pesado e convertido para reais – de acordo com o preço de cada tipo de resíduo. O valor final é então impresso no vale, que é entregue a quem doou os recicláveis. Prático, não?

De acordo com a prefeitura, com um vale de R$ 2 é possível pagar uma refeição em um dos restaurantes populares da cidade ou ainda encher uma sacola com frutas e verduras no mercadinho local. Os bons preços são resultado de um acordo com os estabelecimentos credenciados do programa, que garante que os alimentos que comercializam sejam provenientes da horta da cidade – também mantida pela prefeitura -, barateando seu custo.

Quem aí curtiu e queria uma iniciativa igual na sua cidade?

Fonte: http://thegreenestpost.bol.uol.com.br
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Entre cimento e asfalto, inventário de fauna e flora em SP surpreende pela alta biodiversidade

Espécies que poderiam ser consideradas extintas foram reencontradas.


O tucano-toco é uma espécie comum no Cerrado e que está sendo registrada agora com maior frequência aqui. | Foto: Rhamphasto toco/Anelisa Magalhães

Em uma determinada área, do tamanho de 140 mil campos de futebol, é possível encontrar tucanos-toco (Ramphastos toco) do Cerrado, o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) – o maior primata brasileiro – e o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), animal endêmico da Mata Atlântica e em risco de extinção.

Há ainda seis espécies de plantas até então desconhecidas pela ciência, além de carismáticas capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), suçuaranas (Puma concolor capricornensis) e até mesmo uma onça-pintada (Panthera onca), o maior felino das Américas, contabilizando um total de 1.113 espécies da fauna e 4.768 da flora.

Os números são surpreendentes, principalmente se for levado em conta que a área em questão está no município de São Paulo. Há uma biodiversidade latente entre o cimento, o asfalto e as poucas áreas verdes, sobretudo nos cinturões verdes do Norte e do Sul da cidade. É o que concluiu o mais recente inventário de fauna e flora do município, divulgado pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA).

O esforço de fazer um inventário da biodiversidade da capital paulista reuniu servidores da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, instituição parceira do Programa BIOTA-FAPESP com o Projeto Atlas Ambiental.

O levantamento da fauna silvestre é feito desde 1993 e em 2016 foram incluídos dados sobre a flora pela primeira vez. A equipe obtém os dados a partir do levantamento primário em mais de 100 localidades (136 localidades em 2016) e por meio do atendimento de animais silvestres entregues à Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre da prefeitura. Os resultados incluem ainda registros cumulativos de mais de 20 anos de trabalho e alguns estudos realizados por pesquisadores parceiros.

No caso das plantas, foi feita uma compilação de diferentes fontes de dados, incluindo amostras de plantas herborizadas documentadas no Herbário Municipal, relatórios de vistorias técnicas do Herbário Municipal e referências bibliográficas como levantamentos florísticos ou fitossociológicos realizados no município desde 1911.

O que impressiona é a possibilidade de encontrar espécies novas e a resistência não só de espécies pouco exigentes ecologicamente, como as capivaras do rio Pinheiros, como daquelas que precisam de um ecossistema equilibrado para sobreviver.

É o caso de uma onça-pintada de quase 100 quilos que teve o tranquilo andar captado, em janeiro de 2016, enquanto passeava pelo Núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar, limite sul da capital paulista. O flagrante foi feito por armadilhas fotográficas do Instituto Pró-Carnívoros, um parceiro do trabalho.

“Tanto o muriqui-do-sul, que ainda não tinha registro recente no município de São Paulo, quanto o sagui e a onça-pintada são espécies exigentes ecologicamente. A presença deles indica uma cadeia preservada, já que não suportam alterações ambientais. É surpreendente e, sem dúvida, uma boa notícia”, disse Anelisa Magalhães, servidora da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente que coordenou a parte de fauna do Inventário da Biodiversidade do Município de São Paulo – 2016, à Agência FAPESP.

Logo na estreia da pesquisa de flora no inventário foram registradas seis espécies desconhecidas pelos pesquisadores. Há ainda mais uma – árvore da família Lauraceae – sendo analisada como provavelmente nova. Todas elas estão relacionadas aos esforços de coleta realizados durante o projeto “Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo”, financiado pela FAPESP.

“A Leandra lapae D’El Rei Souza & Baumgratz, um arbusto da família Melastomataceae, só foi registrada até o presente momento a partir de uma coleta realizada em uma mata ao lado de Parelheiros”, disse Ricardo Garcia, curador do Herbário Municipal e responsável pela parte de flora do inventário.

Cerrado na metrópole

Fazer o levantamento da biodiversidade de uma megalópole como São Paulo de forma periódica tem justamente a função de acompanhar a evolução e alteração das espécies no município, assim como para servir de embasamento científico de políticas públicas.

“Com esse trabalho, ficamos sabendo tanto de espécies que eram documentadas historicamente em alguns locais da cidade e que desapareceram, como aquelas que surgiram. Isso ocorre por causa das intensas mudanças ambientais promovidas pela urbanização”, afirma Anelisa.

