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21 de abr de 2018

Techint estuda como aproveitar estruturas metálicas de plataforma WHP cancelada pela OSX




A Techint ainda estuda os destinos possíveis para as estruturas metálicas de uma plataforma do tipo WHP (Wellhead Platform) encomendada pela OSX, empresa em recuperação judicial desde 2013 que pertencia ao grupo EBX, do empresário Eike Batista. A estrutura descontinuada atualmente é de propriedade da Techint e está na unidade offshore da empresa em Pontal do Paraná (PR). Em janeiro de 2016, a OSX informou ao mercado que transferiu as ações das unidades da WHP 1 e 2 para a empresa de engenharia.

As empresas haviam firmado contrato em novembro de 2014 para construção das plataformas duas plataformas. O contrato contemplava a execução de engenharia básica, detalhamento, compra de materiais, equipamentos, fabricação, construção e montagem de dois componentes de uma plataforma WHP, incluindo as jaquetas, estacas, topside e módulo de acomodação. O projeto previa peso total de 24 mil toneladas, sendo 10.795 toneladas correspondentes ao topside e 9.106 toneladas ao peso da jaqueta.

O diretor geral da Techint, Ricardo Ourique, explicou que as plataformas costumam ser projetadas em modelo "taylor made", sob medida para cada campo, o que dificulta o aproveitamento das estruturas em outro campo de exploração. Ele acrescentou que, após a conclusão da integração da P-76, a Techint manterá foco no offshore e no mercado do pré-sal.

No radar estão oportunidades da construção de outras FPSOs, em especial a fabricação de módulos e integração nos topsides. "Temos capacidade de atender o mercado em geral, depende da vontade do cliente. Nosso objetivo é poder ofertar o máximo possível", disse no evento Circuito Virtuoso da indústria de óleo e gás, realizado pela Techint na última terça-feira (17), em sua unidade offshore.

Ourique destacou que a P-76 foi o projeto que mais executou módulos no país. "Nenhum outro projeto no Brasil executou 15 módulos construídos integralmente no Pontal do Paraná", afirmou. Ele disse ainda que a Techint incentivou a criação de mão de obra e abertura de uma cadeia de fornecedores na região, que coloca a empresa e o estaleiro em condições muito fortes de competitividade. "A empresa atua forte no controle de custos e indicadores. Temos expectativa muito grande na continuidade desse mercado", enfatizou.

Localizada a 14 quilômetros do Porto de Paranaguá (PR), a unidade offshore da Techint (UOT) está capacitada para construção e montagem de equipamentos, módulos e jaquetas de projetos offshore. A Techint também se considera apta a realizar obras de módulos e integração de plataformas tipo FPSO e submersíveis, construção de plataformas fixas, topsides e reparos navais. De olho em futuras demandas do pré-sal, a unidade pode executar diferentes projetos simultaneamente.

Em 2012, a unidade recebeu investimentos de R$ 300 milhões e passou por reforma para ampliar capacidade e dimensões. Atualmente, a UOT tem 215 mil metros quadrados de área útil que inclui área de 185 mil m² para construção e montagem de plataformas fixas e módulos para FPSO, além de área com capacidade de processamento de aço de 400 toneladas por mês e cabine de jato de pintura. O terminal marítimo tem 300 metros de cais, com nove metros de calado.

Por Danilo Oliveira
(Da Redação)

Fonte: https://www.portosenavios.com.br/noticias/ind-naval-e-offshore/43706-techint-estuda-como-aproveitar-estruturas-metalicas-de-plataforma-whp-cancelada-pela-osx
destaques

Integração da P-76 concentra perto de 5 mil trabalhadores e até outubro FPSO deve partir para testes


Divulgação Techint


Os serviços de integração da FPSO P-76 na unidade offshore da Techint (UOT), em Pontal do Paraná (PR), devem ser concluídos em outubro. A fase seguinte será de testes e finalização da parte elétrica. A plataforma, encomendada pela Petrobras, vai operar no campo Búzios 3, no pré-sal da Bacia de Santos. O diretor geral da Techint, Ricardo Ourique, disse que a expectativa é que, em maio, 5.000 trabalhadores estejam trabalhando nessa obra, ante 4.700 empregados em abril e 3.900 em 2017.

O diretor comercial da empresa, Luis Guilherme de Sá, destacou que o conteúdo local médio da obra é de 71%. Durante o evento Circuito Virtuoso da indústria de óleo e gás, realizado pela Techint nesta terça-feira (17), Sá acrescentou que, dos 20 módulos para processamento de gás do projeto, 15 foram realizados na UOT. O peso total dos módulos da P-76 é de 24 mil toneladas. A unidade tem capacidade de produção de 150 mil barris por dia e vai processar sete milhões de metros cúbicos de gás.

Por Danilo Oliveira
(Da Redação)

Fonte: https://www.portosenavios.com.br/noticias/ind-naval-e-offshore/43660-integracao-da-p-76-concentra-perto-de-5-mil-trabalhadores-e-ate-outubro-fpso-deve-partir-para-testes
notícias

20 de abr de 2018

PARÁ - BRASIL


O Pará é o segundo maior estado do Brasil em área territorial e o mais populoso e rico da Região Norte. 


Faz fronteira com o Suriname e a Guiana, além de ser banhado pelo Oceano Atlântico. A unidade federativa é composta por 144 municípios e a sua capital é a cidade de Belém. O nome Pará tem origem indígena, e vem da língua tupi que significa “mar”.

A região onde hoje é o Pará, segundo o Tratado de Tordesilhas, deveria pertencer à Espanha, que também foi a primeira nação europeia a chegar na foz do rio Amazonas. Com objetivo de consolidar a região como seu território, Portugal ergueu o Forte do Presépio. Em 1751 foi criado o Grão-Pará, que abrigava o que hoje é a Região Norte quase toda, com exceção do Acre que não fazia parte do território brasileiro. Após a união com o Brasil independente, em 1823, a província do Grão-Pará começou a se tornar mais autônoma, mas não sem lutas: de 1835 a 1840 ocorreu a revolta popular que ficou conhecida como Cabanagem. Em 1850, a província do Grão-Pará foi dividida, gerando a partir disso a província do pará. E no final do século XIX começa o Ciclo da Borracha, que traz ao Pará um grande desenvolvimento, não só econômico, mas cultural e político também.

No Pará está localizada uma boa parte da bacia do rio Amazonas, e é nele em que a foz é encontrada. O relevo da região é em grande maioria baixo e plano, cerca de 58% tem menos de 200 metros acima do nível no mar. As parte altas são as serras, como a Serra dos Carajás. Por conta da localização perto do mar, a bacia do Amazonas e também a presença da floresta tropical de mesma nome, o estado possui um clima predominantemente tropical úmido. Na área do estado, de 1,248 milhões de km² aproximadamente, estimasse um total de mais ou menos 8,078 milhões de habitantes, o que leva a uma densidade demográfica de 6,47 hab/km².

A economia do Pará tem um grande destaque: o extrativismo. As atividades econômicas que mais trazem recursos para o estado são: a extração de minerais, como ferro cobre e alumínio, e de madeira. Existe também uma importância nos negócios agropecuários em menor quantidade, e os produtos mais comuns são: pimenta do reino, coco e banana. Por conta do extrativismo mineral a industria metalúrgica também se desenvolve na região.

O estado tem uma grande influência dos indígenas nativos na sua cultura, e isso se reflete em muitos aspectos: folclore, artesanato e culinária por exemplo. Algumas frutas da região também trazem uma parte cultural do estado consigo, o açaí e a castanha-do-pará são produtos que nos fazem lembrar do local. O Pará também tem atrações turísticas, principalmente na área ambiental e ecológica, além do turismo cultural e histórico na capital, Belém.







Fonte: https://www.estadosecapitaisdobrasil.com/estado/para/
destaques

19 de abr de 2018

Estudo aponta alta contaminação de peixes por mercúrio em todas as bacias hidrográficas do AP

Pesquisadores do Iepa atuaram em rios com possíveis impactos de atividades garimpeira. Concentração do metal em espécies chega a 20 vezes do recomendado para consumo humano.


Espécie coletada pelos pesquisadores durante as atividades (Foto: Renata Ferreira/Iepé/Divulgação)

ma expedição iniciada em 2015 e retomada em 2017 por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas do Amapá (Iepa) levantou informações alarmantes sobre a contaminação das principais bacias hidrográficas do estado, principalmente pela exploração garimpeira, muitas vezes ilegal. O estudo detectou em todos os rios espécies de peixes com teor de mercúrio muito acima da recomendada para consumo.

As taxas chegaram a 10, 20 vezes, a concentação do metal considerada normal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de de 0,5 micrograma de mercúrio por grama de tecido muscular. Os rios mais afetados foram o Araguari, na área que fica dentro da Floresta Nacional do Amapá (Flona), além do Jari, Oiapoque, Amapá Grande e Cassiporé.


Espécies têm amostras coletadas para análise da presença do metal (Foto: Renata Ferreira/Iepé/Divulgação)

A pesquisa inicialmente atuou nas regiões próximas das áreas de garimpo e depois expandiu a coleta de amostras para outras áreas do estado. O alto teor de mercúrio nos peixes pode causar danos à saúde do ser humano que consumir essas espécies. Entre os principais problemas comuns estão mal estar e doenças gastrointestinais. Dependendo do teor pode causar até a morte.

"O mercúrio é um metal que existe na natureza e não sabemos qual é o nível natural de presença dele. Em cada ambiente ele vai acontecer numa determinada concentração e nesse estudo que nós fizemos eram em áreas que tinham atividade garimpeira", explicou a doutora em zoologia do Iepa, Cecile Gama, uma das integrantes das expedições.


Estudo identificou maior presença de mercúrio em peixes carnívoros (Foto: Cecile Gama/Arquivo Pessoal)

A etapa concluída do estudo recolheu nas bacias principalmente peixes carnívoros, que naturalmente concentram no corpo a maior parte do mercúrio absorvido da água. Quatro espécies foram monitoradas de forma frequente pelo Iepa: piranha-preta, mandubé, pirapucu e trairão.

"Eles são muito encontrados e muito consumidos pelos ribeirinhos e vendidos em feiras. Temos grupos de risco, como crianças em formação, as mulheres grávidas ou que podem engravidar e gerar crianças com má formação e isso depende do nível de contaminação por mercúrio" completou Cecile, reforçando que atualmente as expedições também coletaram sedimentos para análise.

Além do Iepa, atuam nas expedições membros da Organização Não-Governamental WWF Brasil, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé). Um dos objetivos do estudo é auxiliar na regularização dos garimpos existentes no Amapá e alertar para o alto uso do mercúrio.

"Todas as bacias hidrográficas apresentam peixes com alto nível, até preocupante, do metal. Estudamos as principais bacias e principalmente em áreas de conservação e isso torna mais preocupante ainda, porque esses peixes em áreas de conservação deveriam estar intactos ou não manipulados", completou Cecile Gama.

As expedições já passaram pelo rio Cassiporé, na altura da comunidade Vila Velha, em Calçoene; rio Amapá Grande, em Amapá; região dos lagos, em Tartarugalzinho; rios Oiapoque e Uaçá, em Oiapoque; além do rio Araguari na área da Flona, nas cidades Pedra Branca e Serra do Navio.

Fonte:
meio ambiente

18 de abr de 2018

Cientistas desenvolvem enzima que "come" plástico

Pesquisadores produzem por acidente proteína capaz de degradar plásticos PET e que pode ajudar a reduzir poluição causada pelo material. Mais de oito milhões de toneladas de plástico são despejadas nos oceanos por ano.


Enzima descoberta acidentalmente poderá facilitar reciclagem de plástico

Pesquisadores nos Estados Unidos e no Reino Unido produziram por acidente uma enzima que consome plásticos, revelou um estudo divulgado nesta segunda-feira (16/04). A descoberta poderá ajudar a reduzir o grave problema da poluição causada pelo produto derivado do petróleo.

Cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energias Renováveis do Departamento de Energia dos EUA decidiram concentrar seus esforços numa bactéria de ocorrência natural descoberta no Japão há alguns anos.

