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24 de abr de 2017

Novo espaço na Reserva Natural Salto Morato vira centro de integração da Mata Atlântica

Novo auditório na Reserva Natural Salto Morato, no litoral norte do Paraná, será um espaço para fomentar ações ligadas à conservação da natureza.



A Reserva Natural Salto Morato, localizada no município de Guaraqueçaba, a 163 quilômetros de Curitiba, ganhou um novo espaço em suas instalações, que estimulará discussões sobre temas ligados ao meio ambiente e conservação da biodiversidade. O auditório Morato foi inaugurado na última terça-feira (18) na Reserva Natural Salto Morato.

O espaço tem capacidade de 40 pessoas e todos os recursos disponíveis nele permitirão a realização de seminários, aulas de campo e eventos diversos, cujos objetivos sejam fundamentados na conservação da natureza e na melhoria da qualidade de vida das pessoas. “O nosso objetivo é que os atores ligados à conservação da natureza, sejam instituições privadas ou órgãos públicos, utilizem esse espaço para criar ações, promover debates e enriquecer a gama de realizações em prol da causa. Queremos consolidar a Reserva Natural Salto Morato como um centro de integração da Mata Atlântica” comenta Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.


O evento de inauguração do espaço contou com a presença de Miguel Krigsner e Artur Grynbaum, fundador e presidente do Conselho Curador e diretor-presidente da Fundação Grupo Boticário, respectivamente, bem como de executivos do Grupo Boticário, empresa mantenedora da Fundação. Além disso, estiveram presentes no evento representantes de instituições públicas e privadas da causa ambiental, pesquisadores e órgãos públicos ligados a iniciativas de pesquisa e conservação da natureza, como o Instituto Federal do Paraná e o Batalhão da Polícia Ambiental do Paraná.

A Reserva Natural Salto Morato é uma Unidade de Conservação (UC) mantida pela Fundação Grupo Boticário desde 1994 e, em 1999, foi reconhecida pela Unesco como Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade. São 2.253 hectares que integram a maior área contínua de Mata Atlântica no país, com expressiva concentração de espécies de aves que ocorrem apenas nesse bioma, sendo várias delas ameaçadas de extinção. Desde sua criação já foram identificadas na reserva 646 espécies vegetais vasculares, 93 espécies de mamíferos, 325 espécies de aves, 36 espécies de répteis, 61 espécies de anfíbios e 55 espécies de peixes.

Mais informações sobre disponibilidade e agendamento do espaço podem ser solicitadas pelo e-mail contato@fundacaogrupoboticario.org.br

Fonte: http://www.xapuri.info/news
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Brasileiros tomam cinco litros de veneno por ano devido a agrotóxicos nos alimentos



De repente, as primeiras barracas de produtos orgânicos vão surgindo nos bairros e em pouco tempo as feirinhas aumentam de tamanho, conquistam a freguesia. Não apenas pela conversa cordial e amena dos produtores, geralmente pessoas de cabeça arejada, mas porque cresce na população a consciência de que a poderosa propaganda do agronegócio nacional o que faz é tentar esconder uma realidade dramática, escancarada, nesta semana, pelo chamado Dossiê Abrasco – um alerta da Associação Brasileira de Saúde Coletiva sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde. Dados apontam que 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por essas substâncias e o que é ainda mais grave: desse percentual, 28% delas não são autorizadas pela Anvisa, isto sem contar o excesso contido em grãos geneticamente modificados, que entram na comida processada. No topo da lista dos alimentos com maior quantidade de “veneno” estão justamente a soja (40%) e o milho (15%). Aliás, a julgar pelo mal trazido à saúde dos consumidores, este é mesmo o termo mais apropriado para denominar tais substâncias. A título de ilustração do dano, seria como se cada brasileiro tomasse um galão de cinco litros de veneno por ano, na avaliação do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

O INCA, inclusive, não se cansa de alertar para a ligação que o uso excessivo de agrotóxicos tem com a incidência de certos tipos de câncer e de doenças genéticas. No entanto – evidentemente, pelo poder econômico do agronegócio – o Brasil segue ocupando a primeira posição no ranking mundial de consumo deles. Enquanto se mantém no topo da lista, desde 2008, e leva o setor a crescer 190% em uma década o Brasil dá mostras de que caminha na contramão da tendência mundial de se ver livre da ameaça, pois mais da metade dos que hoje são largamente usados por aqui já foram banidos dos Estados Unidos e de países da União Europeia. Ter a saúde seriamente afetada parece ser, para populações que vivem no lado subdesenvolvido do planeta, apenas uma questão de tempo. As autoridades de saúde admitem que os casos de intoxicação aguda e crônica provocados pelos agrotóxicos já chegam a 70 mil por ano. Considerando a extrema gravidade da situação, o Ministério Público Federal acaba de enviar à Anvisa documento solicitando que seja concluída urgentemente a reavaliação toxicológica do glifosato, reconhecidamente perigoso, para que o herbicida – campeão de vendas em 2013, segundo o Ibama – desapareça definitivamente do mercado nacional. O pedido de urgência faz todo o sentido, uma vez que, em março, um estudo da OMS, do INCA e da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer o associaram ao surgimento da doença.

É fácil deduzir que por trás da dificuldade do Brasil em se ver livre de ameaça tão alarmante esteja a força da indústria e da bancada ruralista, ostensivamente determinada a defender os interesses dos grandes produtores. Assim estaria explicada, em parte, a demora da Anvisa em concluir essas análises – a do 24D, por exemplo, substância presente na composição do chamado “agente laranja”, com que o exército dos EUA pulverizou cidades do Vietnam durante a Segunda Guerra Mundial e até hoje faz nascer crianças sem membros superiores e inferiores, teve início em 2006 e segue sem definição, enquanto a do glifosato começou em 2008. Neste campo, otimismo é uma palavra que não acha espaço, justamente pela pressão vinda dos grupos econômicos para que o país não mude uma vírgula da situação. Acredita-se que mesmo a Justiça conseguindo suspender o uso, o mal só sairá das prateleiras quando acabar os estoques. Portanto, considere a possibilidade de olhar com mais simpatia para as feiras de orgânicos, que pesam cerca de 30% a mais no orçamento em relação aos produtos “envenenados”, mas, ao contrário desses, trabalham a favor da perspectiva de maior longevidade. Não pode haver, sem dúvida nenhuma, relação custo x benefício que deva ser mais levada em conta.


Fonte: Diário de Pernambuco - http://espacoecologiconoar.com.br/
saúde

23 de abr de 2017

CONHEÇA O CAMINHO DA MATA ATLÂNTICA



O Movimento Borandá tem o objetivo de interligar diversas áreas ambientais protegidas, por meio de uma trilha de longo alcance batizada de Caminho da Mata Atlântica. O percurso terá mais de 2 mil quilômetros de caminhos interligados, que passam por 70 unidades de conservação públicas e privadas ao longo de quatro estados – Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

O percurso ainda não está completo, mas com o esforço e a colaboração de toda a sociedade – incluindo poder público, ONGs, sociedade civil organizada, esperamos completar a trilha um dia. A boa notícia é que você pode contribuir de maneira divertida e prazerosa. Conhecendo a trilha, valorizando o Caminho da Mata Atlântica e convidando outras pessoas a fazer o mesmo.

E aí? Borandá?

Trilha interliga diversas áreas ambientais protegidas com grande diversidade natural, em ecossistemas que possuem muitas espécies de plantas e animais diferentes.

O Complexo Florestal Atlântico, mais conhecido como Mata Atlântica, possui 1.315.460 km², segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Abrange diversos biomas florestais que interagem de maneira complexa ao longo do litoral Brasileiro. Os 4 principais biomas florestais que fazem parte da Mata Atlântica são: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Estacional Decidual. Além disso, também existem biomas de menor expressão como florestas paludosas, jundus, manguezais e campos rupestres.



Com o objetivo facilitar ações de preservação de sistemas tão ricos em fauna e flora, a Mata Atlântica foi dividida em 15 ecorregiões (áreas extensas com condições ambientais semelhantes).



O Movimento Borandá interliga diversas áreas ambientais protegidas, por meio de uma trilha de longo alcance batizada de Caminho da Mata Atlântica – localizado na Ecorregião Serra do Mar. O percurso completo terá mais de 2 mil quilômetros de caminhos interligados, que passam por 70 unidades de conservação públicas e privadas ao longo de quatro estados – Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

A Ecorregião Serra do Mar contém ecossistemas de florestas ombrófilas densas de terras baixas, submontanas, montanas e alto montanas, além de biomas menores de florestas aluviais, paludosas e de várzea, vegetação de praias, de dunas, jundus e manguezais.

A fauna na Ecorregião Serra do Mar abriga 9 espécies de primatas, 75 espécies de serpentes, 1.020 espécies de aves e mais de 1.000 espécies de borboletas.
Muitas espécies de animais do local são compartilhados com ecorregiões vizinhas, como por exemplo, os primatas. Quatro das nove espécies (sagui-estrela preto, macaco-prego, mono-carvoeiro e bugio) concentram-se na floresta ombrófila densa, mas são encontradas também em florestas ombrófilas mistas e florestas estacionais semideciduais, que fazem parte de ecorregiões próximas. Apenas duas são encontradas apenas em partes distintas da Ecorregião Serra do Mar.

Entre as espécies de mamíferos, destacam–se diversos gêneros de roedores, como por exemplo Delomys spp, Rhagomys spp e Phaenomys spp, dentre outros. Alguns são tão raros que só foram descobertos ao longo da década de 1990.

Das 200 espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica, 30 são distribuídas apenas na Ecorregião Serra do Mar, sendo que algumas são bastante raras de se encontrar. Ao longo das serras dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a quantidade de espécies diminui das baixadas para as regiões de maior altitude.

Em relação a serpentes, existem 20 espécies exclusivas da Ecorregião Serra do Mar, com destaque para as jararacas insulares e a jiboia Corallus Cropani, muito rara. Além das cobras, lagartos e quelônios endêmicos a este bioma também são encontrados na região.