O inventário mostra que tanto a flora como a fauna do Cerrado estão se tornando mais presentes. “O tucano-toco, por exemplo, é uma espécie comum no Cerrado e que está sendo registrada agora com maior frequência aqui”, disse.

Até mesmo a pomba asa-branca (Patagioenas picazuro) é um exemplo de colonização do ambiente urbano. Na década de 1990, ela era vista poucas vezes e em poucas épocas do ano, atualmente o animal se estabeleceu em toda a cidade. “Quando os habitats são reduzidos pela urbanização e atividades humanas muitas espécies vão desaparecer enquanto outras vão se adaptar e aumentar suas populações”, disse Magalhães.

Com a flora não é diferente. Do total, 47 espécies foram registradas pela primeira vez na cidade depois de mais de 50 anos sem coletas. São, portanto, espécies que poderiam ser consideradas extintas, mas que foram reencontradas.

“Isto pode indicar tanto falta de coletas nesse intervalo de tempo como, também, que porções do território estão sendo reocupadas por espécies campestres, dadas as atuais condições ambientais. Dentre estas, 20 espécies ocorrem nos biomas Mata Atlântica e Cerrado”, disse Garcia.

Parada dos pássaros

O levantamento possibilitou outra constatação importante: os parques da cidade de São Paulo têm função essencial ao servirem como ponto de parada para aves. “Eles dão suporte para alimentação e descanso durante os deslocamentos das aves entre os fragmentos de mata. É o caso do Parque Ibirapuera, do Parque da Aclimação e do Parque Buenos Aires, que recebem a visita da araponga [Procnias nudicolis] durante a primavera, por exemplo. A malha de parques municipais, com sua miscelânea de vegetação nativa e exótica, tem maior relevância ecológica para as aves florestais e migratórias do que se supunha”, explica Anelisa.

Segundo a bióloga, além da importância dos parques ser confirmada, há ainda necessidade de acompanhar a arborização urbana. “O que você escolhe para plantar na sua cidade vai influenciar na biodiversidade”, disse.

Ao longo dos 20 anos de realização do inventário, ele já serviu de base para compensação ambiental de grandes obras. “No fim, isso tudo depende de decisões políticas, mas com o inventário podemos instrumentalizar as decisões”, disse.

Fonte: http://ciclovivo.com.br
meio ambiente

22 de mai de 2017

Geração eólica no Brasil cresce 38% no primeiro trimestre de 2017

Até março deste ano, 411 empreendimentos eólicos estavam em operação em todo o país.


Usina eólica no Ceará 

A produção das usinas eólicas do Sistema Interligado Nacional (SIN) aumentou 38% nos três primeiros meses de 2017, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Entre janeiro e março, a geração de energia eólica alcançou 3.218 megawatts (MW) médios frente aos 2.338 MW médios produzidos no mesmo período do ano passado.

A capacidade instalada da fonte saltou de 8.796 MW em março de 2016 para 10.450 MW em um ano, incremento de 19%. Até março deste ano, 411 empreendimentos eólicos estavam em operação.

Na análise da geração por estado, o Rio Grande do Norte segue como maior produtor de energia eólica com um total de 1.113 MW entregues nos três primeiros meses de 2017, aumento de 56% em relação ao mesmo período de 2016. Em seguida, aparecem a Bahia com 643 MW (+46%) produzidos, o Ceará com 490,5 MW (+21%) e o Rio Grande do Sul com 490 MW (+5%).

Os dados sobre a capacidade instalada também apontam o Rio Grande do Norte na liderança com um total de 3.181 MW, aumento de 23,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparecem Ceará que subiu da 3ª para a 2ª posição no ranking, com 1.960 MW (+22%). Os estados da Bahia com 1.750 MW e Rio Grande do Sul com 1.667 MW ocupam a 3ª e 4ª posições, respectivamente.

Fonte: http://exame.abril.com.br/
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Projeto de Lei em SP incentiva a cadeia produtiva do bambu

O bambu é a planta de mais rápido crescimento em todo o reino vegetal.


Projeto de Lei prevê assistência rural para produtores e apoio na produção e comercialização de produtos a base de bambu.

Um Projeto de Lei (PL 303/2012) em condição de pauta (já aprovado nas comissões designadas) na Câmara Municipal de São Paulo vai instituir uma política municipal para fomentar o cultivo e a produção de subprodutos do bambu, tradicional espécie da flora brasileira.

O bambu é a planta de mais rápido crescimento em todo o reino vegetal. O primeiro corte pode ser feito aos três anos. É também a planta com maior capacidade de sequestrar carbono na natureza, é nativa de vários biomas brasileiros e capaz de crescer em diferentes tipos de solo. Pode ser usada ainda na recuperação de solos degradados e para elevar a permeabilidade à água.