Pesquisadores japoneses acreditam que a bactéria Ideonella sakaiensis se desenvolveu nas últimas décadas num centro de reciclagem, uma vez até os anos 1940 o plástico ainda não tinha sido inventado. O organismo parece se alimentar exclusivamente de um tipo de plástico conhecido como Politereftalato de etileno (PET), amplamente utilizado na fabricação de garrafas.

Os cientistas buscavam compreender o funcionamento de uma das enzimas dessa bactéria, denominada PETase, analisando sua estrutura. "Eles acabaram avançando um passo à frente e acidentalmente desenvolveram uma enzima que consegue desmembrar ainda melhor os plásticos PET", afirma o relatório divulgado na publicação científica americana Procedimentos da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Utilizando um raio-X de brilho dez bilhões de vezes mais forte do que o Sol, eles conseguiram elaborar um modelo tridimensional de alta resolução da enzima.

Cientistas da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade do Sul da Flórida desenvolveram através de computadores um modelo que demonstrava que a PETase era bastante semelhante a outra enzima, a cutinase, encontrada em fungos e bactérias.

Uma área da PETase, porém, apresentava algumas diferenças, levando os cientistas a deduzir que esta seria a parte que permitiria a degradação do plástico. Ao modificar essa enzima, tornando-a mais semelhante à cutinase, os pesquisadores descobriram acidentalmente que a enzima mutante conseguia degradar o plástico com eficácia ainda maior do que a PETase.

Os cientistas trabalham agora em melhorias nessa enzima, para que possa, no futuro, ser desenvolvida em grande escala e utilizada no setor industrial. O objetivo ao quebrar o plástico em partes menores seria permitir que ele seja reutilizado de maneira mais eficiente.

"O acaso muitas vezes tem um papel significativo na pesquisa científica fundamental, e nossa descoberta não é exceção", afirmou o autor do estudo, o professor John McGeehan, da Faculdade de Ciências Biológicas de Portsmouth.

"Ainda que modesta, a descoberta inesperada sugere que há espaço para desenvolver ainda mais essas enzimas, nos aproximando de uma solução para reciclar as montanhas de dejetos de plástico que não param de crescer", observou.

Mais de oito milhões de toneladas de plástico são despejadas anualmente nos oceanos, enquanto aumenta a preocupação com os problemas causados à saúde humana e ao meio ambiente. Apesar dos esforços globais para reciclar essa matéria-prima, a maior parte dos produtos plásticos sobrevive durante centenas de anos.

RC/afp/dpa

Fonte: http://www.dw.com/pt-br/cientistas-desenvolvem-enzima-que-come-pl%C3%A1stico/a-43417084
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12 de abr de 2018

Ilha de lixo plástico no Pacífico cresce de forma avassaladora

Nova pesquisa confirma o aumento exponencial da massa de dejetos plásticos no Oceano Pacífico. Mas o que está no fundo do mar e não se vê pode ser ainda mais assustador.



Restos de plástico, na forma de 1,8 trilhão de pedaços, ocupam no Oceano Pacífico uma área três vezes maior que a França SEYLLOU/AFP

No total, 79 mil toneladas de restos de plástico, na forma de 1,8 trilhão de pedaços, ocupam no Oceano Pacífico uma área três vezes maior que a França, na região entre a Califórnia e o Havaí, segundo uma equipe de pesquisadores.

A quantidade de plástico encontrada nessa área, conhecida como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico ou Ilha de Lixo do Pacífico, está “crescendo exponencialmente”, de acordo com os pesquisadores, que usaram dois aviões e 18 barcos para medir a poluição oceânica.

“Nós queríamos ter uma imagem clara e precisa da aparência da situação”, disse Laurent Lebreton, o oceanógrafo líder da Fundação de Limpeza do Oceano e principal autor da pesquisa.

A porção de lixo já havia sido descrita antes. Mas essa nova pesquisa estima que a massa de plástico depositada no local é 16 vezes maior do que se acreditava, e continua a aumentar por causa das correntes oceânicas e pela falta de cuidado humano no mar e na terra.

Origem dos dejetos

A “mancha” não é uma ilha ou uma massa única, o que faz com que alguns cientistas questionem o nome dado a ela. Ela é na realidade uma área com um grande volume de plástico, cuja concentração aumenta conforme se aproxima do centro. Os pedaços variam entre pequenos flocos a redes descartadas de pesca – que formam 46% do material, segundo a pesquisa.

O estudo foi conduzido pela Fundação de Limpeza do Oceano e contou com pesquisadores de instituições da Nova Zelândia, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Dinamarca e dos EUA, que publicaram os resultados na revista Scientific Reports.

Existe uma clara distinção entre o crescimento da massa de plástico dentro da porção – que está aumentando – e o tamanho geral da porção, que parece não mudar. O que acontece é que o lixo está se acumulando ou ficando mais denso dentro da mancha.

O plástico está vindo provavelmente dos países do Pacífico, segundo Lebreton. Mas poderia ter origem em qualquer lugar, já que o plástico viaja por todos os oceanos e já foi encontrado até em águas do Ártico, onde pouquíssimos humanos vivem. Alguns restos provavelmente vieram do tsunami de 2011, que devastou o Japão e levou grandes quantidades de lixo para o mar, segundo o estudo.

A mancha está localizada numa área de correntes fracas, onde os restos chegam e permanecem, diminuindo ainda mais a velocidade da corrente.

O estudo também descobriu que, baseando-se em pesquisas anteriores à década de 1970, a quantidade de plástico na mancha está crescendo constantemente já que chegam mais detritos do que saem – resultando então num “crescimento exponencial” da quantidade de lixo.

“Nós achamos que há mais e mais plástico se acumulando nessa área”, disse Lebreton.

O que não vemos pode ser ainda muito maior

O aspecto mais surpreendente das descobertas – e talvez o mais perigoso – foi o grande número de redes de pesca encontrado, de acordo com Chelsea Rocham, uma professora assistente da Universidade de Toronto que estuda o plástico marinho, mas que não fez parte da equipe dessa última pesquisa.

“Isso sugere que talvez estejamos subestimando como os restos da pesca estão viajando pelos oceanos”, ela disse por email. “O entrelaçamento e o abafamento com redes de pesca é um dos efeitos mais prejudiciais que vimos na natureza”.

O aumento do plástico é um fato coerente com outras descobertas de pesquisas conduzidas em terra, que mostram que os volumes de lixo que entram nos oceanos são grandes e estão aumentando, de acordo com Jenna Jambeck, uma engenheira ambiental da Universidade de Georgia que estudou o processo de descarte do plástico.

Em uma pesquisa de 2015, Jambeck descobriu que os homens estão enchendo os oceanos com um número estimado de oito milhões de toneladas de plástico por ano, número que deve crescer em 22% até 2025.

Isso confirma o que está sendo visto no oceano, na forma de uma mancha de acúmulo de lixo no Pacífico, ainda que Jambeck aponte que parte do plástico afunda e se acumula no fundo do oceano, e que as redes de pesca são jogadas dos barcos, não da terra, e, portanto, não entram nas estatísticas da sua pesquisa.

“Segundo a lógica, se planejamos que isso aumente anualmente em termos de descarte, o que veremos é um aumento disso no oceano”, disse Jambeck.

Jambeck e os pesquisadores do Instituto concordam que existe menos plástico sendo acumulado na mancha do que indo para o fundo dos oceanos – e o próprio estudo mostra isso quando se compara com a quantidade de lixo sendo descartado anualmente e o volume da mancha – a pesquisa esperava números maiores para a área.

Claramente, muito plástico está afundando e prejudicando relevo oceânico ou até mesmo as profundezas do mar.

Nesse sentido, a Grande Mancha de Lixo do Pacífico é, no fim das contas, apenas o sintoma externo mais dramático de um problema mais profundo de volumes enormes de lixo humano chegando a lugares onde não deveriam estar.

“Os resultados são alarmantes e mostram a urgência da situação”, disse Lebreton.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/ideias/ilha-de-lixo-plastico-no-pacifico-cresce-de-forma-avassaladora-ewtjzoghw9l1d3o3hazor202u
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2 de abr de 2018

Cientistas descobrem 81 aldeias 'perdidas' que podem recontar a história da Amazônia


Arqueólogos do Brasil e do Reino Unido descobriram que quase 1 milhão de pessoas habitaram áreas da Amazônia entre os anos 1200 e 1450, em áreas distantes de rios

O desmatamento é uma ameaça à Amazônia, mas desta vez foi peça chave para uma descoberta arqueológica que pode recontar a história da maior floresta do mundo.

Graças a imagens aéreas de áreas desmatadas no Mato Grosso, um grupo de arqueólogos da Universidade de Exeter, no Reino Unido, descobriu 81 aldeias que, segundo seus cálculos, foram habitadas por entre 500 mil e 1 milhão de pessoas entre os anos de 1200 e 1450.

Um aspecto interessante da descoberta é que os assentamentos ficam distantes dos principais rios, o que contraria a tese de que as maiores populações anteriores à chegada dos europeus na América se concentravam em torno de grandes fontes de água.

Até pouco tempo atrás se estimava que, antes da colonização, viviam 8 milhões de pessoas nos 5,5 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia.


Valas em formatos geométricos chamaram a atenção dos pesquisadores em áreas desmatadas da Amazônia

Mas a recém-descoberta área de tribos sugere que só em 2 mil quilômetros quadrados viviam cerca de 750 mil pessoas.

"Esta é só mais uma peça no quebra-cabeças da Amazônia", disse à BBC o arqueólogo brasileiro Jonas Gregorio de Souza, coautor do estudo, publicado nesta semana na revista Nature Communications.

"Há regiões da Amazônia sobre as quais não se sabia absolutamente nada. Essas áreas desmatadas nos ajudam a entender melhor as populações que viviam aqui e como se relacionavam com a paisagem."

Conforme o pesquisador, possivelmente esses povos combinavam agricultura em pequena escala com o manejo de árvores frutíferas, como castanheiras.


Descoberta sugere que muito mais gente do que se pensava vivia no continente americano antes da chegada dos europeus

Círculos, quadrados e hexágonos

Do céu, o que chamou a atenção dos pesquisadores foram os geoglifos, que são valas cavadas na terra em formatos geométricos, como círculos, quadrados e hexágonos.

Acredita-se que estas valas eram utilizadas para demarcar as vilas fortificadas. No solo, os pesquisadores encontraram o que é conhecido como terra preta, um tipo de solo muito fértil que se forma em locais onde humanos tenham se assentado durante muito tempo.

Ao escavar, encontraram restos de cerâmica e objetos como machados fabricados com pedra talhada.

Antes, já haviam sido encontrados assentamentos similares centenas de quilômetros ao oeste destas aldeias. Alguns relatos históricos também mencionam que esta área era povoada, o que sugere que não eram povoados isolados, mas sim um corredor habitado de maneira contínua por várias culturas.

Para Souza, estes assentamentos abrem caminho para novas investigações e descobertas. "Continuar a investigar essas culturas nos permitirá aprender qual a melhor forma de garantir a convivência sustentável de grandes populações com o meio ambiente."

Souza só espera que as novas descobertas não ocorram graças ao desmatamento de amplas zonas de floresta.

Fonte: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3433666420392772957#editor/target=post;postID=6949974584534755933
histórias

1 de abr de 2018

Os 10 erros de português mais cometidos pelos brasileiros


'Abismo entre o que falamos e escrevemos' pode estar na raiz de muitos erros de português, diz linguista

"Vi no Facebook uma mulher dizendo que casaria com o primeiro homem que soubesse usar crase, mas não são só os homens que não sabem usar. As mulheres também!", alerta a linguista Camila Rocha Irmer, uma das encarregadas de avaliar os erros de português no Babbel, um dos maiores aplicativos de ensino de idiomas no mundo.

Ela se refere a um dos erros mais comuns entre falantes de português brasileiro - quando usar a crase? -, juntamente com as dúvidas sobre os "por ques" e outras.

"É algo difícil de explicar. Acho que esses erros acontecem porque há um abismo entre o que escrevemos e o que falamos", diz à BBC Brasil.

"Quem não lida com a escrita diariamente não se lembra das regras. E, mesmo que as pessoas estejam dando mais opiniões nas redes sociais, é uma escrita rápida. Você não tem muito tempo para pensar sobre como escrever."