A espécies de anfíbios existentes no local também são muito diversificadas e algumas de suas características estão associadas a riachos de corredeira. A quantidade de espécies de invertebrados também é muito rica na Ecorregião Serra do Mar. Nela, já foram catalogadas milhares de espécies de insetos e algumas ainda estão para serem descobertas.

No bioma Serra do Mar, também são encontradas diversas espécies ameaçadas de extinção como, por exemplo a onça pintada, a harpia e a queixada.

Sem dúvida, a preservação de toda essa riqueza natural, tanto em relação à fauna quanto à flora, é de extrema importância para a sustentação da vida e equilíbrio ecológico de toda a região, com reflexos em todo o planeta. Convidamos você a conhecer toda essa beleza. Venha caminhar por uma das trilhas do Caminho da Mata Atlântica! Borandá!


Fonte: http://movimentoboranda.org/

variedades

22 de abr de 2017

Dia da Terra: filósofo holandês escreve Carta à Humanidade

Koert van Mensvoort, filósofo holandês – fundador da Next Nature Network e membro da ‘Next Nature’ na Universidade de Tecnologia em Eindhoven – escreveu uma ‘Carta para a Humanidade’ em apoio ao Dia Internacional da Terra, comemorado no dia 22 de abril. Em sua carta, ele convoca a humanidade a evitar se tornar escrava e vítima de sua própria tecnologia, mas empregar a tecnologia para aprimorar a raça humana.



Querida Humanidade,

Parece estranho escrever-te uma carta, admito. As cartas são geralmente dirigidas a um indivíduo ou a um grupo limitado de pessoas. Não é habitual escrever para a humanidade como um todo. Tu nem tens um endereço postal, e eu duvido que recebas muita correspondência. Ainda assim, pensei que estava na hora de te escrever.

Obviamente, eu compreendo que não posso chegar completamente a todos – porque a humanidade não só consiste em cada pessoa que está viva agora, mas também em todos os que já viveram. São 107 mil milhões de pessoas. E depois há todos os outros que ainda não nasceram – espero que haja muitos deles. Voltarei a isso mais tarde, mas antes de falar sobre o futuro, gostaria de olhar para trás.

Fizemos um longo caminho, querida humanidade.

Nenhum outro animal moldou os seus arredores tão completamente como tu. Começou há algum tempo, há cerca de 200.000 anos atrás. Naquela época, não existia nenhum prémio Nobel por ter a brilhante ideia de usar peles de animais para manter o calor, ou controlar o fogo, ou inventar a lança ou o sapato. Todas estas foram invenções excecionalmente inteligentes que não apenas te permitiram sobreviver no teu indisciplinado habitat natural original, como também te permitiu moldá-lo à tua vontade e dominá-lo.

Os seres humanos nem sempre foram tão poderosos. Durante muito tempo, foste uma espécie marginal, sem importância, localizada nalgum lugar no meio da cadeia alimentar, sem mais controlo sobre o teu ambiente do que os gorilas, borboletas ou alforrecas. Mantiveste-te vivo principalmente colhendo plantas, apanhando insetos, perseguindo pequenos animais e comendo carcaças deixadas por predadores muito mais fortes, com os quais viveste em constante medo.

Sabias que há mais variação genética no grupo de chimpanzés normal do que há entre os 7 mil milhões de pessoas que vivem na Terra hoje? Os pesquisadores acreditam que isso ocorre porque os seres humanos quase se extinguiram uma vez e a população global de hoje descende de alguns sobreviventes. Esse facto obriga-nos a sermos modestos. Na realidade, é um milagre estarmos aqui.

Fisicamente, em comparação com muitos animais, os seres humanos são criaturas surpreendentemente frágeis. Que outro animal entra no mundo nu, gritando e relativamente desamparado, presa fácil para qualquer predador que apareça? Um cordeiro recém-nascido pode andar dentro de algumas horas; uma criança humana leva cerca de um ano para ficar sobre os seus próprios dois pés. Outros animais têm sentidos específicos, órgãos e reflexos que lhes permitem sobreviver em ambientes específicos, mas tu não estás naturalmente equipado para qualquer habitat em particular. No entanto, esta fraqueza aparente também provou ser uma força, permitindo-te a propagação da savana até ao Polo Norte, ao fundo do oceano e à Lua! Essa é uma conquista única.

Algumas pessoas até pensam que devias ir além da terra e povoar o universo. Por si mesmo, essa é uma ótima ideia, mesmo que seja para evitar que sejas destruído algum dia quando um meteorito maciço atingir o planeta. Isso seria uma vergonha. Para ser honesto, porém, penso que é um pouco cedo para procurares refúgio noutros mundos. Primeiro, vamos tentar resolver alguns problemas no nosso planeta natal. Porque tem que ser dito que a tua presença na terra causou problemas: aquecimento global, desflorestação, plástico nos oceanos, radiação ionizante, biodiversidade em declínio. É o suficiente para fazer uma pessoa deprimida. Às vezes parece que fazes mais mal do que bem!

Muitas vezes encontro pessoas que acreditam que o planeta seria melhor se não estivesses aqui. Espero não te ofender dizendo isso, querida humanidade, mas sinto-me obrigado a dizer-te que há aqueles entre nós que desconfiam de ti, olham para ti com desprezo ou simplesmente não gostam de ti porque pensam que estás a arruinar o planeta. Eu apresso-me a acrescentar que eu não sou um deles. Eu sempre tive dificuldade em entender tal misantropia, porque, em última análise, é uma forma de ódio próprio.

De onde vem essa desconfiança da humanidade? Numa investigação mais aprofundada, descobri que os infetados com ela têm uma imagem particular da humanidade que, na minha opinião, é completamente incorreta: eles vêem-na como uma espécie antinatural, que não pertence verdadeiramente à natureza romântica, bela e harmoniosa. Creio que este é um preconceito ingénuo que não nos ajudará a avançar, e devemos livrar-nos dele o mais rápido possível. Para entender essa ideia, precisamos de começar no início.

A Terra surgiu há mais de 4,5 mil milhões de anos. No início, não passava de uma pedra solitária no espaço, e levou mais de mil milhões de anos até que a biosfera do planeta se começasse a formar. Depois disso, levou cerca de 2 mil milhões de anos mais para as primeiras plantas multicelulares evoluírem. Outros mil milhões de anos depois, durante a explosão Cambriana, surgiu no planeta um tipo de vida completamente novo: os animais.

Os primeiros animais surgiram em cena há 500 milhões de anos. Não sabemos como as plantas, que já existiam há cerca de mil milhões de anos, sentiram o surgimento dos animais. Como sabes, as plantas gostam de ser deixadas em paz; Elas não se movem muito e retiram sustento do sol e do solo. Agora, eu não sei o que as plantas pensam, uma vez que eu não posso falar com elas, mas não me parece impossível que elas tenham achado agitado e desconfortável ter que aturar os animais ao seu redor. Talvez até tenham visto os animais como antiéticos, não apenas porque fundamentalmente não tinham raízes e viviam num ritmo inimaginável, mas mais porque faziam algo que naquela época era completamente novo, nunca visto e abominável: os animais comiam plantas.

Tudo considerado, a chegada dos animais pode não ter sido muito divertida para as plantas. A evolução é incessante, porém, e embora uma terra povoada apenas por plantas estava bem como estava, também era um pouco maçador, ou no mínimo, menos emocionante do que uma que continha animais também (eu vou poupar-te a uma descrição de como era no tempo em que a terra não tinha plantas, apenas pedras, o que era ainda mais maçador).

Então, de volta para o papel da humanidade. Assim como o surgimento dos animais abalou o mundo vegetal, a tua chegada também causou problemas. Lembra-te, acabaste de chegar aqui. Os animais existem há cerca de 2.000 vezes mais tempo que os humanos, e a vida vegetal simples há mais de 7.000 vezes mais tempo. Mas eu não estou a dizer isso para te obrigar à modéstia, porque eu penso que és incrível.

Embora sejas fundamentalmente uma espécie animal, há algo inteiramente único sobre ti, que tem menos a ver com a construção física humana – que, como eu disse, é menos do que impressionante – e mais com a tua tendência inerente para usar a tecnologia. Enquanto outras espécies de animais industriosos transformam os seus arredores – pensa em tocas de castor e montes de térmitas – nenhum deles o faz tão radicalmente como tu. Estou a usar a palavra “tecnologia” no sentido mais amplo: por “tecnologia”, quero dizer todas as formas como o pensamento humano tem um impacto no mundo que nos rodeia – roupas, ferramentas e carros, mas também estradas, cidades, alfabeto, redes digitais, e até mesmo empresas multinacionais e o sistema financeiro.

Desde que nasceste, estás a construir sistemas tecnológicos para te libertares das forças voluntárias da natureza. Começou com um teto sobre a tua cabeça que te protegeu de uma tempestade e tem prosseguido todo o caminho até às drogas modernas para o tratamento de doenças mortais. Tu és tecnológica por natureza. Mas como um peixe que não sabe que está a nadar na água, tendes a subestimar o quão intimamente a tua vida está entrelaçada com a tecnologia e quanto é feito para ti. Olha para a esperança de vida, por exemplo. No início da tua existência, o ser humano médio não poderia esperar viver muito além da idade de 30 anos. Em parte por causa das elevadas taxas de mortalidade infantil, podias contar com a tua própria sorte se ficasses por aí o tempo suficiente para te reproduzires. Da perspetiva da Mãe Natureza, isso é inteiramente normal. Se vires um casal de patos com uma dúzia de patinhos a nadar atrás deles na primavera, não deves surpreender-te se existirem apenas dois, ou com sorte talvez três, restantes até ao fim do verão.

A tecnologia faz parte de nós, da mesma forma que as abelhas e as flores evoluíram para serem interdependentes. À medida que as abelhas apanham o néctar, elas ajudam as flores a reproduzirem-se, espalhando o seu pólen. Os seres humanos são dependentes da tecnologia, e vice-versa. A tecnologia precisa de nós para se espalhar e reproduzir. E a humanidade, que ajuda enorme tem sido nesse ponto! A tecnologia tornou-se tão omnipresente no nosso planeta que abriu um novo ambiente, um novo cenário, que está a transformar toda a vida na Terra. Uma tecnosfera – uma ecologia de tecnologias interativas que evoluiu após a tua chegada – desenvolveu-se em cima da biosfera existente. O seu impacto sobre a vida na Terra dificilmente pode ser subestimado e é comparável, e talvez ainda maior, ao do aparecimento dos animais há 500 milhões de anos.