De acordo com o texto, elaborado pelo vereador Rodrigo Goulart (PSD) e do ex-vereador e hoje deputado federal Antônio Goulart (PSD-SP), uma parte dos recursos municipais deverá ser reservada linhas de crédito para o cultivo e beneficiamento da planta. Também será responsabilidade do município fornecer assistência técnica aos produtores e ainda garantir o certificado e a procedência do bambu, seja ele in natura ou já beneficiado.

O município terá ainda a prerrogativa de estabelecer parcerias com instituições públicas e privadas para a pesquisa de aplicações dos subprodutos de bambu, inclusive de seus brotos como gênero alimentar. Além disso, poderá utilizar seus viveiros para a produção de mudas da planta para a composição de áreas verdes.

De acordo com o vereador Rodrigo Goulart, a proposta pode criar para pequenos produtores rurais da cidade uma nova opção de renda. “São Paulo ainda tem grandes áreas rurais, como o Extremo Sul, onde pequenas propriedades sobrevivem da agricultura. O cultivo e o beneficiamento do bambu nessas áreas pode ser uma nova alternativa de desenvolvimento.”

Como subproduto, o bambu tem aplicações na produção de itens para paisagismo, de alimentação,
carvão, gás, na indústria farmacêutica e de cosméticos, na indústria de papel e celulose, na indústria têxtil, química (na produção de álcool, açúcares, aguardente, carvão ativado, alcatrão, vinagre, inseticidas e fertilizantes) e na indústria de madeira.

Só na Ásia, 2,5 bilhões de pessoas obtêm renda da negociação do bambu e do ratan. Pelo menos 700 milhões de pessoas fazem uso da planta em suas mais diversas aplicações, cujos subprodutos rendem cerca de US$ 10 bilhões anuais.

Fonte: http://ciclovivo.com.br/
variedades

21 de mai de 2017

PAZ

Parece que tudo está muito confuso. É preciso paz pra poder viver!


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20 de mai de 2017

Primeiro viaduto para travessia de animais é construído no Pará

No Brasil, a solução mais comum para garantir a passagem de animais ainda é a instalação de túneis subterrâneos.


Os viadutos reduzem a perda de biodiversidade e os acidentes envolvendo pessoas. | Foto: Ibama/Divulgação

Um determinação feita pelo Ibama na Licença de Instalação para a construção do Ramal Ferroviário Sudeste do Pará resultou na criação do primeiro viaduto para travessia de fauna do país. A ferrovia corta a Floresta Nacional de Carajás em dois pontos em que a vegetação está em estágio médio ou avançado de regeneração.

Estudos de ecologia de estradas estimam que anualmente cerca de 450 milhões de animais selvagens morrem atropelados nas estradas e ferrovias brasileiras, que se estendem por aproximadamente 1,7 milhão de quilômetros. Ao possibilitar uma travessia segura para os animais e permitir a dispersão de espécies que precisam de áreas extensas para sua sobrevivência, os viadutos não apenas reduzem a perda de biodiversidade, mas também os acidentes envolvendo pessoas.

No Brasil, a solução mais comum para garantir a passagem de animais ainda é a instalação de túneis subterrâneos. No entanto, os bons resultados obtidos com o emprego de viadutos em países da América do Norte e da Europa chamaram a atenção da equipe de licenciamento ambiental para a eficiência da medida.

Na definição da passagem de fauna mais adequada para cada trecho são levadas em consideração as características das estradas, do tráfego, da paisagem espacial e o porte dos animais silvestres presentes na região do empreendimento. Estudos realizados com armadilhas fotográficas apontaram a presença de felinos de grande porte e outros mamíferos.

Os viadutos do ramal foram cercados com arame galvanizado de 2,2 metros de altura ao longo de 100 metros de extensão para cada lado dos acessos com o objetivo de assegurar o direcionamento, a indução e a contenção dos animais. Espécies arbustivas e de pequeno porte foram plantadas nas laterais para simular a continuidade do terreno.

Outras 30 passagens, entre viadutos e túneis, foram instaladas ao longo dos 100 quilômetros do ramal. Já existem registros do trânsito de capivaras, tatus, jaguatiricas, tamanduás-bandeira, cachorros do mato, cutias, iguanas e gatos-mouriscos.

Fonte: http://ciclovivo.com.br
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18 de mai de 2017

Nova era do petróleo na Foz do Amazonas ameaça ecossistemas

Nova era de perfurações na Bacia da Foz do Amazonas, a 120 quilômetros da longínqua cidade de Oiapoque, está para começar neste ano.


Rio Amazonas: petroleiras planejam, por exemplo, instalar sua base marítima no Porto de Belém, no Pará 

Oiapoque – Sentada à mesa em sua pequena e bucólica ilha no rio Oiapoque, exatamente entre o Brasil e a Guiana Francesa, a moradora brasileira mais ao norte do país, Valéria Leal, reflete sobre a retomada da exploração de petróleo na região amazônica do Amapá.

Ela teme que o Estado, que abriga um dos maiores berçários de vida marinha e de floresta preservada do mundo, fique apenas com os riscos ambientais da atividade petrolífera, uma preocupação de muitas comunidades, como pescadores e indígenas.