Há os "erros de sempre", mas Irmer afirma que existem também as questões que aumentam ou diminuem a cada ano. Em 2017, por exemplo, a dúvida sobre quando usar "há" e "a" apareceu mais vezes no aplicativo do que no ano anterior.

"Agora, estamos alcançando um público de menor escolaridade que não quer só aprender idiomas estrangeiros, mas tem problemas com português mesmo. E recebemos muitos recados, pelo aplicativo, de pessoas que estão aprendendo português ao estudar outra língua."

A pedido da BBC Brasil, a equipe de linguistas e educadores do Babbel fez um levantamento dos erros mais recorrentes entre os falantes de língua portuguesa no ano de 2017. Veja a lista:


1. "Entre eu e você"

O correto, segundo os especialistas, é usar "entre mim e você" ou "entre mim e ti". Depois de preposição, deve-se usar "mim" ou "ti".

Por exemplo: Entre mim e você não há segredos.


2. "Mal" ou "mau"

"Mal" é o oposto de "bem", enquanto que "mau" é o contrário de "bom". Na dúvida sobre qual usar? Os especialistas recomendam substituir o advérbio pelo seu oposto na frase e ver qual faz mais sentido.

Por exemplo: Ela acordou de bom humor; Ela acordou de mau humor.

3. "Há ou "a"

"Há", do verbo haver, indica passado e pode ser substituído por "faz".

Por exemplo: Nos conhecemos há dez anos; Nos conhecemos faz dez anos.

Mas o "a" faz referência à distância ou a um momento no futuro.

Por exemplo: O hospital mais próximo fica a 15 quilômetros; As eleições presidenciais acontecerão daqui a alguns meses.


4. "Há muitos anos", "muitos anos atrás" ou "há muitos anos atrás"

Usar "Há" e "atrás" na mesma frase é uma redundância, já que ambas indicam passado. O correto é usar um ou outro.

Por exemplo: A erosão da encosta começou há muito tempo; O romance começou muito tempo atrás.

Sim, isso quer dizer que a música Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, está incorreta.



5. "Tem" ou "têm"

Tanto "tem" como "têm" fazem parte da conjugação do verbo "ter" no presente. Mas o primeiro é usado no singular, e o segundo no plural.

Por exemplo: Você tem medo de mudança; Eles têm medo de mudança.

6. "Para mim" ou "para eu"

Os dois podem estar certos, mas, se você vai continuar a frase com um verbo, deve usar "para eu".

Por exemplo: Mariana trouxe bolo para mim; Caio pediu para eu curtir as fotos dele.

7. "Impresso" ou "imprimido"

A regra é simples: com os verbos "ser" e "estar", use "impresso".

Por exemplo: Camisetas com o slogan do grupo foram impressas para a manifestação.

Mas com os verbos "ter" e "haver", pode usar "imprimido".

Por exemplo: Só quando cheguei ao trabalho percebi que tinha imprimido o documento errado.


8. "Vir", "Ver" e "Vier"

A conjugação desses verbos pode causar confusão em algumas situações, como por exemplo no futuro do subjuntivo. O correto é, por exemplo, "quando você o vir", e não "quando você o ver".

Já no caso do verbo "ir", a conjugação correta deste tempo verbal é "quando eu vier", e não "quando eu vir".


9. "Aquele" com ou sem crase

Em vez de escrever "a aquele", "a aqueles", "a aquela", "a aquelas" e "a aquilo", use "àquele", "àqueles", "àquela", "àquelas" e "àquilo".

Por exemplo: Maíra deu o número de telefone dela àquele rapaz


10. "Ao invés de" ou "em vez de"

"Ao invés de" significa "ao contrário" e deve ser usado apenas para expressar oposição.

Por exemplo: Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.

Já "em vez de" tem um significado mais abrangente e é usado principalmente como a expressão "no lugar de". Mas ele também pode ser usado para exprimir oposição. Por isso, os linguistas recomendam usar "em vez de" caso esteja na dúvida.

Por exemplo: Em vez de ir de ônibus para a escola, fui de bicicleta.

Fonte: Camilla Costa
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Rios e igarapés no Pará está contaminados por metais tóxicos de mineradoras



Pelo menos nove rios e igarapés do Pará estão com níveis de metais tóxicos acima do permitido, após vazamento em depósito de rejeitos tóxicos de mineradora em Barcarena.

A informação consta no segundo relatório técnico do Instituto Evandro Chagas sobre denúncia de impactos ambientais e riscos à saúde humana nas atividades de processamento de bauxita da empresa Hydro Alunorte, divulgado na última quarta-feira.

O resultado da contaminação é água imprópria para consumo humano e pesca em diversas áreas analisadas.

O pesquisador Instituto Evandro Chagas, Marcelo Oliveira, disse que a contaminação se espalhou por vários rios. “Tivemos níveis elevados fora da legislação de cinco a seis elementos químicos, dependendo do ponto onde foi coletado.”

Segundo o pesquisador, o instituto já monitorava a qualidade da água na região e o aumento do volume de metais tóxicos coincide com o lançamento de rejeitos feito pela Hydro em fevereiro após fortes chuvas na região.

De acordo com o relatório, há níveis consideráveis de arsênio, chumbo, manganês, zinco, mercúrio, prata, cádmio, cromo, níquel, cobalto, urânio, alumínio, ferro e cobre.

Os dados da Instituto Evandro Chagas mostram que o levantamento de auto monitoramento apresentado pela empresa, para comprovar o despejo controlado e sem risco, por canais irregulares, por onde passavam efluentes não tratados, são falhos e insuficientes.

O médico e pesquisador do Instituo Evandro Chagas, Marcos Mota, destacou que ainda é preciso investigar mais sobre os danos provocados a saúde dos moradores das comunidades atingidas.

“A população, tendo acesso a grande quantidade dessas substâncias, pode ter efeitos nocivos, como comprometimento pulmonar e principalmente neurológico”, afirmou o médico.

O relatório recomenda que a água potável continue a ser disponibilizada até o final do período de chuvas à comunidades como Bom Futuro e Jardim dos Cabanos, abastecidas pelo rio Mucurupi.

O documento também indica que a água deve ser distribuída também para os municípios de Barcarena e Abaetetuba nas localidades banhadas por outros rios afetados.

Para o instituto, as águas superficiais e de consumo humano no entorno do empreendimento da Hydro devem ser continuamente bio monitoradas pela empresa.

A Hydro informou que ainda não teve acesso ao conteúdo integral do relatório e que vai analisar o material antes de se pronunciar. De acordo com a empresa, em abril serão apresentadas as conclusões de uma análise interna, e outra independente, para esclarecer todos os fatos relevantes em torno dos descartes de águas da chuva e águas superficiais da área da refinaria de alumina.

Fonte: http://envolverde.cartacapital.com.br/rios-e-igarapes-no-para-esta-contaminados-por-metais-toxicos-de-mineradoras/
meio ambiente

31 de mar de 2018

Conheça as ‘superfrutas’ encontradas na Mata Atlântica que pesquisadores tentam salvar da extinção

No sentido horário, grumixama, bacupari-mirim, ubajaí, araçá-piranga e cereja-do-rio-grande, candidatas a novas "superfrutas", segundo cientistas Foto: Sítio Frutas Raras / Severino de Alencar

Se você já bebeu um suco de ubajaí, degustou um araçá-piranga ou já provou uma cereja-do-rio-grande, parabéns. É um dos felizardos que conhece estas frutas raras da Mata Atlântica, com efeitos tão positivos para a saúde que cientistas brasileiros apostam nelas como candidatas a novas "superfrutas" da moda.

Pesquisas feitas em parceria pela Unicamp e pela USP, determinaram que cinco espécies nativas do Brasil são ricas em antioxidantes e têm alta eficiência anti-inflamatória no organismo - comparável à de estrelas do mercado de alimentos saudáveis, como o açaí e as frutas vermelhas tradicionais (morango, mirtilo, amora e framboesa).

Mas para conseguir estudar o araçá-piranga (E. leitonii), a cereja-do-rio-grande (E. involucrata), a grumixama (E. brasiliensis), o ubajaí (E. myrcianthes) e o bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis), os pesquisadores precisaram da ajuda de "colecionadores de frutas" do interior de São Paulo, já que elas são tão pouco conhecidas e consumidas que, em alguns casos, estão ameaçadas de extinção.

Um deles é o "frutólogo" Helton Josué Muniz, que cultiva quase 1,4 mil espécies de frutas raras e exóticas em sua fazenda em Campina do Monte Alegre, à oeste da capital paulista.

"Queríamos trabalhar com frutas nativas e foi uma dificuldade encontrar onde elas estavam plantadas", disse à BBC Brasil Severino Matiasde Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Escola Superior de Agricultura (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores do estudo.

"Hoje, o mercado para este tipo de superalimentos é o que mais cresce no mundo, principalmente o americano. E os pesquisadores de lá ficam assustados quando veem que a gente tem uma grande biodiversidade de frutas que poderíamos apresentar ao mundo e ainda não apresentamos."

Uma análise das folhas, das sementes e dos frutos destas cinco espécies - que ocorrem em toda a Mata Atlântica, mas têm sido mais encontradas no Sudeste e no Sul - mostrou que elas podem ser consideradas "alimentos funcionais", também conhecidos como superalimentos.

Além de altos teores de substâncias antioxidantes, elas também possuem ação anti-inflamatória no organismo.


Pesquisadores acreditam que espécies nativas pouco conhecidas podem trazer resultados científicos e econômicos para o Brasil Foto: Cesar Maia| FOP | Unicamp

"Os alimentos funcionais são aqueles que, além da função nutritiva, podem ajudar a prevenir doenças crônicas, como problemas do coração, diabetes e câncer", disse à BBC Brasil Pedro Rosalen, da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba, também autor do estudo.

Estudos sobre as espécies, financiados pela Fapesp, já foram publicados nas revistas científicas Plos One e Journal of Functional Foods.

'Novo açaí'

O principal objetivo da pesquisa com novas frutas, segundo Rosalen, era encontrar "novos açaís" - frutas nativas e altamente nutritivas que pudessem trazer resultados científicos e econômicos para o Brasil.

"Nosso alvo eram as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias por que esta é uma grande necessidade da indústria farmacêutica. No futuro, queremos isolar e identificar as moléculas ativas que fazem parte dessas frutas, que podem se tornar medicamentos importantes", afirma.

Substâncias antioxidantes inibem a formação de radicais livres - moléculas reativas de oxigênio que são geradas naturalmente pelo organismo ou estimuladas por fatores externos, num processo que causa envelhecimento e morte celular.

Ao longo do tempo, o bombardeio de radicais livres em algumas estruturas orgânicas pode contribuir para doenças como câncer, e artrite. O corpo humano produz antioxidantes naturais, mas não o suficiente para neutralizar completamente o processo.

A ação dos radicais livres também está relacionada com inflamações no organismo - daí a importância de substâncias que também atuem como anti-inflamatórios, explica Rosalen.

"Quando há uma inflamação, o corpo libera uma série de sinalizadores que atraem as células brancas do sangue para fazer a defesa. Mas geralmente essa migração é exacerbada e aumenta o processo inflamatório, produzindo mais destruição."

"Descobrimos que as substâncias químicas presentes nas frutas impedem que uma quantidade exagerada de células de defesa cheguem ao local da inflamação. Por conta disso, temos um processo mais controlado. Não é que o corpo se defende menos, mas se defende na medida certa", diz.

De acordo com os pesquisadores, a ação das frutas - se consumidas frequentemente - pode retardar os processos inflamatórios que causam doenças como diabetes, arteriosclerose e mal de Alzheimer, por exemplo.


Em parceria com colecionadores de espécies exóticas, projeto quer tornar frutas estudadas mais populares Foto: Arquivo pessoal


'Berries' brasileiras

Segundo Alencar e Rosalen, a grumixama e a cereja-do-rio-grande, frutas pequenas e vermelhas, se destacam em relação às demais nas propriedades antioxidantes.

"Elas são como berries (como algumas frutas silvestres vermelhas são chamadas em inglês) brasileiras. São fusões da cereja com a amora. Doces, mas com um teor de ácido ideal. São minhas preferidas", diz Severino Alencar.