De uma perspetiva evolucionária, tudo isso é o habitual. A natureza baseia-se sempre nos níveis de complexidade existentes: a biologia baseia-se na química, a cognição baseia-se na biologia, o cálculo baseia-se na cognição. Mas do seu ponto de vista, é excecional. Não consigo pensar noutra espécie cuja presença tenha desencadeado uma nova fase evolucionária, libertando-se de uma evolução baseada em compostos de ADN, gene e carbono, com milhões de anos. Assim como o ADN evoluiu a partir do ARN, as tuas ações tornaram possível um salto para a evolução não genética em novos materiais, como chips de silício. Embora não tenha sido um ato consciente, as consequências não são menores. A tua presença transformou a face da Terra tão fundamentalmente que o impacto ainda será visível daqui a milhões de anos. Esta é a tua obra, mas, até agora, tu mal pareces tê-lo percebido, e muito menos foste capaz de tomar uma posição clara em relação a isso.

Agora, eu compreendo que isso está longe de ser uma tarefa simples, só porque tu, a humanidade, não és um único ser pensante, mas uma confusão de milhões de indivíduos, todos com os seus próprios pensamentos, necessidades e desejos, que não estão realmente equipados biologicamente para pensar a um nível planetário em larga escala. No entanto, parece-me ser a questão mais premente do momento. Tu estás numa encruzilhada. E é por isso que te estou a escrever.

No que diz respeito ao futuro, vejo dois caminhos possíveis ao longo dos quais podes desenvolver uma relação coevolucionária com a tecnologia: o caminho dos sonhos e o dos pesadelos. Vamos começar com os pesadelos. Toda a relação coevolucionária – seja entre abelhas e flores ou entre humanos e tecnologia – corre o risco de se tornar parasita. As relações parasitas, em contraste com as simbióticas, carecem de reciprocidade. Uma sanguessuga, uma ténia ou um cuco não devolvem nada ao seu hospedeiro; apenas tiram. Poderia a tensão que sentimos em torno da tecnologia ter algo a ver com isso? Apesar de usarmos a tecnologia desde tempos imemoriais, porque nos serve e estende as nossas capacidades, os seres humanos correm o risco de ser os que servem a tecnologia, de se tornarem um meio em vez de um fim, tornando-se hóspedes da tecnologia. Um exemplo pode ser visto na esfera farmacêutica. A medicação é, sem dúvida, uma tecnologia que salva vidas, mas quando as empresas farmacêuticas tentam maximizar os seus próprios números de crescimento, convencendo todos os que se desviam da média estatística de qualquer forma que ele ou ela tem uma doença e precisa do medicamento apropriado, temos que perguntar se eles estão realmente a servir a humanidade ou apenas a satisfazer as necessidades da indústria e dos seus acionistas.

Onde fica exatamente a fronteira entre as tecnologias que facilitam a nossa humanidade e aquelas que nos encaixotam e roubam o nosso potencial inato? O espectro final é que tu, a humanidade, acabas por te tornar nada mais do que o órgão sexual que um organismo tecnológico maior requer para se reproduzir e se espalhar. Formas de vida encapsuladas dentro de outras maiores podem ser encontradas noutras partes da natureza: por exemplo, pensa na flora intestinal que executa várias tarefas úteis dentro dos nossos corpos. Será que em breve não seremos mais do que os micróbios na barriga da besta tecnológica? Nesse ponto, a humanidade não será mais um fim, mas um meio. E eu não vejo isso como desejável, porque eu sou uma pessoa, e eu estou a jogar pela equipa da humanidade.

Agora para o sonho.

O sonho é que tu acordas e percebes que ser um humano não é um ponto final, mas um processo. A tecnologia não altera só o nosso ambiente, em última análise, altera-nos. As mudanças vindouras permitirão que tu sejas mais humano do que nunca. E se usarmos a tecnologia para ampliar as nossas melhores qualidades humanas e para nos apoiar nas nossas fraquezas?

Poderíamos chamar a essa tecnologia de humana, à falta de uma palavra melhor. A tecnologia humana tomaria as necessidades humanas como ponto de partida. Isso serviria os nossos pontos fortes, em vez de nos tornar supérfluos. Ela expandiria os nossos sentidos ao invés de os embotar. Seria sintonizada com os nossos instintos; pareceria natural. A tecnologia humana não só serviria os indivíduos, mas, em primeiro lugar, a humanidade como um todo. E por último mas não menos importante, iria perceber os sonhos que nós os seres humanos temos sobre nós próprios.

Então, com o que sonhas? Voar como um pássaro? Viver na Lua? Nadar como um golfinho? Comunicar pelo sonar? Telepatia com os teus entes queridos? Igualdade entre os sexos e as raças? A empatia como um sexto sentido? Uma casa que crescesse com a tua família? Queres viver mais? Talvez pudesses viver para sempre.

Ouve, humanidade: tu já foste uma espécie relativamente insignificante, mas os teus dias de infância acabaram. Graças à tua inventividade e criatividade, levantaste-te da lama da savana. Tornaste-te num catalisador evolucionário que está a transformar a face da Terra. Esse processo não está completo. Tu és uma dobradiça entre a biosfera de onde surgiste e a tecnosfera que surgiu após a tua chegada. O teu comportamento afeta não apenas o teu próprio futuro, mas o planeta como um todo e todas as outras espécies que vivem nele. Essa não é uma responsabilidade pequena.

Se não pensas que estás equipado para isso, devias ter ficado na tua caverna. Mas esse não é o teu estilo. Tens sido tecnológica desde o dia em que nasceste. O desejo de voltar à natureza é tão compreensível quanto impossível. Não só seria covarde diante do desconhecido, mas negaria a tua humanidade. Não podemos imaginar o futuro da humanidade sem pensar no futuro da tecnologia. Deves seguir em frente – mesmo que só agora tenhas chegado aqui. Tu és uma adolescente, mas está na hora de crescer. A tecnologia é o autorretrato da humanidade. É a materialização do engenho humano no mundo físico. Vamos fazer uma obra de arte de que nos possamos orgulhar. Vamos usar a tecnologia para construir um mundo mais natural e traçar um caminho para o futuro, que funcione não só para a humanidade, mas para todas as outras espécies, o planeta e, finalmente, o universo como um todo.

Para encerrar, eu gostaria de te pedir que faças algo. Gostaria de convidar cada um de vocês – vivendo e ainda não nascido, na Terra e noutros lugares – a fazer uma simples pergunta sobre cada mudança tecnológica que aparece na tua vida: isto aumenta a minha humanidade?

A resposta geralmente não será preto ou branco, sim ou não. Mais frequentemente, será algo como 60 por cento sim, 40 por cento não. E às vezes discordarás com outras pessoas e terás de debater o assunto antes de chegar a um acordo. Mas isso é bom. Se todos nós consistentemente optarmos por tecnologia que aumenta a nossa humanidade, eu sei que vais ficar bem. Como? Isso continua por ser visto. Ninguém sabe como serão os seres humanos daqui a um milhão de anos, ou se haverá até mesmo seres humanos, e se assim for, se eu os reconheceria como humanos. Vamos aceitar implantes? Reprogramação do nosso ADN? O dobro do tamanho do nosso cérebro? Comunicar telepaticamente? Brotaram asas? Eu não sei e não posso saber. Mas a minha esperança é que daqui a um milhão de anos ainda haverá uma coisa como a humanidade. Porque enquanto houver humanidade, haverá seres humanos.

Do núcleo da minha humanidade humilde e imperfeita, desejo-vos felicidade, amor e uma viagem longa e empolgante.

Na expectativa de que trarás triliões de pessoas mais, tudo de melhor,

Koert van Mensvoort

PS: Nota para o leitor individual: Depois de leres esta carta, por favor passa-a a um dos teus companheiros humanos. Se quiseres fazer mais, também podes copiar, traduzir, reimprimir e distribuí-la. A humanidade somos todos nós.

Fonte: http://www.ecobrasilia.com.br
artigos

Voluntária russa do WWF fala sobre sua experiência no Movimento Borandá

Depoimento completo da voluntária russa da WWF Brasil.

Imagine ser um golfinho e nadar com os amigos golfinhos de sua tribo, no mar caribenho. Imagine ser um piloto em um show aéreo e voar junto a outros pilotos fazendo acrobacias incríveis no céu. Imagine ser um jogador de futebol de uma seleção nacional nos momentos que antecedem o início de uma partida importante. E agora, imagine-se fazendo algo maior do que você mesmo e extremamente importante para os valores que você carrega. Ao imaginar tudo isso, você vai entender melhor os meus sentimentos neste momento, ao participar da criação do Caminho da Mata Atlântica, que percorrerá 4 estados brasileiros: Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

Eu sou Irina Letyagina, voluntária russa da WWF Brasil. Sou apaixonada pela natureza desde a infância. Eu nasci na extremamente bela cidade russa de Khvalinsk, localizada entre o famoso Rio Voga, de um lado, e colinas cobertas por florestas, do outro. No inverno, minha família costumava ir para àquelas colinas para esquiar e andar de trenó. Nas férias de verão, eu gastava meu tempo às voltas do Rio Volga, nos lagos próximos e na floresta, colhendo cogumelos, morangos e brincando com outras crianças. Tive uma infância muito feliz, cheia de aventuras, atividades ao ar livre, jogos e caminhadas com meus pais. Desde então, eu amo atividades ao ar livre, especialmente longas caminhadas.

De janeiro a fevereiro deste ano, eu percorri o famoso Caminho de Santiago, por toda a Espanha, de Sevilha a Santiago de Compostela. Foram 40 dias de uma solitária caminhada através de campos, montanhas, florestas, cidades e vilarejos. Foi uma experiência fantástica de hospitalidade, trabalho físico intenso, de conexão com a natureza e com outras pessoas. Estou completamente encantada com esse tipo de viagem, natural e sem pressa.