Apesar da crescente oposição de ambientalistas, uma nova era de perfurações na Bacia da Foz do Amazonas, a 120 quilômetros da longínqua cidade de Oiapoque, está para começar neste ano.

Lá, um consórcio da francesa Total com a britânica BP e a Petrobras aposta realizar a próxima grande descoberta de petróleo em águas profundas do país. As companhias gastaram mais de 600 milhões de reais apenas na aquisição de cinco blocos exploratórios na área, de olho em reservas gigantes estimadas em 14 bilhões de barris in situ, queincluem possíveis jazidas adjacentes.

Somente a petroleira francesa, líder do consórcio, investiu em atividades na região outros 200 milhões de reais. Mas até agora praticamente nada chegou aos moradores, até porque oinvestimento exige equipamentos e infraestruturas não encontradas no Amapá, um dos Estados mais pobres do país e que em 2016 registrou a maior taxa de desemprego.

“Se fosse para o bem comum, seria bom… Nós aqui no extremo norte estamos completamente desassistidos… não sei quais as vantagens que virão, se tudo será feito fora daqui”, afirmou Valéria, que mora na ilha com seu marido, há 27 anos, a cerca de 50 km da foz do rio Oiapoque.

A petroleiras planejam, por exemplo, instalar sua base marítima no Porto de Belém, no Pará, onde equipamentos como tubos de perfuração e brocas já estão armazenados, aguardando o início das perfurações.

“Se for para usar o Pará como base para eles, será igual quando os portugueses vieram para cá e levaram tudo sem nenhum benefício”, disse o indígena Adair Jeanjaque, de 25 anos, da etnia Galibi, ao receber à Reuters em sua aldeia, às margens do Oiapoque, fonte de sustento de grande parte da população local.

A preocupação com as possíveis perfurações não é privilégio apenas de Oiapoque, uma cidade com cerca de 23.600 moradores, e já corre por municípios litorâneos ao sul do Estado, como Calçoene, onde não é difícil encontrar pescadores que saibam ou tenham tido contato com as empresas de petróleo.

Enquanto isso, o Ibama ainda avalia se as perfurações podem colocar em risco a complexa e amplamente desconhecida biodiversidade da região, ainda que as empresas já tenham realizado pesados investimentos.

O Ministério Público Federal no Amapá, inclusive, recomendou ao Ibama nesta semana que suspenda a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, até que sejam avaliados os impactos da atividade na barreira de corais existente na região. O Ibama informou na quinta-feira que ainda não havia sido notificado.

Grandeza Ambiental

A Bacia da Foz do Amazonas se estende ao longo de toda a costa do Estado do Amapá e da Ilha de Marajó (Pará) e abriga o maior cinturão contínuo de manguezais do planeta, que chega a ter 80 quilômetros de largura em alguns pontos, formado pelas toneladas de sedimentos trazidos ao mar pelos rios amazônicos todos os anos, incluindo o rio Amazonas, o maior do mundo.

Além disso, o mar do Amapá tem recifes de corais, rodolitos e esponjas com propriedades inéditas, de acordo com uma descoberta publicada no ano passado na revista Science Advances, que chocou a comunidade científica com a extensão do ecossistema que está em águas mais profundas do que o comum, de mais de 100 metros de profundidade.

Localizados logo após o limite da mancha de sedimentos pesados que vêm da Amazônia, os recifes podem ser o lar de espécies inteiramente novas, incluindo um tipo de peixe borboleta tropical que se destaca pelo colorido brilhante, dizem os pesquisadores.

A publicação chamou a atenção da ONG Greenpeace, que lançou uma forte campanha em defesa dos corais amazônicos e contra a tentativa de abertura de uma nova fronteira petrolífera.

A existência dos recifes no Amapá, que estão a apenas 28 quilômetros de uma das perfurações previstas pela Total, já era conhecida pelo Ibama e pesquisadores em geral, mesmo antes do leilão das áreas em 2013, mas o conhecimento sobre eles ainda é muito escasso, mesmo após a publicação do artigo.

“O Amapá é realmente um Estado esquecido pelos brasileiros e nós mesmos não tínhamos ideia de todas as ameaças… grande parte da população depende dos oceanos… dos mangues e da floresta. O risco de um vazamento de grandes proporções chegar nessa costa afetaria grande parte da população”, disse o porta-voz da campanha, Thiago Almeida.

A Total, empresa que lidera o consórcio de petroleiras com blocos na Foz do Amazonas, afirmou estar ciente das questões ambientais da região e, desde 2015, quando deu entrada no licenciamento, vem fazendo um trabalho junto ao Ibama para prevenir impactos ambientais.

“As atividades de petróleo e gás já convivem com sistemas sensíveis… Quando o Brasil licitou esses blocos, entendemos que era uma vontade, uma decisão soberana… para pesquisar se existia ou não petróleo, conhecendo a existência desse ecossistema”, disse à Reuters Maxime Rabilloud, que está na presidência da Total no país há cerca de dois anos.