A cor vermelha ou arroxeada das frutas, explica, é dada por um grupo de compostos, as antocianinas, cuja presença normalmente indica a eficiência no combate aos radicais livres.

Já o araçá-piranga - amarelado e mais ácido que os demais - tem o maior potencial anti-inflamatório, de acordo com Pedro Rosalen. "Ele reduziu a migração de células de defesa em 62%, um índice muito alto para uma fruta."

As cinco espécies estudadas são consideradas raras atualmente, e o araçá-piranga é considerado ameaçado de extinção. Há outras 14 em estudo pela equipe coordenada pelos pesquisadores.

"Poucas das frutas que consumimos hoje são nativas do Brasil: abacaxi, maracujá, caju e goiaba. E a Mata Atlântica já está no limiar do seu equilíbrio ecológico. É urgente estudarmos as frutas deste e de outros biomas", justifica Alencar.

Agora, a equipe de cientistas quer expandir o cultivo das cinco frutas entre pequenos agricultores e, com mais ambição, para o agronegócio. Para isso,pretendem se dedicar ao melhoramento genético das espécies.

"Compramos maçãs iguaizinhas umas às outras porque em determinado momento foi feita a domesticação da fruta. Isso é necessário para que, no futuro, elas sejam produzidas com qualidade e em quantidade."


Procura

Para aumentar o número de produtores das novas superfrutas, os cientistas acreditam que a parceria com o Sítio Frutas Raras, do colecionador Helton Muniz, e com outro sítio no interior de São Paulo, é essencial.

"Depois que apresentamos as pesquisas, várias pessoas já nos ligaram perguntando onde podem encontrar essas frutas para consumir. Elas ainda têm um mercado muito pequeno, a ciência tem que mostrar que elas têm um diferencial", diz Alencar.

Muniz, cujo trabalho já foi mostrado em reportagem da BBC Brasil, conta que a paixão por frutas exóticas se transformou em hobby, ganha-pão e até fisioterapia - ele nasceu com um distúrbio neuromotor que dificulta seus movimentos.


Desde os 14 anos, Helton Muniz se dedica a cultivar espécies pouco conhecidas em seu sítio, no interior de São Paulo Foto: Arquivo pessoal

No sítio, ele cultiva 1.390 espécies, cujas mudas vende para os interessados. O objetivo, segundo ele, é espalhar pelo Brasil moderno as frutas esquecidas pela história da culinária nacional.

"As pessoas até podem ter no quintal, mas não sabem que são frutas comestíveis. Na vida cotidiana, a pessoa pisa em cima da fruta e acha que é veneno. A fruta para elas fica na prateleira do supermercado", disse à BBC Brasil.

Desde os primeiros resultados de Alencar e Rosalen, o "frutólogo" diz que vem aumentando a procura por informações sobre as espécies por e-mail e pelas redes sociais - Muniz responde pessoalmente a todas as mensagens na página do sítio no Facebook.

Ele diz usá-las frequentemente em sucos, geleias, bolos e até bebidas fermentadas caseiras. Mas tem dificuldade de apostar naquela que pode cair no gosto da população como o novo açaí.

"É uma cilada me perguntar qual a minha preferida, porque gosto de todas. Acho que a grumixama é minha favorita. Mas eu também aprecio muito o araçá-piranga, que as pessoas desprezam, porque tem sabor forte. Mas dá para fazer um sorvete delicioso."

O que os cientistas da USP e da Unicamp acabam de descobrir, no entanto, Muniz afirma que já sabia.

"Pelo tipo de fruta já dá para saber se ela é boa ou não. A pesquisa preenche as formalidades do ser humano. É para comprovar isto ou aquilo. Mas pela própria cor da fruta já dá para saber se ela tem antioxidante, se é boa para a saúde. A gente vai aprendendo com o tempo."



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40 anos depois do Proálcool, combustível de soja vai bombar no posto de gasolina

Com novas regras sobre o diesel, é o biodiesel, feito principalmente a partir da oleaginosa, que deve ganhar cada vez mais espaço no mercado.



Demanda anual de esmagamento da soja para a produção de biodiesel pode alcançar 18,5 milhões de toneladas em 2018

À medida que sobe a pressão sobre a emissão de gases do efeito estufa (GEE’s) e o preço do petróleo no mercado internacional vive picos de altos e baixos, os combustíveis renováveis surgem mais uma vez como a “menina dos olhos” do posto de gasolina – e do mercado agropecuário, mais de 40 anos após o boom do etanol na década de 1970, com o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool.

Nos últimos dez anos, a destinação de óleo de soja para a fabricação de biodiesel – que respondeu por 70% do total no ano passado - cresceu expressivos 243%, chegando a 2,75 milhões de toneladas, de acordo com informações da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). No mesmo período, a produção de soja em grão subiu 84% e a de óleo de soja 31,6%, totalizando 110,2 milhões de toneladas e 8,3 milhões de toneladas, respectivamente. E isso mesmo com as usinas operando com apenas metade da capacidade, conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Potencial em aberto

A aposta mais recente do segmento é a mudança na fórmula do diesel, que, desde o começo de março, passou a ter pelo menos 10% de biodiesel em sua composição. É o chamado B10 do programa federal Renovabio, que foi antecipado em um ano pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Até então, a mistura era de 8%.

O consultor da Terrafirma, Julio Favarin, explica que, no caso do óleo de soja, o aumento na última década é expressivo porque se deu sobre bases relativamente baixas. Mas a tendência, segundo ele, é de que tanto o B10 quanto a perspectiva de recuperação da economia – e, consequentemente, do setor automotivo – ajudem a alavancar a demanda por biodiesel.


Produção de biodiesel fechou em 676,09 mil toneladas, um aumento de 31,2% no comparativo com o mesmo período de 2017

“As usinas têm capacidade suficiente, o problema hoje é mais uma perspectiva de demanda. Elas fizeram investimentos e estão aguardando o aumento, para que a capacidade seja usada”, afirma Favarin. “Essa antecipação de um ano gera um efeito de 1,3 milhão de metros cúbicos na demanda neste ano”, acrescenta.

Para a Abiove, a alteração deve elevar a demanda anual por óleo de soja a 3,7 milhões de toneladas na indústria brasileira de combustível, enquanto que o esmagamento da oleaginosa para a produção de biodiesel pode alcançar 18,5 milhões de toneladas em 2018, o que corresponde a 16% da safra brasileira e 4 milhões de toneladas a mais do que no ano anterior.


Demanda

A boa perspectiva para o setor já ficou clara no primeiro bimestre deste ano. Conforme informações da ANP, a produção de biodiesel fechou em 676,09 mil toneladas, um aumento de 31,2% no comparativo com o mesmo período de 2017. Para a Abiove, a demanda por biodiesel será de 5,5 milhões de toneladas, contra 4,3 milhões de toneladas em 2017.

Uma projeção da Terrafirma dá conta de que, até 2030, a produção de biodiesel tem potencial para atingir 7,5 milhões de toneladas.

“A tendência é ter uma parcela cada vez maior de combustíveis renováveis, é uma tendência mundial”, salienta Favarin. E o biodiesel, é o combustível do futuro? “Vai depender de mudança de tecnologia dos equipamentos. Os caminhões mais modernos já tem um padrão de emissão muito melhor, com o diesel S10, com menos enxofre. Não tenho dúvida que a substituição é uma tendência e isso é muito favorável para o campo. Temos cadeias agrícolas importantes que vão ser beneficiadas, como soja, a palma e a própria gordura animal, proveniente da atividade de proteína animal. Isso tende a se intensificar na medida em que a tecnologia seja capaz de suportar mistura cada vez maior”, projeta.

E o milho?

Seguindo o ciclo das commodities no Brasil, o milho deve ganhar mais importância na matriz enérgica brasileira daqui em diante, na esteira da soja. O movimento de valorização do cereal ocorre de forma mais evidente no Centro-Oeste do país, que concentra a produção, principalmente em Mato Grosso.

É lá que foi instalada a primeira usina dedicada exclusivamente à produção de etanol à base de milho, em agosto do ano passado, em Lucas do Rio Verde (MT). Cinco meses depois o grupo anunciou que iria a dobrar a produção em 2018, chegando a 500 milhões de litros, e apenas poucas semanas mais tarde, divulgou que construiria uma nova unidade, em Sorriso, também em Mato Grosso. A estimativa é de que o consumo do cereal nas duas indústrias chegue a 3 milhões de tonelada e a produção do combustível a 1,2 bilhão de litros.

Hoje, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a demanda por milho no estado é de 1,4 milhão de toneladas nas quatro usinas de etanol que trabalham com o grão. O gestor técnico do órgão, Paulo Ozaki, salienta que ainda existe um longo caminho a percorrer, mas a indústria do álcool, assim como a das carnes, é mais uma opção para que se agregue valor ao grão, cujos preços têm se depreciado com safras cada vez maiores.

“Isso tende a melhorar questões de comercialização, mas ainda temos um volume muito grande e a tendência é de ele cresça”, afirma Ozaki. “A exportação é um meio de escoar. À medida que o Mato Grosso se industrialize em termos de carnes e etanol, isso tende a melhorar algumas relações. Se não melhorarmos o consumo interno, dependeremos muito da exportação ainda.”

Por  Flávio Bernardes

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/40-anos-depois-do-proalcool-combustivel-de-soja-vai-bombar-no-posto-de-gasolina-cyhr2o7xp414areoevw4sufg2

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30 de mar de 2018

Para que serve o bálsamo?

Benefícios do bálsamo são cientificamente comprovados.



O bálsamo, cientificamente chamado de Sedum dendroideum, é uma planta suculenta muito conhecida pelas suas propriedades medicinais e por seu uso como planta ornamental.

O bálsamo se desenvolve bem em solos arenosos, enriquecidos com húmus e que recebam sol pleno ou meia sombra. Ele demanda regas semanais durante o verão e a primavera, e mensais durante o outono e o inverno.

Por ser uma suculenta, o bálsamo é sensível ao encharcamento e muito resistente à seca, tolerando também geadas. O bálsamo pode ser plantando por estaquia dos ramos e folhas e por brotos.

O bálsamo tem sido tradicionalmente utilizado para o tratamento de doenças e alguns estudos confirmam sua eficácia. Confira:

Para que serve o bálsamo?


Imagem: Sedum dendroideum, muséum de Toulouse por Léna está licenciada sob CC-BY-SA-2.0


Trata dores e inflamações

De acordo com um estudo publicado pela revista Elsevier,os glicosídeos de kaempferol presentes no bálsamo podem ser os responsáveis pelo uso medicinal da planta. O estudo testou os efeitos da substância em ratos e concluiu que o bálsamo possui propriedades contra dores e inflamações.


Tem potencial antidiabético

Um estudo publicado pela International Union of Biochemistry and Molecular Biology avaliou o potencial antidiabético de um extrato de folhas de bálsamo em ratos. A conclusão do estudo mostrou que um tipo de flavonóide presente no bálsamo reduziu a glicemia em camundongos diabéticos (depois de duas horas após o consumo) em 52, 53 e 61%. Isso porque a substância foi capaz estimular a utilização de glicose pelo fígado. O que significa que o extrato de bálsamo tem potencial antidiabético.


Trata distúrbios gástricos

O suco fresco das folhas de bálsamo tem sido muito utilizado na medicina tradicional brasileira para o tratamento de distúrbios gástricos e inflamatórios. Um estudo publicado pela revista Elsevier avaliou as propriedades contra dores e antinflamatórias do bálsamo e concluiu que quatro glicosídeos de kaempferol reduziram dores e inflamações. O que indica que o bálsamo pode ajudar a aliviar as dores gástricas.

Como usar o bálsamo

O uso do bálsamo depende do tipo de tratamento desejado, podendo ser utilizado externa ou internamente. Para uso externo o bálsamo pode ser macerado e, para uso interno, ingerido.

Para uso externo, macere folhas de bálsamo até sumirem, formando um aspecto pastoso. Aplique sobre a área afetada.

O bálsamo também pode ser ingerido cru, como salada ou como chá. Para aproveitar melhor seus benefícios é recomendado ingerir o bálsamo na forma cru e pela manhã, como primeiro alimento.