Quando fiquei sabendo, por meio de amigos brasileiros que fiz na Espanha, do Caminho da Mata Atlântica (realizado pela WWF Brasil em colaboração com o governo, instituições e ONGs voluntárias), eu percebi que este poderia ser o projeto dos meus sonhos. Fiquei extremamente empolgada em ajudar a WWF a fazer com que as pessoas descubram a Mata Atlântica e natureza selvagem que o Brasil possui.

A trilha passa por cenários espetaculares. Você pode andar o dia todo pela floresta. Às vezes o calor é muito forte, mas você fica protegida pelas sombras de árvores gigantescas e pode ver partes do céu através das folhas. Você sente o cheiro de diferentes tipos de árvores e flores. Se você tiver sorte o suficiente, pode avistar macacos. E no meio do dia, cansada, você encontra uma cachoeira com água fria e refrescante. Aí você deita o seu corpo fatigado na correnteza e sai renovada, pronta para continuar. O dia seguinte pode ser totalmente diferente. Você anda por praias desertas, nenhuma alma à vista, somente palmeiras, o oceano, areia e a sua mochila. E então, você vê uma vila de pescadores. Barcos, redes, homem velho com os olhos no horizonte, procurando por uma corrente de peixes que flui para a lagoa. Crianças brincando com varas de pesca, mulheres lavando roupas. Você testemunha a simplicidade da vida de pessoas que vivem em harmonia com a natureza. Você pede peixe fresco para o almoço em um pequeno restaurante local, come, e está pronta para seguir viagem. No dia seguinte, você está andando na floresta novamente, mas desta vez o caminho percorre as margens de um rio. Algumas vezes você cruza o rio em uma ponte de madeira, como em um filme do Indiana Jones. É possível escutar a voz do rio. Essa voz é a música da natureza, e é melhor do que qualquer melodia escrita pelo ser humano. Seus pensamentos, brigas, memórias desaparecem. Você existe no agora e é feliz desse jeito. Você nunca se sentiu tão em paz. Você passa a noite dormindo em uma maca, do jeito que você sonhou na infância. De manhã, você bebe um pouco da água de uma nascente, escuta o cantar dos pássaros e segue com suas aventuras…

Todo dia traz alguma coisa nova, nunca é igual. A rotina não pertence à natureza, que sempre te surpreende. Tudo o que a natureza tem a oferecer, dá de graça, você precisa apenas aprender a aceitar seus presentes.

Estou extremamente feliz em participar da criação dessa trilha. Hoje em dia, o mundo se move cada vez mais rápido. Para compensar, precisamos de mais lugares onde possamos observar um tipo diferente de vida, sem todas as máquinas e resultados do progresso tecnológico. O Caminho da Mata Atlântica vai ser um lugar único no Brasil. Não será como a banda Steppenwolf e a escritora Cheryl Strayed, que querem ser selvagens apenas de vez em quando…

Fonte: http://movimentoboranda.org
destaques

21 de abr de 2017

Anfíbio raro em risco de extinção é identificado na RPPN Estadual Complexo Serra da Farofa-SC


Perereca-de-vidro Vitreorana uranoscopa. Foto: Divulgação

A Reserva Particular do Patrimônio Natural Estadual Complexo Serra da Farofa (SC), unidade de conservação mantida pela produtora e exportadora de papéis Klabin, registrou pela primeira vez a perereca-de-vidro Vitreorana uranoscopa, anfíbio raro e ameaçado de extinção. A identificação do anfíbio foi possível devido às atividades de monitoramento da fauna realizadas pela unidade, o que confirma a importância de se manter ambientes para manutenção da biodiversidade.

A espécie é típica da Mata Atlântica Sul do País e pertence à família Centrolenidae. Sua população é pequena e habita fragmentos preservados de mata ciliar e, em épocas reprodutivas, realiza a desova nas folhas que pendem sobre as águas dos riachos. As principais particularidades dessa espécie são o corpo translúcido e sua vocalização, que se assemelha a uma colher que bate em um copo de cristal, som que permitiu que a perereca fosse encontrada.

Além da perereca-de-vidro, foram diagnosticadas nesta reserva particular outras 79 espécies, entre anfíbios, répteis, aves e mamíferos, das quais seis encontram-se nas listas vermelha de espécies ameaçadas de extinção e utilizam esta unidade de conservação como abrigo.

A Klabin mantém programas de monitoramento ambiental da fauna silvestre há 14 anos em Santa Catarina e, durante este período, já identificou mais de 350 espécies da fauna regional nos mais de 11 mil hectares monitorados pela companhia.



*Com informações da Assessoria de Imprensa da Klabin

notícias

Campanha extrai música de pau-brasil para ajudar a salvar a Mata Atlântica

Iniciativa teve a colaboração do artista alemão Bartholomäus Traubeck, que transforma árvores devastadas em música.


O pau-brasil utilizado pelo músico simboliza as milhares de árvores que são extraídas diariamente da Mata Atlântica. | Imagem: Divulgação |

Para alertar contra desmatamento, uma nova campanha do Instituto Terra, em parceria com a J. Walter Thompson, foi literalmente ouvir as árvores ameaçadas de extinção na Mata Atlântica. O trabalho teve ajuda do artista alemão Bartholomäus Traubeck, que desenvolveu uma tecnologia a laser para ler e traduzir ranhuras e sulcos de um disco de pau-brasil em música: a Sinfonia do Adeus.

O artista optou por usar o som do piano para traduzir os dados extraídos em uma melodia dramática. Além de chamar atenção para o problema, o projeto pretende mobilizar pessoas e empresas para doação de recursos para as ações de reflorestamento desenvolvidas pelo Instituto Terra, ONG ambiental fundada por Lélia Wanick e Sebastião Salgado, que tem como missão o resgate ambiental em áreas degradadas de Mata Atlântica.

O pau-brasil utilizado pelo músico simboliza as milhares de árvores que são extraídas diariamente da Mata Atlântica, que tem hoje apenas 8% de seu tamanho original. “Até mesmo a nossa árvore mais simbólica, que deu nome ao nosso país, está dizendo adeus”, comenta Isabella Salton, Diretora Executiva do Instituto Terra.

Para isso, a J. Walter Thompson recorreu ao trabalho de Traubeck. “Sem utilização e fadada ao apodrecimento, usamos um anel de pau brasil para fazer as pessoas ouvirem o seu adeus”, comenta Rodrigo Grau, da Thompson.



“A Sinfonia do Adeus” estará disponível em diversas plataformas de streaming. As doações podem ser feitas por meio de valores simbólicos ou pela compra dos pôsteres artísticos do projeto, disponíveis a partir http://www.sinfoniadoadeus.com.br/

Fonte: http://ciclovivo.com.br
destaques

Diocese de Umuarama organiza Grande Vigília pela Criação e pelos Refugiados Climáticos

Catedral do Divino Espírito Santo recebe a população de várias cidades do Paraná para refletir e rezar após a missa de sábado à noite.


Inspirada na ‘Laudato Si’ e no chamamento do Papa Francisco para o cuidado da Casa Comum, a Diocese de Umuarama organiza no próximo dia 6 de maio a Grande Vigília pela Criação e pelos Refugiados Climáticos, a ser realizada a partir das 21h30 na Catedral do Divino Espírito Santo.

“A vigília deve reunir milhares de fiéis de várias cidades da região em preces pelas pessoas afetadas pelas mudanças climáticas no Brasil, na América Latina e em todo o mundo”, explica Reginaldo Urbano Argentino, coordenador de Desinvestimento da 350.org Brasil e presidente da Cáritas Paraná, responsável pela organização da vigília na Diocese de Umuarama.

A cada ano, aproximadamente 21 milhões de pessoas no planeta são obrigadas a deixar sua terra natal em busca de condições mínimas de sobrevivência. O agravamento do aquecimento global devido aumento das emissões dos gases de efeito estufa está intensificando as mudanças climáticas, que provocam secas severas ou chuvas torrenciais, o aumento do nível do mar e fenômenos radicais do clima. “Sem água e condições para produzir alimentos, nossos irmãos e irmãs migram para outros países em busca de dignidade. Estes são os refugiados climáticos que precisam do nosso apoio e oração”, completa Reginaldo.

Segundo ele, toda a comunidade, católica ou não, está sendo convidada para se juntar nessa ação de fé e esperança na defesa da Criação: “É nosso dever moral cuidar da Casa Comum e evitar a devastação promovida pela indústria dos combustíveis fósseis. Juntos, podemos mostrar aos governantes que é possível combater as mudanças climáticas que impactam as populações mais vulneráveis e impossibilitam a existência da vida no planeta”.

Além dos momentos de oração e reflexão, a programação prevê diversas atividades culturais e lúdicas, com projeção mapeada para enfatizar os efeitos destruidores das mudanças climáticas e a urgência do rompimento com a indústria dos combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás.

A ação em Umuarama faz parte do calendário de eventos da Mobilização Global pelo Desinvestimento (Global Disvestment Mobilisation – GDM) que será realizada entre 5 e 13 de maio. Capitaneadas pela 350.org, movimento internacional que denuncia as mudanças climáticas e exige dos governantes o desinvestimento em projetos fósseis, entidades de diversos segmentos da sociedade já adeririam e até agora mais de 130 eventos foram registrados nos cinco continentes para se manifestar contra os combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás.


Serviço:

Grande Vigília pela Criação e pelos Refugiados Climáticos

Data: 6 maio de 2017

Horário: 21h30m

Local: Catedral da Diocese do Divino Espírito Santo, Umuarama – Paraná

Fonte: http://naofrackingbrasil.com.br/ - https://gofossilfree.org/

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Indígenas na cidade: índios catadores contam a angústia de viver no lixão

“Vendo lixo e não tenho vergonha de falar, na minha caminhada foi fome, violência, pobreza e roubar. Nasci pra sofrer, pode crer, pra cair, levantar, errar e aprender. A caminhada é dura, tudo é fase. Zona oeste é meu lugar, nesse canto da cidade. Eu sou a voz ativa da perifa, a voz dos oprimidos, a voz dos loucos, das minas e dos bandidos, dos esquecidos pela sociedade, dos humildes que não têm vez aqui nessa cidade.”