Para o Ibama, no entanto, não há nada decidido.”É uma área de muita sensibilidade, tudo ali preocupa o Ibama… a gente só consegue chegar a uma decisão final (sobre se as empresas poderão trabalhar ali) no término do licenciamento”, afirmou o analista ambiental do Ibama, Alexandre Souza.Em meio à complexidade ambiental e à dificuldade para a obtenção da licença, a agência reguladora do setor de petróleo (ANP) ampliou o prazo para a conclusão da primeira fase de perfuração dos cinco blocos de 2017 para 2020.Segundo Souza, o processo de licenciamento já tem bastante detalhe e atualmente o órgão aguarda respostas das empresas sobre questões como projetos de mitigação e de monitoramento.Mas especialistas da região temem que os esforços de planejamento de ações relacionadas a acidentes não sejam suficientes, até pela incerteza de alguns movimentos das marés.

A pesquisadora do Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) Valdenira Ferreira, uma das responsáveis pela elaboração do Atlas de Sensibilidade Ambiental de Óleo na Bacia da Foz do Amazonas, contratado pelo governo federal, afirmou à Reuters que as correntes marítimas vão para acima do Brasil, mas as correntes das marés, perpendiculares ao continente, são completamente desconhecidas.

“As correntes de marés varrem todo o litoral e adentram os rios até mais de 100 km, dependendo do rio… Se houver um derramamento de óleo hoje e você perguntar onde ele irá atingir, ninguém sabe dizer”, disse Valdenira, destacando que se o óleo for pesado e se misturar com os sedimentos dos rios, pode afundar, cobrindo e matando os recifes com características únicas.

Estudos da Total apresentados ao Ibama, entretanto, defendem que as correntes oceânicas levariam qualquer possível vazamento para longe da costa do Brasil.

Credibilidade sob ameaça

A Bacia da Foz do Amazonas foi a mais disputada do leilão que arrecadou o maior bônus de assinatura da história do Brasil, a 11ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios.

Além dos cinco blocos liderados pela Total, outros foram arrematados por BP, Queiroz Galvão Exploração e Produção, BHP, Ecopetrol e Brasoil (comprada recentemente pela PetroRio). Dessas, a companhia francesa é a que está mais avançada nos processos de licenciamento ambiental.

Apesar de acreditar que conseguirá o sinal verde para seguir com seus investimentos, Rabilloud, da Total, destacou que uma demora ainda maior no licenciamento irá comprometer o interesse da empresa nos leilões previstos para este ano no Brasil.

“É complexo pedir mais dinheiro para entrar em mais blocos de pesquisa, sem ter a previsibilidade ou visibilidade de quando os blocos anteriores poderão ser avaliados, se existe ou não petróleo”, afirmou.

De qualquer forma, a companhia já tem forte atuação no Brasil, tendo assinado em 2016 um acordo com a Petrobras de 2,2 bilhões de dólares. A Total também detém 20 por cento de Libra, considerada a maior reserva de petróleo do Brasil.

A francesa planeja perfurar até nove poços exploratórios, a profundidades de água de cerca de 1.900 metros, encorajada por uma descoberta recente da Exxon Mobil na República da Guiana, em áreas com os mesmos padrões geológicos do Amapá.

“Eu diria que em termos de abertura de nova fronteira no Brasil, a Foz do Amazonas é forte candidata”, disse o geólogo Pedro Zalán, que trabalhou na campanha exploratória da Petrobras na região no passado.Entre 1970 e 2012, foram perfurados cerca de 90 poços exploratórios na bacia pela Petrobras e a grande maioria no delta da Foz do Rio Amazonas, sem nenhuma descoberta comercial.Zalán explicou que o delta do Amazonas não confirmou o grande potencial de outros deltas, como o do rio Níger e o do Mississipi, por ser muito mais novo geologicamente.

Mas ele disse que as descobertas em outros países reativaram o interesse na Foz do Amazonas, até porque a nova era da exploração na região terá poços mais profundos e fora do delta.

Desenvolvimento incerto

Uma descoberta comercial na região poderia, no futuro, aumentar a arrecadação e ajudar no desenvolvimento econômico do Amapá, mas a avaliação sobre isso não é unânime.

“Eu acho que pode ser bom, porque vai gerar emprego para a região”, afirmou o pescador Francisco Assunção de Lima, ao retornar de uma pescaria em Calçoene.

Mas alguns moradores estão mais preocupados com a falta de atenção das autoridades e a ausência dos serviços mais básicos, diante das incertezas sobre a exploração petrolífera.

“A única coisa que cresce aqui é aquele buraco ali”, disse o pescador Nilton José, ao apontar um grande buraco em uma rua de terra batida, à beira de um rio na cidade de Amapá.Para o oceanógrafo Ricardo Motta Pires, chefe do Parque Nacional do Cabo Orange, unidade de conservação gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Amapá, uma descoberta de petróleo poderá atrair grande quantidade de pessoas em busca de emprego, causando desordem para cidades litorâneas do Amapá e ampliando os problemas sociais, uma vez que a atividade cria poucas vagas, pelo menos em um primeiro momento.