Para fazer o chá de bálsamo faça a infusão de seis folhas em água fervente (com o fogo já desligado) durante 15 minutos.

Fonte: https://www.ecycle.com.br/6365-balsamo
saúde

Unidades de conservação abrem curso de condutores de visitantes.




São 30 vagas no curso que visa atender o Parque Nacional de São Joaquim e Parque Estadual da Serra Furada.

O Parque Estadual da Serra Furada (PAESF) e Parque Nacional de São Joaquim (PNSJ) realizam o Curso de Formação Básica de Condutores de Visitantes. O curso é gratuito, e são 30 vagas, sendo 18 vagas aos interessados que moram nos municípios de Grão Pará, Orleans e Lauro Müller e 12 vagas aos que residem nos municípios de Bom Jardim da Serra e Urubici, todos em Santa Catarina. Os interessados devem obedecer determinados critérios para se candidatar às vagas, conforme consta no edital.


Você sabe o que é ser condutor?

Entende-se como condutor de visitante a pessoa física não habilitada como guia de turismo no  Ministério do Turismo (MTur). Geralmente, é residente na localidade ou próximo do local visitado. Além de já ter recebido capacitação específica reconhecida pelas Unidades de Conservação.

O condutor de visitante é responsável pela condução em segurança de grupos de visitantes aos locais permitidos. Ele desenvolve atividades interpretativas sobre o ambiente natural e cultural visitado. Além disso, contribui para o monitoramento dos impactos socioambientais nos sítios de visitação.

Capacitação

O objetivo do curso é capacitar moradores dos municípios abrangidos pelos parques para atuarem como condutores de visitantes nessas Unidades de Conservação. Pessoas que residam em um dos municípios de abrangência dessas Unidades de Conservação e que já desenvolvem algum tipo de trabalho ou tenham o perfil para a atividade de ecoturismo ou a recepção de visitantes nas unidades de conservação e seu entorno.

Acesse http://www.icmbio.gov.br/portal/licitacoes1/editais?id=9394:editais-diversos-2018

Foto: André Dib

Por ICMBIO

Fonte: http://ciclovivo.com.br/fique-ligado/cursos/unidades-de-conservacao-abrem-curso-de-condutores-de-visitantes/
notícias

29 de mar de 2018

Estado licita obras para estimular o crescimento do Litoral



O Litoral do Paraná vai ganhar uma Faixa de Infraestrutura de 135 metros de largura para estimular o desenvolvimento socioeconômico da região. A obra será realizada pelo Governo do Estado em Pontal do Paraná. Nesta quarta-feira (28), o Diário Oficial do Estado publica o aviso do edital de licitação para construção da nova rodovia - paralela à PR-412 - com 19,7 quilômetros de extensão e ampliação de um canal de macrodrenagem de 15,3 quilômetros.

Com teto de R$ 270,4 milhões, as propostas de preços serão abertas pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) no dia 7 de maio, às 14h30. “Não é uma obra isolada. Faz parte de um conjunto de ações do governo no Litoral, que já somam R$ 1,4 bilhão”, aponta o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.

Ele reforça que o governo estadual trabalha para solucionar gargalos que reduzem o potencial de crescimento dos balneários paranaenses. “A falta de infraestrutura é a principal barreira”, avalia, ressaltando que a nova estrada soluciona o crônico problema de mobilidade e o canal vai evitar as frequentes enchentes em Pontal do Paraná.

Richa Filho explica que a Faixa de Infraestrutura também vai funcionar como uma barreira natural para desestimular a ocupação habitacional desordenada e prejudicial ao meio ambiente. “Fica muito claro, a partir da Faixa de Infraestrutura, o que passa a ser cidade, ou seja as áreas para ocupação em direção ao mar, e áreas de preservação no sentido contrário, em direção à Mata Atlântica”, afirma.

“São dois grandes objetivos, desenvolver e preservar”, explica o secretário de Infraestrutura e Logística. A opinião é compartilhada pelo secretário-executivo do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr. Segundo ele, o projeto é positivo porque beneficia a população, o meio ambiente e a economia.

FLUXO MAIOR – Batizada de PR-809, a nova rodovia vai ligar a PR-407 até a Ponta do Poço. Ao longo do trajeto, estão previstos quatro acessos rodoviários aos balneários e cinco viadutos – na interseção com a PR-407 e nas quatro interseções da PR-809 com os acessos.

A nova via dará suporte para o crescimento do fluxo de veículos em Pontal do Paraná. Hoje, a única estrada (PR-412) registra picos diários superiores a 25 mil veículos no verão e média de 12 mil no resto do ano. Estudos apontam aumento de 57% no tráfego local até 2027.

Com projeção de circulação média de 15 mil veículos/dia, a PR-809 terá pista simples, mas com área adequada para futura duplicação. O canal de macrodrenagem existente será ampliado, alargado e aprofundado. A duração das obras está estimada em 24 meses.

PRESERVAÇÃO – A licença prévia, que atesta a viabilidade ambiental do projeto, foi emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). “Os impactos ambientais foram avaliados e foram indicadas medidas de controle e compensação”, afirma Richa Filho, referindo-se ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA).

Já estão em andamento estudos ambientais complementares necessários para obtenção, junto ao IAP, da licença de instalação. Este documento é requisito para o início da obra e vai atender as condicionantes estabelecidas pelo órgão ambiental.

TRANSPARÊNCIA – Desde o início dos estudos da Faixa de Infraestrutura, em 2013, o Governo do Estado realizou reuniões informativas e audiências públicas com ampla participação da sociedade civil organizada, universidades, entidades de classe, comunidade e interessados.

A Secretaria de Infraestrutura e Logística disponibilizou em seu site (www.infraestrutura.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=544) as documentações, incluindo estudo e relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA), parecer técnico do IAP, questionamentos e respostas da secretaria e dos técnicos elaboradores do estudo ambiental.

BOX

Moradores, comerciantes e entidades de classe apoiam o projeto

Na opinião do presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Pontal do Paraná (Aciapar), Gilberto Espinosa, a Faixa de Infraestrutura significa “a redenção econômica, social e ambiental para o Litoral do Estado”. Para ele, o projeto trará muitos benefícios para a região. “Os moradores terão mais facilidade no acesso à saúde, educação e ainda serão beneficiados pelo desenvolvimento econômico, por meio da geração de empregos”.

“O povo de Pontal está sofrendo com este movimento na PR-412. Só critica a nova rodovia quem é de fora, passa algumas semanas no verão por aqui e esquece o que temos de enfrentar em nosso dia a dia”, comenta o presidente da Associação dos Moradores de Pontal do Paraná, João Rempel.

Para a comerciante Nilete Maria Rebuli, moradora de Pontal do Sul há 36 anos, o projeto vai melhorar a qualidade de vida dos habitantes da região, que sofrem com os constantes congestionamentos na PR-412. “Quando precisamos ir ao médico, é muito complicado. Temos que sair de casa com mais de três horas de antecedência”, explica.

Segundo ela, atualmente os comerciantes dependem exclusivamente do turismo na época de temporada. Mas com a Faixa, ela acredita que novas indústrias serão atraídas para o litoral, movimentando ainda mais o comércio. “Para que o litoral do nosso Estado possa crescer, é preciso ter estrada de qualidade. Não tem outro jeito”, analisa.

Proprietário de uma ótica na PR-412, Odalbor Ferreira Alves considera a Faixa de Infraestrutura o único caminho para o desenvolvimento da região. Ele opina que a Faixa irá atrair novas empresas, gerando mais empregos, inclusive no turismo. Para ele, a natureza, que é o principal atrativo da região, só pode ser preservada com investimento e isso só será possível por meio deste projeto.

Fonte:
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28 de mar de 2018

Segundo maior estado do México servirá quase 1 milhão de refeições veganas em escolas

Os estudantes também aprenderão sobre os benefícios de uma alimentação sem produtos de origem animal.


Veracruz, o segundo maior estado do México, servirá 925 mil refeições veganas em suas escolas neste ano.

Este anúncio ocorreu após um acordo entre o programa de política alimentar da Mercy For Animals para a América Latina, o Come Consciente, e funcionários do governo mexicano. Devido à nova parceria, as escolas de Veracruz irão disponibilizar refeições veganas todas as segundas-feiras.

Programado para iniciar em abril, o programa irá substituir 20% dos produtos de origem animal servidos nas escolas de Veracruz por uma alternativa vegana. As refeições não apenas serão mais saudáveis para os alunos, mas também ajudarão os estudantes a aprender sobre os inúmeros benefícios de uma alimentação à base de vegetais, além de contribuir para que eles façam sustentáveis futuramente.

Enquanto o programa ocorre no México e no Brasil, Veracruz tornou-se o primeiro estado a assinar um projeto de lei que assegura que as escolas promovem uma educação sobre o consumo de vegetais, uma iniciativa que permite que o programa seja oficialmente implementado e endosado pela lei estadual. Segundo a Mercy For Animals, a administração do estado de Veracruz espera que o programa reduza o impacto da obesidade infantil e da desnutrição no estado.

As escolas de Veracruz serão preparadas para iniciar este novo programa de refeições veganas. Uma série de informações estará disponível, incluindo cartazes educativos, um guia de receitas específico da cozinha de Veracruz, um vídeo de demonstração da culinária vegana e um vídeo de lançamento.

De acordo com o Livekindly, a Organização Mundial de Saúde identificou que a principal causa de morte no México é a diabetes, que mata 80 mil pessoas a cada ano. A doença pode ser controlada em parte com o veganismo. Diversas pesquisas comprovam que as dietas à base de vegetais, particularmente as que se concentram em alimentos integrais, possuem uma forte ligação com a prevenção do diabetes e podem reverter a condição. Médicos endocrinologistas e a American Diabetes Association recomendaram o veganismo como parte do tratamento efetivo da diabetes.

Fonte: https://www.anda.jor.br/2018/03/segundo-maior-estado-do-mexico-servira-quase-1-milhao-de-refeicoes-veganas-em-escolas/
saúde

Recuperação do Rio Piracicaba torna-se referência para cidades

Desde o caminho dos bandeirantes no século 17 até hoje, o rio Piracicaba percorreu uma longa trajetória.



Desde o caminho dos bandeirantes no século 17 até hoje, o rio Piracicaba percorreu uma longa trajetória especialmente marcada por uma ligação de amor com a comunidade que cresceu às suas margens. E poucos conhecem esta história melhor do que o engenheiro Francisco Carlos Castro Lahoz, secretário-executivo do Consórcio PCJ, que cuida da gestão da bacia hidrográfica do Rio Piracicaba.

Em entrevista à Agência Brasil, Lahoz lembrou a luta dos piracicabanos para salvar o rio ainda nos anos 70. Nesta época, o governo do estado de São Paulo construiu barragens na região para garantir o abastecimento da Grande São Paulo. Nasceu assim o Sistema Cantareira, alimentado por três grandes reservatórios: Jacareí, Atibaia e Paiva Castro, em Mairiporã. O Sistema garantia a transferência de 50% da água para São Paulo até o ano 2000.

“Mas aí, ocorreu uma falha de planejamento do governo do estado: o incentivo à instalação de indústrias na região de Piracicaba. Com isso tivemos um conflito hídrico porque a vazão do rio reduziu, os peixes morreram e a comunidade se deu conta de que alguma coisa precisava ser feita. E assim foi criado o Conselho de Defesa do Vale do Piracicaba, que vai ser muito importante porque, a partir dele, a população de Piracicaba se mobiliza”, conta.

Para compensar o recurso desviado, a prefeitura de Piracicaba de teve trazer água de outra bacia. “Piracicaba conseguiu um empréstimo de US$ 30 milhões e fez um plebiscito para saber se a sociedade aceitaria pagar a conta. Então esse empréstimo foi diluído nas contas de água por um período de amortização e a própria comunidade pagou essa conta. O Conselho de Defesa do Vale do Piracicaba foi muito importante, porque tinha muitos professores [universitários] que explicavam o que estava acontecendo” para a população.