A melodia e a letra notadamente urbanas do rap servem de canal para expressar as angústias do catador de material reciclável e indígena wapixana Charlesson da Silva, de 18 anos. Ele não tem vergonha de trabalhar como catador em Boa Vista, capital de Roraima, mas o que quer para o futuro está fora dos lixões.

“Melhorar de vida, melhorar a vida da família também. Voltei a estudar, né? E quero me formar em direito. Tem o rap, mas também quero ter um trabalho assim, bacana”, conta.

O rapper é o orgulho da mãe, Mara Wapixana. Ela também coleta material no lixão, mas não vai ao local com frequência. “Não desejo isso aqui pra ninguém, mas para não tá pedindo nem tá roubando por aí, a gente fica por aqui mesmo.”

A montanha de lixo à beira da BR-174, os urubus e o forte cheiro do chorume fazem parte do ambiente de trabalho desses indígenas. O lixão acaba sendo a última possibilidade na busca pela sobrevivência, como conta o presidente da Organização dos Indígenas da Cidade, em Boa Vista, Eliandro Pedro de Sousa. “Para quem não aguenta mais estar naquela situação de trabalho de exploração da mão de obra, muitos não veem outra saída para sair daquela situação, senão fazer a coleta seletiva no lixo. O fundo do poço da questão indígena urbana é a presença no lixão.”

Para buscar visibilidade e saber as principais demandas desses trabalhadores, o projeto Nova Cartografia Social da Amazônia começou, em 2013, a atuar com os indígenas coletores de material reciclável na capital de Roraima. A maioria dos índios demandava a regularização da profissão de catador e o acesso a documentos. A coordenadora da equipe de trabalho do projeto, Marineide Peres da Costa, conta que grande parte dos indígenas é formada por estrangeiros, principalmente da Guiana e, mais recentemente, da Venezuela. Para ela, o local é desolador.

“É um ambiente muito pesado. Tá certo que é uma classe trabalhadora, mas ela não é valorizada. Elas não conseguem a sustentabilidade do próprio trabalho. É muito desvalorizada, principalmente as mulheres que estão ali em cima”, conta.

Funai


Lixão em Roraima, à beira da BR-174 - Imagem: Maira Heinen/Radiojornalismo

A Funai acompanha de forma tímida a situação dos indígenas catadores, como define o próprio coordenador da fundação em Boa Vista, Riley Mendes. “Quando a gente começou a acompanhar, eles se dispersaram. Eles não queriam ser contados como catadores de lixo. Foi muito tímido ali no início. Mas eles não se identificavam como indígenas. Eles não queriam ser identificados como indígenas.”

Para alguns indígenas, a melhora de vida pode vir com a adequação do local à Lei de Resíduos Sólidos, com a atuação de cooperativas e de uma usina de reciclagem. O aterro sanitário de Boa Vista deve se adequar à lei até meados de 2018, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Boa Vista. Os catadores, de acordo com o secretário Daniel Peixoto, serão contemplados. Mas há um porém em relação a indígenas estrangeiros.

“Não cabe a responsabilidade da prefeitura nesse sentido. Se ele estiver ilegal no país, eu não tenho como botar ele para trabalhar”, disse.

Mas a possibilidade de mudança no lixão anima Márcio Wapixana, que espera trabalhar com carteira assinada. “Vai ser carteira assinada, né? Aí vai ser bom agora. A vida vai melhorar, de muita gente. Ainda mais para o pessoal daqui, que precisa muito. Vão ser abertas três cooperativas, né?”

Edição: Talita Cavalcante

Fonte: http://www.revistaecologico.com.br/

destaques

19 de abr de 2017

Alta do nível do mar pode afetar até cidades que estão longe dele

Impactos geográficos do aumento do nível das águas oceânicas podem ir muito além das zonas costeiras — continente a dentro.


Ondas na Califórnia (Staff/Getty Images)

No debate sobre mudanças climáticas, o aumento do nível do mar, acompanhado de maior incidência de inundações, é comumente associado a riscos e prejuízos para as cidades costeiras. Mas seus impactos geográficos podem ir muito além — continente a dentro.

Quando o furacão Katrina atingiu o estado americano de Louisiana em 2005, devastando a cidade de Nova Orleans, localizada às margens do Rio Mississippi, milhares de evacuados correram para as cidades do interior em busca de segurança, aumentando a pressão nessas regiões.

Um novo estudo da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, prevê que isso poderia acontecer novamente como resultado do aumento do nível do mar. Em artigo publicado nesta semana na Nature Climate Change, pesquisadores estimam que, só nos EUA, aproximadamente 13,1 milhões de pessoas poderiam ser deslocadas pela subida das águas oceânicas.

O estudo é a primeira tentativa de modelar o destino de milhões de migrantes potencialmente deslocados de comunidades costeiras densamente povoadas. Em busca de abrigo, os forçados a se mudar naquele país teriam como destino principal cidades como Atlanta, Houston e Phoenix.

“Nós normalmente pensamos sobre a elevação do nível do mar como uma questão costeira, mas se as pessoas são forçadas a se mover porque suas casas são inundadas, a migração pode afetar muitas comunidades sem acesso ao mar”, disse o principal autor do estudo, Mathew Hauer.

Segundo o pesquisador, embora as avaliações sobre o aumento do nível do mar sejam numerosas e ajudem a planejar o desenvolvimento de infraestruturas críticas nas zonas costeiras, poucos estudos investigam o destino das pessoas deslocadas e como a migração afetará essas regiões.

O novo estudo combina estimativas de populações em risco de elevação do nível do mar dentro de uma simulação de sistemas de migração para estimar o número de afetados e destinos potenciais de migrações nos Estados Unidos ao longo do próximo século.

“Alguns dos destinos inesperados sem litoral, como Las Vegas, Atlanta e Riverside, na Califórnia, já enfrentam problemas de gestão da água ou de crescimento”, disse Hauer, destacando que “incorporar, no planejamento, estratégias de acomodação de longo alcance poderia ajudar a aliviar a intensificação futura desses desafios”.

Segundo o estudo, entender as relações entre estressores ambientais, como a alta das águas oceânicas, e os movimentos migratórios é uma tarefa complexa. As migrações podem ser tanto temporárias de curto prazo quanto permanentes, mas uma coisa é certa: o aumento do nível do mar é um estressor ambiental único porque converte permanentemente terra habitável em água inabitável.

Embora restrita a um único país, a pesquisa dá uma ideia do efeito dominó que as mudanças climáticas podem ter sobre as cidades. Considerando o cenário mundial, os impactos da elevação do nível do mar ganham contornos ainda mais sombrios. Segundo pesquisa recente, atualmente, cerca de 1,9 bilhão de habitantes, ou 28% da população mundial, vivem a menos de 100 km das zonas costeiras em áreas menos de 100 metros acima do nível do mar.

Fonte: http://exame.abril.com.br
meio ambiente

18 de abr de 2017

Pesquisa revela que diabetes no Brasil cresceu 61,8% em 10 anos

O Rio de Janeiro é a capital brasileira com a maior prevalência de diagnóstico médico de diabetes.


O indicador de diabetes aumenta com a idade e é quase três vezes maior entre os que têm menor escolaridade. | Foto: iStock |

O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 8,9% em 2016. A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde, revela ainda que as mulheres registram mais diagnósticos da doença – o grupo passou de 6,3% para 9,9% no período, contra índices de 4,6% e 7,8% registrados entre os homens.

Segundo o estudo, o Rio de Janeiro é a capital brasileira com a maior prevalência de diagnóstico médico de diabetes, com 10,4 casos para cada 100 mil habitantes. Em seguida, estão Natal e Belo Horizonte (ambos com 10,1), São Paulo (10), Vitória (9,7), Recife e Curitiba (ambos com 9,6). Já Boa Vista é a capital brasileira com a menor prevalência de diagnóstico da doença, com 5,3 casos para cada 100 mil habitantes.

O levantamento revela que, no Brasil, o indicador de diabetes aumenta com a idade e é quase três vezes maior entre os que têm menor escolaridade. Nas pessoas com idade entre 18 e 24 anos, por exemplo, o índice é de 0,9%. Já entre brasileiros de 35 a 44 anos, o índice é de 5,2% e, entre os com idade de 55 a 64 anos, o número chega a 19,6%. O maior registro, entretanto, é na população com 65 anos ou mais, que apresenta índice de 27,2%.

Já em relação à escolaridade, os que têm até oito anos de estudo apresentam índice de diagnóstico de diabetes de 16,5%. O percentual cai para 5,9% entre os brasileiros com nove a 11 anos de estudo e para 4,6% entre os que têm 12 ou mais anos de estudo.

Hipertensão arterial

Ainda de acordo com a pesquisa, o número de pessoas diagnosticadas com hipertensão no país cresceu 14,2% na última década, passando de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016. As mulheres, novamente, registram mais diagnósticos da doença – o grupo passou de 25,2% para 27,5% no período, contra índices de 19,3% e 23,6% registrados entre homens.

O Rio de Janeiro é a capital com a maior prevalência de diagnóstico médico de hipertensão, com 31,7 casos para cada 100 mil habitantes. Em seguida estão Recife (28,4), Porto Alegre (28,2), Belo Horizonte (27,8)Salvador (27,4) e Natal (26,9). Já Palmas é a capital brasileira com a menor prevalência de diagnósticos da doença, com 16,9 casos para cada 100 mil habitantes.

Também no caso da hipertensão arterial, o indicador aumenta com a idade e é maior entre os que apresentam menor escolaridade. Nas pessoas com idade entre 18 e 24 anos, por exemplo, o índice é de 4%. Já entre brasileiros de 35 a 44 anos, o índice é de 19,1% e, entre os com idade de 55 a 64 anos, o número chega a 49%. O maior registro, entretanto, é na população com 65 anos ou mais, que apresenta índice de 64,2%.

Em relação à escolaridade, os que têm até oito anos de estudo apresentam índice de diagnóstico de hipertensão de 41,8%. O percentual cai para 20,6% entre os brasileiros com nove a 11 anos de estudo e para 15% entre os que têm 12 ou mais anos de estudo.