“Eu tenho muito medo do desenvolvimento, eu acho que a civilização humana já ocupa muito o planeta, os humanos não têm o direito de usufruir do planeta no nível que estão utilizando…”, disse ele, defendendo que alguns lugares paradisíacos deveriam ficar como estão.

“Somos uma entre milhões de espécies, todos têm direito à vida, e a gente está ocupando tudo.”

Fonte: http://exame.abril.com.br/

Por Reuters
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5 coisas que acontecem com seu corpo quando você se torna vegano

Dayana viveu na corda bamba por quatro anos até adotar o veganismo, confira seu relato.


Não é apenas sobre dieta, trata-se de ajudar a natureza em geral - começando com os animais.

Dayana Aleksandrova é uma fotográfa, nascida na Bulgária e que tem viajado pelo mundo sozinha desde os 16 anos. Em um artigo para o site americano Elite Daily, ela conta um pouco das mudanças que ocorreram em seu corpo e em sua autoestima desde que decidiu parar de comer qualquer coisa que seja proveniente de origem animal.

Primeiro ela conta sobre as idas e vindas em torno da dieta vegetariana. Por anos, Dayana desistia por conta dos “gurus” que juravam que o corpo perfeito só seria alcançado comendo muito frango. Por outro lado, ela percebia que se sentia não só mais leve como também com mais energia quando não comia proteína animal. Ela viveu nessa corda bamba por quatro anos até adotar o veganismo, que apresenta uma alimentação ainda mais restrita.

Dayana afirma que está foi a melhor decisão e compartilhamos abaixo a lista que ela elaborou para provar o porquê. É um relato sincero de uma jovem que descobriu um novo caminho.

– Você vai se tornar um chef

Um equívoco comum é que ser vegano significa se alimentar de folhas de espinafre durante todo o dia. Isso não poderia ser mais errado. A mudança no estilo de vida vai incentivá-lo a ser mais criativo na cozinha. Agora sou um profissional em fazer brownies de chocolate, mix de quinoa e vegetais com páprica e cebolas, e crepes de aveia.

Depois, há também chips de couve, abobrinha recheada, balas de coco, manteiga de avelã – as opções não são tão limitadas como você pensa.

– Você vai perder peso

Um dos muitos benefícios para a saúde de se tornar vegano é forçar-se a comer melhor. E aí vem a perda de peso. Agora, antes que você diga: “Vou ser vegana por uma semana e perder 10 quilos até verão”, saiba que isto não funciona.

Perda de peso é um “subproduto” de ser vegano e a razão é simples. Você vai ver o que você come e se concentrar em alimentos naturais, principalmente frutas, legumes, nozes e grãos. Isso aumentará sua consciência geral das coisas que você coloca em seu corpo e, portanto, estará mais inclinado a comer menos besteiras.

– Você estará ajudando animais

Eu tive um cão a maior parte da minha vida, mas não estava realmente ciente de como minhas escolhas de estilo de vida afetavam os animais. Não é apenas sobre dieta. Trata-se de ajudar a natureza em geral, começando com os animais.

Usando maquiagem vegan, você vai apoiar apenas as empresas que não testam em animais. Estar ciente dos alimentos que você come também irá torná-lo consciente da comida que você dá ao seu animal de estimação. Você realmente sabe o que está no alimento que você dá ao seu cachorro?

Deixar roupas de peles foi importante para mim, uma vez que sou da Bulgária – que é basicamente a Rússia e nós amamos nossas peles. O veganismo pôs fim a isso, nenhum vison (semelhante às doninhas) tem que morrer.

Ser vegano vai te mostrar o grande impacto que você tem sobre outras criaturas e se isso não fizer sua auto-estima aumentar, não sei mais o que vai.

– Sua pele melhorará surpreendente

A questão sobre se o leite afeta a pele tem sido debatida há muito tempo. Bom, em vez de ler estudos e estudos, abandonei os lacticínios por mim mesma. E eis que minhas espinhas desapareceram. Acredito que seja devido ao hormônio IGF-1 que os leites têm.

E não só isso, cortar o leite também achatou meu estômago porque o inchaço parou. Troquei leite de vaca para soja e amêndoa. Tem um gosto diferente, sim, mas tão bom. O leite de coco é o meu favorito, porque é espesso, delicioso e compõe perfeitamente meu café da manhã.

– Você vai se reconectar com a natureza

Eu não tinha o costume de sair na natureza. Com toda essa tecnologia que temos, por que deveria? Bem, ser vegano me fez curioso sobre o que mais a natureza tem para oferecer além das plantas.