E assim, Piracicaba foi buscar a água do rio Corumbataí, a 20 quilômetros (km) de distância. E então, segundo Lahoz, aconteceu “uma coisa maravilhosa, porque quando acabamos de pagar o empréstimo, foi perguntado de novo para a comunidade se ela aceitaria continuar pagando a mesma taxa para ampliar o tratamento de esgoto. E a comunidade disse sim!”


Três municípios se associam

Uma década depois, foi criado o Consórcio Intermunicipal PCJ, com o objetivo de recuperar as três bacias hidrográficas da região: Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Os esforços, agora somados, renderiam resultados importantes, como a decentralização da gestão hídrica, do estado de São Paulo para os municípios. Foram instalados escritórios regionais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do estado.

Com a participação de pesquisadores e técnicos do cursos de engenharia da Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba, foi produzido o primeiro Plano de Bacias.

“Era um estudo muito bem-feito, mas tinha mil páginas. E a gente sabia que ninguém ia ler aquelas mil páginas. Então resumimos o estudo em um projeto de 63 páginas, que serviu de base para tudo o que veio depois, inclusive a integração entre os municípios para a gestão das bacias que seria o Consórcio PCJ”, conta Lahoz.

Mas faltava um instrumento legal para garantir que o consórcio pudesse operar: uma lei que veio em 1991 que criou a Política Estadual de Recursos Hídricos, “a primeira do Brasil”, frisa o secretário-executivo. A política paulista serviu de base para a criação, seis anos depois, da Política Nacional de Recursos Hídricos.


De olho no futuro

A experiência do Consórcio PCJ tem inspirado outras iniciativas na América Latina. “Através do Plano Nacional de Recursos Hídricos, nós temos feito considerações e observações e tentando que esse Plano faça adequações para atender em algum momento as características do Nordeste e as do Sul e do Sudeste. Já fizemos duas revisões nesse Plano e vamos fazer uma terceira, porque nós temos de saber que estamos sempre em mutação e buscar a adaptação às realidades climáticas”

Além da lição da vontade política, Lahoz indica que Piracicaba tem mais uma lição a ensinar: a educação para cuidar do meio ambiente. “Nossa luta já em 28 anos, e nesse período nós investimos na capacitação das pessoas desde os 4 anos de idade. Hoje essas crianças de 28 anos atrás já estão formadas, são prefeitos, vereadores e carregam com elas a capacitação para agir na defesa do meio ambiente. E um dia, uma delas poderá ser presidente da República.”

Por Agência Brasil

Foto: Águas do Mirante

Fonte: http://ciclovivo.com.br/planeta/meio-ambiente/recuperacao-rio-piracicaba-referencia-cidades/
meio ambiente

Por dentro da destruição secreta da grande savana do Brasil

O Cerrado é a savana mais rica do mundo.

O que não se sabia era a velocidade com que estava sendo destruído.

9.500 km2 ao ano. Um ritmo muito maior do que a Amazônia.

Mas este tesouro tem seus defensores.

Pequenos agricultores lutam na justiça contra a indústria agropecuária Alguns moram em casas de barro. Outros não sabem ler.

Eles apenas querem garantir sua sobrevivência. E se conseguirem, evitarão o desastre.


POR DENTRO DA DESTRUIÇÃO SECRETA DA GRANDE SAVANA DO BRASIL

Durante décadas e enquanto ninguém estava olhando, metade da savana mais rica do mundo foi desmatada. O EL PAÍS viaja para seus cantos mais profundos.


Dona Raimundinha, 'guardiã' da cachoeira de Macapá, em Balsas (Maranhão). 

Balsas (MA)

A cachoeira do Macapá não está exatamente à mão, mas é assim que tem que ser, na opinião dos integrantes desta comunidade de pequenos proprietários no Nordeste do Brasil. Para que um forasteiro venha até aqui, precisa chegar ao aeroporto mais próximo, o de Imperatriz, no sul do Maranhão, seguir 400 quilômetros por estrada até Balsas, uma cidade de 90.000 habitantes e três concessionárias de tratores, e dali conseguir transporte para percorrer por duas horas estradas de terra. Quando a paisagem muda de uma mancha alaranjada para um borrão de árvores nuas, é preciso passar por três pontes de madeira, a escola que o Governo prometeu e deixou na metade da obra e, sobretudo, o enorme cadeado que tranca a propriedade de dona Raimundinha.

“Meu Deus do céu, que susto”, exclama atropeladamente esta pilha de nervos de um metro e vinte, 59 anos e incontáveis rugas, enquanto abre a porteira. E insiste no caminho a casa dela. “De vez em quando vem gente de fora e não sabemos se são da hidrelétrica. Ai, não podem vir aqui, meu Deus do Céu”.

Como quase todo mundo na comunidade do Macapá, dona Raimundinha vive com a família e seus animais: os primeiros em uma casa de paredes de barro e telhado de palha, os outros, livres pelo terreno arenoso e ermo que está há décadas nas mãos da sua família. E nela quer continuar, segundo conta, embora inquieta, agitando-se em sua sala, pela qual desfilam alguns pintinhos com a galinha mãe. “Isto era do meu pai, que morreu, e a deu a meu irmão, que morreu. Eu chorei suas mortes, para que depois chegue alguém e me expulse. Sem dinheiro nem lugar para onde ir, meu Deus do céu.” Cobre o rosto com as mãos.

Também como quase todo mundo do Macapá, dona Raimundinha vive sob uma ameaça invisível. Uma empresa elétrica tem um plano para gerar energia com a cachoeira: em troca, teriam que expropriar as 70 famílias que moram lá. Elas praticamente nunca puseram o pé para fora das próprias terras. Mudar-se seria mais que traumático, seria uma perda de tudo o que é mundo para eles. O ponto-chave é não deixar que se aproximem da cachoeira para fazerem estudos de viabilidade, e o único caminho fácil é o desta propriedade. Aí a importância do cadeado de dona Raimundinha.

E aqui está ela, feito uma guardiã de conto de fadas com seu coque e sua ansiedade, controlando o mundo no meio do nada, sem nada mais a fazer senão dar um salto quando escuta um carro. Diz que nunca baixa a guarda. Que a ameaça da hidroelétrica consome sua vida. “Os da cidade vivem muito bem enquanto nós vamos na labuta de uma geração a outra, nunca lhes fazemos nada, nos criamos com o suor de nossos braços. Por que não podem nos deixar em paz? Meu Deus do céu”, volta a se lamentar, enterrando de novo o rosto entre as mãos.

“É o que dizem meus vizinhos, o que diz o padre. Que não podemos baixar a guarda, que temos de lutar”, gagueja. “E fazemos isso. É tudo o que fazemos. Até que se rendam. Ou até que... Meu Deus do céu...”

***

O Brasil costuma evocar a imagem de praia ou floresta, mas tem uma savana de dois milhões de quilômetros quadrados. O chamado Cerrado é como uma faixa que divide o maior país da América Latina pela metade: começa no Maranhão, ao norte, e vai descendo em diagonal ao longo de oito Estados até a fronteira com o Paraguai, no Mato Grosso. Separa o clima tropical e as florestas do Norte da Mata Atlântica e das cidades do Sudeste e do Sul. O que há no centro é savana pura. Quilômetros e quilômetros de sol, poeira e monotonia interrompida apenas por plantações gigantescas da agroindústria. Há tantas que se poderia pensar que se está nas planícies do Missouri. Faz tanto calor que parece Timbuctu. E, no entanto, neste mundo sépia e áspero está ocorrendo um dos maiores atentados à biodiversidade do planeta.

O Cerrado tem mais de 12.500 espécies de plantas, das quais mais de 7.300 só podem ser encontradas aqui. Abriga mil espécies de peixes e mais de 250 mamíferos: delas, 18 são autóctones. É a savana mais rica do mundo. E, então vêm as outras cifras, as preocupantes. Desde 1970, 47% desse bioma foi devastado. Somente em 2015, último ano com dados disponíveis, foram devastados 9.483 quilômetros quadrados. Para efeito de comparação, nesse mesmo ano a comunidade científica se indignou porque o desmatamento na Amazônia havia disparado, chegando a 6.207 quilômetros quadrados. O Cerrado é a verdadeira tragédia ambiental brasileira.

Também é a menos conhecida: o dado de 2015 é dos poucos revelados pelo Governo brasileiro. Apareceu um dia em julho passado no site do Ministério do Meio Ambiente. Estava escondido dentro de uma série de gráficos que festejavam as novas formas de monitorar a natureza.


João Carlos Coelho Cardoso em sua propriedade em Balsas (Maranhão) 

Como é possível manter um segredo dessas dimensões? “Creio que é uma questão arraigada na sociedade brasileira”, diz David M. Lapola, pesquisador de mudanças ambientais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). ‘Talvez porque o Cerrado tem uma vegetação menos exuberante que a Amazônia. Talvez porque a mídia só cubra assuntos relacionados com a Amazônia ou a Mata Atlântica. Talvez seja porque não há grandes mamíferos como nas savanas africanas. Mas quando se fez a Constituição brasileira [em 1988], a Amazônia e outros biomas foram considerados patrimônio nacional. O Cerrado, não.” Maurício Voivodic, presidente da WWF Brasil, recorda: “A Amazônia despertou grande interesse mundial entre Governos estrangeiros e artistas sobre a importância da conservação. O Cerrado, porém, é um caso de enorme desatenção”.

Apenas 3% do Cerrado está protegido, segundo a revista Nature Ecology and Evolution. No ritmo em que se está devastando esse espaço, e com a quantidade de espécies que contém, em 2050 terão desaparecido da face da Terra 1.140 de suas plantas endêmicas. De 1500, quando se começou a registrar a população de plantas do mundo, até agora, foram extintas 139. “O Cerrado é um hotspot de biodiversidade, e o quinto que mais perdeu espécies”, alerta Tim Newbold, que publicou um artigo sobre o tema na Science em 2016.

Como ocorre na propriedade de dona Raimundinha, o Cerrado se transformou em um solo muito apetitoso para a agroindústria, que já controla mais de 75% das terras cultiváveis do Brasil. E, ao contrário de dona Raimundinha, os pequenos proprietários têm cedido às pressões para vender a preço vil seus 25%. “Mas se você vai a Minas Gerais ou a Goiás, vê que os que partiram não ficaram melhor”, assegura um vizinho de Raimundinha, Tancredo, com certa despreocupação. Alto, magro, 51 anos, sem camisa e com chapéu de boiadeiro. Está sentado sob uma árvore em sua propriedade: 38 hectares de poeira, pomares e galos que circulam livremente entre os humanos. Uma casa de barro e um poço feitos por ele mesmo. Aqui vive com a mulher e aqui criou os três filhos. Comem do que plantam.


Tancredo na casa que ele construiu em Balsas (Maranhão) 

“A solução não é ir embora, é ficar. É ficar e lutar. Esta terra é grande, mas também é pequena [em comparação com as da agroindústria], por isso é preciso estar sempre alerta. É preciso seguir as pessoas que puxam as comunidades.” Tancredo aponta um outro proprietário sério, ereto e silencioso sentado a seu lado.

O Governo não faz quase nada pelo Cerrado, mas existe um grupo de pessoas que fazem. São os donos legais das terras fora da agroindústria. Os que passaram toda a vida nessas propriedades, hoje lentas, antiquadas e ineficientes. Os que têm as escrituras dessas terras. Quase nada entendem de leis (muitos não sabem nem escrever) e não são especialistas em ecologia. Mas à sua maneira esta minoria numérica faz parte da biodiversidade e está correndo tanto risco quanto ela. Sua sobrevivência é a de milhares de outras espécies. Alguns sozinhos, alguns com ajuda de associações, transformaram-se nos últimos guardiões do velho Cerrado.

Como o homem sentado ao lado de Tancredo. Chama-se Paulo Coelho Cardoso.

***

O aviãozinho era como um pássaro de mau agouro. Quase todos os moradores do Macapá o viram sobrevoar suas terras, como um prenúncio dos problemas por vir. Paulo também o viu. O homem que acabava de herdar a principal propriedade da comunidade (e, com ela, a responsabilidade de proteger todas elas) decifrou em seguida o que aquilo significava. “Estava lá fazendo um estudo topográfico”, lembra-se, hoje. “Estava ali porque não os havíamos deixado entrar pessoalmente, e eles não tinham desistido.”