As informações são da Agência Brasil

Fonte: http://ciclovivo.com.br/
saúde

Nove verdades e uma mentira sobre a vacinação contra a gripe



O EXTRA também adora essas correntes do Facebook e desafia você a descobrir as 9 verdades e a única mentira sobre a vacinação contra a gripe, que começou nesta segunda-feira, em todas as unidade básicas de saúde do país. Vamos ver se você está por dentro!

1- Pela primeira vez, o Brasil está vacinando professores das rede pública e privada contra a gripe.

2- A campanha vai até o dia 26 de maio. E, no dia 13 de maio, um sábado, todos os locais de vacinação, além de postos extras, estarão abertos para facilitar o acesso da população alvo.

3- O esquema de vacinação muda conforme a idade do paciente: são duas doses para crianças de 6 meses a 8 anos de idade que nunca tenham sido vacinadas contra a gripe; e dose única para pacientes a partir de 9 anos.

4- Quem já recebeu a dose no ano passado não precisa mais se vacinar contra a gripe.

5- Após a aplicação da vacina, podem ocorrer, de forma rara, dor, vermelhidão e enrijecimento no local da injeção. São manifestações consideradas benignas, cujos efeitos costumam passar em 48 horas. A vacina não tem a capacidade de provocar gripe.

6- A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação alérgica grave em doses anteriores ou para pessoas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados.

7- Pessoas que tenham apresentado febre recente devem adiar a vacinação até que seu estado de saúde melhore.

8 – É preciso que todos estejam devidamente protegidos antes de o inverno chegar, já que a vacina precisa de 15 dias para garantir o efeito.

9 – Podem receber a vacina nos postos de saúde pessoas a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, profissionais de saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade – o que inclui adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas – e funcionários do sistema prisional. Portadores de doenças crônicas não transmissíveis também devem se vacinar. Esse grupo deve apresentar prescrição médica no ato da vacinação.

10- A gripe causou a morte de 2.220 pessoas no país, no ano passado. Nesse período, o Ministério da Saúde registrou 12.174 casos de influenza (gripe) no Brasil.


A vacina estará disponível nos postos até o dia 26 de maio Foto: Agência Brasil

ATENÇÃO! Quem acredita que apenas a 4 é mentira acertou em cheio! A vacina que está sendo aplicada este ano protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no último ano no Hemisfério Sul, de acordo com determinação da Organização Mundial de Saúde (A/H1N1; A/H3N2 e influenza B). Essa composição muda a cada ano. Por isso, a vacina tem que ser reaplicada todos os anos. É uma forma segura de reduzir o número de hospitalizações por pneumonias e a mortalidade por complicações da doença.

Se você está entre os grupos indicados para receber a vacina nos postos, não perca tempo.


Fonte: Extra - http://espacoecologiconoar.com.br/
destaques

17 de abr de 2017

Larvas de joaninhas serão distribuídas a jardineiros de Paris

A ideia é combater pragas de plantas como pulgões, sem utilizar inseticidas.


Uma joaninha chega a comer mais de 50 pulgões por dia. | Foto: iStock by Getty Images

A Prefeitura de Paris, na França, anunciou no final de março que irá distribuir 40 mil larvas de joaninhas para jardineiros amadores da cidade. A ideia é estimular práticas orgânicas de manejo pela cidade e coibir o uso de inseticidas e agrotóxicos.

Segundo a prefeitura da capital francesa, existem 29 espécies de diferentes besouros registrados na cidade e a espécie escolhida para ser distribuida é a Adalia bipunctata, conhecida como joaninha de dois pontos, uma espécie muito comum na Europa e América do Norte.

As joaninhas fazem parte da família dos besouros e se alimentam de pequenos insetos, ácaros, pólen e néctar. O inseto, apesar de considerado “fofo” por quase todos, é um predador voraz de pulgões, alimentando-se tanto da forma adulta deles, como da larva. Uma joaninha chega a comer mais de 50 pulgões por dia. Por este motivo, elas são perfeitas para realizar o controle biológico nos jardins e plantações.


Adalia bipunctata, conhecida como joaninha de dois pontos.

Esta abordagem faz parte da estratégia da cidade em apoiar práticas de jardinagem orgânica pelos seus cidadãos e assim, proteger a biodiversidade. É também uma maneira de educá-los, já que a partir de 1o de janeiro de 2019, o uso de pesticidas será proibido para todos os jardineiros amadores da cidade. Além disso, a cidade proibiu o uso dos herbicidas glifosato e 2,4-D na gestão dos espaços verdes e do meio ambiente desde que foram classificados pela Organização Mundial de Saúde, em 2015, como substância com probabilidade cancerígena.
Em 2001, Paris aderiu à gestão ecológica dos espaços verdes, mudando práticas de horticultura com técnicas diferenciadas, como a utilização de resíduos orgânicos de folhas e podas, conhecido como mulching, a compostagem, e a adaptação das plantas ao solo e clima.

As 40 mil larvas serão distribuídas em maio e junho. Uma caixa de 100 larvas será doada a cada uma das 110 hortas comunitárias da cidade. Além disso, mais de 1.600 pessoas com permissão para cultivar na cidade também receberão caixas com 15 a 20 larvas em um parque da cidade. Kits educacionais serão apresentados para auxiliar os jardineiros a utilizarem técnicas orgânicas que possam garantir o equilíbrio biológico em seus jardins.

Redação CicloVivo
curiosidades

Rio Doce: águas subterrâneas também estão contaminadas

Estudo revela que mesmo os poços artesianos estão com níveis de metais pesados na água acima do permitido pelo governo brasileiro; pequenos agricultores são os mais prejudicados.


A várzea do rio Doce é porosa, permitindo o contato da água contaminada com os aquíferos. A escavação de poços em meio à lama também é responsável pela água com altos níveis de ferro e manganês no subsolo

Após o desastre criminoso causado pela mineradora Samarco no Rio Doce, agricultores familiares se socorreram em poços da região para irrigar suas plantações e ter água para beber. O que o estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro revela agora é que, meses depois, além do rio, a água subterrânea também está contaminada por altos níveis de metais pesados, que prejudicam o desenvolvimento das plantações e entram na cadeia alimentar, oferecendo riscos à saúde no longo prazo.

O estudo "Contaminação por metais pesados na água utilizada por agricultores familiares na Região do Rio Doce", coordenado pelo professor João Paulo Machado Torres, do Instituto de Biofísica da UFRJ, é fruto da parceria entre o projeto Rio de Gente e o Greenpeace. O objetivo foi avaliar se os agricultores ainda têm condições de plantar com água limpa. As margens de rios em Minas Gerais e Espírito Santo sempre foram usadas para a agricultura, onde os produtores coletam a água diretamente do rio. Em casos de desastres como o do Rio Doce, a procura imediata são pelos poços artesianos para manter as plantações. A pesquisa, portanto, é também de segurança alimentar.


Em Colatina, muitas plantações estão ao lado do Rio Doce, e os produtores continuam usando essa água para irrigação, por falta de alternativa.

Um time de pesquisadores analisou a presença de metais pesados na água em três regiões diferentes da bacia do Rio Doce. As coletas foram feitas em Belo Oriente (MG), com amostras de poços, da água cedida pela prefeitura ou pela Samarco à população, do rio em Cachoeira Escura e nos distritos de Bugre e Naque; em Governador Valadares (MG), foram 16 pontos no distrito de Baguari, além das Ilhas Fortaleza e Pimenta; e Colatina (ES), na parte sul do Rio Doce, a cerca de 427 km de Mariana.
A realidade encontrada foi de agricultores usando água sem saber que estão com altos níveis de ferro e manganês. Em geral, a mesma para a irrigação é usada também para beber.

Belo Oriente apresentou 5 pontos de coleta com valores de ferro e manganês acima do permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em Governador Valadares houve 12 pontos e, em Colatina, 10 pontos com os valores acima do permitido. De acordo com o estudo, a água desses locais não é adequada para consumo humano, e em alguns casos, também não se recomenda a irrigação das plantas – situação de alguns pontos de Governador Valadares e Colatina. “Os resultados não são animadores. É preocupante a falta de informação das autoridades em relação a questões fundamentais para a saúde da população”, afirma Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace.


Pesquisadores coletam amostras da água do Rio Doce em Belo Oriente (MG).

Para saúde, o risco é de acumulação desses metais no organismo ao longo do tempo, considerando as altas doses a que as pessoas estão expostas. O manganês pode causar problemas neurológicos, com sintomas da Síndrome de Parkinson. Já o ferro, em quantidades acima das permitidas, está relacionado a problemas enzimáticos que danificam rins, fígado e o sistema digestivo. “Após o desastre, a lama se transformou numa poeira muito fina, que também pode ser inalada. A absorção pulmonar acaba sendo mais eficiente para o manganês”, diz o pesquisador André Pinheiro de Almeida.

“O quadro dessa tragédia deixa uma cicatriz. As questões de água e saneamento precisam ser levadas a sério. Será que essas pessoas não se envergonham do que fizeram?”, questiona o coordenador do estudo, João Paulo Machado Torres.
Agricultura comprometida

A curto prazo, o grande impacto tem sido na agricultura. Os pesquisadores aplicaram questionários com os pequenos produtores rurais dessas localidades para analisar como seus modos de vida foram atingidos pela lama. Segundo o relatório, “88% dos entrevistados afirmaram terem alterado o tipo de cultivo e/ou criação realizada pela família após o incidente.” A produção, principalmente de peixes e cabras, foi extremamente afetada pelo desastre, sendo que a criação de peixes ou pesca praticamente desapareceram na Bacia. As culturas e produções afetadas necessitam de altas concentrações de água. “O rio foi ferido de morte”, diz Torres.


A camada de lama destruiu plantações e hoje, seca, continua afetando a vida e a saúde dos pequenos produtores.

O estudo ainda demonstra que antes de romper a barragem, 98% dos entrevistados utilizavam água do Rio Doce para atividade econômicas do dia-a-dia. Após o desastre, apenas 36% continuam utilizando a mesma água. Destes, 87% utilizam a água para irrigação. Quase 60% dos entrevistados considera a água imprópria para uso, o que demonstra as incertezas e falta de informação que ameaça o direito das populações que vivem à beira do rio.