Eu comecei com caminhadas uma vez por semana no domingo e, em seguida, progrediu a todos os outros dias. Hoje tenho o puro prazer nas coisas simples – andando por meio das folhas, observando as ondas calmamente aproximar a costa e respirar o ar limpo. Minha dieta me trouxe para perto da natureza e eu adoro isso.

Redação CicloVivo
saúde

Cavalos famintos e explorados pelo turismo são abandonados para morrer no Grand Canyon

Um dos lugares mais belos do mundo tem chamado a atenção não apenas pela paisagem, mas por sua longa história de abuso animal.



O Havasu Canyon, na ponta do Grand Canyon (EUA), é acessível a pé, de helicóptero e, infelizmente, pelas costas de animais.

Cavalos, burros e jumentos têm suportado um sofrimento inimaginável, que têm sido escondido e ignorado pela maioria das centenas de visitantes que chegam diariamente ao local.

Essa realidade terrível tem sido finalmente exposta. Quase tudo o que entra ou sai do Canyon é transportado nas costas de animais usados como carga – cavalos, burros e jumentos, muitos dos quais morrem precocemente depois de enfrentarem a dor, os abusos e a fome.

Diariamente, a estrada que conduz ao Canyon fica repleta de carros. Trezentos ou mais turistas pagam uma taxa para a tribo Havasupai para realizar a caminhada de quase 20 quilômetros em direção às cachoeiras.

Algumas pessoas carregam seu próprio equipamento de acampamento, o bastante para permanecerem por alguns dias na parte inferior, chamada Supai, onde os membros tribais viveram por mil anos, segundo o Las Vegas Now.

Muitos visitantes exploram os animais para transportar barracas, e outros itens pelo terreno íngreme. Durante pelo menos 50 anos, ou mais, os animais abusados foram o segredo obscuro dos Havasupai.

“Eles estão ganhando milhões com as costas de cavalos ensanguentados como um esqueleto. Aquele lugar é um campo de extermínio para cavalos. Literalmente”, disse Susan Ash.

Durante anos, Ash ouviu histórias horríveis sobre cavalos e burros em Havasupai. Ela criou a organização SAVE que despertou revolta dos caminhantes que exploram os animais.

O problema mais óbvio é que muitos dos animais usados como cargas estão severamente desnutridos.

Alguns visitantes não parecem notar isso ou então simplesmente ignoram. Já outros publicaram na internet o que descrevem como fotos e vídeos horríveis.

“Eles são deixados no alto da colina por horas a fio. Soube que, às vezes, são deixados ali por dias, amarrados fortemente e não podem mover seus pescoços. As temperaturas no verão frequentemente excedem 40 graus, não há ou água”, disse Ash.



Uma foto postada em 2016 mostra uma situação que não é incomum para os animais: um cavalo tão desnutrido e sobrecarregado pelas viagens no Canyon que sua pele tinha sido ferida até o osso.

Diversos cavalos e burros foram documentados com feridas abertas, ossos quebrados, que ficam escondidos dos turistas debaixo de cobertores e selas.

Há água e comida ao longo da trilha, mas os animais não são autorizados a parar durante as caminhadas de 16 quilômetros.

“Se você for até lá, verá os esqueletos de animais mortos, os cadáveres constantemente ao lado da trilha”, apontou Ash.

“Reunimos imagens em um relatório fornecidas por testemunhas oculares que viram animais caídos na trilha e que foram deixados para morrer e ser comidos por cães selvagens”, disse Ash.

A tribo Havasupai é uma nação soberana, de modo que as agências que podem intervir para proteger contra o abuso de animais têm, em grande parte, ignorado esse absurdo.

Há um ano, ocorreram algumas mudanças por causa da pressão de Susan Ash e outros ativistas e agentes federais intervieram. Um membro da tribo enfrentou acusações criminais e seus animais foram resgatados. Desde então, a tribo alega ter tomado medidas para acabar com o abuso de animais.

Fonte: http://www.anda.jor.br
notícias

‘Estamos destruindo as bases que sustentam nosso planeta, e isso não aparece nos jornais’

Em evento organizado pela 350.org Argentina, Leonardo Boff e Adolfo Perez Esquivel debateram alternativas para a problemática da crise climática e social na América Latina


O teólogo e intelectual brasileiro Leonardo Boff, que já vem há alguns anos espalhando o trabalho levantada pelo Papa Francisco na sua Encíclica Laudato Si, chamou a atenção nesta quinta-feira (11) para um dos piores problemas enfrentados pela humanidade hoje: a crise ambiental e as suas consequências sociais. A Aula Magna organizada pela 350.org Argentina e pela Cátedra Livre de Saúde e Direitos Humanos da Faculdade de Medicina de Buenos Aires, também contou com a participação do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel. No evento foi discutido o cuidado dos recursos naturais estratégicos, e mais especificamente os casos do Aquífero Guarani, da Antártida e da Amazônia.