“Eles” são a PEC Energia, uma holding de empresas hidroelétricas que desenvolve projetos em nove Estados brasileiros, e que aqui os moradores consideram sua arqui-inimiga. Também acham calamitoso o objetivo do estudo: aproveitar a cachoeira do Macapá para construir uma pequena central hidroelétrica, o que alimentará as grandes fazendas da região, mas vai obrigá-los, eles que já têm luz em suas propriedades menos lucrativas, a irem para outro lugar. Perderão sua casa, ou seja, tudo, e o impacto ambiental seria incalculável. “Tudo isso só beneficia o fazendeiro do lado”, protesta Paulo. “Quer mais luz para instalar mais pivôs e com eles dar de comer a mais gado. Já tem cinco pivôs.” Dizendo isso, ergue a mão bem aberta e com o rosto desafiante, como se o gesto fosse uma ofensa. A PEC Energia respondeu a todos os telefonemas do EL PAÍS dizendo que não tinham nada a comentar sobre esse projeto.


Paulo Coejho Cardoso na fazenda que herdou de seu pai 

Paulo é agricultor e vive da venda de coco, abóbora, milho, melancia e feijão em Balsas. Mas há anos sua verdadeira dedicação é a esta causa. Em 2008, representantes da empresa se infiltraram nas propriedades em uma série de visitas que os moradores julgam “intimidadoras”. Com medo, começaram a se unir ao redor de Paulo. Então foi traçada a estratégia: impedir a entrada da PEC Energia nas propriedades. Sem visitas não há estudo e sem estudo não há projeto de hidroelétrica que preste.

2011 foi a prova de fogo. A PEC voltou a tentar, e os moradores se sentiram tão intimidados que queimaram as pontes de madeira que permitem o acesso às suas terras. Acamparam em pontos estratégicos. Duas semanas, 150 homens. Pareceu dar certo. E então apareceu o aviãozinho: o mau presságio. A PEC Energia não ia desistir e estava em todas as esferas, da judicial à política. O líder que fosse defender a comunidade precisava se entregar plenamente.

***

Era quase inevitável que o peso da luta recairia sobre Paulo. Porque estava disposto a ir aonde ninguém mais queria ir. Porque é filho de Raimundo Cardoso de Morais, o “homem importante” do lugar, e Raimundo agora está morto. Quando aqui não havia nada, em 1956, Raimundo havia comprado 200 hectares com dinheiro que havia juntado em Fortaleza. Contratou todos que moravam nas proximidades para cultivar a terra. Aquelas famílias prosperaram, mas a sua prosperou mais: tiveram 11 filhos, que viram como a comunidade inteira girava em torno do patriarca. Os problemas eram levados à sua varanda e resolvidos na mesa da cozinha. Em 2009, com 75 anos, Raimundo fez seu testamento: Paulo herdou a parte onde estava a casa e, com ela, o fluxo de problemas da comunidade. Em 2016, o patriarca caiu do cavalo e morreu. Tinha 82 anos. Penduraram sua foto sobre a cadeira onde costumava cochilar na entrada da casa.


Uma foto de Raimundo Cardoso de Morais na entrada da propriedade, onde ele sentava 

“Meu pai era um homem importante”, lamenta Paulo. Está em sua cozinha, sentado na mesa com capacidade para 20 pessoas que está um pouco mais adiante, na varanda de frente para a fazenda. Antes o mundo mudava lá fora e era consertado aqui dentro. Antes.

Paulo aponta para o outro lado da varanda, para a fazenda. “Nasci e cresci aqui. Este chão tem o meu rastro, onde corria quando eu era pequeno. Um troço com um valor sentimental tão incrível não tem preço.” No lugar para o qual havia apontado, seu sobrinho de 3 anos, David, loiro, com cabelo de corte tigelinha e despenteado, desenha círculos na areia com a bicicleta. “Tenho três filhos, de 20, 13 e 7 anos, e eles vão herdar esta terra, assim como a recebi do meu pai”, promete.

Mas os imperativos não são unicamente sentimentais. “Todos saímos perdendo”, avalia João Carlos, irmão mais novo do Paulo. Ele ficou com uma propriedade de 40 hectares onde cultiva cana e coco. “Esse dinheiro nunca vai ser justo. Para estar onde estou agora, meu pai levou a vida inteira, e 20 anos da minha. Nesse tempo, aperfeiçoei a produção de cachaça e agora ganho 10 vezes mais do que quando comecei. O coco também precisa ser cultivado durante quatro anos para poder vendê-lo. Comprei um trator. Vou perder tudo isso.”


Detalhe da casa de Tancredo, em Balsas (Maranhão) 

Paulo está cercado por uma série de associações que o ajudam a percorrer os labirintos jurídicos e políticos de seu inimigo. Mas uma parte fundamental do trabalho só pode ser feita por alguém do Macapá: motivar outros agricultores a não desistirem e a não venderem suas terras. “Só podemos evitar isso [o pior] se estivermos todos unidos”, Paulo repete com frequência enquanto dirige pelas propriedades, sacudindo-se no banco do motorista nas estradas de terra, com sua caminhonete envolta em uma nuvem de poeira. Parte de sua missão é visitar os vizinhos e reacender seu interesse na luta. Lembrá-los de que haverá uma reunião em breve ou uma nova estratégia, uma nova saída. Para eles saberem que estão acontecendo coisas. Tancredo, Dona Raimundinha. Todos. “Temos que estar unidos”, repete.

Mas a verdade é que todas as soluções que lhes ocorreram até agora foram temporárias. Entraram com uma ação contra a PEC e perderam. O juiz os obrigou a permitir a entrada dos representantes hidrelétrica: ainda assim, recusaram. Em fevereiro de 2017, a PEC iniciou uma nova investida. Eles asseguram que, mesmo que o inimigo venha com todos os papéis em ordem, não permitirão que entrem. A briga será física se for preciso. Por enquanto, tudo depende de a Secretaria do Meio Ambiente do Maranhão negar a licença para que a empresa faça o estudo. Não têm certeza de que a decisão será favorável.

Mas não a tiveram até agora, e chegaram até aqui. O progresso, o dinheiro e a indústria jogam contra e eles seguem. A solução definitiva apenas existe. Aqui só há luta. Constante. A luta como um estilo de vida. A vida do herói. “Nunca pensei no que faria se tivesse que ir. Não penso nisso”, diz, negando com a cabeça. “Pensar nisso já é uma derrota.”


A cachoeira de Macapá 

Visitar Dona Raimundinha tem o lado positivo de que é o caminho para a cachoeira. Uma estrada de terra que pouco a pouco se transforma em um paraíso de vegetação exuberante. E, então, nos deparamos com um precipício de 70 metros onde a água não para de cair. Tão grande que as palmeiras à margem parecem minúsculas. É a cascata mais alta do Estado. É aqui que a PEC imagina a hidroelétrica, mas também foi aqui que Raimundo viu uma comunidade quando ninguém via nada. E, agora, Paulo tenta desesperadamente que essa visão, que a vida inteira dele, não perca sentido.

“Eu poderia estar fazendo qualquer outra coisa e ganharia mais dinheiro. Viveria de maneira diferente”, reflete Paulo. “Mas o valor desta terra para mim não tem preço. Não pode ser que tudo nesta vida seja movido pelo real.”

– A responsabilidade de continuar a luta não te cansa?

– Temos que levar em consideração que... Bem... Sim.

Forquilha (PI)

Esta é uma nova guerra. Durante séculos e até relativamente pouco tempo atrás, o consenso mundial era de que o Cerrado não valia nada. Que daquele solo ácido e sem nutrientes não poderia nascer coisa de valor. Mas em 1973, durante a ditadura militar, os generais que governavam o país fundaram a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e estabeleceram como prioridade alcançar o impossível: transformar essa terra deserta em algo fértil.

O impossível foi alcançado em quatro etapas. A primeira, regar o solo com enormes quantidades de calcário para reduzir a acidez. A segunda, trazer da África uma planta chamada braquiária e cruzá-la até obter a braquiarinha e, depois, o braquiarão, variedades perfeitas para este novo solo: cresciam mais rápido do que a original. De repente, essa terra de ninguém podia se tornar a pastagem de todos. A terceira, cruzar tipos de soja, um grão de latitudes temperadas, até obter uma versão milagrosa que crescesse sob o sol escaldante, em solos ácidos, e em duas colheitas anuais. E a quarta, popularizar a ideia de que a soja é colhida cortando seu caule, não arando o solo; se o caule apodrece no solo, este absorve os nutrientes. O resultado foi impressionante. Onde não havia nada, o Brasil agora tinha centenas de milhares de quilômetros quadrados de terras agrícolas. Da savana africana havia saído um meio-oeste americano, um paraíso para alimentar um mundo superpovoado e enriquecer quem se apressasse. Ainda hoje, isso é chamado de Milagre do Cerrado.


Forquilha (Piauí) 

A indústria se expandiu. De importador de alimentos, o Brasil se tornou um dos principais exportadores. Em 1996, a produção agrícola atingiu 23 bilhões de dólares (75 bilhões de reais, no câmbio atual). Em 2006, foram 108 bilhões de dólares. Naquele ano, o Prêmio Mundial da Alimentação foi entregue aos engenheiros que haviam trabalhado na Embrapa: a organização descreveu o Milagre do Cerrado como “uma das maiores conquistas do século XX na ciência agrícola”. No ano seguinte, o então secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, admitiu que o Brasil havia se tornado uma “superpotência agrícola” capaz de fazer frente ao seu país. Em 2017, o Brasil foi o segundo maior exportador de soja do mundo, com uma safra recorde de 242 milhões de toneladas. Depois de quatro anos mergulhado na pior recessão econômica em décadas, o país viu a agricultura industrial responder por 23% do PIB, o maior peso em 13 anos: em parte por causa dos 51 milhões de toneladas de soja que vendeu para a China, muitos dos quais foram cultivados aqui. O Brasil é um país engatado às suas próprias colheitas, e o Cerrado é uma peça fundamental desse maquinário.

Com um problema. O milagre foi projetado pensando de forma ambiciosa em uma terra cheia de habitantes modestos. “A Embrapa não adaptou essas práticas aos agricultores, que estão mais preocupados em manter suas terras do que em aumentar sua eficiência”, alertou em 2010 Joerg Priess, do Centro de Pesquisas Ambientais Helmhotz, da Alemanha. O Ministério da Agricultura não fornece dados exatos, se é que existem, mas estima-se que o êxodo de agricultores familiares tenha sido significativo. O último censo é de 2006, mas já mostrava que 90% das propriedades ocupavam apenas 25% da terra. Já as propriedades com menos de 10 hectares estão desaparecendo inexoravelmente desde 1985 (o restante não para de se multiplicar). São dados antigos e imprecisos, mas é o que há no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “E há muita discussão sobre a confiabilidade desses dados”, diz David M. Lapola, da Universidade de Campinas.

O tamanho da área dificulta tudo ainda mais. “Essas pequenas comunidades estão em áreas remotas, e isso complica sua união e mobilização. Fazem parte delas pessoas pobres, negras, indígenas. Pessoas historicamente excluídas,” alerta Gerardo Cerdas, representante da organizaição internacional Action Aid no comitê de direção da Campanha de Defesa do Cerrado. “Há pessoas que têm de viajar mil quilômetros para fazer uma denúncia e outros tantos para voltar.”

Ao transformar o solo, o caráter inteiro do cenário foi mudado. O Cerrado é hoje um lugar desenhado apenas para os grandes crescerem.

***

Nesta ilha fluvial houve apenas uma regra durante décadas: fazia-se o que Renato Miranda Carvalho dissesse. Ele era o dono da terra, que fica na junção de dois rios. As 19 famílias que moram nela há décadas puderam ficar em suas casas precárias, sem pagar, mas tinham que trabalhar para ele. Ele tinha 3.000 hectares, eles, 500. Era respeitado; eles, pacíficos. Então, um homem de fora chegou e questionou a regra, e Renato sacou as pistolas.