“É uma água de péssima qualidade, com gosto e cheiro ruins, que inviabiliza o plantio de muitas espécies. Elas morrem logo após as regas ou não se desenvolvem bem”, informa Almeida. Segundo ele, muitos agricultores entrevistados têm passado dificuldades financeiras, quando não abandonaram suas terras, porque não conseguem mais produzir com o solo e a água que têm. Os mais afetados são aqueles localizados nas ilhas da região.


A água contaminada na irrigação prejudica o desenvolvimento das plantas, afetando a sobrevivência de muitos produtores.

Fica constatado, portanto, que a empresa Samarco e suas controladoras Vale e BHP necessitam arcar de maneira responsável com os estragos feitos. Ainda que a barragem tenha se rompido em novembro de 2015, os danos continuam afetando a população até hoje. Deve haver um esforço conjunto entre municípios e a empresa responsável para monitorar o nível de contaminação da água e a saúde das pessoas que dependem do Rio Doce.

Afinal, numa tragédia desse tamanho, não é possível imaginar que tudo estará normal em cinco ou dez anos. O metal não vai deixar de ser metal nem sair do rio sozinho. A cada chuva, mais desses contaminantes que estão acumulados nas margens vão parar nas águas.

“A contaminação por metais pesados pode ter consequências futuras graves para as populações do entorno, que necessitam de suporte e apoio pós-desastre. Isso deve ser arcado pela empresa e monitorado pelo governo brasileiro”, defende Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace Brasil.

Fonte: http://www.greenpeace.org/
meio ambiente

14 de abr de 2017

República, Lima, vacina e exclusão

O Império deu aos homens e mulheres alforriados o status de seres livres, enquanto que a República ofereceu a eles a sina da exclusão.


Estima-se que nas eleições parlamentares de 1886, somente 0,8% da população brasileira tenha votado. Era ainda o tempo do rei, ou melhor, tempo do imperador, e o critério que definia a participação política era, principalmente, censitário, isto é, a renda. Tudo normal para uma monarquia escravocrata de raízes absolutistas, já envelhecida nas suas estruturas e esgotada diante das circunstâncias inovadoras das ordens social e econômica.

De fato, o café – não ele, mas os capitais advindos das suas exportações – contribuiu enormemente para inserir o país em uma ordem mais próxima do capitalismo, que parecia triunfar em todo o mundo ocidental. Cidades, ferrovias, telégrafo, iluminação pública, alamedas calçadas e saneadas, centros comerciais e financeiros (bancos), além de segmentos sociais urbanos de novo tipo, sinalizavam para o advento da “Belle Époque tropical”. A anglofilia econômica e a francofilia cultural desfilavam pelas ruas, plenários, gabinetes, passarelas e teatros de quase todo o país, encantando as elites agrárias que já investiam nas cidades e uma minúscula classe média, também encantada com tudo o que viesse de Paris ou com o que possuísse rótulo britânico.

Dezoito meses depois de oficializada a abolição da escravidão (maio de 1888), aquelas “modernas” elites cafeeiras do Sudeste se associaram aos militares do Exército para desfechar um golpe mortal nas velhas estruturas monárquicas e assinar o passaporte para a modernidade política: a República.

Assim, com um atraso de pelo menos sete décadas, se comparada com os vizinhos latino-americanos, por exemplo, a forma republicana de governar chegava à terra de Lima Barreto, o grande literato brasileiro que, desde os primeiros tempos, viu o novo regime como excludente e discricionário; e que também o percebeu como um criadouro de políticos “mais ou menos diplomados” que exploravam a miséria e a desgraça dos mais humildes. Para ele, “A república do Brasil é o regime da corrupção. Todas as opiniões devem, por esta ou aquela paga, ser estabelecidas pelos poderosos do dia. Ninguém admite que se divirja deles e para que não haja divergências, há a “verba secreta”, os reservados deste ou daquele ministério e os empreguinhos que os medíocres não sabem conquistar por si e com independência”.

A indignação do genial escritor custou-lhe não somente o ostracismo literário, mas a própria exclusão social, já que, dado como louco, acabou em um manicômio. Nascido no dia 13 de maio na cidade do Rio de Janeiro, Afonso Henrique de Lima Barreto (1881–1922), filho de pais mestiços e pobres, sofreu preconceito a vida toda. Ainda na infância ficou órfão da mãe, que era professora primária. Seu pai, tipógrafo, enlouqueceu, deixando a seu encargo o sustento e a educação de três irmãos. Estudou em meio à elite branca em tradicional colégio da capital federal, sempre com a ajuda do padrinho, o Visconde de Ouro Preto.

Em 1904, Lima Barreto foi forçado pela doença do pai a abandonar a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde estudava Engenharia. No mesmo ano consegue emprego de escrevente copista na Secretaria de Guerra e, simultaneamente, escreve para jornais e revistas do Rio.

Cinco anos depois, publicou seu primeiro romance, “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, obra que muito se assemelha a uma autobiografia – a trajetória de um jovem mulato que, vindo do interior, sofre com preconceitos raciais. Outras obras virão com o mesmo perfil. Em “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, ele descreve a vida de um senhor aposentado e suas lutas pela salvação do Brasil. Tudo isso nos tempos da infância republicana no Brasil. Esse breve histórico nos serve para afirmar a autoridade daquele escritor quando ele externava seu espírito inquieto e rebelde, seu inconformismo com a mediocridade que reinava na jovem república tupiniquim. E fora ele tachado de louco.

Fora outra a nossa proposta republicana, identificar-se-ia facilmente nela própria a insanidade maior, afinal foram os republicanos que assaltaram o poder os grandes responsáveis pela histeria modernizante que despejou nos morros do Rio de Janeiro a população trabalhadora que vivia nos cortiços do centro da capital. Ela, a Res (coisa) Pública (coletiva, de todos), projetou a modernidade excluindo quem não estivesse adequado aos encantos da Belle Époque, ou quem atrapalhasse os projetos saneadores da nova ordem liberal e republicana. Reestilizar a capital federal era tão importante quanto saneá-la ou cuidar da saúde pública. Naquele contexto, a Revolta não era contra a Vacina, era contra a favelização da cidade, e Lima Barreto sabia disso.

Embutida no ideário liberal iluminista burguês, que preconizava uma ordem social onde todos os homens fossem iguais perante a lei, a proposta republicana chegou ao Brasil sem incluir. Sua primeira Constituição, promulgada em 1891, sequer reconhecia os direitos dos povos indígenas sobre os territórios por eles habitados; às mulheres e aos analfabetos – maioria esmagadora da sociedade da época – foi negado o direito de votar; aos que votavam, era negado o sigilo do voto. De tão preocupada com o “rei” café e com as maravilhas advindas com a ordem e com o progresso, as elites republicanas esqueceram-se de, minimamente, reconhecer aos trabalhadores recém-saídos das senzalas o direito ao trabalho, à vida, à existência. O Império deu aos homens e mulheres alforriados o status de seres livres, enquanto que a República ofereceu a eles a sina da exclusão.

A República não era mesmo a dos sonhos de Lima Barreto, de Chiquinha Gonzaga, de José do Patrocínio, de Lopes Trovão, Luiz Gama, Cruz e Souza ou mesmo de Silva Jardim. República com cidadania era coisa de subversivos, de incendiários. Ela, a República real, tinha na verdade classe e cor. De tão excludente que era, parece ter oferecido às elites brancas que a construíram direitos perpétuos de mandar, excluir e corromper…e Lima Barreto, assim como os outros subversivos da República, já sabia.

Por Fernando Antônio Gelfuso
Cientista Social, Historiador, Professor.

Fonte: http://www.xapuri.info
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Saiba quais os benefícios do chocolate e coma sem culpa

Cacau tem efeito estimulante, reduz riscos de doenças do coração e promove sensação de prazer.


O recomendado é a ingestão diária de, no máximo, 50 gramas. | Foto: iStock |

O chocolate, sem dúvida, é a paixão de muita gente. Seja pelo sabor delicioso ou pela sensação de bem-estar que proporciona, ele é o alimento preferido de quase toda a população. De acordo com pesquisa realizada recentemente pelo Ibope Inteligência, cada brasileiro consome anualmente, em média, 2,5 kg desse alimento – o equivalente a 16 barras. O Sul é a região do País onde as pessoas mais comem chocolate, cerca de 4,5 kg por ano.

E, para a surpresa de quem ama chocolate, além de muito gostoso ele também possui diversas propriedades que fazem muito bem à saúde. O cacau tem efeito estimulante e é fonte de magnésio e flavonoides, que previnem contra os coágulos sanguíneos. Com a produção dos chocolates nas versões mais amargas (a partir de 50% de cacau), a fruta tem inúmeros benefícios, pois contém altas doses de proteínas, sais minerais e vitaminas.

“O cacau possui polifenóis flavonoides, que reduzem os riscos de doenças no coração, e as substâncias precursoras da serotonina e endorfina, que promovem uma sensação de prazer, euforia e bem-estar. Mas, o consumo deve ser moderado”, alerta a nutricionista do Hapvida Saúde, Suzele Lima.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o recomendado é a ingestão diária de, no máximo, 50 gramas. Essa é a quantidade ideal para o alimento promover os benefícios sem que se torne um vilão da dieta ou do controle de peso. “Isso equivale a um brigadeiro ou um quadradinho de uma barra”, explica a nutricionista.

E mesmo para quem segue a regra dos 50 gramas por dia, não vale economizar durante a semana e consumir tudo de uma só vez. “Não seria benéfico fazer todo o consumo em um só dia, pois a quantidade de gordura e açúcar em concentração maior pode não fazer parte da necessidade energética do indivíduo ou de seu gasto calórico. Desta forma, o que o corpo não utiliza pode ficar acumulado e aumentar o ganho de peso a longo prazo ou alterar o colesterol, triglicerídeos e glicemia”, orienta a especialista.

Se ingerido em grande quantidade, o chocolate pode provocar enxaqueca, diarreia, azia, agitação e insônia, que são efeitos colaterais imediatos. Já os efeitos tardios são o aumento de peso e a formação de cálculos renais.

Colesterol e diabetes: e agora?

Se você tem esses problemas de saúde, calma. Não precisa ficar sem comer chocolate. Basta apenas fazer a escolha certa para não prejudicar a sua saúde.