Entre Esquivel (à esquerda) e Olsson, Leonardo Boff sintetizou todas estas questões em seu novo livro “Sustentabilidade: a urgência ante o grito da Terra”, lançado na quarta-feira (10) na Feira do Livro de Buenos Aires. Foto: Lorena Paeta /350AméricaLatina

“O diagnóstico dos principais cientistas do mundo indica que estamos vivendo uma era muito preocupante para o planeta, e esses são dados que não aparecem nos jornais, porque vão contra o sistema, evitam o acúmulo e impedem que as empresas sigam sua lógica de desrespeito à Terra. Na verdade, vivemos em uma época de grandes contradições”, disse Leonardo Boff durante o encontro. “Devemos respeitar não só os aspectos físico-químicos dos ecossistemas de cada região, mas também o aspecto humano das populações que os habitam. Suas culturas, costumes, religiões, organizações sociais, toda essa realidade complexa que forma os biomas”, completou o intelectual.

Mudanças climáticas produzem secas, inundações, insegurança alimentar e aumento da incidência de doenças tropicais, afetando mais intensamente as pessoas e regiões que contribuíram menos para agravar a situação que enfrentam hoje. A crise climática é o resultado da queima de combustíveis fósseis e a exploração irracional dos recursos naturais, realizada principalmente pelos países mais ricos do Norte.

Na América Latina os efeitos mais evidentes das mudanças climáticas podem ser visto em inundações devastadoras e sem precedentes em sua magnitude, o que demonstra a necessidade urgente de uma mudança de modelo econômico. Atualmente, as regiões mais afetadas pelas cheias na Argentina são Comodoro Rivadavia (Chubut), La Pampa, Tucumán, Catamarca, Província de Buenos Aires, San Luis e Córdoba.

“A humanidade precisa de uma grande mudança de consciência. Estamos em um momento que representa um dilema planetário: ou mudamos nossos ritmos e modos de produção e consumo, nosso modo de habitar o planeta, ou vamos ao encontro do pior”, frisou Leonardo Boff. O intelectual sintetizou todas estas questões em seu novo livro “Sustentabilidade: a urgência ante o grito da Terra”, lançado na quarta-feira (10) na Feira do Livro de Buenos Aires.


O evento promovido pela 350.org Argentina teve ampla participação do público e esclareceu dúvidas sobre a Mobilização Global pelo Desinvestimento. Lorena Paeta /350AméricaLatina

“As contribuições de Boff para o pensamento latino-americano têm profundo valor e ficamos honrados de acompanhá-lo em sua dissertação. Sua grande figura e visão representam um norte para os movimentos sociais e ambientais nos países latino-americanos, seguindo as mensagens do Papa Francisco”, afirmou Juan Pablo Olsson, Coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org Argentina.

Por sua vez, Adolfo Perez Esquivel declarou recentemente o seu apoio à campanha global para o desinvestimento em combustíveis fósseis. Para ele, a questão da crise climática está fortemente ligada com a justiça social, uma vez que centenas de pessoas ao redor do mundo são forçadas a deixar suas casas todos os dias por causa de eventos climáticos extremos.

A Mobilização Global pelo Desinvestimento está sendo realizada em seis continentes e visa retirar da indústria fóssil a licença para poluir, reafirmando a necessidade de uma transição para as energias renováveis.

Fonte: http://naofrackingbrasil.com.br
meio ambiente

17 de mai de 2017

Chega ao Brasil tecnologia que transforma plástico reciclado em tijolos

Para construir uma casa de 80 metros quadrados são reciclados cerca de 2.500 kg de plástico.


A fundação e as paredes são compostas também por cimento, isopor e água. | Foto: Presanella Building System/Divulgação

Especializada em projetos de construção civil, a companhia italiana Presanella Building System recicla o plástico destinado aos lixões, transformando-o em tijolos e demais materiais que compõem o projeto arquitetônico para construção de casas.

Com o plástico são produzidos cofragens, iglus, diferentes tipologias de tijolos para montagens das paredes, demais peças e vigas para sustentação do telhado. Para construir uma casa de 80 metros quadrados, são reciclados cerca de 2.500 kg de plástico.

A fundação e as paredes são compostas também por cimento, isopor e água. Este cimento leve aumenta o isolamento acústico e térmico da construção, o que contribui para redução de despesa de energia para o aquecimento da casa. De acordo com a companhia, os tijolos e demais componentes permitem a construção de casas com nível tecnológico muito elevado em curto tempo e com custos reduzidos.

O que faz os gastos serem menores, segundo a empresa, é que além dos materiais utilizados, o armazenamento de todos os componentes pode ser feito em espaço reduzido, a praticamente ausência de maquinários e a redução da mão de obra especializada para a construção das unidades habitacionais.




Com sede na província de Brescia, na Itália, a empresa inaugurou uma fábrica em Assunção no Paraguai e agora tem planos de atender toda a América Latina. No Brasil, a empresa já possui operação comercial por meio da Propeller Representações. Inclusive, já estão em construção duas casas modelo em Maceió, Alagoas.






Fotos: Divulgação

Fonte: http://ciclovivo.com.br
destaques

 

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