Esta é uma história de violência no Cerrado, onde os conflitos territoriais são resolvidos com armas em vez de sentenças judiciais. Mas é a história da comunidade que resistiu. É tudo o que é, na verdade, mesmo vendo quanto eles convivem com o trauma. “Está vendo ela? Ainda sofre de ansiedade quando vê por aqui uma caminhonete que não conhece”, conta o jovem de 29 anos, e aponta uma mulher negra reunida com outras numa varanda. Marcone Ramalho é o contador de histórias não oficial da comunidade. A família dele está há duas gerações nesta ilha.


Detalhe de uma casa em Forquilha (Piauí)

Em Balsas, no Maranhão, tudo ficava a quilômetros de distância. Em Forquilha todas as casas estão próximas uma da outra, como em um povoado. Parece uma zona de guerra em reconstrução, um lugar marcado pelo antes e depois do “conflito”, como aqui se referem à época das pistolas. Há casas de barro, as velhas, e alvenaria, as mais novas. Há construções inacabadas; algumas porque são ruínas e outras porque são projetos da nova era. Em meio a elas vagam cabras, cachorros e galinhas, tão soltos que é difícil saber de quem são.

Algumas cabras, aliás, se escondem de Marcone numa das casas em ruínas enquanto ele passeia por seus escombros. “Num dia de 2010, Renato começou a plantar eucalipto”, recorda. “Eu nunca tinha visto aquela árvore antes, e não entendia nada. ‘O que será isto, que fruta será que ela dá?’ Porque sempre comemos o qie sai da terra. Depois entendi que essas árvores eram uma praga, que ele tinha plantado para que chupassem a nossa água. O rio secou. Era pelo desenvolvimento do Brasil, diziam. Pouco depois começaram a chegar os pistoleiros. Empregados deles que se metiam nas nossas casas com armas, pedindo de comer. Nós lhes dávamos galinha e não cobrávamos. Diziam: ‘O patrão comprou a terra, acabou essa história de vocês viverem aqui de graça’. Derrubaram esta casa, do tio da minha mulher. Está vendo como foram escalando o conflito?”

Marcone sai das ruínas e se encaminha a outra construção: “Um sujeito se enfiou na minha casa uma noite, com o revólver na cintura. A coronha aparecia pelo cinto. ‘Vamos resolver isto já, vocês precisam ir embora hoje.’ E não fomos. No dia seguinte, vimos que tinham levado o gado. Sequestraram os animais e não lhes deram de comer durante 16 dias. Quando nos devolveram, estavam mortos de fome. Outro dia, às sete da manhã, já estavam aí, dando uma surra nos animais. Perguntaram para uma moça que estava cortando coco no campo se ela não tinha medo das balas. A polícia não vinha quando a gente chamava. Só respondia aos chamados do coronel. Assim, um susto atrás do outro, durante anos. E pior era o tempo entre os sustos, a tensão. Somos gente do campo, não sabemos como lidar com isso”.



Marcone Ramalho entre eucaliptos queimados em Forquilha (Piauí) 

Já chegou a outra casa deserta. “Aqui morava Luis de Nerán, um dos nossos mais-velhos. A tia dele morreu, sabe-se lá se não foi do estresse do conflito. Fomos todos ao velório, menos Luis, que ficou e viu alguém vindo e tacando fogo nos eucaliptos. Morreu de enfarte. Enterramos ele junto com a sua tia. Os mais velhos são importantes. Sabem coisas da lavoura que a gente não sabe. Isso nós também perdemos.”

O caminho de volta o leva por uma casa grande de alvenaria. É a do forasteiro que eles consideram o estopim de tudo isto.

***

Maciel Bento dos Santos, um homem de 39 anos, seco como o chão do Piauí, nunca teve terra, por isso sabe bem como é trabalhar a de outros. Seus pais, do interior do Estado, foram arrastando os seus oito filhos de gleba em gleba, conforme conseguissem trabalho. Ele era o caçula. Aos sete anos já dava sinais de inteligência, e o mandaram para morar com seu tio em Uruçuí, perto de Forquilha. Passou o primário, pediu para fazer o colegial, e depois insistiu em se formar em agronomia. “Eu queria saber das coisas, não queria ficar quieto”, recorda hoje. O que ele fez também foi engravidar uma moça de Forquilha. Pouco depois, estavam morando juntos.

O culto a Renato que se vivia naquele lugar não o seduziu. “Ele não era tão bom. Vinha com documentos sobre a propriedade da terra que não tinham validade nenhuma e obrigava todo mundo a votar no PMDB, onde tinha amigos na prefeitura. Se não ganhasse, e uma vez não ganhou por 14 votos, abria o arroz para que os insetos comessem.” Aquela comunidade precisava de um guia. Maciel começou a falar com todas as famílias separadamente. Disse-lhes que as coisas não tinham que ser desse jeito. Numa eleição, as convenceu a votarem em outro partido. Então, relata, começaram as tensões. Primeiro Raimundo, o patriarca, deixou de falar com ele, por ser agitador. Depois chegaram os pistoleiros.


Maciel Bento dos Santos na casa dele em Forquilha (Piauí) 

“Um dia, passeando, meu cunhado me disse que uma moto estava seguindo a gente. Foi quando eu soube que os pistoleiros me perseguiam. Estavam em todo lugar, na cidade, nas lojas, na propriedade.” Não se importou muito: era o preço da luta. Até que um dia, em 2015, recebeu um telefonema no posto de gasolina onde trabalhava. “Tinham entrado uns quantos na minha casa e não saíam. Estavam com meus filhos e minha mulher. Não deixavam eles saírem. Não arredavam…” Aqui não há jeito seco que resista: Maciel começa a soluçar de angústia. “Tinha 14 pessoas com escopetas de alto calibre na sala da minha casa, com meus meninos. O pessoal tinha chamado a polícia, mas não vinham. Liguei para um agente da polícia de Uruçuí e fomos correndo de moto.” Naquela tarde, compreendeu até que ponto estava metido no conflito de Forquilha. Largou o trabalho e se dedicou a lutar contra Renato. O dia todo, todos os dias.

Sua estratégia foi pedir ajuda fora, a quem lhe respondesse, o mais longe possível de Forquilha. Renato controlava o município, mas, ao contrário de outros, Maciel conhecia o mundo fora dele. Pediu ajuda a entidades religiosas, como a Comissão Pastoral da Terra, a organizações como a Action Aid, a sindicatos, à polícia de Uruçuí. Acabou reunindo forças suficientes para enfrentar Renato. Hoje, ele sumiu da região. E Forquilha está se reconstruindo. Há novos projetos, e Maciel ajuda na construção.


Maciel Bento dos Santos no rio da ilha Forquilha (Piauí) 

Um deles é uma casa de farinha, algo existente em quase todas as propriedades para beneficiar a mandioca, fundamental na alimentação. Também há uma escola, para que as próximas gerações possam estudar, como fez Maciel, e não voltem a cair nas mãos de um coronel. Depois virá um posto de saúde. Na terra dos gigantes é possível ser pequeno e vencer.

“Vejo que o meu filho vai sofrer para manter o seu pedaço desta terra”, reflete Marcone em outro de seus passeios. “Vencemos, mas não me sinto como um vencedor.”

Sussuarana (TO)

Com as histórias do Cerrado acontece o mesmo que com as famílias felizes: quase todas se parecem. São histórias de opressão, e às vezes só muda o nome de quem faz o papel de Davi, e quem faz o de Golias. Fala-se obsessivamente da luta contra a indústria, como na Catalunha se fala de independência e nos Estados Unidos de Donald Trump. É uma região do tamanho de um país e, cada vez mais, esta é sua cultura. E, como toda cultura, tem seus artistas. Como Pedro, de 47 anos: no papel ele não faz nada, exceto algum trabalhinho eventual para que alguém lhe pague a gasolina da moto do seu filho mais velho, que ele usa. Com ela se desloca envolto numa nuvem de poeira por Sussuarana, no leste do Estado mais central do Brasil, Tocantins. Ele mesmo admite que, embora viva em uma gleba desta comunidade rural há 30 anos, não trabalha muito a terra. Sua mulher, sentada atrás dele, assente com semblante severo ao ouvi-lo dizer isto.


O artista conhecido como Pedro de Piauí

Mas em Sussuarana Pedro é considerado fundamental: conhece todo mundo, e todo mundo que o conhece fala da luta. “Outros estão trabalhando e não têm tempo para a luta, e eu quero para os meus filhos o que eles merecem”, diz ele. É ele que vai aos tribunais (não sabe ler muito bem, mas sabe esgrimir um mapa na cara de um juiz: “sei o que eu falo num tribunal”) e que mantém a luta na boca de todos. “Digamos que faço isto por meu grande coração”, acrescenta. E sorri, como se tivesse gostado da ideia.

Esta comunidade nasceu quando um programa fundiário oficial entregou terras a 36 famílias da região. Desde então, as condições se tornaram mais difíceis, os fazendeiros fazem suas sessões de “persuasão” acompanhados de pistoleiros, e as expropriações foram se transformando em alternativas cada vez mais reais. Hoje restam seis famílias. Todas dançam ao compasso de Pedro.

“Não é eu que queira bancar o herói, é que se não fizer, ninguém faz”, continua. “Nunca imaginei que fosse ter tanta desenvoltura.” Sua mulher nega com a cabeça.


A esposa do Pedro, em Sussuarana (Tocantins) 

O papel do Pedro implica reunir os seus vizinhos em algumas das casas, onde supostamente são discutidas estratégias para o futuro. Quando esse tema fica esgotado, a conversa volta ao passado. Hoje é na casa de João José, onde há um círculo de cadeiras de jardim. Ocupam-no Pedro, João José, seu irmão Alexandre, e outro morador. Também estão suas mulheres, que olham em silêncio e servem limonada.

Começam a contar histórias que soam sempre iguais. Sempre há um papel que falta para resolver um trâmite, um fazendeiro que burlou parte da legislação, uma prefeitura em conivência com algum empresário. Sempre há um detalhe. Tão pequeno que nenhum tribunal admitiria como prova, mas que esmaga toda a comunidade. Pedro está reclinado em sua cadeira, barriga para fora, os braços atrás da nuca.

Alexandre conclui a sua: “Em 2002 tiraram a terra dos meus pais. Deixaram 80 hectares para cada um de nós”.

Pedro intervém para corrigir: “Cem! E sem luta teria menos”.

João José recorda: “E tiraram elas da gente dizendo que não tinha ninguém lá…”.

Alexandre: “E a mãe do meu pai tinha morrido aqui. Foi em 1968”.

João José: “63”.

Alexandre: “Não, 65. E queriam tirar elas da gente do mesmo jeito”.

Uma comunidade próspera pode forjar a sua própria cultura. Uma pobre e ameaçada é obrigada a manter uma mentalidade específica, a que lhe permite sobreviver. No caso de Sussuarana, como em quase todo o Cerrado, essa cultura é a da luta. A luta invade seu tempo livre, suas conversas, sua música, e até seu modo de ver a vida. Nesse sentido, Pedro é o artista que esta comunidade necessita. É quem mantém a cultura vigente. Quem alonga a sombra do inimigo e faz com que as histórias antigas soem novas mais uma vez.


Sussuarana (Tocantins) 

Pedro: “A água está baixando, vocês viram?”.

João José: “Eu saí por aquela porta sem um centavo. Sem arma. Não tinha nada que fazer. E falei para eles: ‘Onde vocês querem que eu fique?’”.

Alexandre: “O problema, está bem claro, é que teriam te matado para te tirar”.

João Jose: “Minha sobrinha tem dez anos. Agora continuam ameaçando a gente porque não temos dinheiro, e só vale quem tem dinheiro. Comigo faz três anos me arruinaram o arroz e não sabemos o que fazer”.

Alexandre: “O problema, está bem claro, é que vivíamos num lugar cobiçado”.

João José: “Um lugar cobiçado”.

A história continua, de uma boca para outra, rumo a lugar algum. Lá fora tudo está imóvel. Não há brisa. O sol abrasa a terra. O ronco de um porco no seu chiqueiro é a única coisa que delata a passagem do tempo. São cinco horas de uma tarde qualquer no Cerrado. Amanhã, a luta continua.

Texto: Tom C. Avendaño  //  Fotos: Felipe Fittipaldi

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/21/politica/1521648714_928895.html

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