Atualmente, para quem sofre com a diabetes, existe a opção do chocolate diet, que tem quantidade de açúcar muito reduzida, porém com um pouco mais de gordura. Já o meio amargo, por exemplo, possui 40% a 55% de cacau, somados a açúcar e manteiga de cacau, e o amargo ou negro possui 60% a 85% de cacau, com pequenas quantidades de gordura, sendo o mais indicado para aqueles que têm problemas com o colesterol. O ideal, porém, é procurar a recomendação médica para melhor direcionamento.

Fonte: http://ciclovivo.com.br
saúde

13 de abr de 2017

Mobilização global pede o fim da era fóssil

Mais de 130 eventos já foram registrados nos seis continentes, reunindo milhares de pessoas com um mesmo objetivo: parar a indústria dos combustíveis fósseis.





Entre 05 e 13 de maio, a campanha global que tem o crescimento mais rápido da história terá um de seus momentos mais importantes: em diversas partes do globo acontecerá a Mobilização Global pelo Desinvestimento. O objetivo é alertar as pessoas e os líderes mundiais sobre os efeitos destruidores das mudanças climáticas e a urgência do rompimento com a indústria dos combustíveis fósseis.

Entidades de diversos segmentos da sociedade já se juntaram ao movimento global que pede a governos, empresas, organizações, igrejas, universidades e indivíduos a retirada de investimentos em carvão, petróleo e gás. Instituições de grande prestígio e relevância, como as universidades de Glasgow e Standford, respectivamente na Escócia e Estados Unidos, já anunciaram publicamente seus compromissos.

Capitaneadas pela 350.org mais de 700 instituições em 76 países já aderiram à campanha pelo desinvestimento, o que significa mais de U$5 trilhões já retirados de investimentos em projetos ligados a combustíveis fósseis. Para a semana de mobilização já foram registrados, até o momento, mais de 130 eventos ao redor do mundo.

“As pessoas estão encontrando formas criativas para manifestar sua insatisfação com o modelo energético corrupto e sujo que temos hoje, e que já se anuncia catastrófico com os registros de secas severas, enchentes devastadoras, degelo nos polos, aquecimento e acidificação dos oceanos”, afirma Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina. Para ela, “se é errado destruir o planeta, é errado lucrar com essa destruição.”

No Brasil, uma grande vigília à luz de velas será realizada na Catedral da Diocese do Divino Espírito Santo de Umuarama, no Paraná, e vai reunir milhares de fiéis em preces pelas pessoas afetadas pelas mudanças climáticas na América Latina e em todo o mundo.

Destacando a importância da causa ambiental e trazendo para o cerne do debate público a preocupação com a “Casa Comum”, a Encíclica Laudato Si, lançada pelo Papa Francisco em junho de 2015, jogou luz sobre uma questão que afeta a todos os seres vivos. A partir de uma visão integral do que deve ser a “ecologia”, diversos grupos e indivíduos da Igreja uniram-se ao movimento global de combate aos principais emissores de gases do efeito estufa: os combustíveis fósseis.

Na Argentina, o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel se somou à chamada para o Movimento Global pelo Desinvestimento junto com outras personalidades. Eles participarão de conferências sobre a temática com jovens de várias universidades e estão organizando atividades para acompanhar a campanha pelo Desinvestimento na Universidade de San Martin, através do Centro de Alunos da Escola de Política e Governo. Na Universidade de Buenos Aires será realizada uma palestra do Frei Eduardo Agosta, sacerdote da Diocese de Lomas de Zamora e docente do curso de pós-graduação “Variabilidade Climática e seus impactos”.

“Para se ter uma ideia da abrangência, a 350.org Japão está organizando um dia de workshops e eventos abertos ao público em Tóquio, para encorajar as pessoas a escolherem bancos que não invistam seu dinheiro em projetos e empresas ligadas aos combustíveis fósseis ou energia nuclear”, explica Nicole.

Pessoas na Nova Zelândia e na Austrália também irão unir forças e se manifestar em frente a centenas de agências do Banco Westpac, pedindo que a instituição se junte ao movimento #StopAdani e retire seus investimentos da desastrosa e gigantesca mina de carvão de Adani.


Atividades para todos os gostos

No Reino Unido, dezenas de eventos abrangem desde a construção de uma arca para enfatizar os riscos das enchentes, até eleitores pressionando seus parlamentares para que desinvistam seus fundos de pensão dos combustíveis fósseis, e ações que simbolizam o “fracking” em frente a agências do Banco Barclays.

No Vietnã, jovens farão marchas com um par de pulmões infláveis gigante, passando por cinco universidades. A ação vai denunciar os impactos da poluição do ar causada pelos combustíveis fósseis. Enquanto isso, performances de arte de rua vão espalhar a mensagem do Desinvestimento em Taipei, Taiwan.

Na África do Sul, estudantes da Stellenbosch e da Universidade de Cape Town vão pedir às instituições para que retirem seus investimentos dos combustíveis fósseis. Uma delas será a primeira universidade do continente africano a desinvestir.

Performances artísticas “oleosas” acontecerão de forma coordenada em várias instituições culturais em todo o mundo, em lugares icônicos como o Museu do Louvre, a Fundação Nobel e o British Museum, pedindo a essas instituições para que rompam seus laços com os patrocinadores do ramo dos combustíveis fósseis.

“E estas são apenas ideias de ações que chamaram atenção pela clareza e firmeza. Todos, em qualquer lugar do planeta, podem aumentar a pressão para que suas instituições desinvistam dos combustíveis fósseis e passem a priorizar projetos para a geração de energia renovável, segura, justa e livre”, completa Nicole.



Por Silvia Calciolari
destaques

Parlamentares modificam MP para permitir mineração em Parque no Pará


Deputados e senadores acertam os últimos detalhes do relatório da MP 758 antes da votação simbólica. Na foto, deputado Josué Bengtson (PTB-PA); senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA); relator José Reinaldo (PSB-MA) e senador Paulo Rocha (PT-PA). Foto: Roque de Sá/Agência Senado.

Um dia após aprovarem um texto recortando ainda mais a Floresta Nacional de Jamanxim, parlamentares membros de outra comissão mista votaram para desmembrar outras duas Unidade de Conservação do oeste do Pará: o Parque Nacional de Jamanxim e a Floresta Nacional de Itaituba II, que originalmente não estava na matéria. As mudanças beneficiam mineradores que exploram ouro na região.

Em dezembro, o governo Temer alterou, via Medida Provisória, os limites do Parque Nacional de Jamanxim. A mudança foi pontual: 862 hectares foram tirados para dar lugar a ferrovia Ferrogrão. Em compensação, o governo anexou 51 mil hectares de uma área pertencente à Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós no Parque. Após a ampliação, o parque passou a abrigar um território de 909 mil hectares e a APA do Tapajós passou de 2.039.580 hectares para 1.988.445 hectares. Isso até a Medida Provisória ir para o Congresso.

Após tramitar em uma comissão mista formada por deputados e senadores, a matéria foi descaracterizada. Foram apresentadas 7 emendas à proposta original em fevereiro. O relator, deputado José Reinaldo (PSB-MA), acatou parcialmente 4 emendas. A votação, feita em menos de 10 minutos na manhã desta quarta-feira (12), incluiu a diminuição na Floresta Nacional de Itaituba II e a criação de mais três Áreas de Proteção Ambiental: a APA de Rio Branco, a APA de Carapuça e a APA de Trairão.

Com as mudanças do relator, a chamada Medida Provisória da Ferrogrão ficou assim: 273 mil hectares do Parque Nacional do Jamanxim foram transformados nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Carapuça e Rio Branco e 71 mil hectares do Parque foram incorporados à Floresta Nacional do Trairão. As mudanças também atingem a Floresta Nacional Itaituba II, que teve 42% do seu território transformado na Área de Proteção Ambiental do Trairão (Veja Tabela).



A criação e recategorização de unidades de conservação de categorias mais restritivas em APAs sinaliza a legalização de títulos de terra e de passivos ambientais do grosso dos proprietários de terra legítimos e invasores, já que essa a categoria de unidade de conservação mais branda do país. Um parque nacional, por exemplo, é uma unidade de 'Proteção Integral', onde só é permitido a visitação. Já uma Floresta Nacional é uma unidade de 'Uso Sustentável' cujo objetivo é a exploração de produtos florestais (madeiras, sementes, etc), mas não permite propriedades privadas dentro. Já uma APA, a mais branda de todas, comporta propriedades privadas e produção, com pouquíssimas restrições.

Na Medida Provisória 758, o governo aumentou a proteção da área no entorno da BR 163, ao anexar 51 mil hectares da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós no Parque Nacional de Jamanxim, uma categoria mais restritiva. Os parlamentares fizeram o movimento contrário: retiraram 442,865 mil hectares do Parque, sendo que 79% dessa redução foram para as APAs e 21% viraram floresta.

A criação das APAs, segundo admite o relator, deputado José Reinaldo, permitirá a continuidade de atividades mineradoras anteriores à criação de reservas ambientais com a justificativa de que “ali há investimentos muito grandes que não podem ser desconhecidos”.

O relator destacou ainda que os pequenos produtores rurais foram prejudicados com a criação das Unidades de Conservação em 2006, criadas para impedir o aumento de desmatamento ao longo da BR 163, que estava sendo asfaltada. Autor da emenda que cria a APA de Carapuça, o deputado Francisco Chapadinha (PTN-PA) afirmou que a mudança de categoria “concilia a continuidade das atividades produtivas com a preservação ambiental”.

A demanda no Congresso é recategorizar ou até sustar as Unidades que impedem o aumento da produção agropecuária e exploração mineradora no seio da Amazônia. O movimento ganhou força recentemente com a diminuição de áreas protegidas no Pará pelas Medias Provisórias 756 e 758. As modificações feitas pelos congressistas nos dois textos já atingem 1 milhão de hectares em pelo menos 5 unidades de conservação: nas Florestas Nacionais de Jamanxim e Itaituba II, nos Parques Nacionais do Jamanxim e São Joaquim e na Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo.

Com informações da Agência Senado.

Fonte: http://www.oeco.org.br
meio ambiente

 

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